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Projeto editorial e político do "jornal de esquerda"

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Capítulo III – O SETOR DE COMUNICAÇÃO DO MST

2. Projeto editorial e político do "jornal de esquerda"

A comissão responsável por pensar o projeto editorial do novo jornal, que a partir da reunião de 29 de junho passa a ser conhecido como "jornal de esquerda", se reúne e formula o projeto a partir dos pressupostos colocados e discutidos acima. A dinâmica comum às outras comissões é de escrever documentos e submetê- los às críticas e sugestões do coletivo, aprimorando o projeto até fechá-lo. Algumas pessoas ficaram responsáveis por partes específicas do projeto, como a formulação das editorias. Também foram debatidas nas reuniões amplas as sugestões enviadas a partir de discussões puxadas pelos militantes do MST fora do estado de São Paulo.

O primeiro esboço do projeto editorial, feito pelo jornalista José Arbex Júnior, e chamado de "Projeto editorial do Jornal de Esquerda" incorpora aos pressupostos iniciais vistos acima (documento-base apresentado pelo MST e sugestões tiradas da primeira reunião, em 29 de junho), uma lista de aspectos que chama de "O que o jornal não é", elementos que deveriam ser evitados. Segundo este documento o jornal não é, ou não deveria se tornar: político-partidário, não excluindo "em princípio, nenhuma corrente de opinião de seu quadro de colaboradores (exceto, obviamente, aqueles que se opõem aos seus princípios gerais)"; ideológico, ou seja, "não colocando a ideologia na frente dos fatos. Isto é, ele não usa os fatos como simples exemplo para ilustrar uma ideologia [...] o que não significa que ele não tenha uma ideologia"; "de amigos para amigos", o que significa que o jornal não deve carregar uma "linguagem cifrada, falada apenas por determinados guetos culturais e ideológicos. Sua linguagem deve ser, ao contrário, de fácil entendimento para qualquer leitor médio, de qualquer região do Brasil" (Projeto editorial do jornal de esquerda, 2002, p.2).

Em contraposição, o jornal deveria ser: um semanário independente, "sem vínculo político-partidário nem associação a qualquer grupo empresarial"; moderno, "de leitura dinâmica e agradável, para um público que já é consumidor de jornais, ou que poderá se tornar ao notar que existe uma nova opção na praça"; sério, ao ponto de se tornar "referência e leitura obrigatória para quem quer de fato saber o que está acontecendo"; bonito; informativo, "com grandes reportagens, com denúncia de fatos e amplo espaço para o jornalismo"; ter linguagem clara, sem cair na banalização; contemplar a diversidade de temas com

criatividade; conduzir à reflexão, refletindo o "projeto popular para o Brasil", seus desafios e as saídas [...] para resolver os problemas do povo; e ter dimensão nacional, abarcando "a amplitude dos fatos e problemas de todo o país". (Projeto editorial do jornal de esquerda, 2002, p.3).

O público alvo do jornal era definido neste esboço como:

As pessoas progressistas, organizadas e desorganizadas, que querem mudanças no Brasil. Esse público vai desde a militância social engajada até a classe média desanimada, que conforma os eleitores do Lula-89, e que, portanto abarcam milhões de brasileiros. Embora por suas limitações de jornais, chegaremos apenas a alguns milhares. Há também um "filão" preferencial que seriam os sindicalistas, intelectuais, estudantes universitários e secundários, profissionais liberais, funcionários públicos etc. e que têm capacidade de formar opinião, multiplicar idéias e debates.

Segundo o referido documento, o formato seria tabló ide germânico, com vinte e quatro páginas e quatro cores. A proporção entre texto e imagem seria de 60% a 40%. Suas páginas seriam divididas entre as seguintes editorias: “nacional (política brasileira); economia (nacional e internacional); política internacional; cultura; esportes e obedeceriam à seguinte ordem”:

Capa; página 2: editorial, expediente, cartas dos leitores ou artigos de opinião, campanhas; páginas 3 a 10: política e economia, sendo "o desafio aqui é cobrir essa área dando um rosto a quem não tem visibilidade, e dando voz a quem normalmente não é ouvido", entrevista, artigos de opinião; páginas 11 a 14: internacional; páginas 15 a 20: cultura; páginas 21-23: esportes, "com um enfoque cultural" e página 24, a contracapa, deveria abrigar sempre um assunto "quente".

A partir desse esboço, colocado para discussão entre o grupo ampliado que se formava em torno do projeto, começaram a aparecer as primeiras divergências em torno das perspectivas para o jornal e do papel que ele deveria cumprir. Essas divergências diziam respeito principalmente ao público que o jornal deveria atingir e refletiam nas escolhas que o projeto editorial deveria fazer. Os dois caminhos distintos apontavam para a escolha de falar com um público militante e já organizado dentro dos movimentos de esquerda ou para o desafio de construir um jornal voltado para um público ampliado, não necessariamente organizado em partidos ou movimentos, concepção que aparecia como pressuposto para a existência do jornal desde os primeiros documentos. Para José Arbex Júnior:

Uma perspectiva é que deveria ser um jornal de esquerda, voltado para a esquerda e com um conteúdo basicamente endereçado à militância de esquerda [...]. E havia

outra perspectiva que era um jornal que se definia por uma linha antiimperialista, socialista, mas o público alvo dele não era a esquerda, era a nação brasileira. Era um jornal que iria disputar, em banca, a audiência da nação brasileira [...]. A idéia era mostrar para o leitor do Estadão, da Folha e da Veja que havia outro Brasil. E que era um Brasil que não seria descrito para o leitor por um jargão de esquerda. Mas seria descrito por uma linguagem normal, que todo mundo fala na rua, no dia a dia.

Na ata da reunião feita em 30 de agosto de 2002 entre as comissões do projeto editorial e multimídia, fica claro que a existência de duas concepções permeia todas as discussões, já que o jornal precisaria definir seu caráter para "decidir seu nome, a distribuição, a equipe etc.". O documento coloca as duas concepções como: 1. (jornal) "com caráter profissional, mas com um enfoque político diferente dos jornais tradicionais" e 2. (jornal) "com caráter militante, de opinião, não-profissional".

Nilton Viana reforça a perspectiva de Arbex para o jornal, inclusive colocando que o grupo procurou se espelhar nas experiências anteriores de jornais de esquerda para evitar os mesmos erros:

Nós intensificamos muito o debate em torno de como e qual deveria ser esse instrumento, ou seja, esse veículo de comunicação, inclusive debatendo as experiências da esquerda, já que na verdade nós não estávamos inventando a roda [...] A esquerda brasileira sempre procurou criar seus próprios meios, então nós debatemos muito os erros e acertos desses meios específicos que a esquerda sempre procurou criar. Um deles é que nós não faríamos um jornal de nenhum partido político ou de uma tendência política específica, ao mesmo tempo em que não seríamos uma república de tendências. Não seria um jornal doutrinário, dogmático, massudo, seria um jornal com reportagens, que fizéssemos mesclado com profissionalismo e militância. E mais, não faríamos um jornal para nós mesmos, ou seja, para militância. O jornal nasceu especificamente para dialogar com outro público da sociedade brasileira, não com a militância, emb ora seja um instrumento que sirva de subsídio para a militância, para fazer o debate político-ideológico [...] Alguns queriam que fosse um jornal voltado para a militância, um pouco dentro da linha dotrinária- dogmática, de se algo que fosse um instrumento para a vanguarda [...] Então nós mesclamos todos esses debates e chegamos a um meio -termo. Ou seja, vamos fazer um jornal bonito, que vá para as bancas, que seja atrativo, com linguagem profissional, jornalística - com reportagem - mas que ao mesmo tempo seja um jornal que se posicione politicamente frente aos grandes desafios da conjuntura.

Em relação ao público-alvo do Jornal, Nilton identifica-o aos eleitores históricos do PT:

Fundamentalmente, a gente trabalhava com a perspectiva, sobre qual seria nosso público. O PT tinha uma média até 1994, de 18 a 20 milhões de votos. Foi uma média que se manteve desde 1989 sem se alterar muito. Foram sempre votos ideológicos, de pessoas progressistas que querem mudanças estruturais no país. Nós inclusive, em linhas gerais, dizíamos que queríamos atingir esse público. Esse público que está disperso no país. Não esse público que elegeu no Lula no primeiro mandato, esses 54 milhões de pessoas, que aí já foi reflexo de marketing, que não condiz com o voto ideológico.

Já Ricardo Gebrim, em entrevista a autora, declara que o grupo se referenciava no número de pessoas que se agregaram em torno do Plebiscito sobre a ALCA, em 2002. Segundo ele:

Nós tínhamos um levantamento de que a idéia de organizar o plebiscito sobre a ALCA tinha mobilizado no Brasil todo, 156 mil ativistas. Era um público bem plural, de todas as forças políticas de esquerda, mas isso para nós era uma referência. Existem 156 mil pessoas que, em tese, seriam o público alvo desse jornal. Então a gente falava e pensava muito nesse número, existem aí 156 mil pessoas, nós temos até a lista delas aqui, porque participaram do plebiscito, estavam envolvidas nisso, poderiam assumir, se interessariam num jornal como esse, poderiam ser o público alvo desse jornal. Então essa era a referência principal, que era algo bem amplo.

As duas concepções distintas sobre o papel e o caráter do jornal aparecem novamente no momento da escolha de nomes. Desde o início das discussões, o MST recolheu sugestões dadas em reuniões e enviadas por correio eletrônico. No momento de sistematização e escolha, havia duas linhas distintas para o nome do jornal, que refletiam as duas perspectivas, uma mais voltada para a luta dos trabalhadores e para a tradição socialista e outra mais preocupada em estabelecer um diálogo com a população em geral. Segundo Miguel Stedile, em entrevista concedida para esta pesquisa:

Tinham propostas como "Aurora" 16, por causa do navio... Super bolchevique. [...] O Arbex dizia o seguinte: "Olha, todo mundo tem uma idéia de jornal. Todo mundo quer construir um jornal de esquerda nacional e tal. É um momento histórico, estamos empolgados com isso. Se fosse por mim, o jornal se chamaria 'A Centelha', 'Socialismo ou Barbárie', mas o jornal não vai ser feito para mim". Então a gente tinha que disputar os setores de forma mais ampla. É claro que o jornal vinha falar para um público mais amplo, mas também deveria falar para a militância, para as organizações, ele se pretendia plural nesse aspecto.

A preocupação do grupo que defendia uma concepção mais aberta de jornal era de que a escolha do nome restringisse a penetração do jornal a grupos de esquerda. Com esse perfil, além de "Aurora", foram feitas sugestões como "Luta Popular", "Mutirão", "A Esquerda", "A Voz da Esquerda", "Rumo Socialista" e "Esquerda Plural". Outra vertente de sugestões apontava para a perspectiva mais ampla, apontando para opções como "Debate Brasil", "Brasil de Debate", "Brasil de Fato", "Brasil Informa", "Correio do Brasil", "O Brasil", "Outro Brasil", "Opção Brasil" e "Idéias e Fatos" (documento: relação dos nomes sugeridos para o Jornal de Esquerda, 2002).

Os nomes finalistas da consulta, que recebeu 58 sugestões, foram divulgados em circular passada por correio eletrônico ao coletivo em 23 de setembro de 2002. Eram: "O

16

Cruzador Aurora, navio utilizado pelos bolcheviques na tomada da cidade de São Petersburgo, no início da Revolução Russa, em 1917.

Brasil", "Brasil Popular", "Nosso Brasil", "O País", "Novos Tempos", "Tempos Novos", "Nosso Jornal" e o escolhido: Brasil de Fato.

No dia 17 de outubro de 2002, uma circular informa os grupos de apoiadores do jornal, as secretarias estaduais do MST e demais colaboradores do projeto de que o "Jornal de Esquerda" finalmente tivera seu nome escolhido, após uma reunião que empreendeu um processo de eliminação entre os oito finalistas. O Brasil de Fato tinha também um projeto editorial fechado. A comissão responsável reunira sugestões feitas por correio eletrônico e as submetera ao coletivo. As propostas para as editorias internacional, nacional e cultura foram formuladas por membros do grupo especializados nas áreas, respectivamente José Arbex, Hamilton de Souza (jornalista) e Sérgio de Carvalho (diretor teatral da Cia. do Latão). Mais de três meses haviam se passado desde a primeira reunião aberta em torno do projeto, em 29 de junho.

A construção do Brasil de Fato entrava em outra fase, a de viabilização do projeto, arrecadação de recursos, montagem de uma equipe fixa e de colaboradores, e publicação da página experimental do jornal na internet. Outra prioridade era a construção dos comitês de apoio, iniciativa que analisaremos a seguir. José Arbex Júnior, participante do grupo desde o início e autor do esboço do projeto editorial aceitara o cargo de editor-chefe e a partir desse momento, o grupo envolvido na construção do Brasil de Fato passa a trabalhar com um indicativo de data para o lançamento de seu número zero, o Fórum Social Mundial de Porto Alegre, marcado para janeiro de 2003.

A versão final do projeto editorial manteve os princípios gerais descritos no documento-base apresentado inicialmente pelo MST, com algumas reformulações, além de incorporar os principais aspectos do esboço formulado por José Arbex Júnior, com o acréscimo das sugestões pela comissão específica e pelas reuniões gerais. Na visão de Miguel Stedile, colocada em entrevista à autora:

A concepção majoritária predominou. Tinham algumas concepções minoritárias, praticamente individuais [...] dizendo "a gente deve ter uma revista de textos mais longos, análise profunda, voltada para os quadros." [...] Mas naquele momento a grande maioria das pessoas que estava debatendo o jornal não estava pensando nisso. Eles estavam pensando em um jornal massivo, de esquerda, para demarcar uma posição e influenciar nas lutas sociais, na disputa hegemônica mesmo. Não foi um jornal que nasceu se pensando pequeno. Pode até ter nascido pequeno, mas nunca se pensou limitado. [...] Isso não é um idealismo, exagero. Acho que é sinal de maturidade. Se a esquerda quer disputar o poder no Brasil, ela precisa ter veículos de comunicação de massa. [...] Uma preocupação em falar com o público mais amplo, em ser pedagógico, em orientar as lutar, de estar vinculado com os movimentos sociais, mas não se voltar exclusivamente para os movimentos.

A abertura do projeto editorial coloca que:

Na luta por uma sociedade justa e fraterna, a democratização dos meios de comunicação é fundamental. E é com essa concepção que o MST, em consonância com outros movimentos sociais, como a Via Campesina17, a Consulta Popular, as pastorais sociais , criaram o jornal Brasil de Fato – um jornal político, de circulação nacional, para contribuir no debate de idéias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais em nosso país. Portanto, o Brasil de Fato é o resultado das aspirações de milhares de lutadores de movimentos populares, intelectuais de esquerda, sindicatos, jornalistas e artistas que se uniram para formar uma ampla rede nacional e internacional de colaboradores. (Projeto editorial do jornal Brasil de Fato, 2002).

Ligeiramente modificados em relação ao primeiro documento, os objetivos centrais do jornal Brasil de Fato seriam:

a) Expressar a visão da esquerda sobre os fatos e a realidade nacional e internacional e promover o seu debate;

b) Expressar a postura da solidariedade internacional entre os povos;

c) Ser plural nas idéias, sem vinculação a correntes partidárias, e profundamente comprometido com os interesses do povo brasileiro nas transformações sociais necessárias ao país;

d) Subsidiar, com informação e reflexão, a militância social e as pessoas que querem mudanças;

e) Estimular as lutas sociais e os movimentos de massa;

f) Promover incansável e incessantemente os valores humanistas e socialistas; g) Ter como referencial político a necessidade de um Projeto Popular para o Brasil. (Projeto editorial do jornal Brasil de Fato, 2002)

Suas características estão listadas como:

1) Periodicidade semanal, com perspectiva de ser diária num futuro próximo; tiragem mínima de cem mil exemplares;

2) Elaborado em linguagem simples, acessível, moderno, com muitas reportagens, cobertura fotográfica, bonito, sério, informativo e analítico, com a união de profissionalismo/ militância, competência/ compromisso social, beleza/luta;

3) Pautado, sobretudo pela realidade nacional, que reflita nos problemas de todo o país;

4) Vendido em bancas, por distribuidores militantes, por meio de assinaturas e em cotas para movimentos sociais, sindicatos, paróquias etc.;

5) O jornal é administrado por uma editora, sem fins lucrativos, que foi constituída para este fim, com alguns sócios honorários. (Projeto editoria l do jornal Brasil de Fato, 2002).

17

A Via Campesina é um movimento internacional de luta pela terra, criado em maio de 1993, que congrega organizações camponesas de todo o mundo. No Brasil, fazem parte desta articulação, além do MST, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento das Mulheres Camponesas (MMC) e a Pastoral da Juventude Rural (PJR). Disponível em

Sobre sua natureza e público alvo:

a) O jornal Brasil de Fato tem vocação quotidiana e nacional. Até consolidar as condições necessárias para tal, será um semanário, com tiragem de 100 mil exemplares iniciais. O Brasil de Fato responderá às crises conjunturais e estruturais, nacionais e internacionais, apresentadas e lidas desde o ponto de vista do mundo do trabalho.

b) Nossos leitores são as pessoas progressistas, integrantes ou não de organizações classistas e populares, que querem mudanças no Brasil, incluindo a classe média disposta a somar-se na luta pela transformação do país. O Brasil de Fato destinar-se-á também aos sindicalistas, intelectuais, estudantes universitários e secundários, profissionais liberais, funcionários públicos etc. que têm capacidade para formar opinião, multiplicar idéias e debates. (Projeto editorial do jornal Brasil de Fato, 2002).

Uma modificação importante em relação às propostas anteriores diz respeito ao número de páginas, que no projeto editorial definitivo aparece como 16, número efetivamente utilizado a partir do número 1, e não mais como 24. Em relação à estrutura interna do jornal, manteve-se praticamente a mesma proposta feita por Arbex no esboço do projeto editorial, mas a área de cobertura, os temas e preocupações que deveriam nortear o trabalho de cada editoria foram desenvolvidos e ficaram estabelecidos da seguinte maneira:

Página 1 – capa;

Página 2 – editorial, expediente, cartas, campanha de assinatura ou vendas; Páginas 3 a 8 – editoria nacional

Temas: política, economia, educação, saúde, segurança, reforma agrária, habitação, povos indígenas, meio ambiente, riquezas naturais e demais áreas e assuntos do âmbito nacional.

Forma: pelo menos uma boa reportagem de política e uma boa reportagem de economia, além de várias matérias (reportagens, artigos, notas e resumos) das demais áreas e assuntos nacionais.

A pauta deve ter uma função estratégica para afirmação da linha editorial do jornal e a conquista de leitores; deve construir, a cada edição, um pouco da dimensão nacional, seja com a produção de matérias nos mais diferentes pontos do território, seja na expressão das realidades, das lutas e dos movimentos sociais.

A cobertura nacional deve evitar o denuncismo, o sensacionalismo e o tratamento irresponsável e superficial dos fatos nacionais; ao contrário, deve ter critérios claros e transparentes para uma cobertura rica, sóbria, atraente, inteligente, educativa e formadora de opinião.

A política deve ser vista além dos partidos e do jogo institucional dos executivos e legislativos; é preciso tratar a política como a ação humana na busca do bem comum; é preciso fornecer para o leitor os interesses existentes por trás dos fatos, os bastidores e onde estão os verdadeiros centros de poder.

A economia precisa ser traduzida para que o cidadão comum - medianamente informado - entenda as relações da macroeconomia com os problemas do cotidiano, as relações internacionais do capital com as políticas governamentais.

É preciso desmascarar o tempo todo a visão economicista, segundo a qual tudo deve estar subordinado à economia; é preciso desmascarar o tecnicismo e a burocracia, que são instrumentos usados pelas classes dominantes para justificar seus atos anti- populares.

"Contextualização" é a palavra-chave desta editoria. Se a "grande mídia" mostra os fatos de forma fragmentária, nosso jornal, ao contrário, vai mostrar como os fatos da política internacional estão articulados, e explicam, muitas vezes, as atitudes de governos nacionais.

A cobertura sempre terá no horizonte dois focos principais:

O desvendamento da política do imperialismo, particularmente do imperialismo americano A resistência dos povos, quase sempre ocultada pela "grande mídia". Será particularmente importante nesta seção, talvez mais do que em qualquer outra editoria, a contribuição de articulistas que possam explicar, em linguagem muito simples e articulada, a conexão entre os fatos que são ocultados ou apresentados de maneira desconexa pela "grande mídia". Podemos e devemos aproveitar os materiais das agências alternativas e independentes (Alai, Adital, Diário de Urgência, Z net etc.) assim como a contribuição de correspondentes, "stringers" e de grandes articulistas e pensadores que estão do nosso lado (de Noam Chomsky a Leonardo Boff).

Não seremos, necessariamente, "pautados" pela "grande mídia". Ao contrário, vamos produzir material próprio, original, adotando o ponto de vista dos movimentos sociais.

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