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CAPÍTULO 6 – RECURSOS FINANCEIROS COMPLEMENTARES

7.4. METODOLOGIA E PROCEDIMENTOS

7.4.3. Que dados foram necessários e como foram obtidos

Nas duas seções imediatamente anteriores são mencionados, de passagem, alguns dados que foram utilizados durante o trabalho investigativo. Para melhor compreensão, explicita-se, a seguir, o conjunto completo desses dados e como foram obtidos.

(i) Custos da gestão da bacia incluídos os investimentos

Inicialmente, convém observar que a expressão custos da gestão que dá título a este item incluios custos com a administração dos usos da água juntamente com a amortizaçãodos investimentos previstos no Plano de Recursos Hídricos. Trata-se de uma prática adotada na gestão das bacias. Esses custos da gestão, assim intitulados portanto, foram extraídos do Plano de Recursos Hídricos da bacia, publicado em abril de 2002 para o primeiro quinquênio84, e dos elementos coligidos

pela Agência de Bacia do Vale do Paraíba do Sul – AGEVAPpreviamente à elaboração do Plano de Recursos Hídricos publicado em novembro de 2007, para o segundo período de cinco anos.

Os orçamentos de custo elaborados pela gestão da bacia oferecem as cifras por classes de despesas e dãouma indicação de que estas deveriam estender-se por vinte anos em programação que seria elaborada a posterioripelo Comitê. Considerando a necessidade de contar-se com um escalonamento desses custos nos dois períodos de análise, elaborou-se, neste trabalho, uma distribuição dos itens necessários nos dois períodos escolhidos para análiseobservando-se, tanto

84COPPETEC FUNDAÇÃO. Plano de Recursos Hídricos para a Fase Inicial da Cobrança pelo Uso da Água na Bacia do rio Paraíba do

137 quanto possível, os prazos de cada curso de ação indicado no referido planejamento. Convém observar que a parcela de investimento que entra em cada um dos quinquênios de análise da pesquisa corresponde à amortização que pode ser concretizada nesses dois lapsos de cinco anos.

Objetivando atender ao artifício adotado para avaliar níveis de preços dos usos das águas transpostas, acrescentaram-se aos custos da bacia do Paraíba do Sul os custos que correspondem à gestão do Guandu, como se demonstra na subseção 8.2.3.

(ii) Vazões de demanda por água bruta

As demandas foram extraídas dos já mencionados Planos de Recursos Hídricos da bacia, separando-as por uso da água para cada período de análise. A vazão para o setor de hidroeletricidade foi obtida junto à Secretaria de Energia do Ministério de Minas e Energia considerando o rendimento das usinas existentes em cada época na bacia, rendimento este dado em unidade de potência elétrica por unidade de vazão [MW/(m3/s)]. Em ambos os períodos, foram incluídos os usos da água transposta

para o rio Guandu, cuja bacia foi incorporada à do Paraíba do Sul, artifício já comentado, o qual é necessário ao cálculo dos preços para, depois, ser desarmado. Assinala-se que as parcelas mais expressivas das vazões são de natureza não consuntiva devido ao grande uso da água para gerar energia e para diluir efluentes. A distribuição temporal dessas vazões obedeceu, quanto ao abastecimento urbano, à previsão da evolução demográfica85, enquanto que, no caso da indústria,

seguiu as estimativas de crescimento das demandas industriais por energia; para a geração de energia, foram observadas as previsões dos Planos Decenais editados em 1995 e em 200586; e,

finalmente, quanto aos usos da água para diluição de efluentes, urbanos e industriais, mantiveram-se as proporções dos coeficientes técnicos que determinam a vazão necessária para o abatimento da carga de agressividade de cada um desses dois usos da água, coeficientes estes que são referidos às respectivas vazões de abastecimento.

(iii) Elasticidades-preço da demanda por água bruta

A obtenção das elasticidades-preço da demanda em cada uso da água bruta foi uma das dificuldades que tiveram que ser superadas pela natural inexistência de um mercado de água bruta no Brasil. O caminho seguido, como já indicado, foi a construção das curvas de demanda marshalliana a partir da demanda do tipo tudo-ou-nada para cada uso da água.As demandas tudo-ou-nada resultam

85 www.ibge.gov.br.

86MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA – MME. Plano Decenal de Expansão de Energia Elétrica – 1996-2055. Grupo Coordenador do

Planejamento dos Sistemas Elétricos – GCPS. Brasília. 1995; e MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA – MME et EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA – EPE). Plano Decenal de de Expansão de Energia Elétrica – 2006-2015. Brasília. 2005. Esses documenrtos foram consultados tanto para inferir a demanda industrial por água quanto para avaliar a demanda de água para geração hidroelétrica.

138 da simulação de um mercado hipotético no qual se pode chegar, de modo singelo, ao custo de oportunidade de determinado bem. O custo de oportunidade da água surge, por esta solução, da substituição pela alternativa mais barata, ou menos cara, ao interromper-se a captação de água do manancial que vem sendo correntemente utilizado. A substituição hipotética é reveladora da máxima disposição a pagar dos usuários por meio da análise das preferências destes. Comprova-se, na seção

9.1, que a demanda tudo-ou-nada é a curva médiada primitiva da demanda marshalliana, sendo esta

última aquela sobre a qual se determina a elasticidade-preço em cada uso da água de interesse para a precificação.

Antes de proceder-se à formulação do problema propriamente dito, justifica-se, na seção imediatamente seguinte, a escolha da bacia do rio Paraíba do Sul como cenário deste trabalho investigativo.