Este versículo tem a sua redação no Cap. 7, v. 24, do Evangelho de Mateus, Bíblia de Jerusalém, p. 1715: “Assim, todo aquele que ouve essas minhas palavras e as põe em prática será comparado ao homem sensato que construiu sua casa sobre a rocha”.
Konings (2005, p. 45) redige como se segue: “Portanto todo o que ouve estas minhas palavras e as pratica”.
Estamos no último capítulo do livro “O Sermão da Montanha”, de Huberto Rohden e este majestoso e extraordinário discurso chega ao seu fim.
Foram lançados os fundamentos do Reino dos Céus, de uma vida superior, fundamentos jamais vislumbrados, antes ou depois de terem sido proferidas suas palavras, que fizeram tremer as bases das civilizações terrestres, pois, jamais alguém as havia pronunciado antes, e com tanta autoridade e sabedoria.
Estranhas, sem dúvida, mas autênticas. Toda a Sua mensagem, indicando caminhos nunca dantes vislumbrados, pensados ou apontados.
Como diz Rohden, Ele, Jesus, realizou e praticou os ensinamentos que recebera diretamente de Deus, ensinamentos estes que não se embasavam em nenhuma teoria humana, pelas características de sua natureza metafísico-espiritual, e os atos por ele realizados, e os resultados que se observaram nos seres humanos que foram curados, abençoados, orientados por Jesus revelaram a mais perfeita condição de bem estar espiritual e físico que um ser humano poderia ofertar a outro
ser humano ou à humanidade que esteve presente com Ele, em seu tempo ou mesmo depois deste tempo, avançando por séculos à sua frente.
À nossa maneira positivista de provarmos as coisas por meio da razão intelecto-sensitiva, embasando-nos em conhecimentos materiais, abalizados pela lógica e ciência humanas, teremos dificuldade para sustentar este Sermão, mas na mais profunda experiência místico-espiritual-metafísica, o Nazareno concita as pessoas a fazerem sua própria experiência, com o uso da “Razão Transcendente, a Razão espiritual”, atendendo a “um imperativo categórico de uma Autoridade Cósmica” (p. 108).
Isto significa ultrapassar as fronteiras limiares da consciência sensitivo- intelectiva.
Por esta razão, quando o Nazareno diz que “quem ouve estas minhas palavras e as pratica”, recomenda, ensina, mostra que não é um discurso teórico, mas uma experiência realizadora. Não se trata de um discurso admirativo, mas que pode ser vivido, não é vazio de atitude e ação.
Difícil, nós sabemos ser, mas Ele também disse que “seu jugo era suave e seu peso era leve”.
A prática destes ensinamentos extrapola a mera descrição do mundo quantitativo, e esta Realidade definida e ensinada pelo Cristo é a Realidade primeira, original, sem ilusões.
Rohden confirma (p. 123): “Só a prática real e constante da doutrina do Cristo garante a experiência profunda, e só esta experiência vital da alma do Evangelho é que é a rocha viva para o edifício da nossa espiritualidade”.
O “Sermão da Montanha” é o Himalaia que temos que escalar e em cujo cimo está o Reino de Deus.
Zeilinger (2008, p. 293) fala sobre a redação mateana e “atribui às palavras de Jesus a mesma autoridade e o mesmo caráter obrigatório da Torá”.
As palavras de Jesus são, no dizer de Zeilinger, as instruções escatológicas do Filho de Deus e do Filho do Homem, e seus ensinos devem ser compreendidos como corretos e vinculantes (p. 295). E toda postura que os considerar insuportáveis e perniciosos, deve ser rejeitada.
Escolher o “Sermão da Montanha” como diretriz para a vida é revesti-la de significação segura e transcurso de desenvolvimento, paz e esperança.
As bem-aventuranças foram percorridas, mostrando o discurso de Jesus, Filho do Deus vivo, na interpretação de Huberto Rohden. O Reino de Deus que foi proclamado pelo Mestre Nazareno estabelece as condições para o ser humano alcançá-lo. E Jesus Cristo disse para o apreendermos, aprendermos e vivenciarmo- lo. Jesus Cristo lançou estas bases e Rohden diz (2008, p. 13) que “[...] o Sermão da Montanha pode ser considerado a plataforma do Reino de Deus”.
Antes de iniciarmos propriamente o pensamento filosófico de Huberto Rohden, julgamos de bom alvitre relacionarmos alguns conceitos-chave que fazem parte da filosofia de Rohden e que percorrem sua obra de maneira geral. Fixamo- nos com mais propriedade em seu livro “O homem e o Universo” (1990), que apresenta os fundamentos de sua Filosofia Univérsica. Utilizamos também os livros “Rumo à consciência cósmica” (2009), “Paulo de Tarso” (s.d.) e “Sermão da Montanha” (2008).
Assim é que, a Filosofia Univérsica toma por base do pensamento e da vida humana a constituição do próprio universo (1990, p. 12). “As leis do macrocosmo mundial são as mesmas do microcosmo hominal” (1990, p. 21).
Rohden explica que o homem univérsico, ou cósmico, é o homem perfeito que estabeleceu perfeito equilíbrio e harmonia entre os dois polos: interno e externo (1990, p. 28). A base da Filosofia Univérsica é a filosofia hominal (p. 21), a mesma é a latinização do termo grego Filosofia Cósmica (p. 21), e sua finalidade é estabelecer no homem a mesma harmonia que existe no universo (p. 32). Rohden usa o conceito “homem integral” (1990, p. 23) que corresponde à harmonia criada pelo seu livre arbítrio, isto é, do homem. Saliente-se que para Rohden, o homem integral é o homem cósmico, o homem univérsico, o homem crístico (1990, p. 37).
Quanto ao conceito “homem crístico” é o mesmo trabalhado por Rohden em sua exposição na Bem-aventurança “Brilhe a vossa luz” (2008, p. 55 e s.). “Crístico” é o homem que traz, ou que desenvolveu a luz do Cristo em seu íntimo. É também, o homem santo, que realizou em alto grau o seu Eu divino, pela experiência mística manifestado na ética (p. 50).
Os conceitos Eu e ego são assim referidos por Rohden (1990, p. 25):
O Eu e o ego são existentes e presentes no ser humano (bipolaridade positivo-negativo) e que a Filosofia e Psicologia modernas denominam de Eu e ego. A Filosofia multimilenar do oriente chama o Eu – Atman e o ego- Aham. Os livros sacros do Cristianismo usam os termos Alma ou espírito divino, para designar o Eu central do homem, e a expressão corpo ou mundo para significar as periferias da natureza humana.
“[...] O Eu é o indivíduo, a individualidade, aquilo que o Cristo chama a alma, ou o espírito de Deus no homem” (2009, p. 26).
O conceito Alma – é o espírito de Deus no homem (2008, p. 118).
Existe a expressão Alma do Universo (1990, p. 71) em que as religiões dão o nome Deus a essa Alma do Universo que é a Realidade presente em todas as facticidades.
Em “Paulo de Tarso” (s.d., p. 282) ele ainda esclarece: “o Eu corresponde ao Uni do Universo, e o ego ao elemento Verso”.
Fizemos então a seguinte apresentação: (2009, p. 45). Pensamento - processo analítico do ego humano Consciência - estado intuitivo do Eu cósmico.