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Quem pode adotar e requisitos para adoção

2.2 conceito e introdução da Filiação

2.3.3 Quem pode adotar e requisitos para adoção

Em princípio, todas as pessoas maiores de 18 anos poderão adotar, independentemente do estado civil. A adoção não poderá ser feita por procuração, haja vista que é ato pessoal do adotante a nacionalidade, sexo ou estado civil, não podendo influenciar na sua competência para a adoção. Assim, o que mais se leva em conta são as condições pessoais, morais e matérias para o desempenho de tal função.

Em se tratando de casal, a adoção só será realizada mediante comprovação da estabilidade familiar, como cada comarca possui o registro nacional de pessoas interessadas na adoção, a pessoa que não tiver condições para realizar tal ato, nem mesmo poderá se inscrever no referido cadastro, já que não poderá servir de abrigo provisório, tendo em vista que, para desempenhar tal função, o poder público solicita que as condições pessoais sejam as mesmas da classificação para a adoção.

A adoção exige capacidade, portanto não poderão adotar os absolutamente ou os relativamente incapazes, como, por exemplo, os que não tenham bom senso, as pessoas que não tenham desenvolvimento mental completo, isto porque o instituto tem a finalidade de

colocar a criança em local descente para crescer e amadurecer, em um ambiente no qual ela vai desenvolver todos os seus sentidos, caráter, personalidade, etc.

Temos, também, alguns casos de impedimentos, como no caso de tutores, curadores e pupilos. Eles não poderão adotar a pessoa no qual prestam esse tipo de assistência, antes de comprovarem toda a sua administração dos bens do adotado. Esse impedimento visa à inibição da adoção somente para fugir da prestação de contas. Outro caso de impedimento refere-se aos irmãos e avós do adotado, não podendo um irmão adotar o outro e nem o avô adotar o neto. Nesse caso, também se considera impedimento o cunhado adotar a cunhada e vice-versa, todos esses impedimentos são para evitar a confusão no parentesco, imagina se o irmão adota o outro? Ele será ao mesmo tempo irmão e pai do adotado, se o avô adota o neto? Ele será considerado pai e avô, então esses impedimentos vieram para evitar esse tipo de confusão.

É inadmissível, também, um cônjuge adotar o outro, até porque o casamento entre ascendeste e descente é vedado pelo nosso Código Civil. Além do mais, como ficaria a relação entre marido e mulher depois que um fosse adotado pelo outro? Como a adoção possui outro intuito, que é o da constituição familiar, seria até mesmo ir contra os princípios do citado instituto, já que extinguiria o vínculo do casamento entre marido e mulher.

Fica vetada a adoção de marido e mulher pelas mesmas pessoas, e, mais uma vez, a adoção trouxe um impedimento, visando evitar a confusão parental, já que se fosse possível, entraríamos em caso de impedimento para o casamento, já que irmãos não podem se casar.

A adoção feita por menor de 18 anos será considerada nula e não poderá ser efetivada quando o menor de idade completar a maioridade. Como a adoção trata-se de um instituto que imita a natureza, não poderá haver a adoção de uma pessoa por duas ou mais pessoas simultaneamente, porque como sabemos, na natureza não é possível que uma pessoa tenha dois pais ou duas mães, ainda que com a evolução da entidade familiar. Vamos verificar, mais adiante, que é possível que a criança tenha dois pais reconhecidos no registro de nascimento, mas isso por causa da afetividade e não porque existiu uma adoção simultânea.

Sendo assim, esta proibição tem por objetivo evitar a desordem familiar. Agora, se ambos os adotantes falecerem e a criança ficar novamente a mercê da sorte, neste caso poderá haver outra adoção, desde que obedeça aos princípios e objetos estabelecidos em lei.

Para a realização da adoção, é determinado que esta seja procedida por pessoas casadas ou que estejam em união estável, mas também é possível que ex-companheiros adotem conjuntamente, desde que concordem sobre o regime de guarda, pensão alimentícia e visita. Também é necessário que fique comprovado que o estágio de convivência tenha sido feito quando ainda eram marido e mulher e que existam vínculos afetivos que justifiquem a originalidade do consentimento.

O nosso ordenamento jurídico reconhece a chamada adoção post mortem, nos casos em que a pessoa falece no decorrer do processo de adoção, e, assim, a adoção não se conclui exclusivamente pela morte adotante, conforme jurisprudência abaixo:

AÇÃO RESCISÓRIA. AÇÃO DE PETIÇÃO DE HERANÇA. ESCRITURA PÚBLICA DE ADOÇÃO FIRMADA SOB A ÉGIDE DO CÓDIGO CIVIL DE 1916. RESTRIÇÃO AOS FILHOS ADOTIVOS QUANTO AO DIREITO SUCESSÓRIO. MORTE DO ADOTANTE EM 2002. VIGÊNCIA DA CARTA CONSTITUCIONAL DE 1988 QUE PRIVILEGIOU O PRINCÍPIO DA ISONOMIA. IGUALDADE ENTRE OS FILHOS. REVOGAÇÃO DO ART. 377 DO CÓDIGO DE BEVILAQUA. DIREITO À HERANÇA. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE PARA RESCINDIR ACÓRDÃO PROFERIDO PELA TERCEIRA TURMA DESTA CORTE DE JUSTIÇA. PRELIMINARES DA CONTESTAÇÃO: 1 – IMPROCEDÊNCIA DA RESCISÓRIA POR COLIDIR COM ENTENDIMENTO SUMULADO DA SUPREMA CORTE. A análise da presente preambular se confunde com o mérito da demanda. Todavia, vale registrar que não há colisão com o entendimento do Supremo Tribunal Federal por se tratar apenas de interpretação da legislação em vigor. PRELIMINAR REJEITADA. 2 – INÉPCIA DA INICIAL POR AUSÊNCIA DE REQUERIMENTO DE INTIMAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. O art. 490 do Código de Processo Civil enuncia que a petição inicial será indeferida nos casos do art. 295 e quando não efetuado o depósito exigido pelo art. 488, inciso II. Ocorre que, no caso dos autos, não há enquadramento às hipóteses do art. 295, não havendo que se falar em inépcia da petição inicial. Ademais, o capítulo da Ação Rescisória do Código de Ritos apenas menciona as situações em que há legitimidade do Ministério Público para propor a presente demanda. PRELIMINAR REJEITADA. No mérito, a cláusula constante na Escritura Pública de Adoção, realizada no caso dos autos, sob a égide do Código Civil de 1916, perde sua eficácia com a vigência da Constituição Federal de 1988. No caso dos autos, a morte do adotante ocorreu no ano de 2002, momento em que prevalece o princípio da isonomia insculpido na Carta Constitucional que não faz qualquer distinção entre os filhos. Assim, a norma suprema revogou o disposto no art. 377 do Código Civil anterior que restringia os filhos adotivos em relação ao direito sucessório. Necessária a procedência desta demanda para reconhecer o direito do autor na sucessão do adotante. AÇÃO RESCISÓRIA JULGADA PROCEDENTE. (Classe: Ação Rescisória,Número do Processo: 0320294-68.2012.8.05.0000,

Relator (a): José Olegário Monção Caldas, Seção Cível de Direito Privado, Publicado em: 01/07/2015 )

(TJ-BA - AR: 03202946820128050000, Relator: José Olegário Monção Caldas, Seção Cível de Direito Privado, Data de Publicação: 01/07/2015).

Logo, havendo expressa manifestação de vontade do adotando, no curso do processo de adoção, esta poderá ser deferida mesmo após a sua morte. Por outro lado, se por algum motivo o processo for extinto ou arquivado, e, após, ocorrer o falecimento, não há que se falar em adoção post mortem já que é ato exclusivo do adotante e o mesmo não veio a óbito no curso do processo.

Se por acaso os pais adotantes falecerem depois de completada a adoção, o poder familiar da antiga família não será reestabelecido em hipótese alguma, ficando nesse caso a criança ou adolescente aos cuidados da família adotante, ou, se for o caso, será colocado à disposição para a adoção novamente.

Requisitos para adoção;

1) Efetivação por maior de 18 anos independentemente do estado civil:

A adoção poderá ser feita por casal ou singular quando uma só pessoa procede à adoção, lembrando que, como já foi dito acima, a adoção por casal deverá ser provada mediante casamento ou união estável. Para que fique comprovada a estabilidade familiar, as pessoas com interesse na adoção deverão proceder a sua inscrição no cadastro nacional ou estadual de pessoas ou casais que tenham interesse no procedimento. A adoção por duas pessoas somente será autorizada se forem marido mulher, ou, como o STJ já reconheceu, por casais homo afetivos, não sendo estabelecido nenhum período de convivência matrimonial para que seja deferido o pedido de adoção.

Poderá também, ex-companheiros, adotar conjuntamente, desde que o estágio de convivência com a criança ou adolescente, ainda tenha acontecido durante o casamento, e, que, existam laços afetivos que justifiquem a situação excepcional. Sendo assim, será feito um acordo de guarda, visita e pensão alimentícia.

Com a evolução dos tempos, surgiu também uma nova modalidade de adoção, como por exemplo o caso de uma mãe solteira que nunca tenha feito o reconhecimento do filho ao seu pai biológico. Neste caso, a mesma conhece outra pessoa a qual cria a criança como se seu filho fosse, e, sendo assim, diante de tal situação, é possível ocorrer a adoção unilateral pelo seu companheiro, deixando claro que tal situação só poderá ocorrer se a criança não tiver o genitor reconhecido em seu registro civil de nascimento. Entretanto, como veremos mais adiante, o Supremo Tribunal Federal também reconhece o direito da criança ter dois pais reconhecidos, um afetivo e outro biológico. Caso a mãe da criança venha a se divorciar do pai adotivo, o vínculo entre pai e filho será mantido, não havendo a dissolução da paternidade.

Para que seja aprovada a adoção, pede-se um tempo mínimo de convivência entre adotante e adotando, mas existem alguns casos que a lei dispensa esse requisito, como no caso da pessoa que já detém a guarda da criança, pois como o tempo de convivência às vezes é até maior do que a lei pede, já que muitas vezes a criança fica muito tempo esperando pela adoção, neste caso é dispensado esse tempo. Nos casos dos curadores que detenham a guarda legal da criança maior de 3 anos ou adolescente, é dispensado tanto o tempo mínimo de convivência, quanto a inscrição no cadastro de pessoa com interesse na adoção, isso porque a afetividade justifica tal dispensa. A mesma coisa ocorre por candidato que resida no Brasil e que tenha algum tipo de parentesco com a criança ou adolescente, desde que preencha os requisitos estabelecidos em lei.

Nada impede que a adoção seja feita por pai ou mãe biológico que não esteja reconhecido na certidão de nascimento, sendo assim, ao invés de se proceder ao reconhecimento de paternidade, poderá ser feita adoção unilateral. Se a adoção for de uma só pessoa, formar-se-á uma entidade familiar monoparental.

2) Diferença mínima de idade entre adotando e adotado de 16 anos:

Como o principal intuito da adoção é imitar a natureza, a lei traz essa exigência de diferença mínima de idade de 16 anos, isso porque não é possível ter um filho com idade superior ou igual do genitor ou genitora, e, também, não seria possível, neste caso, estabelecer uma relação de respeito e autoridade, se as idades fossem aproximadas. Tratando-se de adoção entre casal, basta que somente um deles tenha essa divergência.

3) Consentimento do adotante, do adotado e de seus pais:

Para o procedimento da adoção, será necessária a anuência do adotante, do adotado e seus pais. Em se tratando de adotado menor de 12 anos, ou, se maior, tratando-se de um incapaz, a anuência deste poderá ser feita por seu representante legal, (pai tutor ou curador), mas se o mesmo já contar com os 12 anos completos, este deverá expressar a sua concordância em audiência, devendo ser ouvido na presença do Juiz e do Ministério Público. Havendo a anuência de todos os envolvidos, será procedida a adoção e a destituição do poder familiar da antiga família.

Se os pais da criança adotada forem terceiros desconhecidos ou então se houver destituído o poder familiar, o consentimento destes será dispensado, não precisando do consentimento do menor e nem do seu representante legal.

Sempre que for necessário, a criança será ouvida por uma pessoa profissional, respeitando o seu grau de compreensão e sua idade, será ouvida também a sua opinião sempre que possível.

Em se tratando de pessoa maior de 18 anos e capaz, o seu consentimento deverá ser dado por meio de ato inequívoco.

A permissão será retratável até a data da publicação da sentença que constituir a adoção, essa possibilidade da retratação do consentimento veio porque a adoção traz vários efeitos patrimoniais e pessoais, tanto para o adotado como para o adotante, sendo assim, ninguém poderá adotar sem a absoluta certeza de sua vontade e ninguém poderá ser adotado sem também ter a certeza de sua vontade.

De acordo com art. 50 §§ 1º a 14 da lei 13.509 de 22 de Novembro de 2017, deverá ser feito um cadastro em cada comarca ou foro regional no qual deverá constar um registro de crianças aptas a serem adotadas e outro com pessoas interessadas na adoção. Para que seja acolhida a inscrição, os participantes deverão obedecer aos requisitos estabelecidos em lei e o Ministério Público também será ouvido, para que dê sua concordância após feita as consultas ao órgão do Juizado.

Essa inscrição serve para que seja feito um estudo psicossocial e jurídico nos pais, eles serão orientados por uma equipe técnica da justiça de uma das Varas da Infância e Juventude, sempre obedecendo o direito à convivência familiar.

A adoção sempre terá como prioridade casais que sejam residentes e domiciliados no Brasil, mas se por acaso, não for encontrado no banco de dados nacional e estadual alguém que tenha interesse na adoção, poderá ser deferida a adoção internacional, desde que respeitado o período de convivência de no mínimo 30 dias.

4) Intervenção judicial na sua criação:

A adoção somente será aperfeiçoada mediante processo judicial, sendo examinada pelo magistrado de uma das Varas da Infância e da Juventude. Cumpridos todos os requisitos previstos em lei, será averiguado também se há conveniência para o adotado.

A adoção de maiores de 18 anos será procedida da mesma forma do menor, portanto deverá ter uma sentença constitutiva e assistência do poder público.

De acordo com a lei 8.069/90 (CC, art. 1618, com a redação da lei 12.010/2009), exigem-se para a concessão deste pedido os seguintes requisitos:

a) A qualificação do requente e de seu cônjuge ou companheiro, com a expressa anuência deste; b) indicação de eventual parentesco do requerente e de seu cônjuge e companheiro, com a criança ou adolescente, especificando se há ou não algum parente vivo; c) qualificação completa do adotando e de seus pais, se conhecidos; d) indicação do cartório onde se deu a inscrição do nascimento; e e) declaração de existência de bens, direitos ou rendimentos pertencentes ao adotando. (BRASIL, 1990).

No caso de falecimento de ambos os genitores do adotado, maior de idade, a adoção poderá ser feita diretamente no cartório, mediante petição assinada. Nesse caso, o Ministério Público fará o estudo social sobre a família e determinará o estágio de convivência, caso seja necessário. Depois de feito todo o relatório, se dará vista ao Ministério Público, que deverá se pronunciar no prazo de 05 (cinco) dias.

Mesmo que os pais do adotado venham a ter filhos, após a adoção, esta não será revogada, isto porque, o adotado entra para a família como se filho legítimo fosse, assim sendo os laços familiares não podem se romper.

O filho judicial terá os meus direitos e deveres dos filhos consanguíneos do casal, tanto direitos sucessórios como os de assistência mútua, portanto todos esses efeitos serão irrevogáveis.

O que pode acontecer é de a sentença declaratória da adoção ser anulada por falta do preenchimento de um dos requisitos, mas não simplesmente ser anulada por nenhum motivo fortemente aparente.

6) Estágio de convivência com o adotando

Às vezes pode ocorrer da Vara da Infância e Juventude estabelecer um prazo de convivência para a criança ou adolescente permanecer com o adotando. Este prazo poderá ser dispensado caso a criança já esteja sobre a guarda ou tutela do mesmo, tempo este suficiente para a dispensa.

Em se tratando de adoção internacional, o estágio de convivência passa a ser obrigatório em todas as hipóteses. Sendo obrigatório o tempo mínimo de 30 dias, o estágio de convivência sempre será acompanhado por uma equipe profissional que esteja a serviço da Vara da Infância e Juventude, após decorrido o tempo exigido, o órgão responsável elaborará um laudo acerca da convivência.

No caso de adoção entre ex-companheiros também será necessário o estágio de convivência.

7) Acordo sobre guarda e regime de visitas

No caso de adoção entre ex-companheiros será necessário que se fixe um acordo sobre o regime de visitas, pensão alimentícia e guarda. A lei já estabelece esse requisito para garantir a paz familiar, ou seja, para evitar que a criança, depois de adotada, ainda passe por uma situação difícil com brigas sobre a sua guarda, pensão, etc.

8) Comprovação da estabilidade familiar

Como dito anteriormente, em se tratando de adoção por casal, precisará ser comprovada a estabilidade familiar, mediante declaração de união estável ou casamento.

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