III JUVENTUDE OU JUVENTUDES?
3.3. Quem São os Jovens do Brasil e de Sergipe?
Existem várias formas de responder quem são os jovens brasileiros e sergipanos? Uma delas são as pesquisas realizadas pelos os órgãos oficiais do Governo que tentam traçar o perfil socioeconômico da população juvenil. Os dados revelam a que classe social a maioria dos jovens brasileiros pertencente, as desigualdades sociais agudizadas pelas questões de gênero, etnia e localidade, o acesso dos jovens as políticas públicas, serve de indicadores para construção de políticas e programas sociais destinados aos jovens
Hoje, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, os jovens brasileiros com idade entre 15 e 29 anos somavam, em 2006, 51,1 milhões de pessoas, o que então correspondia a 27,4% da população total.
Atualmente, são muito comuns as notícias que falam sobre os alarmantes dados de “exclusão social”, que uma grande parte da juventude brasileira vivencia, em especial, a parcela pertencente à classe trabalhadora. Essas notícias são divulgadas pelos mais diversos canais de informação, pelas agências de avaliação do governo, da mídia, de ONG´s, academias.
Existe hoje, no país, uma grande evasão escolar e defasagem entre idade e série por parte dos jovens (IPEA. 2008):
17% dos jovens na faixa de 15 a 17 anos estão fora da escola;
66% dos jovens de 18 a 24 anos estão fora da escola;
83 % dos jovens de 25 a 29 anos estão fora da escola;
Além do alto índice de evasão escolar, principalmente entre os jovens acima de 18 anos, outro problema é defasagem entre idade e série:
a freqüência ao ensino médio na idade adequada ainda não abrange metade dos jovens entre 15 a 17 anos;
cerca de 34% desses jovens, em idade apta a estar no ensino médio, ainda estão cursando o ensino fundamental;
apenas 12,7% dos jovens de 18 a 24 anos estão no nível superior (IPEA. 2008).
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Os fatores principais para o atraso e a evasão escolar, que a pesquisa aponta, são as oportunidades de emprego e a gravidez precoce. Entre os homens, a oportunidade de emprego é o principal fator, correspondendo a 61%; entre as mulheres, a gravidez precoce, 42%.
A entrada dos jovens no mercado de trabalho tem sido marcada pela sua inserção precoce, por baixas remunerações, condições precárias de trabalho, e grande percentual de desemprego entre eles.
O desemprego em 2006, segundo dados do IPEA, era de 5% entre os adultos de 30 a 59 anos; observavam-se índices de 22,6% entre os jovens de 15 a 17 anos; 16,7% entre 18 e 24 anos e 9,5%, entre 25 e 29 anos.
Além do alto índice de desemprego entre os jovens, vale ressaltar que esse não é um fenômeno apenas do Brasil, mas global. A ocupação no mercado é marcada por uma grave precarização das relações trabalhistas. Como podemos observar, segundo dados IPEA, há altas proporções de jovens nas ocupações de pior qualidade; quase a metade deles, de 18 a 24 anos, e cerca de 30%, dos de 25 a 29, são empregados sem carteira assinada ou trabalhadores não-remunerados.
A renda familiar dos jovens, que está relacionada à cor da pele, sexo e questões regionais, tem sido condicionante para a permanência deles na escola e para sua inserção no mercado de trabalho.
31,3% dos jovens podem ser considerados pobres, pois vivem em famílias com renda domiciliar per capita de até ½ salário mínimo (SM);
Apenas 8,6% são oriundos de famílias com renda domiciliar per
capita superior a 2 SMs;
Cerca de 60,0% pertenceria ao estrato intermediário, com renda domiciliar per capita entre ½ e 2 SMs.
Observa–se que a pobreza é superior entre as mulheres jovens (53,1%), tal como se dá para a população geral. Vale salientar que os jovens de baixa renda estão concentrados na região Nordeste (50,8%do total do país), com destaque para o fato de que 20,6% da juventude nordestina é constituída de jovens pobres, que vivem em áreas rurais. Note-se, ainda, que os jovens
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pobres são majoritariamente não-brancos (70,3%), enquanto os jovens brancos são 77,7% dos não-pobres (IPEA, 2008).
A realidade da juventude Sergipana endossa os dados nacionais sobre a condição juvenil. Neste sentido, é necessário fazermos uma breve caracterização do estado de Sergipe9. Localizado na região Nordeste, Sergipe limita-se com o estado da Bahia (ao sul e a oeste) e com Alagoas (ao norte). É banhado ao leste pelo oceano Atlântico. O território sergipano é o menor em extensão do Brasil – 21.910,348 quilômetros quadrados –, correspondendo a 0,26% da área total do país.
Conforme o censo de 2009 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sergipe totaliza 2.019.679 habitantes, distribuídos em 75 municípios. A densidade demográfica é de 91,1 habitantes por quilômetro quadrado; o crescimento demográfico é de 2% ao ano. A população total corresponde a 1,05% dos habitantes brasileiros, cuja composição étnica da população é a seguinte: Negros :5%; Pardos:63%; Brancos: 30%
A maioria da população reside em áreas urbanas (83,4%), a população rural corresponde a 16,7% do contingente total. A capital Aracaju é a cidade mais populosa do estado correspondendo a 544.039 habitantes. A expectativa de vida da população sergipana, assim como em todo o Brasil, está apresentando aumento a cada ano, atualmente é de 70,3 anos. O analfabetismo atinge 16,9% da população. O índice de homicídio é de 27 por mil habitantes.
Sergipe tem sua economia vinculada principalmente à produção de cana-de-açúcar. A pecuária, especialmente a produção de gado, exerce pouca expressão. Além dessas atividades podemos citar as atividades do segmento extrativista e industrial.
Dentre as diversas culturas agrícolas desenvolvidas no estado destacam-se: laranja, coco, fumo, algodão, mandioca , maracujá, tangerina,
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limão e milho. Também são desenvolvidas policulturas como feijão, arroz, amendoim, inhame, batata-doce, melancia e abóbora
Com relação à pecuária, o estado possui um rebanho bovino de 1 milhão de cabeças, incluindo ainda 207, 2 mil cabeças de cabritos e cabras; nas proximidades da capital (Aracaju) são realizadas criações de aves. Já o extrativismo tem se intensificado, especialmente na produção de petróleo e gás natural. Existem outras jazidas minerais de onde são extraídos mármore, potássio, calcário, sal-gema, granito, halita, silvinita, carnalita, enxofre, dolomita, cobre, areia e argila
A indústria, apesar de não ser tão desenvolvida, também contribui na composição do PIB (Produto Interno Bruto) de Sergipe. A concentração industrial se encontra em sete distritos industriais, localizados em cidades como Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Estância, Própria, Boquim, Itabaiana e Carmópolis. As principais indústrias estão ligadas às atividades dos ramos têxteis, alimentícios, petroquímico, além do setor imobiliário, gráfico e produção de variados bens de consumo (vestuário, bebidas, entre muitos outros).
Atualmente, o Estado foi dividido em 8 (oito) territórios com base na similaridade socioeconômica e cultural, a fim de facilitar a elaboração e gestão das políticas públicas, a saber : Alto-Sertão; Médio-Sertão, Baixo São Francisco, Centro-Sul, Grande Aracaju, Leste, Sul, Agreste Central.10
Existem, em Sergipe, 545.128 jovens, de 15 a 29 anos, segundo os dados do último censo de 2007. Os homens representam 47,6 % (259.480), as mulheres 52,4 % (285. 648). Podemos classificar os jovens, da seguinte forma:
15 a 19 anos – representam 37,4% (203.878) da população juvenil;
20 a 24 anos – representam 34,5% (188.069) da população juvenil;
25 a 29 anos – representam 28,1% (153.181) da população juvenil. A situação educacional dos jovens sergipanos não é muito diferente dos demais pelo país. Como mostram os dados da pesquisa, há uma grande
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concentração de jovens no ensino fundamental (51% dos entrevistados) e 31,1% no ensino médio.
Observa-se, com esses números, que há uma grande defasagem entre série/idade, seja em relação ao ensino fundamental ou ao ensino médio, haja vista que a maioria dos jovens sergipanos têm entre 15 e 24 anos de idade (deveriam estar freqüentando ou terem concluído o ensino médio).
Uma variável importante em relação aos estudos são os jovens que estudam e trabalham. Vale ressaltar, que a questão do gênero, étnico-racial e econômica influencia na permanência dos jovens na escola.
A situação do trabalho juvenil é a seguinte; segundo a pesquisa, Juventudes Sergipanas: 50,6% dos jovens declaram ter renda pessoal própria, contra 31,3% que não têm renda; a maioria dos jovens que têm renda está trabalhando em atividades regulares (28,9%), outros fazem bicos (21,7%), entre outras fontes (crédito estudantil, mesada, herança).
Dos jovens que declaram ter renda própria, apenas 20,6% vivem exclusivamente da sua renda. Somente 5,6 % deles têm ganhos acima de 2 (dois) salários mínimos. Os dados mostram que a maioria dos jovens trabalhadores recebe pouco e necessita da ajuda de outras pessoas para sobreviver. O número de jovens que vivem da renda de outras pessoas é maior entre as mulheres (chega a 51,7%).
Conforme podemos perceber, Sergipe é um estado pequeno e a maior parte dos jovens vive em cidades de pequeno e médio porte; possui uma população entre 5 a 30 mil habitantes e não dispõe de uma rede de proteção social complexa. Isso dificulta a elaboração de políticas públicas específicas, já que os orçamentos das administrações municipais têm como principal fonte de recursos o financiamento do Governo Federal.
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