E STUDO DA IDENTIDADE PORTUGUESA COMO REPRESENTAÇÃO SOCIAL : MATERIAIS E METODOLOGIA
B. Materiais e sua recolha
4. Questionário Geral
A partir do guião das entrevistas aprofundadas e atendendo à informação assim obtida, elaborou-se uma primeira versão do questionário geral que foi aplicada durante o mês de Julho de 1993 a uma amostra de estudantes universitários. Mais duas versões se construíram posteriormente, seleccionando ou reformulando perguntas. Dado que a última destas versões é a responsável pela recolha da maior parte da informação analisada neste trabalho, apresentam-se em seguida unicamente as perguntas constantes da mesma e que designada como Questionário Geral.
O Questionário Geral consta de três partes: a primeira parte composta por associações livres, com palavras-estímulo relativas a Portugal, aos Portugueses e ao ser Português; a segunda parte referente a conceitos de nacionalidade, características nacionais e identidade nacional; a última parte respeitante à caracterização da imagem de si e outros elementos pessoais do respondente. De um modo geral o questionário foi organizado para permitir uma análise do confronto entre características atribuídas aos Portugueses e características auto-atribuídas pelos inquiridos. O fac-símile do questionário é apresentado em anexo (Anexo II).
respostas (mesmo após a justificação que então lhe apresentei das mesmas). Havia pensado que lhe fosse perguntar sobre algo que ele sabia - coisas do mundo da marinha mercante ou da pesca ou ali da aldeia... para se estudarem novas formas de acção, de desenvolvimento ou de protecção. Contudo, e exprimindo-se diferentemente, um e outro evidenciavam “conhecimentos” sobre o objecto em estudo − a imagem que traziam em si dos Portugueses e a sua identificação com ela. O marinheiro resolve a dificuldade inerente à escolha das imagens
ambíguas (que a seguir se descrevem) apelando a um cenário empírico do seu quotidiano e criando assim um novo contexto descritor do Português: a nível global, comparando o México a Portugal, comparação tornada possível pelas suas viagens, as quais lhe permitem ainda, para as características psicossociais dos Portugueses, indicar Gregos, Espanhóis, Italianos como mais semelhantes e Alemães, Ingleses como seus contrários. O licenciado, dispondo de outros recursos intelectuais, ao ser confrontado com a referida ambiguidade, procura resolvê-la através do apelo a elementos teóricos do discurso erudito (citações de Agostinho da Silva e de António José Saraiva, este último evocado nomeadamente para a distintividade de Portugueses e Espanhóis através da imagem do Cristo-Menino em Portugal e do Cristo-Crucificado em Espanha, com a qual se mostra concordante).
54 CAPÍTULO 3 - Estudo da identidade portuguesa como representação social: materiais e metodologia
Evocação de objectos: perguntas de associação livre
As perguntas de associação livre, a iniciar o questionário, solicitavam ao inquirido para registar aquilo que lhe era de imediato evocado por três palavras indutoras: “Portugal” (P01), “Portugueses” (P02), “Ser Português” (P03). O carácter espontâneo das produções verbais assim induzidas permite aceder rapidamente ao universo semântico dos objectos em estudo. O que justificará a denominação da associação livre como “une technique majeure pour recueiller les éléments constitutifs du contenu de la représentation, ce qui explique son succès actuel et son utilisation systématique dans nombreuses recherches” (Abric, 1994a, p. 66). No entanto, e apesar disto, procurou-se ao longo do questionário compensar algumas das limitações apontadas a esta técnica, nomeadamente através da formulação de perguntas mais estruturadas sobre os assuntos abordados nesta primeira parte.
Discurso e temas: perguntas estruturadas sobre Portugal e os Portugueses
A segunda parte do questionário reúne perguntas de formato diverso – perguntas fechadas, perguntas abertas, perguntas semi-directivas, escalas de opinião – organizadas em diferentes áreas temáticas que se passam a apresentar.
a) representação dos Portugueses
As três primeiras perguntas desta parte visaram definir o Português, permitindo uma maior explicitação do pensamento após a estimulação inicial da fase de associação livre. Tratou-se de perguntas de estrutura semelhante, em que a tarefa pedida consistia na conclusão de uma frase. Assim, na pergunta P04 solicitava-se ao respondente que completasse pelo menos cinco vezes a frase “Os Portugueses são…”; na pergunta P05 (“Os portugueses são acima de tudo…”) era pedida a selecção do(s) traço(s) mais característico(s) dos Portugueses e na terceira destas perguntas procurava-se caracterizar os Portugueses pela ausência de certas características − “O que os Portugueses não são é…” (P06). Na elaboração deste tipo de perguntas inspirámo-nos na introspecção focalizada desenvolvida por Marisa Zavalloni (1973, 1975).
CAPÍTULO 3 - Estudo da identidade portuguesa como representação social: materiais e metodologia 55
b) sentimento nacional
As três perguntas seguintes eram perguntas fechadas destinadas a avaliar o sentimento nacional e já tinham sido utilizadas na Fase B: P07 (“Considera-se português? Porquê? Indique três motivos.”), P08 (“Gosta de ser português? Porquê? Indique três motivos.”) e P09 (“Gostaria de ter nascido noutro país? Se sim, qual e porquê.”).
c) identificação nacional
Embora a identificação nacional tenha sido estudada através de diversas perguntas, numa destas solicitava-se o grau de identificação explícita com a maneira de ser dos portugueses (“Identifica-se com a maneira de ser dos Portugueses?”, P10), sendo o grau de identificação expresso numa escala de 5 níveis entre “Identifico-me totalmente “ e “Não me identifico”.
d) discurso erudito, discurso popular e características nacionais
Através de afirmações incompletas, foi pedido aos inquiridos que apreciassem um conjunto de dez afirmações para caracterização dos Portugueses (“Pensando nos Portugueses, complete as seguintes frases”, P11). Estas afirmações provinham dos autores nacionais analisados no Capítulo 4 e a sua escolha assenta no destaque dado pelos mesmos a algumas características nacionais; em alguns casos, a estrutura original das frases foi alterada para simplificar a sua apresentação.
As dez afirmações em estudo, à excepção de uma (Aquilino Ribeiro), voltaram posteriormente a ser apresentadas aos inquiridos, já completas e segundo outra ordenação, tendo-se-lhes juntado mais três afirmações anteriormente não mencionadas (Fernando Pessoa, Jorge Dias e José de Almada Negreiros). A inclusão destas últimas pareceu-nos justificar-se por virem explicitar dimensões de características atribuídas aos Portugueses. Neste conjunto de doze afirmações, foi solicitado aos inquiridos que escolhessem as três que considerem mais representativas dos portugueses (“Nas frases que se seguem, quais são para si as que melhor caracterizam os Portugueses? Sublinhe a letra das TRÊS frases mais características”, P16).
56 CAPÍTULO 3 - Estudo da identidade portuguesa como representação social: materiais e metodologia O Quadro 3 apresenta as afirmações utilizadas, a referência ao seu autor e a versão incompleta inicialmente apresentada 28.
Quadro 3: Discurso erudito em avaliação pelo discurso popular (P11 e P16)
Autor Formato adoptado em P11 Formato adoptado em P16
Agostinho da Silva 1 - Ser português é uma
complicação mas também é….
I - Ser português é uma complicação mas também é engraçado.
Francisco da Cunha Leão
2 - O Português é mais… fora de Portugal que dentro dele.
D - O Português é mais patriota fora do país que dentro dele. Aquilino Ribeiro 3 - Onde o Português chega… F - Onde o Português chega há
tertúlia; desenvolve-se a afabilidade; alarga-se o halo humano.
Aquilino Ribeiro 4 - Por esse mundo fora o Português poderá não ser o mais … mas é concerteza o mais …
D. Francisco Manuel de Melo
5 - Os Portugueses são conhecidos entre as outras nações por…
J - Os Portugueses são conhecidos entre as outras nações por amorosos.
Jorge de Sena 6 - Todos os Portugueses se imaginam…
C - Não há Português que não se suponha um pinga-amor, universalmente irresistível. Jorge Dias 7 - O Português dá mais valor aos
sentimentos do que…
E - O Português dá mais valor aos sentimentos que ao lucro e ao utilitário.
Francisco da Cunha Leão
8 - O que para os outros povos se faz pela vontade, em Portugal faz-se…
B - O que para outros povos se faz pela vontade em Portugal faz- se pelo sentimento.
Fernando Dacosta 9 - Os Portugueses não são gentes de paixões mas sim de…
L - Os Portugueses não são gente de paixões mas de ternuras. Miguel de Unamuno 10 - Os Portugueses consideram-se
antes de mais e acima de tudo…
H - Um Português reconhecerá facilmente que outro povo se lhe avantaja em riqueza, em poderio, em ciência, em arte, mas não em sentimentalismo. Consideram-se antes de mais e acima de tudo sentimentais.
Fernando Pessoa A - O povo português é um dos
mais civilizados da Europa.
Jorge Dias G - O Português não gosta de fazer
sofrer e evita conflitos. José de Almada
Negreiros
M - O humano deve ser a única varonia de Portugal.
28
No Capítulo 9, ao serem discutidos os resultados obtidos através das perguntas P11 e P16, indicam-se versão original (citação) e proveniência de cada uma das afirmações.
CAPÍTULO 3 - Estudo da identidade portuguesa como representação social: materiais e metodologia 57
Além de constituir uma outra forma de inventário às características espontaneamente atribuídas aos Portugueses (em certa medida uma nova associação livre), a comparação entre a versão original das afirmações e o modo como os inquiridos completaram as mesmas permite confrontar o discurso dos respondentes com o discurso erudito sobre os Portugueses, objectivo complementar deste trabalho, como já foi referido.
e) representação de Portugal e emblemas nacionais
Para além da evocação de Portugal em associação livre, apresentou-se uma pergunta destinada a recolher descrições de Portugal sob uma forma narrativa − “Portugal para si é…” (P12).
Numa terceira pergunta sobre Portugal, apelávamos ao que fosse considerado de maior representatividade: “Em seu entender o que é que mais representa Portugal?” (P13). Interessava-nos observar se espontaneamente os respondentes recorriam e em que medida aos emblemas nacionais para simbolizar Portugal.
f) identidade portuguesa: teorização implícita
Entendeu-se que as concepções sobre a nacionalidade portuguesa poderiam constituir mais um contributo à forma de identificação dos inquiridos: identificação por pertença comunitária ou identificação por cidadania. Através de duas perguntas se procurou averiguar estes aspectos. Ambas perguntas fechadas, tendo “Sim”, “Não”, “Não Sei” como alternativas e para as quais se pedia, em cada caso, a justificação da resposta: “Ser português do Minho ou do Algarve é a mesma coisa que ser português de qualquer outra parte de Portugal? Porquê?” (P14) e “Acha que se pode deixar de ser português? Porquê?” (P15).
g) perspectivação da identidade portuguesa
A segunda parte do questionário concluía-se com duas perguntas sobre os modos antigo e futuro de ser português: “Como acha que eram antigamente os Portugueses?” (P18) e “Como acha que serão os Portugueses daqui a trinta anos? E porquê?” (P19).
Estas perguntas visavam deslocar no tempo a representação social da identidade nacional. Relativamente ao passado, os elementos atribuídos
58 CAPÍTULO 3 - Estudo da identidade portuguesa como representação social: materiais e metodologia poderiam contribuir para a reconfirmação da persistência de traços afectivos; quanto à imagem futura dos Portugueses, o tipo de características atribuídas poderia indiciar eventuais transformações em curso.
Na terceira parte introduziu-se uma pergunta em parte relacionada com a perspectivação da identidade portuguesa, dado que se procurou conhecer a importância que os respondentes atribuíam ao Afecto. Tratou-se da pergunta P20 (“O Afecto é para si...”), em que a importância atribuída era expressa numa escala de 5 níveis entre “Muito importante “ e “Nada importante”. Na mesma pergunta pedia-se aos inquiridos a justificação da resposta.
Representação de identidade pessoal
A terceira parte do questionário, realizada separadamente das anteriores, visava a descrição dos inquiridos e incluía quatro perguntas. As três primeiras solicitavam ao respondente uma auto-definição em moldes semelhantes ao usado na definição dos Portugueses. Primeiramente solicitou-se que respondessem pelo menos cinco vezes à pergunta “Quem sou eu?” (P20), em seguida, que completassem as frases “Eu sou acima de tudo…” (P22) e “O que eu não sou é…” (P23). Estas três perguntas e uma quarta (P24), em que se recorre às imagens ambíguas, anteriormente utilizadas para descrição dos portugueses (P21) e agora adaptada à descrição do respondente, integrando-se na validação experimental do núcleo central e que apresentaremos em seguida, possibilitaram uma comparação directa entre os modos de se auto-representar e de representar a identidade portuguesa.
Representação da identidade portuguesa: delimitação experimental do núcleo central
Pela importância de que se revestia para a confirmação ou invalidação da nossa hipótese, pretendemos delimitar experimentalmente o núcleo central da representação dos Portugueses através do Questionário Geral, ou seja, recorrendo a uma amostra que poderíamos caracterizar multiplamente. Posteriormente, com uma nova amostra, realizámos uma última verificação experimental. Na primeira situação trabalhámos com o que se designou por
CAPÍTULO 3 - Estudo da identidade portuguesa como representação social: materiais e metodologia 59 imagens ambíguas e no segundo caso com o que denominámos cenário ambíguo. Antes de se descreverem os dois procedimentos, passamos a apresentar o enquadramento teórico metodológico que os fundamenta.
a) indução por cenário ambíguo: pressupostos
A utilização no Questionário Geral de imagens que ambiguamente descrevessem os Portugueses parte do pressuposto das duas componentes de uma representação social – núcleo e periferia (Abric, 1976). A constituição destas imagens, por um lado, teve em conta resultados de estudos que validam a teoria do núcleo central, nomeadamente os procedimentos seguidos por Abric no estudo do artesanato e destinados à verificação de elementos do núcleo central (Abric, 1984, 1989); por outro lado, foi inspirada no método de indução por cenário ambíguo (ISA) empregue por Moliner para verificação experimental das características do núcleo central (Moliner, 1989, 1993, 1994) 29.
Os trabalhos realizados em torno da noção de cenário ambíguo desenvolvem um argumento designado como pôr em causa (“mise en cause”) e que visa dificultar o reconhecimento de um objecto de representação. Este procedimento consiste na apresentação de uma descrição neutra 30 do objecto de representação (cenário ambíguo), sendo essa descrição clarificada apenas pela negação de uma característica que se hipotetiza integrar o núcleo central (ou a periferia) da representação. Atendendo às premissas da teoria do núcleo central, Moliner preconiza que num cenário em que se inclui a negação de uma característica central o objecto se torna ambíguo, não podendo a ser reconhecido como objecto da representação em estudo: “si l’on présente aux sujets un objet ambigu pour
29 O método ISA realiza-se em duas fases. Numa fase exploratória, designada fase de
indução (Moliner, 1994, p. 221), procura-se identificar potenciais elementos do núcleo central da representação em estudo; “a ce stade, ISA nous permet uniquement de formuler des hypothèses” (Moliner, 1993, p. 15). Numa segunda fase, destinada à validação experimental das hipóteses (fase de refutação, Moliner, 1994, p. 221), é testada a centralidade dos elementos identificados na fase anterior, recorrendo ao argumento “mise en cause”. Uma vez que, no nosso estudo, a identificação de potenciais elementos centrais tinha sido feita através dos resultados dos estudos exploratórios e da análise ao discurso erudito, os procedimentos adoptados inspiraram-se apenas na segunda fase do método ISA.
30
Uma descrição é considerada neutra em virtude de por si só não ser suficiente para induzir o reconhecimento do objecto de representação. Apenas ao ser-lhe adicionada uma característica central poderá o objecto ser reconhecido como objecto da representação social em estudo.
60 CAPÍTULO 3 - Estudo da identidade portuguesa como representação social: materiais e metodologia lequel on a mis en cause une des [de ces 4] caractéristiques [centrales], l’objet présenté ne devrait pas être reconnu comme objet de représentation” (Moliner, 1993, p. 16).
O pressuposto fundamental é o seguinte: se um cenário descrever um objecto negando um elemento do núcleo central da sua representação, esse cenário será rejeitado.
A adaptação que fizemos nas imagens ambíguas não segue directamente esta prescrição. Enquanto que no método ISA cada cenário ambíguo é construído de forma a apresentar apenas uma característica do objecto, da qual se faz a negação, nós optámos pelo confronto em cada imagem de elementos centrais com elementos periféricos. A inclusão em cada imagem de mais do que uma característica permitiu reduzir significativamente o número de imagens.
b) construção de imagens ambíguas
Ao utilizar imagens para descrição dos Portugueses, que simultaneamente afirmavam e negavam características do núcleo central e características e periféricas, foi necessário pressupor diferentes modos de resposta em função da respectiva natureza de cada imagem. Assim, admitiu-se: a) que fossem menos escolhidas as imagens que rejeitassem itens centrais; b) que o nível de rejeição fosse depender de na imagem se afirmarem ou não itens centrais.
Cada uma das imagens, que denominamos ambíguas, foi constituída por três características psicossociais (as duas primeiras afirmadas e a terceira negada), e pretendendo descrever maneiras de ser e agir dos Portugueses e sujeito inquirido. Seleccionaram-se seis características para formar as oito imagens utilizadas: dar muita importância à amizade, ser atencioso e agradável nas relações sociais, ser trabalhador, ser corajoso, ser criativo (engenhocas), revoltar-se com injustiças sociais. Estas seis características haviam sido propostas para caracterização dos Portugueses nas fases iniciais da inquirição (Fases A e B) e os resultados obtidos tinham permitido avançar algumas hipóteses de trabalho quanto à sua posição central ou periférica na definição da imagem dos Portugueses.
CAPÍTULO 3 - Estudo da identidade portuguesa como representação social: materiais e metodologia 61
c) formulação das perguntas sobre as imagens ambíguas
A pergunta P17, destinada à caracterização dos Portugueses, propunha ao inquirido duas tarefas e teve a seguinte formulação: “Vou apresentar-lhe algumas maneiras de ser que podem ser aplicadas a alguns povos. Pensando no povo português, gostava que me dissesse qual a sua opinião para cada uma delas, usando na escala que se segue a opção que mais lhe agrade”. A escala à disposição do respondente para classificação de cada uma das oito imagens constava de 5 níveis (1 - Não concordo a 5 - Concordo plenamente). Feita a avaliação individual das imagens, pedia-se a realização da segunda tarefa: “Gostava ainda que escolhesse qual destas maneiras de ser se parece mais e menos com o povo português, indicando a letra da respectiva frase”; o inquirido tinha então de seleccionar a imagem mais semelhante e a imagem mais oposta à sua maneira de conceber o povo português.
Para caracterização da auto-imagem dos inquiridos foi empregue uma pergunta semelhante mas adaptada, como atrás se referiu (“Das seguintes pessoas que lhe vou apresentar, gostava que indicasse o graus de semelhança que julga terem consigo usando a escala que se segue”, P24), e, de forma análoga, se pediu a execução das duas tarefas que se acabam de descrever (Quadro 4).
A representação da identidade pessoal por imagens ambíguas destinou- se a avaliar a identificação implícita do respondente com a imagem dos Portugueses, permitindo observar se existia ou não aproximação entre identidade pessoal e identidade nacional.
Identificação dos respondentes
O questionário terminava com um conjunto de perguntas para caracterização dos respondentes, em que se pedia que indicassem sexo, idade e naturalidade (informação discriminada por freguesia, concelho e distrito).
62 CAPÍTULO 3 - Estudo da identidade portuguesa como representação social: materiais e metodologia
Quadro 4: Imagens ambíguas: P17 e P24
Imagens apresentadas em P17 Imagens apresentadas em P24
A - É um povo criativo (engenhocas) e que se revolta com injustiças sociais, mas que não dá importância à amizade.
A - É uma pessoa criativa (engenhocas) e que se revolta com injustiças sociais, mas que não dá importância à amizade.
B - É um povo que se revolta com injustiças sociais e que é atencioso e agradável nas relações sociais, mas que não dá importância à amizade.
B - É uma pessoa que se revolta com injustiças sociais e que é atenciosa e agradável nas relações sociais, mas que não dá importância à amizade.
C - É um povo que dá muita importância à amizade e que é atencioso e agradável nas relações sociais, mas que é cobarde.
C - É uma pessoa que dá muita importância à amizade e que é atenciosa e agradável nas relações sociais, mas que é cobarde. D - É um povo que dá muita importância à
amizade e que é trabalhador, mas que é cobarde.
D - É uma pessoa que dá muita importância à amizade e que é trabalhadora, mas que é cobarde.
E - É um povo corajoso, atencioso e agradável nas relações sociais, mas que não dá importância à amizade.
E - É uma pessoa corajosa, atenciosa e agradável nas relações sociais, mas que não dá
importância à amizade. F - É um povo que dá muita importância à
amizade e que é criativo, mas que é desabrido e desagradável nas relações sociais.
F - É uma pessoa que dá muita importância à amizade e que é criativa, mas que é desabrida e desagradável nas relações sociais.
G - É um povo corajoso e que dá muita
importância à amizade, mas que é desabrido e desagradável nas relações sociais.
G - É uma pessoa corajosa e que dá muita
importância à amizade, mas que é desabrida e desagradável nas relações sociais.
H - É um povo que dá muita importância à amizade e que é atencioso e agradável nas relações sociais, mas que não gosta de trabalhar.
H - É uma pessoa que dá muita importância à amizade e que é atenciosa e agradável nas relações sociais, mas que não gosta de trabalhar.
5. Questionário complementar: segunda validação experimental do núcleo