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diciembre de 1966, respectivamente Además tiene oficinas nacionales en Buenos Aires,

3.8 A REFORMA E AS BASES DA NOVA INSTITUCIONALIDADE DOS IFET

Compreende-se, todavia, ser necessário destacar que o governo Lula, ao publicar o Decreto no 5.154/2004, regulamentando os artigos 39 a 41 da Lei no 9.394/1996, deu origem a uma ampla reforma “no fazer” da educação profissional, cuja ação inicia com a publicação da Lei no 11.184/2005, por esse mesmo governo. Esse entendimento decorre do fato de o Decreto no 5.154/2004 ter colocado em condições de igualdade todos os CEFETs, ou seja, os tradicionais CEFETs de Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro, com a adesão posterior dos CEFETs da Bahia e Maranhão, foram colocados na mesma situação das anteriores ETFs transformadas em CEFETs mediante a Lei no 8.948/1994. Tal fato gerou um enorme descontentamento na Rede, em face de que os CEFETs haviam sido instituídos, mediante norma legal, em períodos diferenciados, com políticas diferenciadas e com aportes de recursos financeiros diferenciados, ou seja, tratou-se de uma ação individualizada de governos federais desconexas de um possível projeto societário construído e fluído da base da sociedade, porém todos apontando para um mesmo objetivo: o atendimento ao mercado e com recurso público.

Outra questão que tensionava a Rede, refere-se ao fato de que os tradicionais CEFETs (Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro) eram mais CEFETs dos que os novos CEFETs, porque a norma legal que disciplinava sua ação possibilitava a oferta de cursos de bacharelado, assim como sua amplitude de abrangência na territorialidade em que se encontravam, como, por exemplo, o caso dos CEFETs de Minas Gerais e Paraná. Como os cursos de engenharia e de bacharelado não haviam sido permitidos aos novos CEFETs, na norma legal que os instituiu, a Lei no 8.948/1994, e esses apresentavam uma infraestrutura de menor envergadura e abrangência, porque haviam sido criados/transformados em tempos diferentes, desencadeou-se na Rede um processo de diferenciação, atribuindo-se aos novos CEFETs a denominação de “CEFETINHOS”.

Aqui, compreende-se que o termo pejorativo “CEFETINHO”, atribuído aos novos CEFETs, transformados mediante a Lei no 8.948/1994, ocorreu porque estes não apresentavam um porte institucional como os Centros de Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro,

nem foram instituídos a partir da mesma ótica abordada nesta seção. Outro destaque a ser feito trata-se de que a norma legal que regulamentou os novos CEFETs limitou-lhes sua ação, porque estes não poderiam ministrar cursos de bacharelado e de engenharia, somente CST e, assim, a sua abrangência na educação superior foi limitada, mesmo porque se evidencia que o propósito governamental era de viabilizar a expansão de CSTs.

O que se observou, a partir desse momento, foi um movimento de alguns CEFETs junto ao MEC com vistas a sua transformação em Universidade Tecnológica Federal, conforme possibilita o parágrafo único do artigo 52, da Lei no 9.394/1996: “É facultada a criação de universidades especializadas por campo do saber.” (BRASIL, 1996). Quem primeiro iniciou esse movimento foi o CEFET do Paraná, o qual depois tendeu a se generalizar por toda a Rede, mediante a submissão de pleitos formalizados no MEC58, inclusive com interferência político-

58 Santos (2006, p. 4) apresenta o seguinte entendimento ao pleito de credenciamento do

CEFETSC em UTFSC: “O Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina – CEFETSC – no seu real compromisso com a educação de qualidade, busca a integração do ensino com a vida, do conhecimento com a ética, do agir e refletir em uma visão de totalidade. É nessa perspectiva de alcance de todas as dimensões da vida, que o CEFETSC contribui para o desenvolvimento e avanços da sociedade, atuando em processos permanentes de ensino/aprendizagem. Sabe-se que aprendemos quando fazemos relações e conseguimos transformar nossas vidas em um processo real de ação e reflexão.” Continua a autora: “Com 97 anos de história, o CEFETSC vem crescendo em todos os seus níveis, desde a Escola de Aprendizes e Artífices em 1909 até a sua transformação em Centro Federal de Educação Tecnológica em 2002, tendo como meta a transformação deste Centro em Universidade Tecnológica Federal de Santa Catarina. Essa transformação significará um resgate dos compromissos do governo federal com o povo de Santa Catarina, na medida em que este estado é o único do Sul do país que possui uma única universidade federal.” (ibid., id.). Santos, ainda, apresenta a seguinte compreensão sobre a UTFSC: “A Universidade Tecnológica de Santa Catarina será construída em um ambiente acadêmico inovador, dinâmico, democrático, com um projeto pedagógico participativo e coerente com os princípios de uma educação de qualidade e de referência. A infraestrutura deste Centro Federal atenderá às suas necessidades, partindo-se do pressuposto da constante atualização, já em processo. Congrega servidores que são docentes e técnicos administrativos em sintonia com o desenvolvimento de suas funções, bem como alunos imbuídos da necessária busca de conhecimentos e atitudes que os conectem com o mundo do trabalho, para serem cidadãos produtivos e comprometidos com a sociedade.” (ibid., id.). A autora finaliza a apresentação do pleito, manifestando-se mediante os seguintes argumentos: “Por fim, esta proposta para uma Universidade Tecnológica ratifica o compromisso do CEFETSC em ampliar suas ações para proporcionar à sociedade catarinense uma educação que visa antes de tudo à melhoria da qualidade de vida e a sua inserção no mundo produtivo. Para além do mesmo rigor, esmero e excelência de suas atividades, este Centro quer se aperceber como detentor de condições e potencialidades para avançar em novas modalidades e níveis de ensino. Esta proposta de credenciamento visa, pois, à oportunidade dessa percepção, desse novo desafio, em um compromisso para se manter como uma Instituição de excelência e de referência estadual e nacional na educação profissional e tecnológica.” (ibid., id.).

partidária59. Destaca-se, contudo, que apenas o CEFET do Paraná teve sucesso nesse movimento, conseguindo sua transformação em Universidade Tecnológica Federal do Paraná em 7 de outubro de 2005, mediante a publicação da Lei no 11.184 do governo Lula.

Parecia que se tratava de uma política de Estado visando ao desenvolvimento das autarquias federais responsáveis pela educação tecnológica, ou seja, de elas ascenderem à condição de Universidade Tecnológica, conforme estabelece o artigo 52 da LDBEN/1996 (BRASIL, 1996), não mediante ato puramente legal assinado pela autoridade maior do Estado brasileiro, mas decorrente de um processo de investimento, mediado pela avaliação e sustentado no planejamento e, de acordo com o princípio da indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão, na premissa de contemplar uma formação científico-tecnológica vinculada à sociabilidade do povo, um projeto de nação, e não de atendimento exclusivo ao mercado (SGUISSARDI, 2008), com vistas ao pleno desfrute das riquezas e potencialidades inseridas nessa territorialidade.

A esse contexto, agrega-se outro fato político, quando em 5 de novembro de 2006, o MEC organiza e realiza a I Conferência Nacional de Educação Profissional e Tecnológica, ocorrida em Brasília/DF, com o seguinte slogan: “Educação profissional como estratégia para o desenvolvimento e a inclusão social.” Dentre as falas das autoridades que enaltecem os motivos da realização da conferência, destacam-se alguns trechos dos discursos de algumas autoridades do Ministério da Educação:

Fernando Haddad: A I Conferência Nacional de Educação Profissional e Tecnológica, realizada em novembro de 2006, em Brasília, representa um marco na história da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) no Brasil. Em quase cem anos de existência, esta é a primeira vez em que houve um amplo debate para definir uma política nacional para o segmento. (HADDAD, 2007, p.7). Eliezer Moreira Pacheco: O que pretendemos com esta conferência, nos próximos três dias, é debater profundamente as teses a serem apresentadas; é abrir parênteses nas nossas convicções, não para

59 O Deputado Federal João Matos Bastos, em 18 de maio de 2007, mediante a Primeira

Secretaria (1SECM), encaminha Ofício 1ª Sec/RI/E no 906/2007 à Ministra Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, indicando a transformação do Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina em Universidade Tecnológica. (MATOS, 2007).

abandoná-las, mas para submetê-las à crítica, confrontá-las com outras opiniões, para serem aperfeiçoadas e, eventualmente, até abandonadas, desde que em proveito de um projeto nacional de educação profissional que crie todas as relações com o ciclo educacional, indo da educação básica à pós-graduação. Temos que pensar no conjunto da educação profissional. É óbvio que isto vai passar pela discussão sobre financiamento e modalidade de oferta. (PACHECO, 2007, p. 12).

Continuam as autoridades ministeriais,

Fernando Haddad: Apenas mais de uma semana atrás, mais de sessenta milhões de brasileiros disseram sim a um projeto de nação democrático, soberano e inclusivo, sob a liderança de um metalúrgico, torneiro mecânico chamado Luiz Inácio Lula da Silva. Do ponto de vista da cultura política de um país marcado pelo elitismo e pelo bacharelismo como o nosso, esse fato, por si mesmo, constitui-se uma extraordinária revolução cultural e política. Se falarmos de projeto de nação, temos de abordar a tecnologia e a inclusão social; temos, portanto, de falar em educação profissional e tecnológica e em protagonismo dos trabalhadores e trabalhadores brasileiros. (HADDAD, 2007, p. 15).

Eliezer Moreira Pacheco: Talvez tenhamos de ir além e pensar num programa de bolsas para custear alimentação e transporte para essa juventude. Talvez tenhamos de pensar num grande programa para levar a educação profissional também ao campo, onde boa parte dessa juventude está. Temos de contar com a educação profissional para enfrentar esse desafio. Não vejo outra solução para esse problema, o mais dramático que a educação enfrenta hoje, senão combater a evasão e a repetência geradoras da falta de perspectiva dessa juventude. Temos hoje uma oportunidade de ouro para refletir sobre a condição desse jovem, sem, no entanto, esquecer a condição do adulto trabalhador, tampouco a da criança que, já na segunda parte do ensino

fundamental, pode dar os primeiros passos no caminho da educação profissional. (PACHECO, 2007, p. 13).

Os trechos dos discursos das autoridades ministeriais, destacados do documento “Anais e Deliberações da I Conferência Nacional de Educação Profissional e Tecnológica” são suficientes para se interpretar como as autoridades do MEC veem a função da “educação profissional”, segundo uma instância pública educacional. Na visão das autoridades ministeriais, está presente a apropriação de um fazer educacional direcionado a resolver problemas sociais gerados pelas forças produtivas capitalistas. Percebe-se que as autoridades ministeriais se suportam em termos de impacto social, como inclusão social, no sentido de resolver situações socialmente incômodas, explicitando contradição entre o discurso e a ação porque impõe aos alunos a frequentarem, por exemplo, uma modalidade de educação que não educa, apenas propicia um nível de escolarização direcionado a uma determinada empregabilidade, revelando a própria fragilidade dos argumentos utilizados.

Na premissa de compreender-se como autoridades do MEC utilizam-se da retórica democrática a um determinado propósito, o domínio de um espaço em que se procura explicar tudo o que existe, que não pode ser dito e que precisa ser omitido, porém necessita ser viabilizado, apresenta-se o seguinte excerto do discurso de Ribeiro (2007), proferido na I CONFETC 2006:

Na crítica literária inglesa, quando se diz que alguém escreve para hoi polloi quer dizer que se escreve para a multidão – que não é um trabalho refinado. Entre os gregos, os detratores da democracia, quando dizem que era o regime dos polloi, entendiam que era o regime da ralé, da plebe. O que há, então, de característico na democracia vista por seus detratores? É o regime em que a multidão quer mandar e, querendo mandar, ela pode abusar do direito dos indivíduos. É interessante que Aristóteles estabeleça uma tipologia dos regimes em que há três formas elogiáveis deles e três deformações. As formas elogiáveis desse regime se distinguem conforme mandam um só (monarquia); conforme mandam alguns, os melhores, os aristoi, os que têm Arete ou excelência (aristocracia) – e um terceiro

regime, em que manda a maioria ou o povo como um todo, e que Aristóteles chama de politéia. Essa palavra quer dizer constituição. Já, quando ele fala das três deformações, a primeira deformação é a tirania – o regime em que um só manda, mas fora das leis; o segundo é a oligarquia – em que poucos mandam, mas fora das leis. Esses dois regimes são, então, as caricaturas, respectivamente, da monarquia e da aristocracia. O terceiro regime, que é a deformação da politéia, que é a deformação do poder do povo, ele chama de dimokratia, democracia. Isso cria um problema de tradução terrível para nós quando vamos lidar com filosofia grega porque, se queremos estudar o que achamos o que é democracia em Aristóteles, vemos que ele a chama de politéia; se queremos estudar o que ele chama de democracia, teremos então de traduzir por algum regime como o dos demagogos ou algo do gênero. (RIBEIRO, 2007, p. 297).

O que precisa ser verificado é se a partir da I CONFETEC realmente o MEC dispõe de uma concepção para a Educação Tecnológica, e não para a aludida educação profissional e tecnológica.

Julga-se necessário fazer referência a algumas propostas que a I CONFETEC aprovou, segundo os eixos temáticos previamente construídos, que se aproximam da modalidade Educação Tecnológica, tais como:

Eixo Temático I: Papel da Educação Profissional e Tecnológica no desenvolvimento nacional e nas políticas de inclusão social.

Proposta aprovada e destacada: Democratizar e

assegurar a oferta de Educação Profissional e Tecnológica, possibilitando acesso e permanência aos cursos e programas (formação inicial e continuada dos trabalhadores/EP Técnica de Nível Médio/EP Tecnológica de Graduação e Pós- Graduação) para todos os segmentos sociais. (CONFETEC, 2007b, p. 315).

Eixo Temático II: Financiamento da

Educação Profissional.

Proposta aprovada e destacada: Renovar o

Programa de Expansão da Educação Profissional – PROEP, com garantia de expansão da educação

profissional, gratuita e de qualidade, que permita o acesso aos recursos também para a manutenção e qualificação das escolas de educação profissional, inclusive para implantação de futuros projetos. (CONFETEC, 2007b, p. 321).

Eixo Temático III: Organização institucional e

o papel das instâncias de governo e da sociedade civil.

Proposta aprovada e destacada: Definir

claramente a relação entre as modalidades de oferta de Educação Profissional e Tecnológica e Educação Básica e Superior. (CONFETEC, 2007b, p. 325).

Eixo Temático IV: Estratégias operacionais de

desenvolvimento da Educação Profissional e Tecnológica.

Proposta aprovada e destacada: Elaborar

currículos para as diferentes formas de articulação da educação profissional com os diversos níveis educacionais, priorizando o trabalho como princípio educativo, articulando ciência, tecnologia e cultura, considerando-se a realidade do mundo do trabalho. (CONFETEC, 2007b, p. 332).

Eixo Temático V: A relação da Educação

Profissional e Tecnológica com a universalização da Educação Básica.

Proposta aprovada e destacada: Compete aos

sistemas públicos de ensino articular com Secretarias de Educação e de Ciência e Tecnologia dos estados e municípios, outros órgãos federais, estaduais, municipais, entidades privadas e demais segmentos que atuem com a Educação Profissional e Tecnológica ações que visem à oferta de Educação Profissional integrada à Educação Básica. (CONFETEC, 2007b, p. 337).

Constata-se certa divergência entre o que foi aprovado pelos conferencistas e o que o MEC/SETEC encaminhou logo em seguida à I CONFETEC, em 24 de abril de 2007, como o objetivo do Decreto no 6.095/2007. Depois de todos aqueles efusivos discursos em prol da educação profissional e tecnológica, o governo utilizou-se de suas prerrogativas constitucionais de chefe de Estado para publicar o Decreto no 6.095/2007 que estabelece diretrizes para o processo de integração de

instituições federais de educação tecnológica, para fins de constituição dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, no âmbito da Rede Federal de Educação Tecnológica. Nesse momento, o governo dá início a mais uma reforma no âmbito da educação profissional, sem que houvesse apresentado aos conferencistas da I CONFETEC/2006 a sua intenção em reformar as autarquias da Rede numa outra institucionalidade, os IFETs, os quais haviam sido mobilizados e reunidos por esse mesmo governo para debater a educação profissional e tecnológica, inclusive com a perspectiva de definição de políticas.

3.8.1 Os IFETs

Para que se possa compreender o alcance dessa nova institucionalidade, faz-se referência ao parágrafo 2o do art. 1o, do Decreto no 6.095/2007, que apresenta a gênese desse outro tipo de institucionalidade para desenvolver a concepção de educação profissional do MEC/SETEC; entretanto, verifica-se que o governo Lula reaproveita termos que já eram utilizados para conceituar a institucionalidade CEFETC, como o “pluricurricular”, no seguinte conceito estabelecido para os IFETs:

Os projetos de lei de criação dos IFET considerarão cada instituto como instituição de educação superior, básica e profissional, pluricurricular e multicampi, especializada na oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino, com base na conjugação de conhecimentos técnicos e tecnológicos às suas práticas pedagógicas, nos termos do modelo estabelecido neste Decreto e das respectivas leis de criação. (BRASIL, 2007a).

A partir do Decreto no 6.095/2007, é possível concluir que tanto o CEFET como o IFET, considerando o perfil de instituição educacional, caracteriza-se como instituições pluricurriculares. Constata-se, contudo, mais uma vez que o governo Lula não apresentou um conceito sobre o significado de “pluricurricular”.

A premissa dessa nova institucionalidade, todavia, mantém-se e está apresentada no artigo 4o, do Decreto/2007, mediante a seguinte definição: “ofertar educação profissional e tecnológica, em todos os seus níveis e modalidades, formando e qualificando profissionais para os

diversos setores da economia, em estreita articulação com os setores produtivos e a sociedade.” (BRASIL, 2007a).

Numa primeira análise, considerando que havia sido instituído para os CEFETs a educação tecnológica e essa nova norma legal, o Decreto/2007, verifica-se que não há nada de novo que não tinha sido instrumentalizado anteriormente. Observa-se, todavia, certa confusão por parte do MEC, em face de ter atropelado completamente esse processo de reforma das autarquias federais de educação profissional e tecnológica em IFETs. Primeiro editou o Decreto no 6.095/2007 sem que estivesse amparado por uma Lei;60 segundo, lançou um edital de adesão a essa nova institucionalidade, o IFET, simplesmente atrelado numa perspectiva de investimento fantasiosa porque os recursos apontados no horizonte estavam compromissados com a expansão da educação profissional, e não com o investimento nas autarquias em funcionamento; terceiro, impôs que essas autarquias duplicassem infraestrutura para formação de professores porque conselheiros do CNE se manifestaram preocupados com um possível apagão de professores no ensino médio, sem que realmente tivessem levantado os verdadeiros problemas decorrentes da falta de pessoas na sociedade interessadas em formar-se profissionalmente como professores; quarto, o Decreto no 6.095/2007 faz referência à Rede Federal de Educação Tecnológica, o que é contraditório com o argumento de uma “nova institucionalidade”; quinto, com a publicação desse Decreto no 6.095/2007, o governo federal abafa a escalada política dos CEFETs em tornar-se Universidade Tecnológica, que se explicará mais adiante.

Observa-se que o discurso governamental sobre o Decreto n.o 6.095/2007 não faz referência, por exemplo, aos dados do Censo da Educação Superior 2004 realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (INEP), cuja autarquia revela que, das 2.013 Instituições de Ensino Superior, 1.859 pertencem ao setor privado (92,34%). Outro dado esclarecedor do censo relaciona-se ao fato de que apenas 10,4% da população da faixa etária de 18 a 24 anos se encontra matriculada na Educação Superior. Com relação à Educação

60 Sobre esse procedimento do governo Lula com relação à edição do Decreto no 6.905/2007,

apresenta-se o seguinte entendimento da assessoria jurídica da Seção Sindical do SINASEFE: “Data veni, indubitável que a expedição de um decreto depende de lei que o anteceda, e tendo ficado inequívoco que o Decreto no 6.905/2007 não regulamenta nenhuma norma jurídica pré-

existente, dispondo, ao contrário, sobre diretrizes a serem observadas em futuras normas legais, força é reconhecer no referido diploma flagrante inconstitucionalidade, devendo os atos administrativos praticados com lastro na referida norma serem também declarados inconstitucionais.” (SILVA; GOULART; LOCKS FILHO, 2007, p. 9).

Tecnológica, que também apresenta inserção no nível superior, o INEP (2005) destaca que, entre 1999 e 2004, ela cresceu dez vezes, e que dos 758 Centros de Educação Tecnológica e Faculdades de Tecnologia, apenas 48,2% são públicos. Pelas informações disponibilizadas pelo INEP (2005), constata-se que está faltando instituições de ensino superior públicas para os filhos dos brasileiros. (BRASIL, 2005).

A demanda de vagas na Educação Superior é outra razão para a publicação do Decreto n.o 6.095/2007, em face de interromper uma sequência de movimentos desencadeados pelas autarquias federais de educação tecnológica, na premissa de desenvolvê-las à condição de Universidade Tecnológica Federal. Segundo o INEP (BRASIL, 2005), os últimos dados do Censo da Educação Superior 2004 apontam que nesse ano foram oferecidas 2.320.421 vagas pelo sistema de educação superior; para disputar essas vagas, inscreveram-se, em 2004, 5.053.922