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Capítulo 3 – Introdução ao Regimento Comum do

3. Reforma

No capítulo 2, vimos que o Regimento Comum do Congresso Nacional foi promul-gado em 1970, ou seja, durante o regime militar e, aproximadamente, dezoito anos antes da Constituição de 1988, que pode ser considerada um dos principais marcos da redemocratização do país.

CURIOSIDADE

A década de 1980 registrou importantes eventos que marcaram o processo de rede-mocratização do país pós-regime militar de 1964. Nisso há consenso entre os auto-res. Quanto ao momento essencial que marcou tal processo, porém, há opiniões diferentes. Ribeiro considera que “o ano de 1982 foi fundamental no processo de redemocratização” e, ao mencionar períodos do desenvolvimento industrial brasi-leiro, assinala esse ano como divisor de águas entre o regime militar de 1964 e o retorno à democracia: “– expansão econômica e ditadura militar entre 1964 e 1982 – estagnação econômica e democracia a partir de 1982”. (RIBEIRO, 2006, p. 64, 73) Por sua vez, Araújo (2007, p. 347-350) assinala o período entre 1980 e 1985 como crucial para o processo de redemocratização do país. Segundo essa autora, três fatores políticos marcaram esse processo: 1) surgimento de um novo e vigoroso movimento sindical no ABC paulista desde o final da década de 1970; 2) fim do bipartidarismo em novembro de 1979; 3) derrota da campanha pelas eleições dire-tas em abril de 1984 (a campanha das Diredire-tas Já ocorreu entre 1983 e 1984). Em acréscimo, registra que:

Sob o duplo signo da negociação e da frustração, o Brasil encerrava o ci-clo militar e reingressava na via democrática. O presidente Sarney tomou posse no dia 15 de março de 1985. Dois meses depois, o Congresso Na-cional restabeleceu as eleições diretas, aprovou o voto para os analfabe-tos e legalizou os partidos comunistas. (ARAÚJO, 2007, p. 350)

Em relação aos termos “negociação” e “frustração”, constantes da citação de Araújo, cabe esclarecer que se trata da negociação que resultou na eleição da chapa composta por Tancredo Neves e José Sarney e da frustração decorrente da morte do primeiro antes de sua posse como presidente do Brasil.

Não pretendemos, neste trabalho, discorrer sobre os motivos (ou a ausência deles) de o Congresso Nacional – decorridos mais de trinta anos da Constituição democrática – ainda não ter aprovado um novo regimento comum ou, pelo menos, ter promulgado uma resolução para adaptar o texto do RCCN à nova Constituição.

Independentemente disso, o fato é que vários dispositivos do RCCN se encon-tram revogados por terem sido considerados incompatíveis com a Constituição de 1988. Ao longo dos anos, o RCCN foi modificado por resoluções que lhe alteraram ou acrescentaram dispositivos. Seu texto também foi complementado por resoluções com autonomia temática, e, apesar de integrarem o RCCN, não se encontram nele consolidadas.

Diante disso, apesar de o Regimento Comum continuar cumprindo sua função nos trabalhos conjuntos do Congresso Nacional, observa-se que há incompatibili-dade entre determinados dispositivos do texto consolidado do Regimento Comum e resoluções posteriores que possuem autonomia temática. Por exemplo, enquanto

o art. 90 do Regimento Comum, ao discorrer sobre o projeto de lei orçamentária, dispõe que “o suplente só participará dos trabalhos da Comissão Mista na ausência ou impedimento de membro titular”, o § 2º do art. 16 da Resolução nº 1 de 2006-CN prevê que “o suplente da CMO poderá ser designado relator”.

Essas questões sinalizam a importância de se pensar em uma reformulação do Regimento Comum do Congresso Nacional, prevista em seus arts. 128 a 130. Sobre a reforma do Regimento Comum, apresentamos, a seguir, algumas considerações.

A proposição legislativa prevista para a reforma do Regimento Comum do Con-gresso Nacional é um projeto de resolução que pode ser de iniciativa conjunta tanto das Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados quanto de, no mínimo, vinte senadores e oitenta deputados, que totalizam cem subscritores. O projeto deve ser apresentado em sessão conjunta do Congresso Nacional.

IMPORTANTE

A Mesa do Congresso Nacional detém competência para apresentar projetos de resolução do Congresso Nacional; porém, não pode ser autora exclusiva de projeto que modifique o Regimento Comum.

É facultado a qualquer congressista oferecer emendas ao projeto. Conquanto o Regimento Comum não preveja expressamente o prazo para apresentação dessas emendas, elas devem ser oferecidas até o encerramento da discussão do projeto, conforme se depreende do art. 129 do RCCN.

Caso o projeto seja de iniciativa conjunta das Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, após a devida distribuição do texto em avulsos, é convo-cada sessão conjunta, a realizar-se dentro de cinco dias, destinada à discussão do projeto. Porém, quando se tratar de iniciativa conjunta de deputados e senado-res, o projeto, após ser recebido, é encaminhado às Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, que dispõem de quinze dias para emitir parecer. Ao término desse prazo, independentemente de haver parecer, é convocada sessão conjunta, a realizar-se dentro de cinco sessões, para discussão do projeto.

Se a discussão for encerrada com emendas, o projeto retorna às Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados para sobre elas se pronunciarem em dez dias. Ao término desse prazo, com ou sem parecer, é convocada sessão conjunta para votação da matéria.

É importante registrar que compete às Mesas do Senado e da Câmara emitir parecer tanto sobre o projeto quanto sobre as eventuais emendas a ele oferecidas.

Em ambos os casos, cada uma das Mesas apresenta um parecer, ou seja, são ofere-cidos dois pareceres sobre o projeto e dois sobre as emendas. Todavia, o art. 130 do RCCN faculta a apresentação de parecer único tanto ao projeto quanto às emendas, por acordo entre as Mesas. No caso de projeto, somente haverá parecer quando a iniciativa da matéria for de deputados e senadores, pois, quando a autoria do projeto for das Mesas do Senado e da Câmara, considera-se que o pronunciamento (opinião) desses órgãos sobre o assunto seja o próprio projeto e sua justificativa.

A votação do projeto de resolução de reforma do RCCN ocorre imediatamente após a discussão ou, caso haja emendas, depois de decorrido o prazo para emissão de parecer a estas.

Apresentamos, a seguir, informações esquematizadas referentes aos procedi-mentos legislativos para reforma do Regimento Comum do Congresso Nacional.

RESUMO

Reforma do Regimento Comum 1) Iniciativa

A iniciativa do projeto de resolução para modificar o RCCN (ou as resoluções que o integram) é:

a) conjunta das Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados;

b) coletiva de, no mínimo, cem subscritores, sendo vinte senadores e oitenta deputados (100 signatários = 20 senadores + 80 deputados).

2) Emendas

De qualquer congressista, apresentadas até o encerramento da discussão.

3) Parecer

a) ao projeto, quando apresentado por congressistas – prazo de quinze dias;

b) às emendas, quando houver – prazo de dez dias;

c) em ambos os casos, cada uma das Mesas apresenta um parecer, ou seja, há dois pareceres; porém, as Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados podem acordar em oferecer parecer único (RCCN, art. 130).

4) Discussão

Em sessão conjunta convocada:

a) após distribuição de avulsos – se projeto de autoria das Mesas do SF e da b) depois de esgotado o prazo de quinze dias para emissão do parecer.CD;

Em ambos os casos, a sessão conjunta deve ser realizada dentro de cinco dias de sua convocação.

5) Votação

Em sessão conjunta:

a) imediatamente após a discussão; ou

b) após findar-se o prazo para emissão de parecer às emendas.

Capítulo 4