• Nenhum resultado encontrado

No Regimento Geral (s. d.) e no Estatuto (1989)30 da UNESP encontram-se algumas determinações mais gerais relativas à organização, à competência dos diferentes órgãos e às finalidades educacionais para a oferta dos cursos de PGLS na universidade. No artigo 66A do Estatuto da UNESP, por exemplo, observa-se que

Os cursos de pós-graduação lato sensu compreendem a especialização e o aperfeiçoamento.

§ 1o - Os cursos de especialização, destinados a graduados, têm por

objetivo o aprofundamento em um ou mais domínios do conhecimento.

§ 2o - Os cursos de aperfeiçoamento, destinados a graduados, visam a

atualizar ou a aprimorar conhecimentos ou técnicas de trabalho.

(UNESP, 1989, grifos meu)

Além da demarcação dada à PGLS como setor da pós-graduação da universidade que compreende os cursos de especialização e os de aperfeiçoamento, evidencia-se uma

30

No primeiro documento não se encontrou a data da sua publicação. No segundo, utilizou-se a última versão

atualizada que data de 10 de junho de 2010. Disponível em:

diferenciação entre ambos os cursos. O primeiro visa o aprofundamento do conhecimento na área de sua especialidade, sendo que o segundo, a atualização ou aprimoramento de conhecimentos e técnicas de trabalho.

Por sua vez, no Regimento Geral da universidade existe uma seção especial (Seção III

– “Dos Cursos de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão Universitária”) destinada à

conceituação destes cursos.

Artigo 90 - Os cursos de especialização destinados a graduados têm por objetivo o aprofundamento num ou mais domínios de conhecimento.

Artigo 91 - Os cursos de aperfeiçoamento destinados a graduados visam a atualizar ou a aprimorar conhecimentos ou técnicas de trabalho.

Artigo 92 - Os cursos de extensão universitária visam a difundir conhecimentos e técnicas na comunidade. (UNESP, s.d.)

Nota-se que não existem diferenças quanto à finalidade educacional entre um e outro documento, entretanto, no Regimento Geral há uma nova concepção evidenciada pelo divórcio entre os cursos de especialização e aperfeiçoamento e a pós-graduação na universidade. Isto porque neste observa-se uma seção dedicada à pós-graduação na UNESP,

intitulada “Da Pós-Graduação” (Seção II) em que não são mencionados os cursos de

especialização e aperfeiçoamento como pertencentes à pós-graduação.

Com relação à organização e à competência das distintas instâncias da universidade, o Estatuto do UNESP fornece alguns subsídios para sua compreensão. No artigo 24 (item II,

alínea “a”), que versa sobre as competências do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão

(CEPE), uma das responsabilidades deste órgão é deliberar sobre a “regulamentação de cursos

de aperfeiçoamento, especialização, extensão universitária e outros” (UNESP, 1989). Além

disso, também é de sua responsabilidade, enquanto autarquia ligada ao Conselho Universitário (CO) da universidade, a determinação dos regimentos gerais da graduação, pós-graduação e extensão universitária (artigo 24, item II, alíneas “f”, “g” e “h”).

Entretanto, é na Câmara Central de Pós-Graduação (CCPG), alocada numa hierarquia administrativa inferior, em que se visualiza o papel central na oferta dos cursos de PGLS na UNESP. No artigo 24B do Estatuto (UNESP, 1989, grifos meu), lê-se que

Compete à Câmara Central de Pós-Graduação:

I – manifestar-se sobre a criação, reestruturação ou extinção de cursos ou de áreas de concentração de Pós-Graduação;

II – deliberar sobre:

a – estrutura curricular dos cursos ou áreas de concentração de Pós- Graduação ainda não reconhecidos pelo MEC;

b – realização de cursos de especialização e aperfeiçoamento, conforme normas estabelecidas pelo CEPE;

III – aprovar programas de concurso para obtenção do título de professor livre-docente e de provimento de cargo de professor titular;

IV – homologar os regulamentos de cursos de Pós-Graduação;

V – revalidar títulos acadêmicos obtidos no exterior;

VI – propor:

a – o Regimento Geral da Pós-Graduação;

b – normas para assegurar que a prestação de serviços remunerados contribua para o financiamento de projetos e atividades de pesquisa e ensino em nível de Pós-Graduação;

VII - reconhecer a equivalência de títulos acadêmicos obtidos fora da UNESP.

Observa-se no artigo supracitado que é no âmbito da CCPG que se realiza a decisão final sobre a oferta ou não dos cursos de PGLS (especialização e aperfeiçoamento)31. A importância deste órgão, além de regulamentar os diferentes cursos de pós-graduação (PGSS e PGLS), é também a de propor as “normas para assegurar que a prestação de serviços remunerados contribua para o financiamento de projetos e atividades de pesquisa e ensino em nível de Pós-Graduação” (artigo 24B, item VI, alínea “b”) na universidade.

Além da CCPG, outra instância fundamental para a compreensão do processo da oferta dos cursos de PGLS é a Congregação dos diferentes campi da UNESP32. Enquanto instância máxima das decisões na esfera das unidades universitárias, “órgão deliberativo e

normativo em matéria de ensino, pesquisa, extensão universitária e administração” (artigo

39), uma de suas responsabilidades é

[...] aprovar, supervisionar e avaliar projetos pedagógicos dos cursos de Graduação, propostas dos cursos de Pós-Graduação e de Extensão e projetos

31

Vinculada ao CEPE, a CCPG é composta por 18 membros da comunidade universitária: “I - o Pró-Reitor de

Pós-Graduação, seu presidente nato; II - oito docentes credenciados em Programas de Pós-Graduação "stricto sensu" da UNESP, um de cada área do conhecimento definidas a seguir, eleitos por seus pares: a)

Ciências Biológicas; b) Ciências da Saúde; c) Ciências Agrárias; d) Engenharias; e) Ciências Exatas e da Terra; f) Ciências Humanas g) Linguística, Letras e Artes; h) Ciências Sociais Aplicadas, incluindo Multidisciplinar; III - três Coordenadores de Programas de Pós-Graduação "stricto sensu" da UNESP, um de cada grupo de áreas do conhecimento definidos a seguir, eleitos por seus pares: a) Ciências Biológicas e Ciências da Saúde; b) Ciências Agrárias, Engenharias e Ciências Exatas e da Terra; c) Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes e Ciências Sociais Aplicadas; IV - um pesquisador, eleito por seus pares; V - três discentes da pós-graduação, não pertencentes aos quadros funcionais da Universidade, um de cada grupo de áreas do conhecimento definido a seguir, eleitos na forma da legislação em vigor: a) Ciências Biológicas e Ciências da Saúde; b) Ciências Agrárias, Engenharias e Ciências Exatas e da Terra; c) Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes e Ciências Sociais Aplicadas; VI - dois técnico-administrativos da área de pós-graduação, eleitos por seus pares.” Redação dada pelo §2°, artigo 22 do Estatuto da UNESP (1989, grifos meu).

32

A Congregação das unidades universitárias da UNESP compõe-se pelos seguintes membros (artigo 39): “I – o

Diretor, seu presidente nato; II – o Vice-Diretor; III – os Chefes de Departamento; IV – os supervisores das Unidades Auxiliares; V – cinco representantes docentes; VI – um representante da associação docente local; VII – um representante dos coordenadores de curso de Graduação; VIII – um representante dos coordenadores de Programas de Pós-Graduação; IX – um representante docente de cada Comissão Permanente; X – representantes discentes, na proporção de quinze por cento do total dos membros docentes,

sendo um representante da entidade estudantil máxima da Unidade; XI – representantes do corpo técnico e

administrativo, na proporção de quinze por cento do total dos membros docentes, sendo um indicado pela

de trabalho dos Departamentos que compõem o plano de atividades da Unidade. (UNESP, 1989)

Destaca-se ainda outra atribuição igualmente importante, a de manifestar-se à CCPG sobre a proposição de cursos de PGLS na sua unidade (aperfeiçoamento e especialização), segundo as normas estabelecidas pelo CEPE.

Integrantes à Congregação existem ainda dois tipos de comissões, a Comissão Permanente de Ensino (CPE) e Comissão Permanente de Pesquisa (CPP). A competência de ambas as comissões é de “assessorar a Congregação em questões relativas à sua área de atuação e exercer as atribuições que lhe forem delegadas, nos termos do inciso XXIII do art.

41”33

(UNESP, 1989). Como se verificou na oportunidade da análise dos cursos investigados, em alguns momentos a CPE possui o papel de apreciação das propostas dos cursos de especialização, constituindo-se numa instância fundamental para oferta destes na unidade universitária.

Os diferentes Departamentos que compõem a unidade universitária representam o último núcleo relacionado à oferta dos cursos de PGLS. No artigo 51 do Estatuto da UNESP (1989, grifos meu), salienta-se que

Compete ao Departamento:

I – ministrar disciplinas de cursos de graduação e de pós-graduação, bem como de cursos de especialização, aperfeiçoamento, extensão e outros;

II – promover o desenvolvimento de linhas de pesquisa; III – promover a extensão universitária;

IV – incentivar a promoção de programas interdepartamentais, interunidades ou interuniversidades;

V – propor medidas de caráter administrativo para o desenvolvimento dos programas de trabalho;

VI – organizar o plano de atividades do Departamento;

VII – propor a criação, a extinção ou a redistribuição de disciplinas;

VIII – promover e supervisionar as solicitações de financiamento de pesquisas;

IX – coordenar os pedidos de bolsas de estudo;

X – realizar anualmente a avaliação das atividades desenvolvidas.

Além disso, igualmente é da sua competência

VI – manifestar-se sobre: [...]

c – o envolvimento dos docentes em cursos de extensão, aperfeiçoamento, especialização, consultorias, assessorias, participação em projetos e prestação de serviços;

33De acordo com o Estatuto da UNESP, artigo 41, “Compete à Congregação: XXIII – delegar competências por

VII – propor: [...]

c – a realização de cursos de especialização, aperfeiçoamento, sequenciais e de extensão universitária;

[...]

X – estudar e apreciar convênios que envolvam o Departamento, submetendo-os à Congregação;

[...]

XII – destinar os recursos obtidos pelo Departamento; [...]

XIV – proceder, anualmente, à avaliação das atividades de ensino, pesquisa e extensão universitária, desenvolvidas no Departamento, registrando-a em relatório a ser encaminhado à Congregação;

XV – responsabilizar-se, perante os órgãos superiores, pelo desenvolvimento do trabalho científico e de extensão de seus docentes, pelos cursos ministrados e pelas atividades do corpo técnico e administrativo;

[...] (UNESP, 1989, art. 55)

Observa-se nos artigos acima que o Departamento, além da obrigatoriedade e responsabilidade da oferta de disciplinas em cursos de especialização e aperfeiçoamento com avaliação anual destas atividades (artigo 51, inciso I e X e artigo 55, inciso XIV e XV), deverá exercer acompanhamento efetivo do exercício dos seus docentes nestes cursos (artigo

55, inciso VI, alínea “c”).

Constitui-se também o Departamento como órgão responsável na unidade universitária pela proposição dos cursos de especialização e aperfeiçoamento (artigo 55, inciso VII, alínea

“c”), seja pela sua própria iniciativa ou através do estabelecimento de convênios com outras

instituições (artigo 55, inciso X), sendo independente para utilizar os recursos a si destinados que possam advir da cobrança de taxa e mensalidades destes cursos (artigo 55, inciso XII)34.

A partir das considerações realizadas sobre os órgãos da universidade envolvidos com a oferta dos cursos de especialização na dimensão administrativa (CCPG, Congregação e Departamento), evidenciados pela análise do Regimento Geral e do Estatuto da UNESP, apresenta-se a seguir uma figura que procura sumariar este processo atualmente.

34

A cobrança de taxas e mensalidades dos cursos de PGLS na UNESP, principalmente os de especialização, insere-se num âmbito mais geral da estrutura administrativa universitária. No artigo 15 do Estatuto da UNESP, define-se que os recursos financeiros da UNESP poderão ser provenientesdas seguintes fontes: “I – dotações do Governo do Estado [de São Paulo] consignadas em seu orçamento; II – dotações que lhe forem atribuídas nos orçamentos da União, de outros Estados e de Municípios; III – subvenções e doações; IV – rendas de aplicações de bens e de valores patrimoniais, de serviços prestados e de produção; V – taxas e emolumentos [lucros

FIGURA 2 – Dinâmica administrativa para proposição de cursos de especialização na UNESP.

Fonte: o autor, a partir de UNESP (1989; s. d.)

Desde o momento da concepção do curso no âmbito do Departamento até a sua efetiva aprovação pela deliberação da CCPG, nota-se que existe um percurso administrativo extenso nos diferentes órgãos com a apreciação da proposta do curso de especialização (parecer) e, após esta, reunião para sua aprovação.

Salienta-se que este mesmo processo é realizado também quando há alterações no decorrer do curso, bem como, quando este é concluído e seu relatório final com as atividades realizadas é apresentado.

Inevitavelmente, a problematização nesta sessão possui um caráter mais geral e abstrato sobre a organização administrativa e sua relação com os cursos de PGLS existentes na UNESP. A seguir, apresentam-se as normas e os regulamentos específicos que regem os cursos de especialização na universidade.