4 REVISÃO DA LITERATURA
4.5 Síndromes, neutralidade e transversalidade do jornalismo ambiental
centros urbanos foi o foco de interesse de todos os grandes jornais" (BARROS; SOUSA, 2008: 8). Esse trecho dialoga com o que Mendes e Queirós (2014: 6) alegam: a preocupação com o meio ambiente é registrada em três situações: catástrofes naturais, relatórios publicados por revistas estrangeiras com dados sobre aquecimento global e o dia cinco de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, instituído pela ONU.
"Grande parte das notícias sobre a questão ambiental tem como fonte a comunidade científica” (BARROS; SOUSA, 2008: 8). Um exemplo disso é a importância que é dada à publicação dos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)19e das Conferências da ONU sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. A ponte entre cientistas e a população, entretanto, não é de troca de informações, mas sim, uma imposição de cima para baixo, onde a comunidade científica tem preferência e voz na mídia quando se trata de meio ambiente. Para Trigueiro (2005: 78), "o desafio é traduzir, sem prejuízo da informação, as descobertas que emergem dos meios acadêmicos e científicos", quando aborda o jornalismo ambiental e suas funções.
4.5 Síndromes, neutralidade e transversalidade do jornalismo ambiental
Muitas das fontes utilizadas no jornalismo ambiental são políticos, cientistas, pesquisadores, meteorologistas e especialistas em determinados assuntos. "É preciso incluir também o povo da floresta, o catador de lixo, o agricultor e o cidadão da rua, evitando, de tal modo, o que o autor chama de 'lattelização das fontes'” (MENDES; QUEIRÓS, 2014: 4).
Essa lattelização das fontes é uma das síndromes do jornalismo ambiental que Bueno (2007) cita em seu artigo e que retira a democratização e a pluralidade da informação, pois, na construção da notícia são priorizados aqueles que possuem um currículo acadêmico ou políticos que tenham poder de decisão e de conhecimento, e ignorada a participação de quem deve exigir uma informação de qualidade: a população local e tradicional, como indígenas, comunidades ribeirinhas e extrativistas. Segundo o autor, esse discurso de especialistas
19 O IPCC foi criado em 1988, no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), e constitui um grupo de cientistas cujo objetivo é produzir relatórios técnicos sobre a ciência das mudanças climáticas, impactos, vulnerabilidade e formas de adaptação dos sistemas biológicos e físicos a essas mudanças, além de meios de reduzir a emissão e a concentração na atmosfera de gases de efeito estufa (BARROS; SOUSA, 2008: 8).
promove o distanciamento e legitima a atuação de pessoas que, por má índole, ou por viés do olhar, se tornam cúmplices de empresas que não têm zelo com a natureza.
O distanciamento também é ampliado pela segmentação do jornalismo ambiental em cadernos, editorias, páginas e colunistas específicos, pois o foco é fechado e compromete o esforço para articular os temas que são transversais ao meio ambiente. A cobertura jornalística do meio ambiente extrapola os limites dos cadernos, das editorias e desses segmentos especializados. Bueno (2007: 18) explica o resultado dessa cobertura parcial, equivocada e imprecisa do meio ambiente na mídia:
O cidadão (leitor, radiouvinte, telespectador, internauta etc.) muitas vezes tem dificuldade para entender a amplitude e a importância de determinados conceitos, e geralmente vislumbra o meio ambiente como algo que lhe é externo.
A síndrome das fontes, como também é chamada a síndrome da lattelização das fontes, em pautas ambientais é reforçada pelo autor, com o discurso objetivo de que muitos jornalistas utilizam e defendem, pois assim resguardam sua responsabilidade na matéria e buscam levar mais fidedignidade dos fatos para o leitor. É a objetividade do texto jornalístico trabalhando juntamente com as fontes especializadas, limitando o espaço democrático de debates sobre o meio ambiente. Segundo Bueno (2007: 36),
[...] o Jornalismo Ambiental deve potencializar o diálogo entre o catedrático e o pescador, entre o agrônomo e o trabalhador rural, o mateiro e o biólogo, e não deve estigmatizar a sabedoria dos pajés. As fontes no jornalismo ambiental devem ser todos nós, e sua missão será sempre compatibilizar visões, experiências e conhecimentos que possam contribuir para a relação sadia e duradoura entre o homem (e suas realizações) e o meio ambiente.
Além da lattelização das fontes, o pesquisador descreve outras que foram identificadas no jornalismo ambiental, como a síndrome do zoom, ou olhar vesgo, que se relaciona com a fragmentação da cobertura de notícias sobre meio ambiente e o fechamento do foco sobre o tema noticiado. A terceira síndrome é a do muro alto, que se associa com a despolitização do debate ambiental, enaltecendo o discurso técnico-científico e fontes oficiais, excluindo outros atores sociais. A síndrome do muro alto está relacionada com a da lattelização, pois prioriza as fontes oficiais. A quarta síndrome - das indulgências verdes - é ligada com o marketing verde, confundido com jornalismo ambiental por quem é leigo no assunto.
Para o autor, os profissionais desse marketing buscam limpar a imagem de empresas que destroem o meio ambiente e procuram vender ações paliativas para o impacto que essas empresas causam à natureza, como plantio de árvores para compensar um desmatamento. A síndrome da baleia encalhada - quinta síndrome - conforme Bueno, é efeito da espetacularização e sensacionalismo das tragédias ambientais na mídia. Na perspectiva desta síndrome, o acontecimento é relatado sempre como caso afastado, ímpar e de forma aguda, até que cesse a cobertura de maneira tão velozmente como ela começa. Sobre a síndrome da baleia encalhada, Bueno (2007: 36) diz que "o debate e a conscientização ambiental não podem limitar-se a uma foto parada, ainda que colorida e de grande impacto, porque dependem de uma cobertura mais investigativa que busque enxergar além das imagens".
Para Barros e Sousa (2008), a mídia no mínimo teve seu papel no processo de conscientização do público e de autoridades, principalmente, no que diz respeito às mudanças climáticas. Sem a mídia, a chance dessas informações chegarem à população seria mínima.
Essas síndromes vão ao encontro ao que diz Moura (2012) de que ao deixar de noticiar o fato real como acontecimento jornalístico a notícia pode reduzir e até tirar a visibilidade do que aconteceu de verdade. A razão de entender esse processo de criação da notícia sobre meio ambiente está na importância que os meios de comunicação, em especial o jornalismo online, têm na sociedade: "As notícias ajudam o indivíduo a interpretar a realidade que o rodeia.
Abordando fatos inusitados, dando atenção a determinados fatos e documentos públicos, potencializada pelo desenvolvimento da ciência e da técnica" (PARK, 2008 apud MOURA;
FÉLIX, 2012: 3). É por meio dos meios de comunicação que grande parte da sociedade tira informações para construir seus conceitos, valores e posições culturais, políticas e ambientais.
O que os meios de comunicação fazem é basicamente servir como interlocutores do discurso técnico-científico e popularizar as informações vindas da área ambiental, transformando-as em um discurso de massas (RAMOS, 2001). Essa popularização da informação científica torna os meios de comunicação responsáveis pelas alterações sociais.
Para Holouka (2015), a pluralidade de fontes na construção de uma notícia, ou seja, quando o jornalista leva em consideração os atores envolvidos no meio, torna o jornalismo ambiental mais popularizado, próximo da sociedade, fazendo com que decisões sejam tomadas com base em informações mais verídicas sobre o dia a dia dos povos locais, e proporciona também a estes, envolverem-se mais intensamente nas decisões que envolvem o meio ambiente. É uma forma de comunicação mais participativa.
Essa participação é acentuada quando falamos a respeito de relatórios sobre o aquecimento global e conferências do clima pela ONU, momentos em que se pautam importantes decisões a serem tomadas por toda comunidade internacional, que definirão o rumo das atividades industriais e impactarão a vida de todos nós. São os ribeirinhos, povos da floresta e pequenos vilarejos que mais sofrerão com as mudanças climáticas, e, se a informação não chegar a essas pessoas de forma clara e abordando seu cotidiano, o impacto será ainda maior, pois as áreas de influências das marés e espaços utilizados para agricultura familiar serão profundamente alteradas pelos eventos climáticos cada vez mais extremos (RUTKOWSKI; TASSARA, 2008). As autoras dizem que a área potencial de plantio pode ser reduzida em até 60% levando em conta o impacto do aumento de temperatura global, portanto é necessário que as pessoas em situação mais vulnerável recebam informações contextualizadas com sua rotina e modo de vida.
Monteiro (2015: n.p.), sobre as estruturas e o modelo organizacional implementados nos meios de comunicação do Brasil para lidar com o meio ambiente, diz que:
Os meios de comunicação ainda não se estruturaram de forma a pensar questões de base que objetivem ações transformadoras, como comunicar valores e atitudes que desenvolvam no ser humano reflexões que possibilitem a faculdade crítica e autocrítica das suas atitudes para com o meio ambiente.
Uma das questões do jornalismo ambiental está na forma com que os grandes veículos de comunicação constroem as notícias, pois, para Guimarães e Colombo (2014: 7), "os editores e os repórteres têm um ritmo acelerado nas redações, o que dificulta uma abordagem mais ampla dos temas ambientais, os quais exigem conhecimentos técnicos, dedicação e especialização". Esse ritmo se torna ainda mais frenético quando tratamos do jornalismo online, ou webjornalismo, onde a pressão para notícias imediatas dificulta qualquer processo de apuração, pesquisa de fontes e refinamento do texto. Essa pressa em preencher páginas com conteúdo digital reforça a síndrome da lattelização, pois acaba sendo mais cômodo e rápido para o comunicador extrair de fontes oficiais e especializadas as informações que ele necessita sobre o meio ambiente.
Outro equívoco na cobertura sobre o meio ambiente é reduzir esse campo do saber para um ponto de vista limitado, com ângulo restrito ao discurso tecnológico e econômico, como se todas as respostas para as mudanças climáticas fossem surgir apenas do avanço técnico-científico.
Bueno (2007) diz que, muitas vezes, esse discurso empresarial, apoiado por governos, cientistas e especialistas ligados à lógica racional, está encoberto com o financiamento que grandes indústrias da iniciativa privada oferecem à mídia para incluir seus produtos e a biotecnologia como solução para os problemas ambientais. A cobertura do meio ambiente na mídia não pode ser porta-voz e refém de ações mercadológicas dessas empresas; ela deve dar voz à população, despertar a consciência e a preocupação com o meio ambiente.
Podemos observar também que nos últimos anos a quantidade de matérias e notícias produzidas sobre o meio ambiente vem aumentando exponencialmente nas redações;
entretanto, quantidade não significa qualidade. Para Holouka (2015: 24),
Há também o problema da qualidade do material que é veiculado nos mais variados meios, na TV, nos jornais ou na Internet. Estes, ao revelar as tragédias, desmatamentos, poluição do ar e da água e até mesmo os acontecimentos casuais da pauta ambiental, não ultrapassam os limites da indignação e do apelo sensacionalista, fazendo com que a importante mudança da atitude reclamada não seja efetiva.
É difícil saber se esse aumento na quantidade de notícias sobre o meio ambiente se deve ao fato de a consciência coletiva estar mais atenta às pautas ambientais ou se há uma pressão do conglomerado de mídia para impor uma falsa sensação de uma comunicação verde, sustentável, para atrair mais leitores que prezam por essa responsabilidade ambiental.
Na prática, interpreta Bueno, a imprensa vem adotando um conceito de desenvolvimento sustentável que atende a interesses empresariais que refletem uma ideologia meramente reformista, que está mais associada ao aumento do PIB e das exportações que ao acesso à comida, à educação, à água portável, ao saneamento básico ou a serviços de saúde. Ou seja, as matérias jornalísticas divulgadas pela imprensa, supostamente sob o paradigma da imparcialidade, neutralidade e objetividade, revelam uma visão empresarial que contempla a própria sobrevivência e trata o meio ambiente como algo que, se não for agenciado adequadamente, pode prejudicar o bom andamento dos negócios (DORNELLES, 2008: 125).
Um ponto importante na discussão do jornalismo ambiental é a falta de neutralidade e o fato de ele ser militante - ou pelo menos deveria ser. Dornelles (2008: 121), ao defender um jornalismo ambiental nos moldes da subjetividade e da militância, justifica sua proposta:
“Estou convencida de que precisamos adotar um novo estilo de jornalismo, especialmente para o acompanhamento das questões ambientais no âmbito da sociedade”.
Ainda sobre essa subjetividade do jornalismo ambiental, Bucci (2000: 102) acredita que o comunicador “não pode, portanto, estar neutro - ele é tão comprometido quanto qualquer cidadão. Por isso é que precisa vigiar-se de um modo especial". Para o autor, é impossível atingirmos a objetividade plena no jornalismo e é até desejável que isso não ocorra, pois tira o foco de um dos principais propósitos do jornalismo, que é fiscalizar o poder público e rogar por transparência governamental.
Diante da impossibilidade de neutralidade, Bueno (2007: 154) destaca que o profissional de comunicação que lida com o meio ambiente precisa “balizar sua conduta por um código de ética ambiental, como por exemplo, o adotado pelos veículos da REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental e associados”. Entre os artigos desse código de ética, está o dever de os veículos da REBIA20aumentarem a consciência das pessoas nos noticiários que tratam do meio ambiente. Os veículos devem se esforçar para relatarem diversos aspectos e assuntos relacionados ao meio ambiente. Esse código também reconhece o papel vital que os meios de comunicação têm para permitir às pessoas recorrerem à ação para proteger o meio ambiente.
Charaudeau (2009: 131) discorre sobre o mundo apresentado por um jornalista: "Não há captura da realidade empírica que não passe pelo filtro de um ponto de vista particular, o qual constrói um objeto particular que é dado como fragmento do real". Enquanto o profissional de comunicação possuir suas idiossincrasias, conceitos e valores morais e culturais, será inviável largar o fardo da experiência que a vida lhe é para discorrer um texto totalmente imparcial. De acordo com Bueno (2007: 30), "o jornalismo ambiental não pode comprometer-se com a isenção porque participa de um jogo amplo (e nada limpo) de interesses".
Ainda sobre a militância do jornalismo ambiental, Holouka (2015: 21) ressalta:
Embora o Jornalismo Ambiental mantenha uma postura com certas características e singularidades, não se trata de uma instância especializada ou privilegiada de jornalismo, mas sim de um resultado de uma militância cívica, não partidária, de uma articulação de discursos e da já citada visão sistêmica de conhecimentos científicos e saberes populares e tradicionais.
Essa visão não reduz ou empobrece as coberturas — por ingenuidade ou a favor de interesses particulares — a pautas ambientais com uma perspectiva unicamente econômica, política, sociocultural, etc., mas percebe as suas conexões entre meio ambiente, economia, cultura, política e sociedade.
20 Rede Brasileira de Informação Ambiental. Disponível em: http://www.rebia.org.br/. Acesso em: fev. 2016.
Pela militância, e consequentemente com a subjetividade e falta de neutralidade do jornalismo ambiental, tende-se a criar um tipo de jornalismo mais democrático, onde o debate é instigado aos leitores, e sua construção acaba considerando esses diferentes atores sociais com seus feedbacks sobre o ativismo desse jornalismo especializado. Para a autora, essa militância fortalece o papel de educador ambiental que o jornalismo precisa ter. A militância do jornalismo ambiental encontra resistência nas redações, sobretudo, pela síndrome de lattes, que, através de um jornalismo de moldes neoliberais emprestados da academia norte-americana, sustenta a falácia de um jornalismo neutro e objetivo, descompromissado com o verdadeiro desenvolvimento sustentável (BUENO, 2007).
Já para Trigueiro (2005: 88)
[...] o jornalismo ambiental quebra o dogma da imparcialidade, tão propagada e discutida nos cursos de comunicação, ao tomar partido em favor da sustentabilidade, do uso racional dos recursos naturais, do equilíbrio que deve reger as relações do homem com a natureza.
Mais do que comprometido com o meio ambiente, o jornalismo está comprometido com a qualidade de vida do homem, pois é incorreto achar que a preocupação dos comunicadores está apenas na fauna e flora - ela vai além disso. Os autores são unânimes ao se pronunciarem sobre a subjetividade e militância desse tipo de jornalismo.
Em relação à democratização do jornalismo ambiental, Holouka (2015) vem dizer que cabe à mídia oferecer esse espaço de debate para que o tema meio ambiente e sustentabilidade seja oferecido de forma igualitária e leve as pessoas a pensarem mais criticamente sobre o futuro sustentável. Somente a mídia consegue fazer com que a população se engaje numa política ambiental. As pautas ambientais estão presentes nos jornais brasileiros; o que não está presente, segundo Bueno (2007), é a transversalidade dessas pautas, englobando também temas econômicos, sociais e culturais.
Barros e Sousa (2008: 5), sobre a transversalidade de uma notícia sobre o meio ambiente, dizem que “em vez de cobertura ampla e contextualizada, temos notícias isoladas sobre problemas pontuais, de acordo com o calor das circunstâncias. O que é destacado é o tom denuncista, inusitado, espetacular ou catastrófico”.
Sobre a contextualização do jornalismo ambiental, sob a ótica da comunicação organizacional, Campos (2010: 17) se refere ao bom êxito da comunicação ao dizer que esta:
[...] não se encontra, separadamente, na emissão ou na recepção, mas na contextualização do processo. Sendo assim, se considerarmos que o sistema do receptor está interconectado com o sistema social de recepção, teremos que as notícias devem ser como a sociedade quer e não como os jornalistas ou as organizações querem.
A transversalidade que uma pauta ambiental possui a torna isenta de quaisquer objetividades e interpretações rasas. Se o profissional que cobrirá a pauta sobre o meio ambiente tiver essa visão sistêmica, relacionando causa e efeito ao abordar tragédias ambientais, já será um avanço para mudar o quadro denuncista que esses autores citam.
Mudanças climáticas afetam a cultura e a saúde da mesma forma que afetam a economia, portanto a alteração em qualquer unidade (solo, ar, água, temperatura etc.) provoca impactos que serão sentidos em todo o meio ambiente.
Para Vieira (2014)21, colunista do jornal O Globo:
Existe um vício da imprensa brasileira que é colocar a sustentabilidade e meio ambiente dentro de um cercadinho. Sustentabilidade deveria fazer parte de tudo. Todas as pautas que são discutidas deveriam ser analisadas com os óculos da sustentabilidade.
O monopólio dos meios de comunicação pode estar relacionado com o desenvolvimento sustentável, pois, ao dominarem a agenda pública, os meios podem impor um marketing verde, financiado por empresas que impactam negativamente o meio ambiente (BUENO, 2007).
Esses jornais também reduzem o meio ambiente ao aspecto meramente econômico, atenuando cada notícia sobre o impacto de novas tecnologias na natureza e minimizando os riscos que a ação humana traz para o planeta. Como aponta Bueno (2007), é um erro tratar o meio ambiente apenas como um empecilho ao desenvolvimento e crescimento econômico ou como pretexto para o marketing verde. O erro está sempre na simplificação da pauta ambiental.
Com essa necessidade de fiscalização e visando preencher a lacuna deixada pela falta de regulamentação da mídia no Brasil, existem os observatórios de mídia como ferramentas
21 Entrevista concedida por Agostinho Vieira ao programa Observatório da Imprensa, na TV Brasil, em reportagem sobre a crise hídrica e o meio ambiente. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=i8-d4KsZsoI. Acesso em: 29 fev. 2016.