Pressão baixa / hipotensão Diarreia.
SCRIPT, ARGUMENTO DE VIDA, OU AINDA, DESTINO
Há somente duas ou três histórias humanas. E elas continuam a se repetir, impetuosamente, como se jamais tivessem acontecido.
Claude Lelouch (Les uns et les autres) Cada homem tem decididas estas cinco coisas
Antes de sair do útero: A duração de seus dias, seu fado, sua riqueza, sua instrução e sua tumba (do Panchatantra aprox. 200 a.C.)
Tag: Cida Linhares
Imagem: Internet sem menção de autoria.
Este instrumento da AT, embora seja o que menos poderá ser verificável, é um dos mais fascinantes, diferindo das Carícias, cujos efeitos são avaliados imediatamente. Argumento de vida, é um plano traçado na infância, baseado nas influências parentais, enviado para o inconsciente, ou esquecido, cujos efeitos são refletidos durante toda vida e comportamento do ser humano. (Ver Kertész, 1987, p.129) Em Crema, temos uma experiência que vale a pena fazer:
Experimentem fechar os olhos e se projetar no tempo até daqui a uma semana. Visualize, com detalhes, o que se passará nestes sete dias; seus estados de ânimo, emoções, atividades, satisfações e insatisfações [...] Muito bem; como você não sabe, de fato, o que ocorrerá neste futuro próximo, sua fantasia foi uma ilusão criada a partir do seu próprio script, que determina a previsibilidade a seu respeito. Você pode ter fantasiado dias felizes, infelizes ou banais; realizações ou frustrações; sucessos ou fracassos; e, muito provavelmente, esta previsão tem a ver com seu plano de vida decidido na infância, em geral não consciente, que Berne denominou de script. Afirma Berne: “Cada pessoa decide em sua primeira infância como viverá e como morrerá, e a esse plano, que leva na cabeça aonde for, denominamos script. Sua conduta trivial pode decidi-la pela razão, mas suas decisões importantes já estão tomadas, com que tipo de pessoa casará, quantos filhos terá, em que tipo de cama morrerá, e quem estará consigo quando morrer. Pode ser que não ocorra o que ele quer, mas quer que ocorra algo muito concreto. ” Para Berne, os scripts teatrais são captados intuitivamente dos scripts de vida: ambos estão baseados num número limitado de temas; têm desenlaces previsíveis caso prossigam, e são necessários certos diálogos específicos, ditos de certo modo, para criar a motivação apropriada para o desfecho; devem ser escritos e ensaiados várias vezes até estarem prontos para a representação mais dramática e definitiva; há papéis de “bons” e “maus” meninos, e de “vencedores” e “fracassados” (na AT, os vencedores são chamados “príncipes” e “princesas”, e os fracassados, de “sapos” ou “rãs”; o objetivo da AT é facilitar que os sapos e rãs voltem a ser “príncipes” ou “princesas”). Todos os scripts, teatrais ou vitais, são essencialmente respostas à pergunta básica do encontro humano: “O que você diz depois de dizer Olá?” Finalmente, as cenas do script de vida se movimentam e se motivam com o tempo, como no teatro. (1984, p.195)
Segundo Crema, a definição de script mais descritiva e ampla, além de congruente com muitos autores da AT, e de fácil compreensão, é a de Holloway, que diz:
“Script é um plano para a vida, frequentemente contendo insatisfações, caracterizado por sentimentos repetitivos desagradáveis (disfarces), por dificuldades recorrentes nos relacionamentos interpessoais (jogos) e também por um sentimento de valor inferior tanto de si próprio como dos outros (posição existencial e desqualificações). O script tem suas origens nas decisões de uma criança muito jovem, que faz o possível para sobreviver num mundo que não compreende muito bem e que frequentemente experimenta opressões e mesmo ameaças de vida. Tais decisões, portanto, são tomadas com o conhecimento muito limitado e precisamos dar a esta criança crédito por sua habilidade de criar um plano, mesmo que nos pareça mau, mais tarde. ” (1985, p.197)
Ainda segundo Crema, esta programação parental é necessária, porque fornece uma finalidade à vida, estrutura o tempo, e programa como fazer as coisas. Berne (apud Crema,1985, p.196), nos indica que os pais, sejam estes fracassados ou vencedores, irão passar isso para os filhos como uma transferência de programa. Mesmo a longo prazo, o padrão terá sempre um fio condutor, mas que, embora o resultado esteja determinado, a criança frequentemente é livre para escolher seu próprio argumento. A primeira e mais arcaica versão do script é concebido pela mente mágica infantil, construindo o palimpsesto. Com o crescimento da criança, que às vezes sofre com os contos de fadas e estórias infantis, ou ainda com as multicoloridas imagens da TV, o script vai se adaptando. Na adolescência, este é, de novo, revisado, adaptando-se ao contexto do momento, “ainda envolto no manto dourado do romantismo ou, às vezes, dourado com a ajuda das drogas”. (Berne apud Crema, 1985, p.196) É desta forma que o script, nas primeiras décadas é preparado, principalmente “para a representação de despedida. Esta representação final é, sobretudo, ‘a que tem que ser mudada’ [...]”.
Segundo Kertész, mesmo antes de ser concebida uma criança, a família cria expectativas conscientes e inconscientes sobre o papel que ela deva desempenhar nos diversos campos de condutas, o que faz com que sua personalidade se encaixe “como uma peça de quebra-cabeças com as personalidades de seus pais/parentes. ” (1987, p.131) Este acha incorretas as descrições clássicas do Argumento serem individuais. Para ele, o script ou argumento de vida é grupal, ou seja: “Um plano inconsciente de conjunto de vida. Para que se cumpra, cada um deverá cumprir o papel complementar dos outros. Por exemplo: Perseguidor, Salvador ou Vítima.” Criando um quadro diferencial entre Argumento e Plano de vida, Kertész nos apresenta desta forma: (ibidem, p.130).
ORIGEM