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SERÁ QUE CAUDA MAIS LONGA SIGNIFICA CABEÇA MAIS CURTA?

No documento ACaudaLonga-ChrisAnderson (páginas 93-95)

A ECONOMIA DA CAUDA LONGA

SERÁ QUE CAUDA MAIS LONGA SIGNIFICA CABEÇA MAIS CURTA?

Uma das principais questões com que me deparei enquanto me aprofundava na quantificação dos mercados de Cauda Longa foi sobre o efeito do aumento de variedade na forma da curva de demanda. A medida que os agregadores se tornam capazes de oferecer cada vez mais produtos, alongando a Cauda, os relativamente poucos hits na cabeça venderão menos, mais ou o mesmo?

Três aspectos da Cauda Longa produzem o efeito de empurrar a demanda cauda abaixo, dos hits para os nichos. O primeiro é a disponibilidade de maior variedade. Quando se oferece a possibilidade de escolha entre dez alternativas, uma das dez será escolhida. Quando a oferta e de mil coisas, a demanda será menos concentrada nas dez mais procuradas.

O segundo é a redução dos "custos de pesquisa" para se encontrar o objeto almejado, que variam desde a busca em si até as recomendações e outros filtros. Finalmente, há as amostras, que abrangem tanto a possibilidade de ouvir trinta segundos de uma música de graça quanto a facilidade de ler trechos de um livro on-line. Isso tende a reduzir o risco da compra, estimulando os consumidores a aventurar-se mais no desconhecido.

Várias são as maneiras de tentar quantificar esses atributos por meio de dados concretos. Uma é comparar o mercado que oferece variedade relativamente limitada com outro que proporcione muito mais diversidade dos mesmos tipos de produtos. Outra é monitorar no tempo um agregador/varejista de Cauda Longa, observando o que acontece à medida que se aumentam os estoques. Ainda outra seria apenas atentar para os efeitos da diminuição dos custos de pesquisa on-line, comparando-os com os de estoques semelhantes off-line.

Estudo de 2005, realizado por uma equipe do MIT, liderada por Erik Brynjolfsson, responsável por um dos primeiros trabalhos sobre o estoque de Cauda Longa da Amazon, analisou esse efeito num varejista de roupas femininas. A empresa tem um negócio de catálogos e outro negócio on-line, ambos oferecendo exatamente os mesmos estoques e preços. A diferença é que on-line existem os recursos de pesquisa, facilidade de navegação entre produtos e variedades dos mesmos produtos e meios de organizar as ofertas mediante filtros de classificação.

O resultado foi que os consumidores - mesmo aqueles que compravam por catálogo e on-line - tendiam a comprar mais abaixo na Cauda Longa quando estavam on-line. Os 80% inferiores dos produtos respondiam por 15,7% das vendas por catálogo, em comparação com 28,8% das vendas on-line. Em outras palavras, o catálogo seguia o padrão 84/20, enquanto o site estava mais perto do padrão 71 /20.

Esse é o efeito da redução dos custos de pesquisa para o mesmo estoque. No intuito de medir o eleito de diferentes estoques — um muito maior do que o outro — efetuamos comparações laranja com laranja entre um varejista com espaço de prateleira limitado e outro com espaço de prateleira ilimitado. Na prática, isso significa comparar uma loja de tijolo e argamassa com outra on-line, vendendo ou alugando as mesmas coisas. Decidimos usar exemplos da indústria do entretenimento, pois os mercados on- line eram bastante maduros e havia suficiente disponibilidade de dados para que as medições fossem confiáveis. Analisei músicas e DVDs.

Em vez de escolher ura único varejista de tijolo e argamassa, usei dados setoriais compilados por divisões da Nielsen — SoundScan para música e DVDScan para filmes, comparando os dados assim obtidos com os dados on-line da Rhapsody e da Netflix, respectivamente.

(Para que as comparações sejam válidas, devem-se fazer várias correções. Em música, tivemos de descobrir uma maneira de comparar vendas de álbuns off-line com o monitoramento de vendas on-line, e depois de vendas isoladas com streams, em serviços de assinatura. Em DVDs, foi uma questão de comparar vendas e aluguel de cópias isoladas off-line com aluguel on-line também em serviços de assinatura. Embora as

metodologias se situem além do escopo deste livro, em termos gerais elas consistem em usar outros conjuntos de dados, como vendas pay-per-view on-line, para ajustar as curvas e eliminar tantos vieses sistemáticos quanto possível.)

Depois das correções, os resultados foram surpreendentes: a curva de demanda on-line é muito mais achatada. Em média, os títulos de álbum de música de nicho — além da milésima posição — venderam cerca de duas vezes mais on-line do que off- line. E, também em média, os DVDs de nicho — mais uma vez, além da milésima posição — se mostraram três vezes mais populares on-line do que off-line.

Outra maneira de observar a situação é ver até que ponto o mercado on-line é dominado pelos principais hits. Aqui estão os dados referentes a música. Off-line, nos varejistas de tijolo e argamassa, os mil álbuns mais vendidos perfazem cerca de 80% do mercado total. (Com efeito, nos grandes varejistas típicos, que mantêm em estoque apenas pequena fração dos CDs disponíveis, os mil álbuns principais podem abranger mais de 90% das vendas.) Em contraste, on-line, os mesmos mil álbuns talvez respondam por menos de um terço do mercado. Sob outra perspectiva, metade do mercado on-line é composto de álbuns além dos 5 mil mais vendidos.

A CAUDA LONGA AUMENTA A DEMANDA OU APENAS A DESLOCA

No documento ACaudaLonga-ChrisAnderson (páginas 93-95)