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O termo sugestão remete necessariamente a uma interpretação quanto ao seu sentido etimológico e psicológico. A levar-se em conta apenas o significado comum, sugestão pode ser definida como estímulo, inspiração (PRIBERAM, 2009).

Para Ferreira (2006), sugestão é um processo comunicativo e de aceitação geral quanto a uma idéia apresentada e que ocasiona uma modificação na concentração total da mente do sujeito. Em termos psiquiátricos, pontua ele, sugestão “[...] se usa para indicar una idea que se ofrece al enfermo y que éste há de aceptar sin crítica” (LERNER, 1964 apud FERREIRA, 2006, p. 65).

É interessante observar que alguns aspectos estabelecidos por Coué (1915) no início do século passado ainda permanecem, tanto em Shrout (1985), quanto em estudos mais recentes, como este de Ferreira (2006). Nele, o autor identifica cinco aspectos referidos por Coué quanto à sugestão (estes também se encontram descritos no livro de Shrout - Hipnose Moderna Científica, pela editora Pensamento, em 1995, embora não em cinco tópicos como o de Ferreira):

ASPECTOS DA SUGESTÃO 1. A realização de uma idéia a partir da atenção concentrada;

2. Vontade e imaginação antagônicas fazem vencer sempre a imaginação; 3. Aliança entre sugestão e emoção supera qualquer outra;

4. A determinação do não-fazer produz efeito contrário; 5. A imaginação pode ser dirigida.

Tabela 1

Fonte: Ferreira, 2006

Uma importante distinção entre sugestionabilidade e hipnotizabilidade referida por Ferreira (2006) dá a dimensão exata entre estes dois termos. Enquanto sugestionabilidade se revela como o grau de mobilidade do indivíduo em direção a uma idéia, momento em que não faz uso do senso crítico, a suscetibilidade hipnótica (o autor cita ainda hipnotizabilidade, habilidade hipnótica ou receptividade quanto à hipnose como termos correlatos) por sua vez está ligada à extensão da capacidade do sujeito em experimentar a hipnose.

Tanto um como a outro apresentam diferenças de pessoa para pessoa. No primeiro caso, as diferenças também podem surgir conforme as sugestões sejam apresentadas de forma direta ou indireta, de acordo com as expectativas do paciente naquele momento, com o rapport entre hipnoterapeuta e paciente, para citar algumas situações específicas.

Relativamente à capacidade hipnótica, os estudos não são conclusivos, sem um consenso quanto ao prazo em que esta habilidade se desenvolve ou quanto tempo dura. Ferreira (2006) aponta os estudos de Aldrich (1987), Shore & Orne (1962), os quais sustentam que existem horários do dia que produzem maior suscetibilidade à hipnose, sendo o maior por volta do meio-dia e o menor entre 17 e 18 horas.

Estudos apresentados no 5º Congresso Mundial de Ciências Médicas no Canadá em 1998 dão conta de que durante a atividade hipnótica se comprovou maior atividade teta em exames de eletroencefalograma (EEG) de sujeitos extremamente suscetíveis (FERREIRA, 2006).

Embora alguns autores considerem diferenças entre os indivíduos quanto à suscetibilidade hipnótica, Ferreira argumenta que existe na atualidade uma corrente a defender a teoria de que todas as pessoas podem ser hipnotizadas, bastando para isso a habilidade do especialista, inclusive, frisa o autor, nos pacientes psicóticos.

Sobre este assunto, Izquierdo de Santiago coloca que “La esquizofrenia es una enfermedad compleja que puede ser tratada mediante la utilización de medicación y/o terapias psicológicas” (2008, p. 10). Frisa, contudo que esta técnica deve ser utilizada junto com outros tratamentos.

Em pessoas com Alzheimer, Ferreira (2006) faz uma ressalva quanto a se utilizar a hipnose em pacientes cujos estágios da doença estejam mais avançados, considerando que os neurônios nessa situação já não funcionam adequadamente.

Como fatores capazes de influenciar os pacientes, Ferreira (2006) enumera algumas condições:

FATORES DA RELAÇÃO ESPECIALISTA-PACIENTE

Comunicação

adequada com o paciente

Observar cuidadosamente desde os primeiros contatos com o paciente a apresentação, o aperto de mãos, a anamnese, a linguagem, as frases, utilizando frases afirmativas, claras

Aparência adequada do profissional

A aparência pessoal começa ao vestir-se e continua nos cuidados com unhas, cabelos, barba, maquiagem, etc.

Relação afetiva Desenvolver confiança mútua

Expectativa Passar a idéia de sucesso no desfecho do tratamento, pois essa expectativa representa um determinante quanto à capacidade hipnótica

Prestígio Na maioria dos casos, o reconhecimento quanto ao prestígio do profissional em seu meio facilita o trabalho

Repetição de sugestões Durante o processo hipnótico se obtém melhores resultados pela repetição das sugestões

Tabela 2 –

Fonte: Ferreira, 2006

Entre as qualidades necessárias ao especialista e que são citadas acima, Ferreira (2008) argumenta ainda que a convicção, a confiança, o conhecimento, a competência, o comprometimento, o comportamento, a criatividade, a disposição do paciente, a concentração e a comunicação são também condições imprescindíveis ao bom andamento da terapia.

Do mesmo modo que os itens quanto à relação entre especialista e paciente, Ferreira (2006) cita a influência do ambiente externo em que se desenvolve a ação terapêutica para melhor conduzir a terapia:

INFLUÊNCIA DO MEIO AMBIENTE E A RELAÇÃO SUGESTÃO – PACIENTE Luminosidade

Temperatura

Sons, vozes, música e ruídos

Manter desligado campainhas, telefones, etc. Quanto aos ruídos advindos do próprio lugar onde se localiza o consultório, é interessante incorporá-los à indução hipnótica, caso não seja possível reduzi-los. O ambiente tanto pode estar em completo silêncio quanto se podem usar CDs com gravações.

Perfumes agradáveis É preciso cuidado com perfumes, uma vez que os pacientes em

expectativa de trabalho mental tornam-se mais sensíveis aos cheiros.

Posição confortável Pode-se usar uma cadeira, divã ou maca, desde que seja confortável.

Evitar chaves, moedas, carteiras no bolso que possam produzir ruídos, assim como descartar chicle, balas, óculos, lentes, adornos, etc.

Decoração do ambiente Agradável, com poucos objetos.

Tabela 3 –

Fonte: Ferreira, 2006

Como complemento às condições acima descritas, Ferreira (2008) inclui também as condições climáticas e a hora, a conduta do recepcionista, prestígio do profissional, acontecimentos que se deram antes do horário do paciente, assim como a expectativa de algum evento posterior à consulta são fatores que podem influenciar as respostas hipnóticas.

Segundo o autor, à disposição no mercado se encontram CDs gravados especialmente com o fim de produzir uma variedade de ondas para facilitar a indução hipnótica, como as ondas teta, que facilitam a imaginação, as ondas delta que possibilitam o adormecimento, e outras ainda que reduzem a atividade das ondas beta e que aumentam o percentual do ritmo alfa. Ferreira (2006) aponta inclusive estudos feitos por Keyon (1998), em que se obtém relaxamento muscular a partir de estimulação de ritmo alfa próximo de 8Hz.

Sobre a classificação das sugestões, Ferreira (2006) sustenta que dificilmente o paciente se encontra sob o efeito de uma única sugestão.

No quadro abaixo estão relacionadas, conforme o autor, alguns tipos de sugestão e suas principais características, exceção feita no caso da sugestão

sensorial cinestésica, cujos autores estão indicados especificamente (entendeu-se necessário ampliar a explicação para melhor compreensão do termo):

CLASSIFICAÇÃO DAS SUGESTÕES

Sensorial Direta: o paciente age respondendo a afirmações objetivas: “Seus olhos estão se

fechando”;

Indireta: introduzidas sutilmente, procura não relacionar experiência do paciente com a sugestão: “As pessoas obtém melhor concentração com os olhos fechados” (FERREIRA, 2006, p. 73-75);

Sensorial sonora

Extraverbal: habilidade em transmitir pelas palavras conteúdos não verbalizados, apenas inferidos a partir de frases, palavras, gestos;

Fonação extraverbal: utiliza mais os sons do que as palavras: ritmo da respiração, sorriso, bocejo;

Não-verbal: apito, tique-taque, instrumento musical, som de árvores, chuva; Visual: imagem ou vibração através da visão – luz de velas, disco giratório, brilho de anel, alfinete, olhar, etc.;

Olfativa: odores de perfumes, álcool, etc.

Gustativa: influência com sabores doce, amargo, salgado, etc.

Tátil Toque dos dedos no paciente.

Térmica Calor e frio.

Dolorosa Pressão sobre uma vértebra do paciente.

Palestésica Sensibilidade aos estímulos vibratórios (diapasão aplicado sobre a superfície

óssea).

Batiestésica Consciência exata da posição das partes do corpo e suas relações – sentimentos

de pressão sobre o corpo (movimentos passivos de uma articulação em diferentes direções).

Cinestésica Propriocepção corporal - discrimina a posição e o movimento articular, incluindo

direção, amplitude e velocidade, bem como a tensão relativa dentro dos tendões (Smith et al ,1997).

Sugestões combinadas

Associação simultânea de mais um tipo de sugestão.

Sugestão pela atitude

Consiste no conjunto de crenças pessoais do especialista, capazes de transmitir ao paciente sua habilidade em tratá-lo adequadamente.

Sugestão psíquica

Pouco considerada entre os teóricos, é mais reconhecida na parapsicologia. Consiste em provocar ação em pessoas ou objetos pelo poder mental.

Sugestão

ambiental Influência do ambiente do consultório, fases da lua, calor, frio, chuva, sol, campo magnético, enfim fatores que induzem ao relaxamento hipnótico, sintonizando o paciente com as metas do tratamento, específicas ou não.

Sugestão ideomotora

Relacionadas a movimentos dos membros: mexer o dedo, levantar o braço, etc.;

Sugestão

Desafio Consiste em apresentar ao pacientes situações para mudar sua percepção. Com o braço estendido, sugerir a impossibilidade de flexioná-lo, ou vice-versa. Tabela 4 –

Fonte: Ferreira, 2006

Na tentativa de esclarecer mais pontualmente a diferença entre alguns vocábulos presentes na literatura inglesa, Ferreira (2006) distingue o que seja awareness (alerta) e consciousness (consciência). Para o autor, awareness é a

percepção das coisas e dos sentidos na sua forma mais simples, enquanto que consciousness é a identificação precisa dessas coisas e sentimentos, de modo mais exato.

Essa explicação se justifica para responder por que muitas vezes o processo hipnótico é conduzido com mais sucesso ou as sugestões são mais prontamente recebidas do que em outras, o que faz Ferreira (2006) responder, utilizando os conceitos de Hartland (1973), que enquanto ocorre o transe hipnótico, há uma supressão parcial ou total do poder crítico do indivíduo. Isso acontece porque existe uma mente inconsciente em permanente processo de ingerência sobre os pensamentos, sentimentos e comportamentos humanos, o qual se dá geralmente sem que o indivíduo perceba (FERREIRA, 2006). Isso é que faz Hartland (1973 apud FERREIRA, 2006) dar tanta importância ao poder crítico do indivíduo, pois com este restrito à mente consciente, as sugestões tanto podem ser aceitas quanto rejeitadas. Frisa também que as respostas durante o processo hipnótico podem ser nulas caso não sejam da vontade consciente do paciente. Isso significa dizer que um paciente hipnotizado não executa ações que representem uma contraposição ao seu conjunto de crenças pessoais conscientes.

Ferreira (2006, p.55-56; 2008) considera então que quando algumas condições são preenchidas, as sugestões agem mais rapidamente e com mais forte poder de sugestionabilidade:

 Suscetibilidade hipnótica da pessoa aos testes;  Propensão à fantasia;

 Propensão à amnésia e à dissociação – redução de tônus muscular, escrita automática, sugestões pós-hipnóticas, de amnésias pós-hipnóticas, dificuldade para falar;

 Imaginação absorvente – pode ser dirigida para uma fantasia interna ou para uma sensação corpórea, ou detalhar o meio ambiente;

 Capacidade imaginativa do hipnotizado caminha junto com as sugestões do hipnotizador. Nestas pessoas, o potencial hipnótico varia com as motivações, atitudes e expectativas pessoais; grau de rapport que o hipnotizador possui; características das sugestões e ainda de acordo com cada situação.

As dificuldades em estabelecer as ações de uma pessoa sob o efeito da hipnose e fora dela fazem com que as posições dos autores se mostrem controversas. Outro ponto a ser considerado é que as pessoas, mesmo expostas a estímulos iguais, têm respostas diferentes.

A posição de Stark (1999 apud FERREIRA, 2006, p. 48) é a de que “[...] hipnose é realmente uma convenção cultural, uma situação onde nós fazemos particularmente efetivo uso da imaginação pela manipulação de expectativas” (trad. do autor). Segundo ele, conforme as expectativas do indivíduo, a imaginação provoca alterações naquilo que se percebe, se sente e nos próprios atos do sujeito.

Nos quadros abaixo, serão citados os estados especiais representativos da hipnose, das pessoas sob o estado hipnótico, bem como as características psicológicas do indivíduo sob efeito hipnótico.

No entanto, cumpre notar, seguindo especificações de Shrout (1995), que Bernheim foi o primeiro a apontar as variantes existentes de sujeito para sujeito, não apenas quanto ao estágio de transe, mas também quanto a sua capacidade de sugestionabilidade diante da hipnose, fato continuamente observado por Ferreira (2008; 2006).

A classificação de Pavlov (apud SHROUT, 1995) para os temperamentos eram de dois tipos: reações de excitação e reações de inibição, apresentando cada uma delas uma nova subdivisão:

TIPOS DE TEMPERAMENTO Reações de excitação Fortemente excitável

Vivamente excitável

Reações de inibição Calmo, imperturbável

Ligeiramente inibível

Tabela 5 –

Fonte: Shrout, 1995

Hilgard (1968 apud FERREIRA, 2006), aponta as características da pessoa sob os efeitos da hipnose, como se descreve no quadro abaixo:

CARACTERÍSTICAS DO PACIENTE HIPNOTIZADO

1. Abrandamento da

função de planificação Perda da iniciativa e do desejo de fazer planos. Habilidade para a ação e para a fala, mas pouca vontade para tal.

A explicação em termos neurofisiológicos destas três características está em que, durante o processo hipnótico, a ação de focalizar a atenção ocupa as funções do lobo frontal, de tal modo que se torna inibido, o que provoca as características apontadas nos itens 1, 2 e 3.

2. Redistribuição da

atenção Atenção e desatenção seletiva além do normal.

3. Redução nos testes

de realidade e

tolerância

Alteração na percepção da própria personalidade, de tempo, lugar, sobre o outro, distorções da realidade, nomina objetos e pessoas inapropriadamente. 4. Disponibilidade para memórias visuais do passado e aumentada habilidade para a fantasia Facilitação da recuperação de memórias, que pode ser tanto produtiva quanto reprodutiva, embora questionáveis quanto à veracidade.

5. Aumento da

sugestionabilidade

Em consequência do estado da pessoa, devendo ser estudada independentemente de como esta se processa. Isso acontece pela vontade do paciente em seguir as sugestões recebidas.

6. Comportamento de desempenhar papel

Personificação do papel sugerido e execução de atividades complexas correspondentes.

7. Amnésia para o que se divulgou durante o estado hipnótico

Embora não seja essencial, a amnésia ou a recordação pode ser sugerida durante o trabalho.

8. Respostas às sugestões de modo literal, primitivo, usualmente demorando um pouco Cuidado ao elaborar as proposições ao paciente, que pode tomá-las ao pé da letra, além de certa demora em responder. Nessa situação é importante dar tempo ao paciente para a resposta.

É pertinente ressaltar que estas posições não constituem unanimidade. Lynn et al (apud FERREIRA 2006) consideram que a capacidade de dar respostas literais se prende ao fato de ser um comportamento esperado e por estar numa situação passiva.

Tabela 6 –

Fonte: Ferreira, 2006

Relativamente às características físicas da pessoa hipnotizada, Ferreira (2006) atenta para a impossibilidade de se detectar exatamente o ponto onde o indivíduo ultrapassa as fronteiras da consciência, diferenciando-se especificamente pela intensidade com que se apresenta.

Para tanto, recomenda-se um comparativo entre as alterações físicas e fisiológicas possivelmente observáveis entre os sujeitos antes e durante o processo hipnótico. No quadro a seguir, apresenta-se uma descrição resumida dos fenômenos a observar:

ALTERAÇÕES OBSERVÁVEIS DURANTE A HIPNOSE Relaxamento muscular: face, mandíbula, pescoço, musculatura em geral

Mudanças na cor da pele (palidez), cor dos olhos (avermelhados – possível relaxamento da musculatura da órbita, que facilita maior fluxo sanguíneo)

Parte branca do olho se sobressai, pupila sobe. Com os olhos fechados, ruga na pálpebra superior

Alteração de movimentos da respiração, frequência do pulso (geralmente mais lento) Fechamento dos olhos e tremor das pálpebras

Motricidade voluntária diminuída

Expressões da face e do corpo de acordo com as sugestões dadas Movimentos inesperados e involuntários de um ou mais dedos Acenos com a cabeça, sacudidas nas mãos

Lacrimejamento (possível relaxamento dos músculos) Alterações no diâmetro da pupila

Alterações na quantidade de suor

Alterações na temperatura corporal independentemente de sugestão Possível secura na boca, dependendo da técnica utilizada

Sensação de formigamento e coceira nas extremidades, mesmo sem sugestão Respostas lentas às solicitações do hipnotizador e em movimentos espaçados

Lentidão no movimento dos olhos não é conclusivo de estado hipnótico, tendo em vista que estes também foram registrados em estados do sono, conforme apontam estudos de Dunwoody e Edmonston em 1974 e citados pelo autor.

Autores como Clasilnec, Hall e Handbook (apud FERREIRA, 2006) sustentam que a hipnose é considerada de moderada a boa conforme os pacientes relatem tremor das pálpebras e fechamento espontâneo, relaxamento dos músculos da face, profundo relaxamento muscular, respiração lenta e profunda, alteração na deglutição.

Tabela 7 –

Quanto às características psicológicas do estado hipnótico, estas podem ser assim comentadas:

CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS DO ESTADO HIPNÓTICO Atenção seletiva Foco da atenção apenas numa parte da experiência

Dissociação Mente consciente ocupa-se com o processo hipnótico e a mente subconsciente de associações, significações simbólicas, respostas Resposta aumentada às

sugestões

Receptividade aumentada em decorrência das sugestões em pessoas mais suscetíveis (é possível esta ocorrência também em pessoas sem hipnose, apenas pela expectativa, atitudes e motivações

Interpretação subjetiva Resposta às sugestões conforme suas referências pessoais

Transe lógico Inexistência de avaliação crítica, onde a experiência pode ser ou não racional/real

Relaxamento Embora considere esta possibilidade, o autor refere também a possibilidade de inexistir relaxamento físico, apenas mental, ou o contrário. Segundo ele, o relaxamento pode ser somático (corpo), cognitivo (mental) ou dos dois. Em estudos feitos por Edmonston Jr (1981 apud FERREIRA, 2006), o relaxamento é o alicerce das demais características que aparecem após o processo hipnótico, embora a maior parte das pessoas associe hipnose com relaxamento.

Contudo, alterações na percepção do corpo, tais como alteração de tamanho, desaparecimento de partes do corpo, alterações de equilíbrio, de temperatura, de percepção do real, de voz, são índices convergentes de diferentes variáveis relacionadas entre si: Manter longo tempo os olhos fechados, ficar esperando algo ocorrer, esperar alterações nas sensações corpóreas, sugestões de relaxamento, relaxamento profundo, sono e hipnose

Tabela 8 –

Fonte: Ferreira, 2006

À parte todas as características descritas nos quadros acima, é preciso esclarecer que algumas alterações são verificáveis tanto em pacientes sob hipnose quanto em pacientes não hipnotizados (FERREIRA, 2008; 2006). Para o autor (2006), a própria vivência diária, através de imagens ou palavras, pode provocar modificações na percepção sensorial e motora do indivíduo, sendo, entretanto, muito difícil definir características específicas que se possam aplicar a todas as pessoas durante o processo hipnótico. O autor acredita que por ser um processo individual, as manifestações do comportamento também são únicas, e as situações cotidianas

que se apresentam como fatores hipnóticos acontecem verdadeiramente, independentes de uma orientação prévia. Além disso, Ferreira (apud Rossi, 1989) comenta que existem pessoas que aceitam as idéias sugeridas, mas não ativam modificações na fisiologia; em outras, apesar de aceitarem as sugestões muito lentamente, resistem a elas.

ALTERAÇÕES PRODUZIDAS EM PACIENTES COM OU SEM SUGESTÃO HIPNÓTICA Modificações da

motricidade voluntária Relaxamento, hipotonia, paralisia, rigidez Movimentos involuntários

• Facilitação de performance Modificações do controle normalmente não- voluntário • Coração • Vasos sanguíneos • Aparelho respiratório • Sistema digestório

• Bradicardia, taquicardia, alterações da pressão arterial

• Vasoconstrição e vasodilatação

• Apnéia, hipopnéia, hiperpnéia

• Modificação nas secreções, do peritaltismo

Modificações metabólicas • Glicemia, número de leucócitos,...

Modificações endócrinas Secreção salivar, transpiração, hormônios,... Modificações na resposta

da pele

Percepção alterada pelos

sentidos Visão, audição, tato, olfato, gustação Alteração e ou distorção da sensibilidade térmica, dolorosa, tátil, epicrítica, barestésica, palestésica

Alterações imunológicas Alterações nas funções

mentais • Sensoriais, percepção (ilusão, alucinação), atenção, memória Alterações de respostas Quanto à ansiedade, assimilação, retenção, recordação,

alteração, memória da dor crônica

• Mudança de hábitos: eliminar cigarro, bebida alcoólica,

emagrecer

• Poder de dessensibilizar fobias, desenvolver capacidade

criativa

Tabela 9 –

No documento Torres-Hipnose Pratica Clinica (páginas 47-58)

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