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“A noção de supervisão remete para a criação e sustentação de ambientes promotores da construção e do desenvolvimento profissional num percurso sustentado, de progressivo desenvolvimento da autonomia profissional” Alarcão e Roldão (2008, p. 54).

Na perspectiva de Vieira (1993) “a relação entre supervisão, observação e didáctica, de tipo construtivo, configura um processo formativo integrado e contínuo de desenvolvimento profissional” (p.42). “A formação pode estimular o desenvolvimento profissional dos professores, no quadro de uma autonomia contextualizada da profissão docente” (Nóvoa, 1995, p.27).

O desenvolvimento profissional do professor configura um processo individual e continuado, na medida em que tem que emergir das necessidades específicas de cada indivíduo, as quais sofrem forte influência contextual.

Alarcão e Roldão (2008) defendem a importância do desenvolvimento de práticas de supervisão inscritas “em perspectivas humanistas e reflexivas” (p.53) numa racionalidade construtivo-reflexiva de matriz ecológica.

Hamido (2007) posiciona-se na mesma linha de pensamento ao defender que ”uma perspectiva de prática reflexiva, colegialmente sustentada em formas de supervisão e apoio

49 recíprocos, parece mais susceptível de promover a aprendizagem e a mudança sem ferir (…) a autonomia e o necessário protagonismo do docente, sujeito da sua própria avaliação” (p.161).

Actualmente os docentes são confrontados com rápidas transformações do conhecimento e dos interesses dos alunos, o que vem exigir aos primeiros uma permanente disponibilidade para continuar a aprender.

Cada vez mais ao docente são atribuídas responsabilidades pela melhoria e qualidade do ensino. Em defesa desta perspectiva surge o relatório publicado pela OCDE, em 2005,que declara existir actualmente um considerável volume de investigação que indicia que a qualidade dos professores e a forma como ensinam é determinante na explicação dos resultados dos alunos.

O desenvolvimento profissional dos docentes pressupõe evolução e continuidade, possíveis mediante a assunção de uma permanente atitude de indagação, reflexão e procura criativa de soluções que possibilitem o aperfeiçoamento da prática (Marcelo, 2009).

Para melhor ilustração do conceito, reportamo-nos a alguns autores de relevo citados por Marcelo (2009,p.10):

O desenvolvimento profissional docente inclui todas as experiências de aprendizagem natural e aquelas que, planificadas e conscientes, tentam, directa ou indirectamente, beneficiar os indivíduos, grupos ou escolas e que contribuem para a melhoria da qualidade da educação nas salas de aula. É o processo mediante o qual os professores, sós ou acompanhados, revêem, renovam e desenvolvem o seu compromisso como agentes de mudança, com os propósitos morais do ensino e adquirem e desenvolvem conhecimentos, competências e inteligência emocional, essenciais ao pensamento profissional, à planificação e à prática com as crianças, com os jovens e com os seus colegas, ao longo de cada uma das etapas das suas vidas enquanto docentes (Day);

O desenvolvimento profissional docente é o crescimento profissional que o professor adquire como resultado da sua experiência e da análise sistemática da sua própria prática” (Villegas-Reimers).

O desenvolvimento profissional dos professores enquanto processo evolutivo e contínuo orienta-se não só para o desenvolvimento do profissional como para o desenvolvimento da própria organização, considerando a importância do contexto e da cultura organizacional em todo este processo.

Marcelo (2009) sublinha que nos últimos anos se tem assistido a uma reconceptualização do desenvolvimento profissional que acompanha a “evolução da compreensão de como se produzem os processos de aprender a ensinar” e aponta como características deste processo as seguintes:

50 1. Baseia-se no construtivismo, e não nos modelos transmissivos, entendendo que o professor é um sujeito que aprende de forma activa ao estar implicado em tarefas concretas de ensino, avaliação, observação e reflexão;

2. Entende-se como sendo um processo a longo prazo, que reconhece que os professores aprendem ao longo do tempo (…)

3. Assume-se como um processo que tem lugar em contextos concretos. Ao contrário das práticas tradicionais de formação, que não relacionam as situações de formação com as práticas em sala de aula, as experiências mais eficazes para o desenvolvimento profissional docente são aquelas que se baseiam na escola e que se relacionam com as actividades diárias realizadas pelos professores;

4. O desenvolvimento profissional docente está directamente relacionado com os processos de reforma da escola, na medida em que este é entendido como um processo que tende a reconstruir a cultura escolar e no qual se implicam os professores enquanto profissionais;

5. O professor é visto como um profissional que através da reflexão sobre a sua prática constrói novas teorias e novas práticas;

6. Deverá ser preferencialmente colaborativo;

7. Não existindo um modelo específico de desenvolvimento profissional, compete às escolas e aos docentes, considerando o contexto, o clima e cultura organizacionais e as suas necessidades, optar pelo modelo mais vantajoso (pp.10-11).

A escola deve desenvolver uma cultura que defina a sua identidade e os seus ideários em função de um projecto comum, numa perspectiva construtivista, conferindo aos gestores intermédios um papel determinante, no exercício de uma liderança, preferencialmente democrática, que mobilize e comprometa as pessoas que com eles trabalham, assegurando um acompanhamento contínuo e adequado às necessidades individuais dos professores, permitindo desta forma que estes, em função do seu desenvolvimento profissional, se assumam como agentes de inovação e de mudança e se envolvam no processo de decisão.

Compete, igualmente, aos gestores intermédios, em particular aos coordenadores de departamento, promover a sequencialidade e a articulação entre ciclos e níveis de ensino, para tal é fulcral o exercício de uma supervisão ancorada em práticas reflexivas, e colaborativas impulsionadoras da construção do conhecimento contextualizado na prática, estratégias, em nosso entender, fundamentais em qualquer percurso formativo, na medida em que potenciam o crescimento profissional e organizacional.

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