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2 NATUREZA E METODOLOGIA DA PESQUISA

2.1 Tipo de estudo

A pesquisa é um estudo teórico, identificado na literatura como do tipo estado da arte ou estado do conhecimento, de abordagem quali-quantitativa. Fundamenta-se na pesquisa bibliográfica apoiada nos clássicos sobre o tema e em dissertações e teses, tendo em vista a recuperação e a análise da produção sobre o trabalho docente e suas implicações para a saúde do professor.

São muitas e diferentes as concepções sobre a natureza de tal estudo. Diversos também são os autores que subsidiam a compreensão da natureza desse estudo.

Para Pillão (2009, p. 45 apud RIBEIRO; DARSIE, 2012, p.4), o estado da arte é reconhecido como uma modalidade de pesquisa baseada em um mapeamento, cujo objetivo é compreender o “conhecimento acumulado em um determinado campo de estudos delimitado no tempo e no espaço geográfico”. Na abordagem de Souza e Magalhães (2011, p.27) estado da arte é o estudo de [...] “pesquisas sobre pesquisas (metapesquisas) [...]”. Ainda segundo as mesmas autoras (2011, p.107 grifo nosso) as pesquisas realizadas a partir do estado da arte vão contribuir para a compreensão do estado alcançado pelo conhecimento de um tema específico em períodos e espaços definidos, e possibilitam “identificar as especificidades, as

semelhanças, as contradições das temáticas, as dimensões não investigadas, a abrangência e as concepções teóricas”.

Romanowski e Ens (2006, p.37, 39-40) observam que a pesquisa do tipo estado da arte “possibilita a efetivação de balanço da pesquisa de uma determinada área”, além de contribuir para a organização do campo estudado de uma área do conhecimento, uma vez que o objetivo desse tipo de pesquisa é realizar uma investigação “do que se conhece sobre um determinado assunto a partir de pesquisas realizadas em uma determinada área”, podendo encaminhar para a percepção do estado alcançado “pelo conhecimento a respeito de determinado tema – sua amplitude, tendências teóricas, vertentes metodológicas”.

Para Ferreira (2002, p.258) esse tipo de pesquisa tem “caráter bibliográfico”, com desafios de “mapear e discutir uma certa produção acadêmica em diferentes campos do conhecimento, [...]”. Segundo a mesma autora, (2002, p.265) esse tipo de pesquisa tem dois momentos:

Um, primeiro, que é aquele em que ele interage com a produção acadêmica, através da quantificação e de identificação de dados bibliográficos, com o objetivo de mapear essa produção num período delimitado, em anos, locais, áreas de produção. [...] Um segundo momento, é aquele em que o pesquisador se pergunta sobre a possibilidade de inventariar essa produção imaginando tendências, ênfases, escolhas metodológicas e teóricas, aproximando ou diferenciando trabalhos entre si, na escrita de uma história de uma determinada área do conhecimento.

Quanto à abordagem, segundo Biklen e Bogdan (1994, p.16), a expressão investigação qualitativa é utilizada, “como um termo genérico que agrupa diversas estratégias de investigação que partilham determinadas características”.

Os dados recolhidos são designados por qualitativos, o que significa ricos por pormenores descritivos relativamente a pessoas, locais, conversas, e de complexo tratamento estatístico. As questões a investigar não se estabelecem mediante a operacionalização de variáveis [...], formuladas com o objectivo de investigar os fenômenos em toda a sua complexidade e em contexto natural. (BIKLEN; BOGDAN, 1994, p.16). [...] A investigação qualitativa envolve pegar nos objectos e acontecimentos e levá-los ao instrumento sensível da sua mente de modo a discernir o seu valor como dados. Significa aperceber-se da razão por que os objectos foram produzidos e como isso afecta a sua forma bem como a informação potencial daquilo que está a estudar. Também envolve saber quando descartar certos conjuntos de dados como sendo de valor duvidoso e quando os manter (BIKLEN; BOGDAN, 1994, p.200).

Ainda segundo Biklen e Bogdan (1994, p.47-50), a investigação qualitativa possui cinco características: sendo a fonte direta de dados, o ambiente natural, e o investigador, o principal instrumento; é uma investigação descritiva devida os dados serem em forma de palavras ou imagens; é de principal interesse dos investigadores, o processo, do que simplesmente os resultados; a tendência para avaliação dos dados pelo investigador é de forma indutiva, e o significado é de importância vital neste tipo de abordagem. Os investigadores preocupam-se com aquilo que se designa por perspectivas participantes.

A pesquisa bibliográfica é

[...] aquela que se realiza a partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos [...] como livros, artigos, teses etc.

utiliza-se de dados ou de categorias teóricas já trabalhados por outros pesquisadores e devidamente registrados. [...] O pesquisador trabalha a partir das contribuições dos autores dos estudos analíticos constantes dos textos (SEVERINO, 2007, p. 122).

Conforme Flick (2009, p.39), em alguns estudos é interessante e necessário o apoio da pesquisa qualitativa à pesquisa quantitativa ou vice-versa. “A pesquisa qualitativa pode apoiar a pesquisa quantitativa e vice-versa, sendo ambas combinadas visando a fornecer um quadro mais geral da questão em estudo”. Desta forma, percebeu-se durante o desenvolvimento do trabalho, a necessidade de definir a abordagem metodológica desta pesquisa como mista. Assim, à abordagem qualitativa, acrescentou-se a quantitativa, tendo em vista alcançar maior profundidade nos resultados do levantamento e um melhor conhecimento do assunto. Flick (2009) aponta algumas vantagens em utilizar estes dois tipos de pesquisa.

As abordagens de metodologia mista interessam-se por uma combinação pragmática entre pesquisa qualitativa e quantitativa [...] (p.40).

Um estudo poderá incluir abordagens qualitativas e quantitativas em diferentes fases do processo de pesquisa sem concentrar-se necessariamente na redução de uma delas a uma categoria inferior ou em definir a outra como sendo a verdadeira abordagem da pesquisa. Métodos qualitativos e quantitativos devem ser vistos como campos complementares [...] operando lado a lado, tendo como ponto de encontro o tema em estudo (p.43).

[...] o interesse em combinar a pesquisa qualitativa com a quantitativa concentre-se em conhecer melhor o assunto (p.46).

Diante o exposto, a expectativa é que a utilização combinada destas duas abordagens contribua para a análise bem fundamentada dos dados coletados e para um aprofundamento do tema em estudo.