CONTROLO PARENTAL DO COMPORTAMENTO DA CRIANÇA IMPLICAÇÕES NO AUTO-CONTROLO
3. Padrões Educativos dos Pais
3.2. Estudos posteriores
3.2.1. Tipologia de Baumrind
A partir dos primeiros trabalhos de Baldwin, a conceptualização das dimensões educativas dos pais foi sofrendo mudanças sucessivas, para as quais Diana Baumrind e seus colaboradores deram um contributo fundamental, apresentando uma perspectiva diferente essencialmente no que diz respeito ao controlo parental. Esta autora iniciou os seus trabalhos de investigação sobre a educação de crianças em 1959, com o primeiro de uma série de três estudos com crianças de idade pré-escolar. Os métodos de recolha de dados e os resultados obtidos versam um grande número de variáveis, de entre as quais serão referidas em especial as que têm a ver com os efeitos dos comportamentos parentais sobre o auto-controlo das crianças. Este conceito é utilizado nos trabalhos de Baumrind com um significado compatível com a conceptualização referida no capítulo 1, como se pode verificar pela seguinte citação: "O auto-controlo é definido como a tendência, de uma forma consistente e fiel, para suprimir, redireccionar, inibir ou de outras formas controlar o impulso para actuar, naquelas situações em que a auto-restrição é apropriada. Para que um incidente de auto-restrição seja tratado como índice de auto-controlo, a criança deve estar motivada para se envolver num acto e deve haver razões adaptativas para a restrição sob a forma de uma proibição do adulto ou regra de segurança." (Baumrind, 1967, p.52).
No primeiro estudo (Baumrind, 1967), utilizando uma amostra de 32 crianças de três anos e meio a quatro anos e meio e suas famílias, a autora parte do princípio de que o comportamento das crianças está organizado, sendo possível identificar padrões consistentes. Será a partir destes padrões de comportamentos das crianças que vai passar ao estudo das práticas educativas parentais que lhes estão associadas. Foram então identificados três grupos de crianças que claramente apresentavam os seguintes padrões comportamentais:
. Competentes: estas crianças obtiveram altos níveis de auto-confiança, auto-controlo e satisfação com elas próprias (n=13).
. Inibidas: estas crianças foram avaliadas como tendo pobres contactos sociais com iguais e como sendo tristes e descontentes com elas próprias (n=l 1).
. Imaturas : estas crianças eram caracterizadas por baixos níveis de confiança e de auto-controlo (n=8).
Da informação recolhida a partir de visitas a casa e entrevistas ao pai e à mãe, foram extraídas quatro dimensões, nas quais pais e mães foram avaliados:
. Controlo parental, ou seja, orientação da actividade da criança para objectivos, inibição de comportamentos dependentes, agressivos e infantis e promoção da interiorização de padrões parentais.
. Exigências de maturidade intelectual e pessoal.
. Clareza da comunicação, isto é, uso da explicação para obter obediência e estar receptivo às opiniões e sentimentos da criança.
. Carinho, ou seja, expressão de afecto e envolvimento na realização da criança.
A cada um dos três grupos de crianças foram associados a posteriori três padrões educativos parentais. Assim:
. ao primeiro grupo de crianças competentes correspondia um padrão comportamental caracterizado por um alto nível de controlo, de exigência e de encorajamento positivo da autonomia da criança. Estes pais eram também carinhosos e apresentavam um alto nível de comunicação com base no raciocínio com os seus filhos. Este padrão parental foi denominado por Baumrind de autorizado (l\
. o segundo grupo, de crianças inibidas, tinham pais que também apresentavam um
alto nível de controlo, mas eram pouco afectivos e vinculados aos seus filhos. Este padrão parental foi denominado por Baumrind de autoritário.
. no terceiro grupo, de crianças imaturas, o padrão parental era de baixo nível, tanto
de controlo como de exigência, mas um nível razoável de afecto. Este padrão parental foi denominado por Baumrind de permissivo.
(1) Autorizado é a tradução do termo inglês authoritative, pela qual optei. Uma pessoa autorizada é uma pessoa digna de
crédito, com valor, em quem se pode confiar. Preferi portanto esta tradução em relação a outros termos portugueses, que já têm a sua conotação própria e que levariam eventualmente a um desvio do sentido original.
No segundo estudo (Baumrind & Black, 1967), com 95 famílias de crianças de 3/4 anos, Baumrind procedeu a análises das dimensões parentais e seus efeitos sobre as crianças, sendo os resultados analisados separadamente para rapazes e raparigas. Com este estudo os autores pretenderam estudar a relação entre atitudes parentais (entrevista), comportamentos parentais (observação directa) e comportamentos da criança (observação directa na creche). Os resultados obtidos vão no mesmo sentido do estudo anterior (Baumrind, 1967), mas contrariam as conclusões retiradas por Baldwin (Estudo de Fels) acerca dos efeitos prejudiciais do controlo parental. Da mesma forma, as conclusões de Baumrind vão contra uma certa filosofia permissiva, que os pais daquela época nos EUA tinham começado a adoptar. Assim, as práticas parentais intelectualmente estimulantes e de alguma forma promotoras de uma tensão relacional (traduzida pela variável materna exigência de maturidade para os rapazes; pela variável paterna confrontação e pela variável materna exigências de
socialização, para as raparigas) estavam associadas com vários aspectos da competência da
criança. O controlo super-protector e intrusivo dos pais (em contraste com o controlo firme e consistente) estava associado a um comportamento dependente e estereotipado nos rapazes. O comportamento exigente e firme dos pais não aparece associado com a punição ou com a falta de afecto; aliás, o afecto parental neste estudo não apareceu correlacionado com nenhum comportamento das crianças.
A relação verificada entre atitudes e comportamentos parentais, não sendo forte mas sim consistente, foi interpretada por Baumrind como mostrando quais as áreas em que os pais são capazes de emitir afirmações verídicas acerca das suas próprias acções (e não como mostrando uma relação entre ideias e comportamentos parentais). A dimensão disciplina
consistente foi a que apresentou valores correlacionais mais baixos entre atitudes e
comportamentos parentais.
O terceiro estudo compreende uma amostra de 134 crianças, nascidas em 1964, estudadas pela primeira vez com quatro, cinco anos e avaliadas novamente aos nove anos e na adolescência precoce (Baumrind, 1971a). Com esta amostra deu-se início ao estudo longitudinal, denominado Family Socialization and Developmental Competence Project (FSP). O objectivo deste estudo consistia em identificar os antecedentes familiares da competência em crianças e adolescentes. Como metodologia de recolha da informação foi utilizada a observação directa em contextos naturalistas e laboratoriais, entrevistas estruturadas e intensivas e testes psicológicos, tanto referenciados a normas, como criados propositadamente para a investigação. A recolha de dados relativamente a cada grupo etário, ao longo do tempo, foi feita por equipas de investigadores independentes. Os resultados do
Q-sort e das escalas tipo Likert utilizadas na observação e na entrevista, foram reduzidos através de análises factoriais e de clusters a duas modalidades fundamentais, de onde resultaram duas notas relativas às crianças: (1) assertividade social, definida pela participação social, inexistência de ansiedade na interacção com iguais e liderança nas actividades de grupo; (2) responsabilidade social, definida pela interacção amigável e cooperante com iguais e com adultos, maturidade social e altruismo. A competência óptima na criança é definida por níveis altos de assertividade social e responsabilidade social; pelo contrário, uma criança incompetente apresentará valores baixos nestas duas dimensões. Uma criança parcialmente competente obterá valores médios ou altos numa dimensão e baixos na outra. Tanto a assertividade social como a responsabilidade social supõem um funcionamento adequado em função das normas sociais e, neste sentido, pressupõem o controlo do seu próprio comportamento.
Os resultados foram objecto de análises tipológicas e aparecem descritos em pormenor numa monografia (Baumrind, 1971a). Enquanto que nas duas amostras descritas anteriormente (considerados estudos-piloto) as famílias foram seleccionadas com base nos padrões de comportamento das crianças, sendo os padrões parentais comparados a posteriori, neste estudo, pelo contrário, as famílias foram classificadas com base nos padrões parentais, sendo as características das crianças comparadas a posteriori. As famílias foram então classificadas como autoritárias, autorizadas ou permissivas, segundo os perfis que tinham emergido nos dois estudos anteriores. As características de cada tipo serão sumariamente descritas de seguida.
Os pais autoritários tentam influenciar, controlar e avaliar os comportamentos e as atitudes da criança de acordo com um padrão absoluto, em geral baseado teologicamente ou formulado por uma autoridade secular elevada. É valorizada a obediência como virtude, bem como a punição no sentido de restringir a vontade própria da criança; a independência e a individualidade da criança são desencorajadas. Estes pais tentam inculcar nos seus filhos valores tradicionais como o trabalho, o respeito pela autoridade e a preservação da ordem e da estrutura tradicional. Não são encorajadas as trocas verbais, sendo estes pais de opinião que as crianças devem aceitar aquilo que os próprios pais acham que está certo. Os filhos de pais autoritários, quando comparados com as outras crianças da amostra, não apresentam um perfil diferenciado. Porém, quando comparados com as crianças do mesmo sexo, filhas de pais autorizados, obtêm-se os seguintes resultados: os rapazes são mais hostis e resistentes às directrizes do adulto e as raparigas são menos independentes e dominadoras.
Os pais autorizados tentam orientar as actividades da criança de uma forma racional e estimulam a sua independência e individualidade. Encorajam as trocas verbais e compartilham com as crianças as razões que estão por detrás das suas decisões. Valorizam tanto a vontade própria da criança como a conformidade desta em relação aquilo que é realmente importante. Assim, exercem um controlo firme, adoptando uma atitude de confronto quando há divergências, mas não exageram nas restrições. Afirmam os seus valores de forma clara e esperam que os filhos cumpram as normas que lhes dizem respeito. As decisões que tomam não se baseiam no consenso do grupo ou unicamente nos desejos da criança, mas também não se vêem a eles próprios como infalíveis ou detentores da verdade em todas as situações. Os pais autorizados, sendo exigentes, são também responsivos, tanto afectiva (amam e apoiam), como cognitivamente (fornecem um ambiente estimulador e desafiador). Estes pais reconhecem os seus próprios direitos como adultos, mas também respeitam os direitos e peculiaridades dos seus filhos - existe reciprocidade nos compromisso assumidos. As crianças provenientes de famílias autorizadas eram mais competentes do que as outras crianças: as raparigas apresentavam comportamentos mais independentes, intencionais, dominantes e orientados para a realização, enquanto que os rapazes apresentavam comportamentos mais amigáveis e cooperantes.
Os pais permissivos tentam comportar-se de uma forma não punitiva e aceitante face aos impulsos, desejos e acções da criança. Fazem poucas exigências de maturidade aos seus filhos. Apresentam-se mais como recursos que os seus filhos podem utilizar quando o desejarem do que como agentes activos e responsáveis pela influência no comportamento actual ou futuro dos seus filhos. Os pais permissivos deixam as crianças regular as suas próprias actividades tanto quanto possível e evitam o exercício do controlo e o uso do poder para conseguir os seus fins. Estas crianças não têm características diferentes dos filhos de pais autoritários. Porém quando comparados com os filhos de pais autorizados, são menos orientados para a realização, sendo as raparigas em especial menos assertivas socialmente.
Um outro tipo que surge apenas em seis raparigas e dois rapazes da amostra é o tipo
harmonioso que corresponde a um padrão de controlo, mas não do tipo autorizado. Os
observadores acharam inadequada a dimensão controlo firme quando aplicada a estas famílias na medida em que os pais nunca exerciam comportamentos de controlo; o controlo porém existia porque as crianças em geral intuíam o que os pais desejavam e comportavam-se de acordo com isso (manifestavam possuir auto-controlo). Em termos do nível de competência das crianças havia diferenças entre os sexos, sendo as raparigas mais orientadas para a realização, independentes, amigáveis e com valores de QI mais elevados (Baumrind, 1971b).
Dado o número diminuto de famílias estudadas, estes dados só por si apresentam apenas um carácter exploratório, não havendo até à data conhecimento de estudos que tenham replicado este padrão parental.
O estudo longitudinal prosseguiu com a realização das segundas avaliações quando as crianças tinham nove anos de idade. Nesta altura a amostra original era composta por 104 crianças e suas famílias, tendo-lhe sido acrescentadas 60 famílias (Baumrind, 1989). As crianças foram classificadas em cinco tipos, com base no equilíbrio entre a assertividade social e responsabilidade social. As crianças competentes obtinham valores altos em ambas as dimensões; as crianças incompetentes obtinham valores baixos em ambas as dimensões; as crianças s obre-socializadas obtinham valores altos em responsabilidade e baixos em assertividade; as crianças sub-socializadas obtinham valores baixos em responsabilidade e altos em assertividade e as crianças médias eram as restantes.
Os pais por sua vez foram classificados em nove tipos consoante obtinham uma nota alta, média ou baixa em dois índices compósitos: exigência e responsividade. Estes nove tipos foram agrupados em quatro padrões de ordem superior, havendo para cada padrão um protótipo. O protótipo é, de entre os vários tipos incluídos num padrão, aquele que se pensa ter um impacto mais claro e diferenciado no desenvolvimento da criança. É a seguinte a correspondência entre padrões, tipos e protótipos:
Padrão Tipos Protótipo
Envolvido Autorizado Autorizado
Exigente Tradicional
Restritivo Autoritário Autoritário
Indulgente Indiferenciado Permissivo
Democrático Permissivo
Não envolvido Não directivo Rejeitante-negligenciador Rejeitante-negligenciador
Serão apresentadas de seguida as principais características dos diversos grupos de pais quando as crianças tinham nove anos (Baumrind, 1989), já que a idade das crianças não justifica que se aborde este assunto com mais pormenor.
Os pais incluíveis no padrão envolvido apresentavam um nível elevado de exigência e um nível elevado ou mediano de responsividade. Os pais autorizados não eram coercivos nem restritivos, eram psicologicamente diferenciados (intelectualmente estimulantes), confrontadores e medianamente convencionais. Esta descrição é semelhante à descrição dos pais autorizados das crianças em idade pré-escolar. O tipo tradicional é o único que não foi identificado aquando da primeira avaliação das crianças. Neste tipo verifica-se uma diferenciação de papéis entre pais e mães: as mães são altamente responsivas, mas pouco exigentes, enquanto que os pais são altamente exigentes mas também bastante coercivos e não responsivos. Finalmente, os pais exigentes eram altamente exigentes e medianamente responsivos.
O padrão restritivo inclui pais cujas características fundamentais são: alto nível de
exigência e baixo nível de responsividade. Os pais autoritários eram também bastante confrontadores, orientadores e convencionais, um pouco coercivos e pouco diferenciados psicologicamente. Este tipo apresenta também características semelhantes ao padrão autoritário relativo aos pais das crianças em idade pré-escolar.
O padrão indulgente aglomera os pais com um nível médio ou baixo de exigência e um nível alto de responsividade. As mães permissivas evitam os confrontos disciplinares e, tanto os pais como as mães, não são coercivos nem convencionais, sendo moderadamente auto-confiantes. Em relação ao primeiro momento da avaliação do estudo longitudinal, quando as crianças tinham idade pré-escolar, as mães são mais directivas e os pais zangam-se mais facilmente. Os pais democráticos diferenciavam-se por serem, além de bastante responsivos, medianamente exigentes. Os pais indiferenciados não sendo passíveis de qualquer classificação, obtinham notas médias que não diferiam significativamente das notas médias das famílias do padrão indulgente e, por isso, foram incluídas neste padrão.
Os pais do padrão não envolvido eram pouco exigentes e pouco ou medianamente responsivos, não apresentando empenhamento na promoção do desenvolvimento da criança. Para além disto, eram bastante coercivos e convencionais, susceptíveis de ignorar ou negligenciar a criança, pouco estimulantes intelectualmente, não orientando as actividades dos
seus filhos. O tipo não directivo diferenciava-se do rejeitante-negligenciador pelo nível ligeiramente superior de responsividade.
Como se diferenciavam os filhos dos pais de cada um dos padrões atrás referidos? Apresentam-se de seguida os principais resultados (Baumrind, 1989):
. Os pais que eram tanto exigentes como responsivos (padrão envolvido, protótipo autorizado) tinham filhos socialmente responsáveis e assertivos.
. Os pais que não eram nem exigentes, nem responsivos (padrão não envolvido, protótipo rejeitante-negligenciador) tinham filhos com notas baixas em responsabilidade social e assertividade social.
. Os pais com um alto nível de exigência e um baixo nível de responsividade (padrão restritivo, protótipo autoritário) tinham filhas com notas altas em assertividade social e baixas em responsabilidade social e filhos que não diferiam significativamente dos rapazes dos outros grupos.
. Os pais com uma nota elevada em responsividade e baixa em exigência (padrão indulgente, protótipo permissivo) tinham filhas moderadamente responsáveis do ponto de vista social e não assertivas e filhos que não diferiam significativamente dos rapazes dos outros grupos.
A comparação entre os diversos tipos de comportamento parental tendo como critério o nível de competência das crianças (optimamente competentes, parcialmente competentes e incompetentes), resulta em valores altamente significativos tanto para os rapazes como para as raparigas. Assim:
. nenhuma criança oriunda de uma famíla com pais autorizados, nenhuma filha de pais autoritários e nenhum filho de pais tradicionais, foi classificado como incompetente,
. nenhuma criança oriunda de uma famíla com pais rejeitantes/negligenciadores e nenhuma filha de pais permissivos era optimamente competente,
. 67% dos filhos (rapazes) de pais rejeitantes/negligenciadores eram incompetentes, . 85% de crianças oriundas de famílas com pais autorizados eram optimamente
competentes,
. as famílias não exigentes (permissivas e rejeitantes-negligenciadoras) eram as que possuíam maior número de crianças incompetentes, enquanto que as famílias
exigentes (autorizadas, tradicionais e autoritárias) eram as que possuíam maior número de crianças optimamente competentes.
Estes dados indicam que a exigência, neste período etário, aparece altamente relacionada com a competência geral para ambos os sexos, sendo ainda uma condição suficiente para que as raparigas adquiram um alto nível de assertividade social. Em relação aos rapazes, um padrão exigente não é suficiente para que eles sejam optimamente competentes ou responsáveis socialmente, é necessário que os pais sejam também responsivos. Nas raparigas uma alta responsividade por parte dos pais tem apenas um efeito facilitador na exigência, na medida em que, mesmo quando os pais exigentes não eram responsivos, as raparigas eram mais assertivas socialmente do que as raparigas oriundas de famílias não exigentes (Baumrind, 1989).
O terceiro e último momento de recolha de dados do estudo longitudinal foi feito com 139 sujeitos (dos 164 do momento anterior) quando estes tinham 14 anos e meio. Foi utilizada uma bateria muito extensa de escalas e Q-sort, tendo sido os dados recolhidos através de observação directa em casa e em laboratório e através de entrevistas aos adolescentes, pais e professores (Baumrind, 1991). Os pais foram classificados com base em quatro escalas: controlo directivo/convencional (controlo restritivo e valores convencionais), controlo assertivo (afirmação clara e firme das regras), controlo apoiante (disciplina responsiva, uso de explicações racionais, estimulação intelectual e encorajamento da individualidade) e intrusividade (controlo em excesso). As categorias de pais são as seguintes: autorizados (alto controlo assertivo e alto controlo apoiante), democráticos (controlo assertivo médio, controlo apoiante alto), good-enough (médios em controlo assertivo, apoiante e directivo/convencional), directivos (médio a alto em controlo directivo/convencional e controlo assertivo, médio a baixo em controlo apoiante) com dois sub-grupos (autoritários e não autoritários, consoante tinham respectivamente nota alta ou média em intrusividade), não directivos (baixo controlo directivo/convencional, baixo controlo assertivo e médio a alto controlo apoiante) e não envolvidos (baixo a médio em controlo assertivo e em controlo apoiante).
Os adolescentes de famílias autorizadas eram os mais competentes e pró-sociais e com menor incidência de problemas comportamentais. Os adolescentes de famílias democráticas não eram significativamente menos competentes do que os anteriores mas faziam mais uso de drogas. Os adolescentes de famílias good-enough eram indivíduos
equilibrados, não havendo nada a realçai-. Os adolescentes de famílias directivas eram menos
competentes e pró-sociais do que os anteriores e usavam menos drogas do que os das famílias democráticas; os adolescentes de famílias autoritárias usavam mais drogas e tinham mais problemas comportamentais do que os das famílias também directivas mas não autoritárias. Adolescentes de famílias não directivas apresentavam uma competência média a baixa e mais problemas comportamentais do que todos os outros grupos, com excepção para os das famílias não envolvidas. Finalmente, os adolescentes das famílias não envolvidas eram os menos pró-sociais, os que usavam mais drogas pesadas e os com mais problemas comportamentais (Baumrind, 1991).