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Tipos de Intertextualidade

No documento Auto da Compadecida em Hipermídia (páginas 24-33)

2. A Intertextualidade

2.2 Tipos de Intertextualidade

Os teóricos costumam identificar tipos de intertextualidade10, entre os quais se destacam:

- a que se liga ao conteúdo (por exemplo, matérias jornalísticas que se reportam às notícias veiculadas anteriormente na imprensa falada e/ou escrita: textos literários ou não literários que se referem a temas ou assuntos contidos em outros textos). Podem ser explícitas (citações entre aspas, com ou sem indicação da fonte) ou implícitas (paráfrases, paródias e etc);

- a que se associa ao caráter formal, que pode ou não estar ligado à tipologia textual como, por exemplo, textos que “imitam” a linguagem bíblica, jurídica e etc. ou que procuram imitar o estilo de um autor11;

- a que remete a tipos textuais (ou “fatores tipológicos”), ligados a modelos cognitivos globais, às estruturas e superestruturas ou a aspectos formais de caráter lingüístico próprios de cada tipo de discurso e/ou a cada tipo de texto: tipologias ligadas a estilos de época.

9 Ibid.

10 cf. KOCH & TRAVAGLIA, Texto e coerência, p. 88-89.

11 cv. Texto “Grande ser, tão veredas”, de Paulo Leminski, publicado em A folha de São Paulo, e reproduzido em KOCK & TRAVAGLIA: 1989, 99. p. 89-90, em que o autor comenta o seriado da TV Globo, baseado no livro de Guimarães Rosa, procurando manter a linguagem e o estilo do escritor.

Já J. Rey-Debove (apud Chandler, 2000) refere-se a três modos básicos de intertextualidade podendo elas estar relacionadas aos diferentes modos de discurso:

1. A intertextualidade direta é a citação nominal de um texto anterior, isto é, o discurso direto.

2. A intertextualidade indireta é aquela na qual o leitor deve valer-se de um conhecimento que abranja outros textos produzidos e considerados de caráter universal.

3. O interdiscurso é a remissão a situações fragmentárias, no qual há necessidade de recorrência ao conhecimento enciclopédico.

Daniel Chandler12 em seu livro “Semiotics for Beginners”, apresenta algumas propriedades que caracterizam a presença de intertextualidade em um texto e que, de certa forma, a define:

Reflexo: o quanto o uso de intertextualidade pode ser auto-consciente (intencional).

Por reflexo, entende-se “a maneira como uma descrição penetra na constituição do que está sendo escrito”, isto é, como o texto pode se referir a si mesmo, por exemplo, a função da metalinguagem existente em um texto.

Alteração: as alterações das fontes (quanto mais aparente for a alteração, maior

se presume o reflexo intertextual), ou seja, o quanto o autor do novo texto altera o texto ao qual faz alusão, quando o insere no texto de sua criação.

Clareza: a especificidade e a clareza das referências a outros textos (citações).

Significa o quanto uma intertextualidade está implícita ou explícita.

Crítico com relação à compreensão: o quanto é importante para o leitor, o

reconhecimento da intertextualidade envolvida. Através desse aspecto podemos estudar se o nível de interferência da intertextualidade buscada pelo autor influi ou não na compreensão do texto de sua criação.

Infinitude da estrutura: a extensão do texto como parte (ou ligação) de uma

estrutura mais ampla. A relação que o texto guarda com a estrutura e gênero literário ao qual pertence.

Chandler também cita Gerard Genette13 que propôs o termo transtextualidade como um termo mais includente do que intertextualidade. A transtextualidade diz mais respeito aos níveis de relação interna de um texto consigo próprio e com outros textos. Dentre o emaranhado de relações possíveis, define cinco categorias:

Intertextualidade: definida como “uma relación de copresencia entre dos o más

textos, es decir, eidéticamente y frecuentemente, com la presencia efectiva de um texto em otro”. 14 O intertexto seria, pois, a percepção por parte do leitor das relações existentes entre uma obra antecedente e outra posterior. Sem dúvidas, dentre as categorias citadas, é esta a mais desenvolvida e intricada, em que existe “una cantidad enorme de referencias a discursos culturales de la más variada índole, donde la alta cultura y la cultura popular se funden”.15 É toda relação que une um texto a outro texto.

Paratexto: “geralmente menos explícita e mais distanciada”, 16 ao incluir elementos como título, subtítulo, prefácio, posfácio, advertências, premissas, notas de rodapé, notas finais, epígrafes, entre outros acessórios que possam remeter, explicitamente ou não, ao conjunto formado pela obra literária.

Metatextualidade: textos que falam sobre outros textos, geralmente em forma

de comentário, ainda que não haja citação, evidenciando a relação da crítica como paradigma.

Hipertextualidade: a existência de um texto em função do qual se estrutura outro,

também referido como “texto de segundo grau”, já que deriva de outro pré-existente. Olmi alerta para a diferenciação desta em relação à anterior (metatextualidade), argumentando

13 Gerard GENETTE, Palimsestos. apud Marta RIVERA DE LA CRUZ, Intertexto, Autotexto: la

importancia de la repetición en la obra de Gabriel García Márquez. Revista Especulo.

14 Ibid.

15 Antonio PINEDA CACHERO, Comunicación e intertextualidad en El cuarto de atrás, de Carmen

Martín Gaite (1ª. parte): literatura versus propaganda. Revista Especulo.

16 Alba OLMI, Literatura grega: intertextualidade e interdisciplinaridade, Revista Signo, v. 23, nº 34, p. 7-43, p. 62.

que a derivação “pode ser de ordem descritiva ou intelectual e, nesse sentido, temos um metatexto”. 17

Arquitextualidade: muito abstrata, já que é mais implícita que a anterior

(hipertextualidade), ao implicar a suposição de “las analogias formales o de contenido entre distintos textos os discursos: hay elementos comunes em ellos que los adscriben, por ejemplo, a um género o movimento artístico”, no entender de Pineda Cachero. Olmi, por sua vez, aponta essa categoria como sendo a “articulada por uma menção de título, subtítulo da indicação de Romance, Conto, Poesia e etc., que pertence exclusivamente ao aspecto taxionômico”.

A seguir são apresentadas as principais características da obra de Ariano Suassuna e suas fontes.

No documento Auto da Compadecida em Hipermídia (páginas 24-33)

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