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a turma Eugênio Lyra do curso de Direito da UNEB (2013-2017)

Gilsely Barreto, Cloves Araújo

O objetivo deste artigo é relatar sucintamente a experiência da turma especial Eugênio Lyra. Entendemos essa experiência como uma ação de insurgência, organizada contra o que está hegemonicamente insti- tuído no ensino jurídico, marcado pelo elitismo e descontextualização dos sujeitos e das realidades vividas pela maioria da população2 do país.

O texto tem caráter descritivo e serve como documento de memória do curso. Ele foi organizado em cinco partes, narrando o processo de

1 Os autores organizaram este texto com base em informações e vozes contidas no Projeto

Político Pedagógico e no Processo de Reconhecimento do Curso, bem como em dois trabalhos produzidos por nós em coautoria com a professora Stella Rodrigues dos Santos. Para o levan- tamento de dados junto à turma, contamos com a contribuição das estudantes Ariane Araújo, Edivanda Oliveira e Edlange Andrade, que também formam junto a toda turma a polifonia de autores dessa experiência.

2 Ressalta-se que a população neste texto é mencionada tomando em consideração a complexi-

dade do termo. Nesse sentido, não se refere a um todo homogêneo e abstrato, mas sim à rea- lidade concreta que é demarcada por diferenças de classe, etnia, gênero, etc. Anota-se, ainda, que um aprofundamento conceitual deste termo nos remeteria a uma reflexão que extrapolaria o objetivo deste texto, de modo que registramos apenas esse breve esclarecimento.

criação e de instalação do curso e o seu desenvolvimento nos diversos momentos. Todo o processo foi envolvido de enfrentamentos, quase sempre contando com a presença de toda a turma e dos docentes, e de muito de muito debate. Trata-se de uma experiência marcante den- tro da universidade, que se viu diante da necessidade de aprender, no processo, a conviver intensiva e cotidianamente com a diferença, na medida em que os estudantes do curso passaram a ser parte da mesma.

a ProvoCaÇÃo e o desenCadeaMento da eXPeriÊnCia

A Universidade do Estado da Bahia (UNEB) foi provocada por movi- mentos sociais do campo e instada a criar um projeto para uma turma especial no curso de Direito. Para a atender esta demanda, ela seguiu experiências desenvolvidas por outras universidades públicas do país, e, igualmente, a sua própria experiência, já que contava com diversos cursos de graduação envolvendo populações do campo (pedagogia e agronomia). O curso de Direito foi criado em parceria com o Incra/ Pronera que, desde o início dos anos 2000, vem fortalecendo a educa- ção do campo, reconhecendo que este é um território de produção de vida, carregada das suas dimensões econômica, social, política, cultural e ética. É importante lembrar, ainda, que, conforme a demanda dos movimentos sociais, e na medida em que foi discutido e desenhado, o projeto do curso tinha como propósito formar bacharéis em Direito para atender a uma população jovem e adulta de trabalhadores rurais em áreas de Reforma Agrária. O curso constitui-se, assim, ao longo do tempo, como uma ação com um largo significado na promoção da justiça social no campo, com a democratização do acesso à educação superior; ele tornou-se, igualmente, uma oportunidade ímpar para a UNEB reafirmar o seu compromisso social e a sua contribuição efetiva na implementação de novos padrões de relações sociais no campo.

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A turma especial no curso de bacharelado em Direito da UNEB teve a sua autorização concedida em setembro de 2012. O edital do processo seletivo foi publicado em fevereiro de 2013, com provas realizadas em 9 e 10 de março de 2013. Ressalte-se que, antes das provas, a UNEB forne- ceu um curso preparatório de três dias para os interessados no processo seletivo.

A turma foi composta por 50 educandos, majoritariamente da Bahia, de todas as suas regiões, com sete provenientes dos estados de Sergipe, Rio Grande do Norte, Ceará, São Paulo e Maranhão. A composição da turma, após seleção, contemplou integrantes de onze movimentos sociais do campo e de luta pela terra, incluindo povos e comunidades tradicionais: Movimento de Trabalhadores Assentados, Acampados e Quilombolas (Ceta), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Central de Articulação de Fundo e Fecho de Pasto (CAFFP), Fundação de Apoio à Agricultura Familiar do Semiárido da Bahia (Fatres), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Bahia (Fetag), Movimento de Luta pela Terra (MLT), Movimentos de Pequenos Agricultores (MPA), Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas (Conaq), Fede ração Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf ), Luta Camponesa e o Polo de Unidade Camponesa (PUC).

A aula magna que deu início ao curso contou com a presença do reitorado da Universidade e com palestra da socióloga Luisa Bairros, então ministra da Promoção da Igualdade Racial.3 Desde o primeiro

módulo do curso, no primeiro semestre de 2013, após longos debates, foi definido, por eleição, o nome do advogado Eugênio Lyra para iden- tificar a turma, em homenagem à sua longa e densa trajetória na defesa da luta dos povos do campo no estado da Bahia, brutalmente assassi- nado em 22 de setembro de 1977, em Santa Maria da Vitória, aos 30

anos de idade. O seu assassinato ocorreu a mando dos latifundiários da região Oeste do estado.4 A escolha foi simbolizada na aula inaugural do

segundo módulo, que contou com a participação de familiares e com- panheiros de luta de Eugênio Lyra.

o ProJeto PolÍtiCo PedaGÓGiCo do CUrso: a adoÇÃo do Modelo da alternÂnCia

A turma especial é parte do Projeto Político Pedagógico do Curso de Direito da UNEB, que utiliza o regime de semestralidade e tem preocu- pação com o conhecimento específico inerente a um curso de bachare- lado em Direito nos termos da Resolução CNE/CES nº 09/2004. A re- ferida resolução institui as diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em Direito, no qual se estabelece dimensões sociopolíticas de efetivo significado para as relações sociais entre a política e a prática das leis. Este projeto tem sido considerado bastante exitoso e é bem avaliado em diversas instâncias, a exemplo do Ministério da Educação (MEC) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O texto deste proje- to e, igualmente, a experiência do curso, serviram como um dos pilares para a estruturação do novo projeto, para a turma especial.

Mas, foi em sintonia com os princípios filosóficos da Educação do Campo e com base na Resolução CNE/CEB n.º 01/2006, que reconhe- ce a Pedagogia da Alternância como adequada à educação do campo no que diz respeito aos tempos educativos nas comunidades como efe- tivos tempos escolares, e, ainda, referenciado pelo acúmulo de expe- riências educativas nessa modalidade pedagógica, que foi organizada a matriz curricular do curso, adotando o Regime de Alternância entre Tempo Escola (TE) e Tempo Comunidade (TC). O TE é o período de

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atividades acadêmicas diárias desenvolvidas no campus da universidade, onde é garantido o ensino dos componentes curriculares constantes na matriz do curso; o TC é o período em que os estudantes, ao retornarem para as suas respectivas comunidades, desenvolvem atividades orien- tadas pelos professores e no qual travam diálogos com os conteúdos ministrados no TE, na perspectiva da práxis.

A carga horária de cada componente curricular, os seus conteúdos e o planejamento em cada etapa do curso foram executados considerando o percentual de 70% de atividades no TE e 30% no TC. Este modelo, por si só, criou diversos problemas no interior da universidade, não pre- parada para lidar com este tipo de diferença, tais como a sua adequação com o sistema de matrículas (Sistema Sagres), exigindo muito esforço e debate para, finalmente, encontrar meios de adequação ao sistema.

Por tudo isso, para este curso, em diálogo com o curso regular de direito da instituição, optou-se pela criação de um Projeto Político Pedagógico adotando uma matriz curricular diferenciada, contemplan- do as especificidades da turma e da demanda, o que exigiu o desenca- deamento de um novo processo de reconhecimento junto ao Conselho Estadual de Educação. O colegiado e a coordenação do curso, junto a um representante de cada movimento social, foram instrumentos fun- damentais para o acompanhamento de todo o percurso de realização curso. A eles couberam a tarefa da deliberação, do monitoramento e da avaliação em todos os seus momentos. E a escolha da representação dos movimentos sociais no colegiado foi feita pelos próprios estudantes. A matriz curricular diferenciada

Alguns componentes curriculares, a exemplo de Direito agrário, Direito ambiental, Direito cooperativo e Direito registral e imobiliário, ganharam destaque na matriz curricular para que as especificidades do curso fossem garantidas, sem prejuízo dos conteúdos dos demais

componentes. Todos os demais componentes foram desenhados em diálogo com a matriz do curso regular de Direito da UNEB. Mas, ape- sar dessa proximidade formal, na prática, considerando a composição entre TE e TC, e considerando, também, as peculiaridades dos próprios estudantes −boa parte deles estivera por longos anos afastada da escola, algumas carências na escolarização prévia, o perfil politizado e partici- pativo da turma −, logo, os conteúdos e as práticas docentes ganharam novas dimensões, isto é, uma ambiência concreta e construtiva para o processo de ensino e aprendizagem, pois a teoria adquiria novos signifi- cados a partir do cotidiano e das práticas políticas dos educandos.

Para a integralização da matriz curricular, estabeleceu-se um prazo de dez semestres letivos, envolvendo um conjunto de 66 componentes curriculares, todos articulados conforme os três seguintes eixos, que foram instituídos pela Resolução nº 09/2004 do CNE:

1. Eixo de formação fundamental: Introdução ao estudo do Direito I e II, Economia política, Filosofia e filosofia do Direito, História do pensamento jurídico, Teoria geral do Estado e ciência política, Sociologia jurídica, Antropologia ju- rídica, Direito e sociedade, Direito e literatura, Hermenêutica jurídica, Ética e ética Profissional. Esses doze componentes compreenderam uma carga de 765 horas.

2. Eixo da formação profissional: Teoria da constituição, Direito constitucional I, II, III, Teoria geral do Direito civil I, Direito civil II, III, IV, V e VI, Responsabilidade civil, Direito registral e imobiliário, Direito administrativo I e II, Direito tributário e finanças públicas, Direito penal I, II, III e IV, Direito proces- sual penal I, II, III, Teoria geral do processo, Direito processual Civil I, II, III, e IV, Direito empresarial I e II, Direito do traba- lho I e II, Direito internacional público e privado, Direito am- biental, Direito agrário, Direito e movimentos sociais, Direito

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da seguridade social, Direito cooperativo, Direito do consu- midor, Direito eleitoral, Conciliação e arbitragem, Mediação, e Criminologia. Esses 41 componentes compreenderam uma carga de 2.475 horas.

3. Eixo de formação prática: Produção de texto técnico científi- co, Estágio de prática jurídica I, II, III e IV, Monografia I, II e III (TCC) e Seminário de pesquisa interdisciplinar I, II, III, IV e V. Esses 13 componentes curriculares compreenderam uma carga de 780 horas.

Além dos componentes curriculares constantes dos três eixos for- mativos, foram acrescentadas mais 300 horas de atividades comple- mentares, respaldadas nas Resoluções nº 759/2006 e nº 1.022/2008, do CONSEPE/UNEB. As Atividades Curriculares Complementares (ACC) são consideradas indispensáveis para o enriquecimento da formação do bacharel em Direito, uma vez que elas proporcionam a possibilidade da participação do estudante em atividades diversas e contribuem para ampliar a formação geral do discente.

Para esta finalidade, foram consideradas atividades complementa- res as atividades extracurriculares, de pesquisa, de extensão, participa- ção em grupos de estudos, monitorias, seminários, simpósios, congres- sos, conferências, apresentação de trabalhos em eventos científicos da área jurídica, participação como membros de comissões organizadoras de seminários, jornadas, congressos, eventos e em concursos de mono- grafias, publicações de artigos científicos na área jurídica, participações em estudos temáticos e visitas técnicas programadas por professores, participação comprovada em defesas de monografias, dissertações e teses, bem como em congressos de iniciação científica e de extensão.

O cumprimento das ACC demandou organização dos estudan- tes, seja na apropriação do barema de pontuação, utilizado pelo cole- giado, seja na colheita das certificações das atividades desenvolvidas,

especialmente quanto às atividades no tempo comunidade. Utilizou-se a sistemática de contagem prévia, visando otimizar uma preparação para certificações pendentes e prevenir percalços na finalização do curso. O Tempo Escola: professores e colaboradores

Os docentes da turma Eugênio Lyra foram selecionados dentre os professores do quadro da UNEB e que atuam em cursos regulares de Direito da Universidade, além de docentes convidados de outras insti- tuições. A multicampia da UNEB – uma das suas características estrutu- rais − foi um fator fundamental para a composição do quadro docente, já que a Universidade conta com 24 campi espalhados pelo estado e com sete cursos de Direito, distribuídos nas cidades de Salvador, Paulo Afonso, Juazeiro, Jacobina, Valença, Camaçari e Itaberaba.

A qualificação docente e a identificação com o projeto político pe- dagógico, com a estratégia metodológica do projeto, foram os critérios adotados para a composição do quadro de professores. A diversidade marcou o quadro docente, composto de homens, mulheres, negros (pretos e pardos), brancos e perfis geracionais distintos. Lecionaram no curso os seguintes docentes, nos respectivos componentes curriculares:

1. Ainah Angelini (UNEB): Direito civil V e VI;

2. Ana Beatriz Pereira (UNEB): Direito civil I, II, III e Mediação e Arbitragem;

3. Ana Paola Diniz (UNEB): Responsabilidade civil; 4. André Portela (UNEB): Empresarial II;

5. Carlos Freitas (UNEB): Direito e Movimentos sociais, Monografia II e Direito da seguridade social;

6. Carlos Marés (PUC-PR): Direito ambiental (em conjunto com o professor Cloves Araújo);

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7. Celso Antonio Favero (UNEB): Economia política, Teoria ge- ral do Estado e Ciência política e Antropologia jurídica; 8. Cloves Araújo (UNEB): IED II, Direito agrário, Direito am-

biental, Direito registral e imobiliário, Direito cooperativo e Hermenêutica;

9. Fabiano Pimentel (UNEB): Direito penal I, II e III;

10. Fabio Periandro (UNEB): Direito administrativo I (em con- junto com o professor Jadson Luz);

11. Fátima Noleto (UNEB): História do pensamento jurídico e Teoria geral do processo;

12. Felipe Estrela (UNEB): Direito do trabalho I e II;

13. Gilsely Barreto (UNEB): Teoria da constituição, Direito cons- titucional I, II e III e Monografia III;

14. Guilherme Ludwig (UNEB): Direito processual do trabalho; 15. Jadson Luz (UNEB): Direito administrativo I;

16. Jane Sara (UNEB): Direito do consumidor;

17. João Luiz (UNEB): Direito administrativo II e Empresarial I; 18. Luciano Santos (UNEB): Filosofia e filosofia do Direito; 19. Marcelo Pinto (UNEB): Prática Jurídica I, II e III;

20. Marcia Misi (UEFS): Direito internacional público e privado; 21. Marcia Rios (UNEB): Direito e Literatura;

22. Maria de Nazaré Mota (UNEB): Produção de texto técnico- científico;

23. Mariana Rodrigues (UNEB): IED I e Seminário interdiscipli- nar IV;

24. Mauricio Araújo (UNEB): Direito e sociedade e Sociologia ju- rídica (em conjunto com a professora Sara Côrtes);

25. Paulo Torres (UEFS): Direito agrário; 26. Ricardo Cappi (UNEB): Criminologia;

27. Ricardo Xavier (UNEB): Ética e Ética das profissões jurídicas; 28. Sander Prates (UNEB): Processo civil I, II, III e IV;

29. Sara Côrtes (UFBA): Sociologia jurídica;

30. Stella Rodrigues (UNEB): Seminário interdisciplinar I, II e III e Monografia I;

31. Tatiana Emília (UNEB): Direito civil IV;

32. Thaize de Carvalho (UNEB): Direito penal IV e Direito pro- cessual penal I, II e III;

33. Vladimir Morgado (UNEB): Direito tributário.

Os semestres letivos do curso tiveram aulas inaugurais com pro- postas de reflexões e debates acerca de temáticas pertinentes ao con- texto da turma, com a participação de convidados e da comunidade interna e externa à universidade.

Até a metade do curso, as aulas foram ministradas majoritariamen- te em períodos concentrados no TE e em dois turnos letivos: matutino e vespertino. Posteriormente, com a redução da oferta dos componen- tes curriculares, foi possível o desenvolvimento de turnos mais flexíveis e conforme disponibilidade. De todo modo, o TE pôde ser realizado em períodos concentrados (com aproximadamente dois meses de dura- ção). Tudo isso permitiu a disponibilidade de um tempo razoável para a produção do trabalho de conclusão de curso. O que é fato é que o ritmo sempre foi muito intenso, o que tornou o curso cansativo.

As aulas foram ministradas no Departamento de Ciências Humanas e Sociais (DCHI) da UNEB, no bairro do Cabula, e no Centro

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de Treinamento de Líderes (CTN), em Itapuã, onde os alunos ficaram hospedados. Este centro de treinamento pertenceu à extinta Empresa Bahia de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e, atualmente, está vin- culado à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) do governo do Estado. Convêm ressaltar aqui a importância que teve a disponibiliza- ção deste CTN para o processo formativo e organizativo estes estudan- tes e, igualmente, para as lutas dos camponeses da Bahia.

O Tempo Escola não foi reduzido ao espaço da sala de aula. Foram realizadas diversas outras atividades, tais como mostras de cinema, au- diências públicas, debates, seminários, jornadas, visitas a instituições: OAB-ESA, Fórum Rui Barbosa, Tribunal de Justiça e, lançamentos de livros, que se constituíram como momentos de afirmação e de estrei- tamento de laços entre o espaço acadêmico e instituições parceiras de Salvador.

A viabilização do TE e do TC ao longo dos semestres letivos contou com um docente do quadro da Universidade na função de coordenação − duas professoras assumiram em momentos distintos − e com a cola- boração dos servidores técnicos, considerando as especificidades da tur- ma na matrícula (calendário próprio e operacionalização no TC e TE no Sistema Sagres), na gestão financeira manuseio do Sistema de Convênio (SICONV) e em atividades administrativas. Destacam-se as contribui- ções das servidoras: Barbara Cristina, Bruna Pamponet, Graciele Fair, Jaira Conceição e Thais Urpia, que, em períodos diferenciados, partici- param da efetivação do Projeto Político Pedagógico do curso.

O Tempo Comunidade (TC)

O planejamento das atividades para o TC foi realizado pelo conjun- to de professores em cada módulo do curso, em diálogo com os estu- dantes, de modo a assegurar a sua execução e a devolução dos resulta- dos. Propôs-se, inicialmente, que os resultados das atividades realizadas

no TC fossem apresentados no retorno dos estudantes (início de um novo TE). No entanto, se, nos semestres iniciais, essa devolução ocor- reu de forma coletiva (em eventos semelhantes a seminários), nos se- mestres seguintes, as devoluções foram feitas diretamente para cada professor que solicitara a atividade.

Os estudantes contaram, nos semestres letivos iniciais, com a orien- tação e o apoio de monitores − estudantes da turma regular de Direito no Departamento de Ciências Humanas do Campus I da UNEB − pre- viamente selecionados, via edital, pela coordenação do curso. Foram selecionados estudantes que demonstraram sensibilidade e interesse e que se dispusessem a cumprir as exigências do Programa de Monitoria da Universidade. No semestre letivo 2014.2, no TC, alguns desses mo- nitores foram deslocados para as comunidades dos estudantes, para o acompanhamento da realização da atividade solicitada pelos docentes. O mesmo foi feito por alguns docentes. Naquele semestre, por exem- plo, a professora Gilsely Barreto acompanhou discentes da turma em Bom Jesus da Lapa e na visita à comunidade quilombola de Lagoa das Piranhas, enquanto a professora Maria de Fátima Noleto deslocou-se para Codó, no Maranhão.

Os estudantes do curso regular que, como monitores, integraram o projeto foram: Ana Carolina Santos Campos, Barbara Catharine Teles Fonseca, Camila Celestino Conceição Archanjo, Cristiane Ferreira Maia, Debora Oliveira da Silva, Denise Bispo de Sena Correia, Francine de Almeida Pereira, Henrique Brener Sousa Costa, Ivana Carla Lucio Machado, Jussara Bezerra dos Santos, Lorruama Carine do Vale Costa, Natalia Ferreira Oliveira, Poliana da Silva Ferreira, Rafael Freitas Souza, Suzy Marinho Pedreira, Tacia Alves Gabriel da Silva e Uelton dos Santos Silva.

Essa experiência motivou a estudante Jussara Bezerra dos Santos, por exemplo, que visitou o Assentamento Terra Vista, quando da

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monitoria, a realizar sua monografia de final de curso, defendida em 2016.2, com o tema acerca da criminalização dos movimentos sociais.

os edUCandos e a PerManÊnCia no CUrso

Quanto ao perfil, a turma é jovem, com predominância de estudantes da faixa etária dos 20 e 30 anos. A turma é formada majoritariamente por estudantes do estado da Bahia e por homens negros (pretos e pardos). Nela, estão representados 11 movimentos sociais, muitos dos quais com atuação apenas no estado da Bahia. Dos 50 estudantes selecionados, 45 estão concluindo o curso. Apesar dessa quase aparente homogeneidade, olhando esta turma de forma mais detalhada, encontramos nela uma grande diversidade que se expressam em várias dimensões.

Quanto à residência, 39 (87%) residem no estado da Bahia e 6 (13%) residem fora do estado. Dada a grande extensão do estado da Bahia − a linha Leste-Oeste é de mais de 1000 km, o mesmo ocorrendo com a linha Norte-Sul −, a turma compreende representantes de todas as regiões do estado, o que contribuiu enormemente para a integração