• Nenhum resultado encontrado

1. CONCEITUAÇÕES DE CONFESSIONALIDADE E ASPECTOS DISTINTOS DA

3.6 UM MODELO DE CAPELANIA VIRTUAL COLABORATIVA

Inicialmente, ainda na apresentação do anteprojeto de pesquisa, a ideia era

fazer um estudo de caso, utilizando-se dos ambientes virtuais de aprendizagem em

operação no Mackenzie e testando alguns aspectos das ideias embrionárias das

Professoras Marili Vieira e Ana Lúcia Lopes, envolvidas com os processos de

educação a distância da instituição, no Centro de Educação a Distância (CEDaD), a

primeira na condição de Pró-Reitora de Graduação e Assuntos Acadêmicos e a

segunda como Coordenadora do CEDaD, à época.

Diante de desafios e demandas próprios de um estudo dessa natureza e devido

à necessidade de, primeiramente, estabelecer conceitual e principiologicamente esta

Capelania Virtual Colaborativa, apresenta-se agora uma proposta de um possível

modelo, a partir desses três eixos, com elementos que se entendem imprescindíveis

para sua implantação.

Porém, é preciso cuidar para que, na passagem de princípios para modelo, não

se perca de vista que, por mais que se possa avançar, aparentemente, ainda há muito

campo a conquistar quanto à aplicação de tecnologias em redes de colaboração,

especialmente na educação e, mais especificamente ainda, na formação e

consolidação de valores no contexto de instituições de ensino superior, seja no

Mackenzie, seja em outras instituições de ensino superior.

Sendo assim, esta proposta preliminar de um modelo para a CVC precisa,

primeiramente, ter claras quais são as competências que se deseja e precisa se

formar no aluno que vivencia o século XXI. Nesse sentido, os Capelães, assim como

os professores em uma rede de colaboração de natureza educacional, conforme

lembra António Moreira e Luís Pedro (2000), devem “[...] apropriar-se das vantagens

dessas tecnologias, para que as usem na criação de novos ambientes de

aprendizagem [...]” – no caso, ambientes de formação de valores – que sejam “[...]

mais motivadores, mais estimulantes e, sobretudo, que sejam capazes de

desenvolver, nos seus estudantes as competências essenciais para a sua integração

nesta nova era digital do século 21” (MOREIRA; PEDRO, 2000, p. 9), mas que,

sobretudo, objetive o amadurecimento moral para humanizar as relações nesse

cenário normalmente caricaturado como “desumanizado” por causa da tecnologia.

Da mesma forma, para conseguirem ser bem-sucedidos em uma economia

suportada pela inovação, os cidadãos precisam de “[...] um conjunto diferente de

competências, como colaboração, criatividade e capacidade de resolução de

problemas, para além de qualidades ao nível do caráter, como persistência,

curiosidade e iniciativa [...]” (MOREIRA; PEDRO, 2000, p. 11), então, ainda mais se

demonstra como necessário um aporte moral compartilhado e colaborativamente

formado para a justiça, paz e convívio, valores que vão além do sucesso profissional

e da criação de riqueza material e monetarizada.

De modo análogo, aquilo que foi proposto pelo World Economic Forum (WEF)

em New Visions for Education: Unlocking the Potencial of Technology e classificado

em três categorias (Foundational Literacies, Competencies e Character Qualities) que

aglomeram as condições para o sucesso em uma economia suportada pela inovação

e envoltos em uma atitude de aprendizado contínuo por toda a vida (lifelong learning),

se for aplicado à formação de valores pode também indicar caminhos de quais

princípios e propostas devem nortear a aplicação de conceitos à formação de valores,

tendo a CVC como elemento articulador. Na proposta do New Visions for Education,

as Foundational Literacies referem-se a como os estudantes aplicam conhecimento e

habilidades básicas às tarefas cotidianas, Competencies é como os estudantes

abordam desafios complexos e Character Qualities é como os estudantes abordam

seu ambiente em contínua mudança. O desdobramento de cada uma dessas

categorias não interessa necessariamente ao tema desta tese, mas talvez algumas

das Competencies, tais como, critical thinking/problem solving, communication e

collaboration e todas as Character Qualities (curiosity, initiative, persistence/grit,

adaptability, leadership e social and cultural awareness) referenciam alguns dos

valores já tratados no capítulo anterior, como sendo justamente aqueles que a

confessionalidade mackenzista lastreia e fomenta para a formação e o

amadurecimento moral de todos que fazem parte do Mackenzie, especialmente seus

educandos.

Um segundo aspecto possível de ser incorporado ao modelo a ser implantado

refere-se à metodologia de trabalho colaborativo, a qual deverá estar baseada em

alguns princípios de aprendizagem, esboçados aqui mais brevemente, por não serem

o objeto de estudo da tese em si.

Talvez um dos princípios mencionados por Rué (2007) de aprender mediante

problemas aplicados à formação moral por meio de redes de colaboração, seja o que

tem mais potencial de aplicação em termos de formação moral na prática, dada a

concretude dos dilemas morais e as possibilidades de intervenção que a própria

realidade social do país demanda diante de todos. Certamente, o mero assentimento

moral dos “recipientes” das ações propostas para a formação de valores, baseadas

na transmissão informativa de valores, princípios axiológicos, normas etc., podem ser

ainda mais produtivas se forem também usados métodos ativos a partir de demandas

reais que proponham ao aluno a necessidade e a importância de se pensar e agir

moralmente em casos concretos levantados por tutores ou pelos próprios membros

da rede. Essa proposta específica de aplicação da pesquisa de Moreira e Pedro

(2000) sobre a construção de hipertextualização como recurso de ensino e

aprendizagem à formação de valores é um bom exemplo de como o que tem sido

discutido na academia de forma mais abrangente em termos de relações de ensino

aprendizagem em uma blended education, especialmente por redes de colaboração,

pode ser adaptado e aplicado à formação de valores lastreados pela

confessionalidade do Mackenzie.

Essa metodologia de resolução de problemas (Problem-Based Learning

PBL), aplicada à formação de valores, é centrada na atividade do aluno que

colaborativamente resolve as situações-problema e que atende perfeitamente ao

princípio da autonomia, nesse caso, da autonomia moral. De acordo com Carvalho

(2006), a abordagem Problem-Based Learning – PBL, aplicada à formação de valores,

certamente deve envolver, como acontece de modo geral na metodologia da PBL,

uma busca pela consensualização dos conceitos relacionados ao problema em

tratamento, o levantamento de hipóteses para a resolução, a categorização das ideias

e dos conhecimentos, o aproveitamento das ideias mais importantes, relevantes e

pertinentes, a definição de objetivos, a aprendizagem individual e o reexame com

consequente reconfiguração das áreas envolvidas no problema.

De mesma matriz conceitual em termos da relação ensino-aprendizagem, o

ensino por projeto permite um ganho extraordinário em apropriação de repertório e

em termos de competências sociais, cognitivas e pessoais, além do desenvolvimento

de diversas competências técnicas. Ao tratar do ensino por projeto, Maria Graça

Guedes (2007, p. 27) afirma que “Este modelo de ensino/aprendizagem envolve o

aluno em projectos durante toda a sua formação, o que permite, por um lado, que

assimile as matérias necessárias ao desenvolvimento de cada projecto em concreto

e, por outro lado, que aprenda a trabalhar em projectos dos mais variados tipos”.

Certamente que, ao relacionar a teoria com a prática em exemplos reais e concretos,

todos os atores da rede de colaboração aprendem a transpor as lições aprendidas em

um caso concreto para novas situações, fazendo as devidas adaptações próprias.

A tutoria do ambiente deverá ser feita por capelães e professores capacitados

pedagógica e filosoficamente para a atuação, de forma a não incorrer em mera

catequese religiosa, como já foi falado, mas sim em processos colaborativos de

aprendizagem, com persuasão, para o desenvolvimento de confiança mútua entre os

participantes dos grupos. O ambiente deverá agrupar os alunos de modo que cada

tutor tenha até 120 alunos sob sua responsabilidade. Essa tutoria se dará no

desenvolvimento das atividades propostas, por meio de chats e fóruns e por e-mails

individuais.

Respeitada a proposição metodológica, as atividades propostas deverão ser

previamente planejadas, de modo que se possa escolher textos, links, vídeos e até

gravar vídeos que adequem às temáticas propostas. As temáticas deverão girar em

torno de assuntos que promovam o posicionamento pessoal dos alunos, refletindo

sobre princípios e valores aprendidos e expressos na sociedade e no Mackenzie, tais

como ética relacional, ética pública e corrupção, meio ambiente e sustentabilidade,

entre outros que favoreçam a formação de valores.

O desenvolvimento das atividades deverá levar o aluno a uma aprendizagem

significativa, que parta de experiências prévias, pessoais e coletivas, promovendo

transformação de atitudes e valores. Essas atividades poderão ser:

• Textos com estudos e reflexões dirigidas

• Vídeos

• Fóruns assíncronos

• Objetos de aprendizagem com problemas

• Desenvolvimento de projetos e compartilhamento de experiências em

fóruns

• Encontros presenciais periódicos

Deverá haver um ambiente mais livre em que os alunos possam interagir

livremente, no qual um tutor possa estar presente participando com os alunos. Por

óbvio, o ambiente deverá ser projetado de modo que seja agradável ao jovem do

século XXI, que permita a colaboração em determinados espaços, a fim de que os

alunos possam também propor textos e reflexões.

O público-alvo, conforme já apontado na tese, de início, deverá ser o

ingressante, podendo, à medida do avanço dos semestres e anos, ser ampliado. Ao

ingressar, o aluno assinará um compromisso ético, com o cumprimento de

determinado modo de comportamento, garantindo além do respeito ao próximo, a

proibição de palavras inadequadas ao ambiente público e a possibilidade de sair do

grupo sem constrangimento. Este seria o modelo a ser desenvolvido por técnicos e

designers instrucionais e web-designers, a serem incorporados na equipe de criação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em termos do que se propôs nesta tese – cuja temática é a formação de valores

em redes de colaboração e expressão da confessionalidade do Mackenzie – os

objetivos delineados orbitavam a tentativa de compreender de que maneira a

formação de valores e a expressão da confessionalidade, pilares da identidade

institucional do Mackenzie, processam-se em contextos digitais virtuais de formação

superior presentes em nossa contemporaneidade, em diálogo com as expressões

mais tradicionais da relação ensino-aprendizagem presencial corpórea, inclusive em

termos da atuação da Capelania, cuja atuação esperada é também servir para fins de

formação de valores.

A inquietação bem inicial (ainda na fase de projeto da tese), que se tornou

pergunta de pesquisa, originava-se da necessidade e da importância de tornar os

espaços virtuais da educação superior do Mackenzie um ambiente de formação de

valores e expressão da confessionalidade fundacional e histórica da Universidade.

Para tanto, a pesquisa assume claramente seus referenciais teóricos em cada um de

seus três eixos – confessionalidade, formação de valores e redes colaborativas – e

trabalha, a partir do status quo, tanto das iniciativas atuais de ensino a distância como

de formação de valores, para indicar que uma rede de colaboração virtual poderia

complementar a cultura da presencialidade e do exercício formal de Capelania.

O capítulo inicial – denominado de eixo da confessionalidade – tratou de

explicitar a importância e a evolução histórica da confessionalidade para o Mackenzie,

como instituição confessional, a ponto de ser marca indelével de sua identidade

institucional, preconizada em sua missão, visão e valores. Avalia-se este capítulo

como o mais longo da tese, por causa da amplitude do tempo abarcado pela análise

longitudinal desse recorte temático e chega-se à conclusão de que não é possível

desassociar o Mackenzie de sua história, profundamente marcada pelos seus

princípios fundantes e pela preservação deles, a ponto de se tornar ethos institucional,

mesmo antes e mais ainda depois de explicitar sua cosmovisão cristã reformada em

seu nome Presbiteriano.

O desafio de ter um olhar de insider como Ministro Presbiteriano, o que poderia

enviesar esta análise, foi assumido – e o risco inerente mantido sob controle –,

evitando-se assim o discurso de suposto saber de autoridade eclesiástica,

especialmente em momentos quando a autocrítica como representante e subscritor

da mesma confessionalidade do Mackenzie, foi necessária para alcançar os objetivos

propostos. O risco poderia se tornar virtude, e o resultado indica que a leitura deste

capítulo inicial, mesmo para alguém completamente alheio à história do Mackenzie,

proporcionará um entendimento dos diferenciais da instituição quanto à tessitura de

valores entremeados pela perspectiva da fé reformada.

O segundo capítulo – relacionado ao eixo dos valores – propôs uma análise do

tema em dois aspectos. O primeiro tentou uma abordagem inovadora e um arcabouço

mais amplo sobre a natureza desses valores, em termos de pensar formação moral

de ética, tratando esses valores como construtos psicossociais e organizacionais

relacionados à identidade individual, à identidade de grupo e à identidade

organizacional, estabelecendo, a partir de aportes teóricos trazidos da Psicologia

Social, uma outra área de formação do pesquisador. A ideia foi salientar a forma como

os valores têm constituído uma identidade social e organizacional do Mackenzie e,

por conseguinte, verificar de que maneira o uso de redes de colaboração como grupo

de pertença sob influência social dessa identidade poderia contribuir

significativamente para a proposta de formar valores.

Um segundo aspecto tratou de moral, ética e cidadania com perspectivas de

integração da Psicologia Moral, da Psicologia do Desenvolvimento, da Filosofia e da

Psicologia, com suas respectivas referências teóricas mais significativas, concluindo

que os valores são consolidados na interação social pelo indivíduo e seus grupos de

pertença, dos quais a família é o principal, mas que têm na escola, em todos os níveis,

inclusive na educação superior, a oportunidade de serem direcionados e mobilizados

para ações éticas e cidadãs, inclusive assumindo fundamentos filosóficos e religiosos,

como é o caso da confessionalidade do Mackenzie.

Finalmente, o terceiro eixo – das redes de colaboração – constituiu-se no

desafio de como alinhar princípios e conceitos dos dois capítulos anteriores,

fazendo-os convergir para uma proposta de desenvolvimento de manifestações da

confessionalidade mackenzista em contextos virtuais, existentes e a ser

desenvolvidos, condizentes com a importância e a necessidade do fomento de tais

valores estruturantes e transformadores das relações humanas na sociedade; sempre

como complemento ao que já está sendo feito nas abordagens tradicionais vinculadas

à presencialidade corpórea há cento e cinquenta anos no Mackenzie.

As intenções foram no sentido de discutir o que são redes de colaboração e

como elas podem ser utilizadas para a formação e expressão de valores em contextos

educacionais, baseadas na ideia de uma aprendizagem em rede, caracterizada como

colaborativa, significativa e afetiva. A construção dessas redes como ecossistemas

em “lugares” no ciberespaço passou pela discussão sobre o uso das Tecnologias de

Informação e Conhecimento (TICs) e também dos Recursos Educacionais Abertos

(REA) para a Educação em Rede, de natureza híbrida (b-learning), desaguando na

proposta de criação de uma Capelania Virtual Colaborativa (CVC), mencionada desde

a introdução como a contribuição de relevância acadêmica e social da tese,

caracterizada por todas essas tecnologias e abordagens pedagógicas mencionadas.

O capítulo foi encerrado desenhado princípios iniciais para o planejamento

estratégico e o eventual plano de ação para que esta CVC, quando implementada,

venha a complementar o exercício efetivo de acolhimento, formação de valores e

expressão da confessionalidade, integrada à cultura da presencialidade e do exercício

formal de Capelania, assumindo-se, desde já, nos espaços presenciais e virtuais do

Mackenzie, como uma iniciativa inovadora de servir à sociedade.

Sugerir possíveis questões de investigação e de projetos é o que se espera do

pesquisador em suas considerações finais, como passo a fazer agora. Assim, são

propostos caminhos e possibilidades com a absoluta certeza de que serão mais bem

formatados e equacionados nos termos dessa atitude colaborativa em rede tão

presente nas propostas da tese.

Portanto, a título de provocações iniciais e nos termos mencionados nos

parágrafos anterior, seria certamente muito importante se esta tese se desdobrasse

na própria implementação da CVC a várias mãos e com apoio e fomento institucional.

A princípio, é possível antever um tempo ainda investido em pesquisa complementar,

consolidação e ampliação dos princípios e formulação de planos táticos e práticas

operacionais para que se torne uma realidade.

Certamente, um projeto piloto seria, com o próprio nome sugere, um teste de

viabilidade e comprovação do que a tese propôs, observando todos os critérios e

parâmetros de pesquisas desse tipo, com pesquisadores de várias áreas do

conhecimento agrupados de maneira interdisciplinar, convergindo para esse tripé –

confessionalidade, formação de valores e redes de colaboração.

A integração dessa iniciativa piloto, incluindo o grupo de pesquisa responsável

pelo projeto, seria certamente enriquecido pela presença de pesquisadores externos

ao Mackenzie, brasileiros e estrangeiros, vinculados ou não a grupos de pesquisa de

natureza e propósito semelhantes. Uma das limitações flagrantes da pesquisa foi

justamente o levantamento do estado da arte em termos da formação desses grupos

de pesquisa voltados para o tema e que possam fazer parte de uma rede de

pesquisadores. Certamente, um levantamento inicial por pesquisadores com o intuito

de descobrir onde estão, quem são e a que instituições estão vinculados encontrará

possibilidades alvissareiras e desenvolvimentos de pesquisa avançados em relação

aos modestos achados e à proposta incipiente desta tese.

Em um segundo momento – considerando a formação desse grupo de pesquisa

em rede, inclusive em interação inter e transdisciplinar com outros grupos de pesquisa

semelhantes – a formação de um grupo de trabalho de Capelães, Tutores e

Colaboradores, para discussão, planejamento, capacitação e avaliação contínuas

seria uma iniciativa fundamental para transformar em realidade a proposta da

Capelania Virtual Colaborativa.

Em termos de temas não exauridos pela tese, as possibilidades são ainda mais

ricas e desafiadoras. Agrupando-as pelos próprios eixos deste trabalho, colocam-se

na forma de possíveis questões de pesquisa.

No eixo da confessionalidade, seria interessante considerar uma análise

histórica de como foi percebida a formação de valores baseada na confessionalide do

Mackenzie, em momentos de inflexão, de fluxo e refluxo da confessionalidade,

conforme exposto no capítulo primeiro. É possível realmente entender que os conflitos

históricos pelo Mackenzie tinham natureza apenas político-eclesiástica, ou foram

resultados das diferenças de compreensão dessa confessionalidade, de modo que,

em alguns momentos históricos, a confessionalidade fundamentava a formação de

valores, enquanto, em outros, a formação de valores era desassociada da

confessionalidade?

Sem querer fazer uma divisão tão marcante entre a comunidade mackenzista

e a sociedade paulistana e brasileira ao longo desses cento e cinquenta anos, é

possível estabelecer os princípios que atravessaram essa suposta fronteira

intergrupal e societal, a ponto de o Mackenzie influenciar a sociedade pela formação

de valores, mais do que ser permeável a essas influências? Ou seja, o que “deu certo

sempre” em formação de valores, quando o Mackenzie se propôs intencionalmente a

fazer isto, em momentos variados de sua história? E mais: de que maneira o

Mackenzie e a sociedade brasileira são reflexos dos mesmos avanços e retrocessos

no quesito formação moral e ética em uma perspectiva transgeracional?

E, finalmente, ainda no primeiro eixo, de que maneira se pode comparar, em

termos de semelhanças e diferenças, as redes presenciais do período anterior ao que

se vive hoje praticamente guiado pelo ciberespaço com as redes de colaboração

virtuais que foram objetos de análise na tese? O que dizer das redes de aprendizagem

colaborativa e exclusivamente presenciais, nos campos das participações sociais,

educacionais, esportivas, científicas etc. do Mackenzie em relação às facilidades das

redes virtuais, aparentemente com menos influência social e ética? Não seria o caso

de a facilidade virtual propiciar mais influência social ética do que no passado limitado

pela presencialidade, quando se toma, por exemplo, as ligas esportivas, os grupos de

estudo, as associações de ex-alunos e os grupos políticos formados no Mackenzie,

seja pelos alunos, seja pela instituição?

Agora, passando para o eixo dos valores, os caminhos e direção são muito

desafiadores e provocam as seguintes possibilidades de pesquisa, inclusive de

natureza quantitativa, além de outras metodologia e abordagens.

Que se pense, por exemplo, em pesquisar a incorporação e integração das

grandes teorias de valores ao tema desta tese, tais como a Teoria dos Valores

Humanos Básicos, de Schwartz, que tenta medir os valores universais que são

reconhecidos em todas as principais culturas, visto que um dos argumentos da tese

para não aleijar a confessionalidade como âncora da formação de valores, foi a

possibilidade do universalismo moral, conforme visto no capítulo segundo.

Sendo assim, estabelecer essa universalidade dos valores reforçaria ou não o

argumento de que a confessionalidade deveria ser adotada como âncora

filosófica-teológica das tentativas de formação de valores no Mackenzie e, de resto, em toda e

qualquer instituição confessional.

O mesmo pode ser proposto, a partir do trabalho de Milton Rokeach (1973) que

desenvolveu o Rokeach Value Survey (RVS), um instrumento universal e econômico