3.5 O INDICADOR E A CRIAÇÃO DA LISTA BRASILEIRA DAS CONDIÇÕES
3.5.1 UNIDADE DE PRONTO ATENDIMENTO E O TRABALHO COM AS
24,70% em 2015, 23,36% em 2016, 22.56% em 2017 e 21.03% em 2018 (meta para 2018 era 21.07%), com metas de 20,85% para 2019, 20,64% para 2020 e 20,43% em 2021 (73). É possível avaliar esse indicador no município a nível local (por unidade de saúde), distrital e municipal. Esse indicador permanece no Plano Municipal de Saúde de 2018-2021 (74).
3.5.1 UNIDADE DE PRONTO ATENDIMENTO E O TRABALHO COM AS CONDIÇÕES SENSÍVEIS À ATENÇÃO PRIMÁRIA NO MUNICÍPIO DE CAMPINAS
A Portaria nº 10 de 03 de janeiro de 2017 que “Redefine as diretrizes de modelo assistencial e financiamento de UPA 24h como Componente da Rede de Atenção às Urgências, no âmbito do Sistema Único de Saúde” descreve o papel da UPA:
“A Unidade de Pronto Atendimento deve realizar o acolhimento dos usuários e seus familiares em situação de urgência e emergência, sempre que buscarem atendimento neste serviço. Esse serviço deve articular-se com a Atenção Básica e com outros serviços como: Serviço Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Atenção Domiciliar, Atenção Hospitalar, serviços de apoio diagnóstico, terapêutico e outros serviços de atenção à saúde; deve oferecer atendimento resolutivo e qualificado aos usuários com quadros agudos ou agudizados clínicos e realizar o atendimento inicial aos casos cirúrgicos e traumas, estabilizar o usuário e realizar investigação diagnóstica inicial, definindo a conduta indicada, além de garantir que os usuários que tiverem indicação sejam referenciados. A Unidade de Pronto Atendimento também deve ser um local de estabilização de casos atendidos pelo SAMU, realizar consulta médica em regime de pronto atendimento nos casos de menor gravidade, procedimentos médicos e de enfermagem aos casos demandados a esta unidade, oferecer apoio diagnóstico e terapêutico de acordo com sua complexidade e manter usuários em observação, por até 24 horas, para definição de diagnóstico ou estabilização clínica, e encaminhar os usuários que não tiveram suas queixas resolvidas com garantia da continuidade do cuidado para internação em serviços hospitalares de retaguarda, por meio da regulação do acesso assistencial” (75).
Além de colaborar para a continuidade do cuidado do usuário a nível hospitalar, a UPA pode colaborar para o cuidado do usuário na APS com o intuito de oferecer uma atenção integral, contínua e minimizar complicações que podem levar a “reinternações”.
O “Projeto ICSAP” é um trabalho que visa colaborar para a continuidade do cuidado do usuário entre os serviços de saúde envolvidos, foi implantado em janeiro de 2012 no município de Campinas, fruto de discussões e planejamento para a integração da rede e para a reorganização dos serviços envolvidos no cuidado prestado aos usuários do Distrito de Saúde Sul e do Hospital Municipal (76,77).
Os dados coletados do Hospital Municipal, localizado no Distrito de Saúde Sul, estão em um sistema informatizado enquanto os dados da UPA são provenientes das fichas de atendimentos. Dentre os critérios de inclusão dos usuários no trabalho realizado nessa região, estavam: idade a partir de 20 anos, permanência de 24 horas ou mais no serviço de saúde, diagnósticos de Acidente Vascular Cerebral, Diabetes Mellitus (DM), Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Insuficiência Cardíaca (IC) e, mais tarde, Pneumonias, Asma e Doenças Pulmonares; em seguida foram incluídos os diagnósticos de Infecção do Rim e Trato Urinário (78).
Em relação à adesão das UBS do Distrito Sul de Campinas, inicialmente o trabalho iniciou com 07 unidades e depois houve ampliação para as demais. Em relação ao Hospital Municipal também houve adesão gradativa dos setores (78).
Os usuários que tem os diagnósticos pactuados do projeto são reconhecidos já na admissão na UPA ou no hospital; na alta são classificados quanto ao tempo sugerido para atendimento na UBS. Os relatórios de alta do hospital são enviados, assim que o usuário recebe alta, para os coordenadores das UBS por um sistema informatizado e enviados pela UPA para UBS em malotes, pois não dispõem de sistema informatizado (78).
A iniciativa do Distrito de Saúde Sul inspirou a implantação no Distrito de Saúde Norte de Campinas em julho de 2015. Os objetivos pactuados foram “identificar dificuldades em relação ao acesso aos serviços de saúde, diminuir números de internações e reinternações de usuários com condições sensíveis à Atenção Primária, discutir e definir fluxos de atendimento e propiciar um trabalho integrado entre os serviços”.
Houve pactuação entre gestores do Distrito de Saúde Norte em relação ao trabalho a ser realizado, incluindo o fluxo desde a alta do usuário atendido pela UPA com alguma CSAP até o tempo resposta da APS em relação ao atendimento do usuário em questão.
O trabalho na UPA em relação às CSAP inicia pela separação das fichas de atendimento de usuários residentes na Região Norte do município de Campinas que permaneceram por 24 horas ou mais na UPA e possuem alguma CSAP, considerando as descritas na Lista Brasileira, publicada na Portaria 221 em 17 de abril de 2008 (68).
A separação das fichas de atendimento é realizada pelos profissionais responsáveis da UPA, podendo ser realizada pelos enfermeiros, assistente social, gestores e/ou profissionais que assistiram o usuário.
Os dados são coletados das fichas de atendimento e inseridos em uma planilha do Google Drive pelos profissionais responsáveis (assistente social e/ou gestores), a partir da qual é realizada a classificação quanto à prioridade de atendimento pela APS. O tempo resposta após a saída do usuário da UPA foi previamente pactuado com as unidades de acordo com a avaliação clínica do caso, sendo classificado como vermelho até 7 dias, amarelo até 15 dias ou verde até 30 dias para acompanhamento pela APS.
Após o preenchimento, a planilha é compartilhada com as UBS da Região Norte para que os profissionais da APS possam visualizar os dados sobre a permanência do usuário na UPA com o intuito de dar continuidade ao cuidado e de acrescentar informações sobre o acompanhamento do caso.
Após a coleta de dados, a ficha de atendimento é entregue para a cogestora da UPA, que realiza os sumários de alta, nos quais são descritos brevemente o atendimento, a conduta e o destino do usuário (alta ou transferência). Este impresso é enviado por e-mail às respectivas UBS. Houve a tentativa de que os próprios médicos preenchessem o sumário de alta, mediante alta e transferência, porém a centralização desse trabalho em uma só pessoa teve mais êxito. As informações são retiradas da ficha de atendimento.
Cada UBS possui um ou mais profissionais responsáveis pela atualização da planilha enviada, que devem preenchê-la com as informações da própria planilha no Google Drive.
A contribuição do acompanhamento dessas internações é ressaltada por Dias da Costa et al. (79) como sendo um bom indicador da qualidade da assistência e da efetividade dos cuidados. Esse monitoramento das CSAP e o trabalho com o indicador ICSAP provavelmente não apresentam ônus, podendo ter impacto para a assistência prestada ao usuário, respeitando os princípios do SUS e da APS.
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