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VATIEL

No documento o DIREITO DAS GENTES (páginas 121-125)

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§43: SEUS DIREITOS AESSE RESPEITO: Assim, todos os direitos que a obrigação de preservar-se e de aperfeiçoar-se a si mesma confere a uma Nação (ver os §s 18, 20 e 23, deste livro); todos esses direitos, digo, residem no soberano, seja ele indiferentemente chamado também de condutor da sociedade, príncipe, etc.

§44: ELE DEVE CONHECER A SUA NAÇÃO: Observamos acima que cada Nação deve conhecer-se a si mesma. Esta obrigação recai sobre o soberano, porque é a ele que cabe velar pela conservação e perfeição da Nação. A obrigação que a lei natural impõe aos dirigentes das Nações é de extrema importância e de muito ampla extensão. Eles devem conhecer exatamente todo o país sujeito à sua autoridade: as suas características, os seus defeitos, as suas vantagens, a sua situação em relação aos vizinhos. Eles devem obter um conhecimento perfeito dos costumes e tendências gerais da sua Nação, de suas virtudes, de seus vícios, de seus talentos, etc .. Todas essas informações lhe são necessárias para bem governar.

§45: AMPLITUDE DE SEU PODER; DIREITOS DE MAJESTADE: O príncipe recebe a sua autoridade da Nação; ele a possui precisamente tanto quanto ela quis lhe conferir. Se a Nação lhe tem conferido pura e simplesmente a soberania, sem limitações e sem partilha, considera-se ter-lhe conferido todos os direitos sem os quais o poder soberano, ou o império, não pode ser exercido da maneira mais conveniente para o bem público.

Esses direitos são ou os denominados "direitos de majestade" ou

"direitos régios".

§46: O PRÍNCIPE MANTL':R LEIS I'UNDAMENTAIS: Mas quando o poder soberano é limitado e regulado por leis fundamentais do Estado, essas leis definem a extensão e os limites do seu poder e a maneira pela qual ele deve exercê-lo. O príncipe está, pois, estritamente obrigado não somente a respeitá-las mas também a mantê-las. A constituição e as leis fundamentais são o programa com base no qual

36 VAlTEL a Nação decidiu trabalhar para o seu próprio bem-estar: a execução cabe ao príncipe. Que ele siga religiosamente esse programa; que ele contemple as leis fundamentais como regras invioláveis e sagradas; e que ele saiba que desde o momento em que delas se afaste, as suas determinações se tornam injustas e não são senão abuso criminoso do poder a ele confiado. Em virtude desse poder, ele é o guardião e o defensor das leis: obrigado a reprimir quem ousar violá-las, como poderia ele mesmo pisoteá-las ?

§47: SE ELE PODE lEIS NÃO FUNDAMENTAlS: Se o príncipe for investido do poder legislativo, ele pode, segundo a sua vontade, e quando o bem do Estado o requerer, abolir as leis não fundamentais e fazer as novas.

(Veja o que dissemos sobre este assunto no capítulo precedente, §34).

§48: ELEDEVE E OBSERVAR AS QUE SUBSISTEM: Mas desde que as leis subsistam, o soberano deve mantê-las e observá-las religiosamente. Elas são o fundamento da paz pública e o mais firme suporte da autoridade soberana. Tudo é incerto, turbulento, sujeito às revoluções, nesses Estados infelizes, onde reina um poder arbitrário.

É, pois, do verdadeiro interesse do príncipe, como de seu dever, cumprir as leis e respeitá-las: e ele próprio deve a elas submeter-se.

Essa verdade nós a encontramos estabelecida em publicação de Luís XIV, um dos monarcas mais absolutos que a Europa viu reinar.

"Que não se diga não estar o soberano sujeito às leis do seu Estado, porque.a proposição contrária é uma verdade do direito das gentes, que a adulação tem, às vezes, atacado, mas que os bons príncipes têm sempre defendido como uma divindade tutelar de seus EstadosI'',

§49: EM SENTIDO ELE ESTÁ SUBMETIDO ÀS LEIS: Mas é necessário explicar esta submissão do príncipe às leis. 1°) Ele deve, como temos

(1) Traité des droits de la reine sur dirers ats de la monarchie (por A. BILAIN), 1667,2" parte, p. 191.

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visto, seguir-lhes as disposições em todos os atos de sua administração.

2") Ele próprio está sujeito, em seus negócios privados, a todas as leis que dizem respeito à propriedade; digo, em seus negócios privados;

pois desde que ele age como príncipe e em nome do Estado, ele está sujeito somente às leis fundamentais e às do direito das gentes. 3") O príncipe está submetido a certos regulamentos de política geral, considerados como invioláveis no Estado, a menos que deles seja desobrigado, ou expressamente pela lei, ou tacitamente por decorrência necessária de sua dignidade. Desejo ater-me aqui às leis que se referem ao estado das pessoas e, sobretudo, àquelas que regulam a validade dos casamentos. Estas leis são estabelecidas para assegurar o regime das famílias; ora, a família real é, entre todas, aquela cujo estado importa seja correta. 4") Mas observemos em geral, sobre essa questão, que se o príncipe estiver investido de soberania absoluta e ilimitada, ele está acima das leis, as quais apenas dele recebem a sua força, e ele pode dispensar-se delas, todas as vezes que assim o permitam a justiça e a eqüidade naturais. 5°) Quanto às leis concernentes aos costumes e à boa ordem, o príncipe deve, sem dúvida, respeitá-las e apoiá-las por seu exemplo. 6") Mas ele está certamente acima de toda lei penal e civil. A majestade do soberano não permite que ele seja punido como um cidadão particular; e as suas funções são demasiado sublimes para que ele possa ser perturbado sob pretexto de uma falta que não interessa diretamente ao governo do Estado.

§50: A SUA PESSOA É SAGRADA E INVIOlÁVEL: Não é suficiente que o príncipe esteja acima das leis penais: vamos mais longe no interesse mesmo das Nações. O soberano é a alma da sociedade; se ele não for venerado pelos povos e posto em perfeita segurança, a paz pública, o bem-estar e a segurança do Estado estão em perigo contínuo. A segurança da Nação demanda, pois, necessariamente, que a pessoa do príncipe seja sagrada e inviolável. O povo romano atribuía essa prerrogativa a seus tribunos para que eles pudessem promover-lhe a defesa sem obstáculos e para que nenhum temor os perturbasse em suas funções.

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