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No documento o DIREITO DAS GENTES (páginas 129-139)

DO AUTOR

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apoio em nenhum direito; mas daí não se deve concluir imediatamente que o súdito possa ao soberano resistir. A natureza da soberania e o bem do Estado não permitem que os cidadãos se oponham ao superior quando as determinações dele lhes pareçam injustas ou danosas. Tal atitude os faria retornar a um estado de natureza e tornaria impossível governar. Um súdito deve sofrer pacientemente as injustiças duvidosas e as injustiças suportáveis que do príncipe decorram: porquanto quem estiver submetido a um juiz não pode julgar por si mesmo as suas próprias pretensões. As injustiças suportáveis devem ser sacrificadas pela paz e bem-estar do Estado, em favor das grandes vantagens que são obtidas da sociedade. Presume-se de direito que todo cidadão se comprometeu implicitamente com esta moderação porque, sem ela, a sociedade não poderia subsistir.Mas quando é o caso de injúrias manifestas e atrozes, quando um príncipe, sem razão aparente, atenta contra nossas vidas, ou nos subtrai coisas sem as quais a nossa vida seria miserável, quem questionará o direito de a ele resistir? O zelo em favor de nossa subsistência não é somente de direito natural, é uma obrigação imposta pela natureza; nenhum homem a tanto pode renunciar inteira e absolutamente. E quando a isso pudesse renunciar, pode-se presumir tê-lo feito em razão de seus compromissos políticos, ele que não entrou na sociedade civil senão com o propósito de obter maior segurança à sua pessoa? O próprio bem da sociedade não exigetalsacrifício;

como Barbeyrac disse muito bem em suas notas sobre Grócio: "se for do interesse público que aqueles que obedecem sofram algo, não é de menos interesse público que aqueles que comandam temam testar até o fim a paciência deles".(4) O príncipe que viola todas as leis, que não respeita medidas e que deseja com violência tirar a vida de uma pessoa inocente, se despoja de sua autoridade; não é mais senão um inimigo injusto e violento, contra quem é permitido defender-se. A pessoa do soberano é inviolável e sagrada; mas aquele que, após ter perdido todos os sentimentos próprios de um soberano, se despoja até mesmo das

(4) Droit de la Guerre e/de la Paix, Liv. I, capo IV, §II, nota 2.

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aparências e da conduta exterior, degrada-se a si mesmo: ele se desveste dos atributos de soberano, e não pode mais reter as prerrogativas ligadas a esse caráter sublime. Entretanto, se esse príncipe não for um monstro, se ele for violento somente contra nós e por efeito de transferência de uma paixão violenta, se por outro lado for ele aceitável para o restante da Nação, a consideração que devemos ter para a paz do Estado é tão grande e o respeito à majestade soberana é tão intenso, que estamos estritamente obrigados a buscar qualquer outro meio para nos preservar antes de pôr em perigo a pessoa do príncipe. Todos conhecem o exemplo de Davi: ele fugiu, permaneceu escondido para escapar à fúria de Saul e, por mais de uma vez, poupou a vida de seu perseguidor. Quando um funesto acidente perturbou de pronto a mente de Carlos I, rei da França, ele matou em sua loucura muitos daqueles que o cercavam:

mas nenhum deles pensou em salvar a própria vida ao custo da vida do príncipe, eles só quiseram desarmá-lo e dominá-lo; eles cumpriram a sua obrigação como bravos homens, como súditos fiéis, ao exporem suas próprias vidas em prol do infeliz monarca: um sacrifício devido ao Estado e à majestade soberana. Desde que a sua violência resultou de insanidade, Carlos não era culpado; ele podia recuperar a saúde e voltar a ser um bom rei.

§55: Dos MINISTROS: Eis o suficiente para o propósito deste trabalho;

pode-se ver estas questões versadas em vários livros conhecidos.

Terminemos esse tema com uma observação importante. Um soberano pode certamente escolher ministros para assisti-lo em suas funções difíceis; mas ele não deve nunca transferir-lhes a sua autoridade. Quando uma Nação escolhe o seu comandante, não é para que ele a entregue para outras mãos. Ministros devem ser meros instrumentos nas mãos do príncipe; ele deve direcioná-los continuamente; e observar cuidadosamente se eles de acordo com as suas instruções. Se por motivo de idade ou de alguma doença, o príncipe estiver incapacitado para governar, deve ser nomeado um regente em conformidade com as leis do Estado; mas assim que o soberano possa manter as rédeas,

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que ele se faça servir e jamais se substituir. Os últimos reis da França da primeira linhagem entregaram o governo e a autoridade aos prefeitos do palácio. Tendo se tornado meros fantasmas, eles perderam com justiça o título e as honras de uma dignidade cujas funções tinham abandonado.

A Nação tudo ganha em coroar um ministro poderoso: ele cultivará, como herança, os recursos que ele pilhava e dos quais havia apenas tido usufruto precário.

CAPÍTULO V

Estados eletivos, por sucessão, ou hereditários e os chamados patrimoniais

§56: Dos ESTADOS ELETIVOS: Vimos no capítulo anterior que compete originariamente à Nação outorgar a autoridade suprema, escolher quem deva governá-la. Se ela confere a soberania apenas à pessoa dessa autoridade, reservando-se o direito de eleger, após a morte do soberano, aquele que deva substituí-lo, o Estado é eletivo. Assim que o príncipe for eleito de acordo com as leis, ele se investe de todos os direitos que essas mesmas leis atribuem à sua dignidade.

§57: SE OS REIS ELETIVOS SÃO VERDADEIROS SOBERANOS: Tem sido posto em questão se reis e príncipes eletivos são verdadeiros soberanos.

Prender-se a esta circunstância é ter idéia muito confusa da soberania.

A maneira pela qual um príncipe alcança a sua dignidade nada tem a ver com a determinação da natureza da mesma. Importa considerar:

I - Se a Nação por si própria forma uma sociedade indepen­

dente. (Ver o capo 1);

II - Qual é a extensão do poder que a Nação conferiu a seu príncipe. Todas as vezes que o chefe de um Estado independente representa verdadeiramente a sua Nação, deve-se considerá-lo como um verdadeiro soberano (§40), mesmo quando a sua autoridade se encontrar limitada em diversos aspectos.

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§58: ESTADOS POR SUCESSÃO E HEREDITÁRIOS; ORIGEM DO DIREITO DA SUCESSÃO: Quando a Nação quer evitar os distúrbios que não deixam de acompanhar a eleição de um soberano, ela faz essa escolha para uma longa seqüência de anos ao estabelecer o de sucessão ou outorgar a coroa hereditária a uma família, de acordo com a ordem e as normas que lhe pareçam mais convenientes. Denomina-se ou

aquele em que o sucessor é designado pela mesma lei que regula a sucessão de pessoas privadas: o porsucessão é aquele em que a sucessão obedece a uma lei especial, fundamental do Estado. Assim a sucessão linear e apenas para os homens foi estabelecida na França.

§59: OUTRA ORIGEM: O direito de sucessão não é sempre originariamente estabelecido pela Nação; ele pode ter sido introduzido por concessão de outro soberano, e até mesmo por usurpação. Mas quando o direito de sucessão se apoia em posse prolongada, considera-se ter-lhe o povo dado o seu consentimento, e esse consentimento tácito o legitima,mesmo que a origem seja viciosa. O direito de sucessão se assenta então no mesmo e único fundamento legítimo e seguro, ao qual devemos sempre retornar.

§60: DEMAIS FONTES: Este mesmo direito pode, ainda de acordo com Grócio e a maioria dos autores, provir de outras fontes, como a da conquista, ou a do direito de um proprietário que, sendo dono de um país, convidaria pessoas a habitá-lo e lhes daria terras com a condição de que o reconhecessem, bem como a seus herdeiros, como soberano deles. Mas como é absurdo que uma sociedade de homens possa se submeter de maneira diferente daquela que tenha em vista preservar-lhes segurança e bem-estar, e mais absurdo ainda que esta sociedade possa comprometer a sua posteridade em qualquer outra base, tudo retoma enfim para onde estávamos primeiramente, e deve reafirmar-se que a sucessão é estabelecida pela vontade expressa ou pelo consentimento tácito da Nação para o bem-estar e segurança do Estado.

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§61: A NAÇÃO PODE MUDAR A ORDEM DE SUCESSÃO: Permanece, assim, regra constante que, em todos os casos, a sucessão é estabelecida ou aceita tendo somente em vista o bem público e a segurança comum.

Se ocorrer, pois, que a ordem estabelecida a esse respeito se torna prejudicial ao Estado, a Nação teria certamente o direito de mudá-la de acordo com lei nova. Sa/us popu/i lex, o bem-estar do povo é a lei suprema; e esta lei é de justiça estrita, desde que o povo tenha somente em vista alcançar o seu bem-estar e melhor proveito.

Este pretenso direito de propriedade atribuído aos príncipes é uma quimera gerada por abuso que se desejaria fazer das leis sobre heranças privadas. O Estado não é e nem pode ser um patrimônio, porque o patrimônio é feito para o bem do proprietário, ao passo que o príncipe não é constituído senão para o bem do Estado. A conseqüência é evidente: se a Nação verificar claramente que o herdeiro do seu príncipe seria para ela um soberano pernicioso, ela pode excluí-lo.

Os autores a que nós nos opomos conferem esse direito ao príncipe despótico, ao passo que o recusam para as Nações. Isto porque eles consideram esse príncipe como um verdadeiro proprietário do império, e não querem reconhecer que o zelo pelo próprio bem-estar e o direito de auto-governar pertencem essencialmente à sociedade civil em todos os tempos, mesmo que ela tenha confiado esse direito, ainda que sem reserva expressa, a um monarca e aos seus herdeiros. Aos olhos desses autores, o reino é herança do príncipe, da mesma maneira que os seus campos e os seus rebanhos. Princípio danoso à humanidade, e que não se ousaria conceber num século esclarecido, se ele não encontrasse apoios, com freqüência mais fortes que a razão e a justiça.

§62: RENÚNCIAS: Pela mesma razão, a Nação pode forçar a uma renúncia descendente de ramo estabelecido alhures, por exemplo, uma jovem que esposa príncipe estrangeiro.Tais renúncias exigidasou aprovadas pelo Estado são perfeitamente válidas, pois que se equivalem a uma lei que o Estado faria para a exclusão dessas pessoas que renunciaram e das que lhes sucedam. Desse modo, a lei da Inglaterra rejeitou para

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sempre todo herdeiro católico romano. ''Assim, uma lei da Rússia, promulgada no começo do reinado de Elizabeth, excluía muito prudentemente qualquer herdeiro que possuísse outra monarquia; assim lei de Portugal rejeita qualquer estrangeiro que seria chamado ao trono pelo direito de sangue",cs)

Autores célebres,aliás muito sábios e muito judiciosos, descumpriram princípios verdadeiros ao tratar de renúncias. Eles muito falaram dos direitos das crianças nascidas ou a nascer, da transmissão desses direitos, etc. Eles deveriam considerar a sucessão, menos como um direito de propriedade da família reinante do que como uma lei do Estado. Desse princípio claro e incontestável decorre com facilidade toda a doutrina das renúncias. Aquelas que o Estado exigiu ou aprovou são válidas e sagradas; são leis fundamentais: aquelas que não forem autorizadas pelo Estado somente podem ser obrigatórias para o príncipe que as fez; elas não poderiam ser prejudiciais à sua posteridade; ele mesmo pode reconsiderá-las, no caso em que o Estado tenha dele necessidade e a ele faça apelo, pois esse príncipe tem dever para com um povo que lhe tinha confiado o zelo pelo seu bem-estar. Pela mesma razão, o príncipe não pode legitimamente renunciar intempestivamente em detrimento do Estado, nem abandonar ao perigo urna Nação que foi confiada em suas mãos.

§63: EM ORDINÁRIAS A ORDEM DE SUCESSÁO DEVE SER MANTIDA: Em casos ordinários, quando o Estado pode seguir regra estabelecida, sem se expor a perigo muito grande e manifesto, é certo que todo descendente deve suceder, quando chamado na ordem de sucessão, o soberano atingido por alguma incapacidade de reinar por si próprio. É uma conseqüência do espírito da lei que estabeleceu a sucessão; pois não se recorre à lei senão para prevenir distúrbios, os quais, sem ela, seriam quase inevitáveis em toda mudança. Ora, não

Espritdes Lois, Liv, XXVI, capo XXIII, onde se encontram razões políticas muito sólidas sobre essas disposições.

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se teria avançado muito nessa direção se, por ocasião da morte de um príncipe, fosse permitido examinar a capacidade de seu herdeiro antes de reconhecê-lo. "Que porta aberta para usurpadores ou descontentes!...

É para evitar estas inconveniências que a ordem de sucessão se estabeleceu e não se podia fazer nada de mais sábio, pois que se trata somente de ser filho do príncipe e estar vivo, o que não é objeto de contestação, na ausência de regra fixa para o julgamento de capacidade ou incapacidade para reinar".(6) Embora a sucessão não seja estabelecida para vantagens particulares do soberano e de sua família, mas para vantagem do Estado, o sucessor designado não deixa de ter um direito que deva ser reconhecido pela justiça. O seu direito é subordinado ao da Nação, ao bem-estar do Estado; mas deve ter o seu efeito quando o bem público não se lhe oponha.

§64: Dos Essas razões têm tanta força que a lei, ou o Estado, pode suprir a incapacidade do príncipe nomeando-lhe um regente, como é feito no caso de minoridade. Esse regente está investido da autoridade real durante o período de sua administração; mas ele a exerce em nome do rei.

§65: INDIVISIBILIDADE DA Os princípios que la estabelecemos concernentes ao direito de sucessão e de hereditariedade deixam claro que um príncipe não tem o direito de partilhar o Estado entre os seus filhos, Toda a soberania propriamente dita é, por sua natureza, única e indivisível, porquanto não se pode separar, contra a vontade, aqueles que se uniram em sociedade. Essas partilhas, tão contrárias à natureza da soberania e à preservação dos Estados, têm sido freqüentemente feitas: elas findaram onde os próprios povos e príncipes abriram os olhos para os seus maiores interesses, para o fundamento de seu bem-estar.

lI,) Mémoir« pot/r de touchan: de en 1672.

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Mas quando um príncipe tem reunido sob seu comando muitas Nações diferentes, o seu império é então realmente um grupo de sociedades diferentes, submetidas ao mesmo comando; nada impede naturalmente que elas possam ser partilhadas entre seus filhos. Ele poderá distribui-las entre eles, se não houver leis ou convenções em contrário e se cada um desses povos consentir em receber o soberano que lhe foi designado.

É por essa razão que a França era divisível à época das duas primeiras dinastias.(7) Tendo enfim adquirido inteira consistência à época da terceira dinastia, ela foi considerada como um reino único; ela se tornou indivisível; e há uma lei fundamental para esse efeito. Essa lei provê sabiamente a preservação e prosperidade do Reino, e une irrevogavelmente à coroa todas as aquisições dos reis.

§66: A QUEM CABE o JULGAMENTO DAS CONTESTAC;()I':S SOBRE A SUCESSÃO A UMA SOBERANIA: OS mesmos princípios também nos fornecerão a solução de uma questão célebre. Quando, em Estado por sucessão ou hereditário, o direito de sucessão é incerto e existem dois ou mais aspirantes à coroa, pergunta-se quem será o juiz da pretensão deles? Alguns sábios, na crença de que os soberanos não reconhecem outro juiz senão Deus, e que os súditos não podem de nenhum modo decidir a respeito, afirmavam que os pretendentes à coroa, desde que o respectivo direito é certo, devem ou se compor amigavelmente, ou transigir reciprocamente, ou escolher árbitros, recorrer mesmo a sorteio, ou finalmente decidir as disputas pelas armas. É de admirar que autores célebres tenham ensinado tal doutrina. Mas desde que em matéria mesma de filosofia especulativa, não haja nada tão absurdo que não tenha sido proposto por filósofos'", o que devemos esperar de mente humana seduzida pelo interesse ou medo? Em questão que conceme nada menos que à Nação, que se relaciona com um poder estabelecido unicamente

(7) Cumpre mesmo observar essas partilhas ocorriam com a aprovaçào consentimento dos Estados respectivos.

Nesao quomodo nihi/ tam quod non dicatllr a/iqll(J CICERO, lJivina!., Lib. 11.

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em vista do seu bem-estar, numa disputa que pode talvez decidir para sempre os seus mais caros interesses e mesmo o seu bem-estar, admitirá a Nação permanecer uma expectadora tranqüila? Admitirá ela que estrangeiros ou a sorte cega das armas lhe designem o seu dono, como um rebanho de carneiros a aguardar que se decida se será entregue ao açougueiro ou se voltará aos cuidados de seu pastor?

Mas, afirma-se, a Nação se despoja de toda jurisdição ao entregar-se ao soberano; ela foi submetida à família reinante, ela entregou àqueles que dela descendem um direito que ninguém poderá depois deles retirar;

ela os estabeleceu acima dela mesma; ela não pode mais julgá-los.

Pois bem!, não caberá mais a esta mesma Nação reconhecer aquele a quem o seu dever a vincula, de impedir que seja entregue a outrem? E desde que ela estabeleceu a lei de sucessão, quem pode melhor que ela, e com mais direitos, designar aquele contemplado em caso que a lei fundamental previu e determinou? Digamos pois, sem hesitação, que a decisão sobre essa questão importante pertence à Nação e a ela somente. Desde que os pretendentes tenham entrado num acordo ou escolhido árbitros, a Nação não está obrigada a submeter-se à decisão deles, a não ser que ela tenha consentido com a transação ou o compromisso.

Príncipes não reconhecidos e cujo direito é incerto, não podem de nenhum modo dispor da obediência de uma Nação. Em questão referente às suas mais sagradas obrigações e mais preciosos direitos, a Nação não reconhece nenhum juiz acima dela.

Grócio e Pufendorf não diferem muito de nossa opinião em essência;

mas eles não querem que se denomine de sentença jurídica

jurisdictionis) , a decisão do povo ou dos Estados. Em boa hora, não questionemos termos. No entanto, há mais nessa questão que um mero exame de direitos, para se submeter ao pretendente que tenha mais direito.

Toda disputa que surja na sociedade deve ser julgada pela autoridade pública. Assim que o direito de sucessão se tornar incerto, a autoridade soberana retoma por um tempo ao corpo do Estado, que deve exercê-lo por si mesmo ou através de seus representantes, até que o verdadeiro soberano seja reconhecido. ''A contestação desse direito suspende as

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