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VATIEL

No documento o DIREITO DAS GENTES (páginas 109-113)

DO AUTOR

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Nação capaz de atingir o fim da sociedade civil:constituiria um absurdo unir-se em sociedade e não trabalhar para o fim em relação ao qual a união foi feita.

Nesse caso, todo o organismo da Nação e cada cidadão em particular estão vinculados a uma dupla obrigação: uma, procedente imediatamente da natureza e outra resultante de acordos recíprocos já estabelecidos. A natureza obriga cada homem a trabalhar em busca de sua própria perfeição e, fazendo assim, ele já trabalha para o bem­

estar da sociedade civil, que não poderia prosperar se não fosse composta de bons cidadãos. Mas este homem, que encontra numa sociedade bem ordenada os mais poderosos apoios para cumprir a tarefa que a natureza lhe impõe para consigo mesmo de tornar-se melhor e por conseguinte mais feliz, sem dúvida é obrigado a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para tornar esta sociedade perfeita.

Os cidadãos que formam uma sociedade política se comprometem, reciprocamente, a procurar o bem comum e obter, tanto quanto for possível, vantagem para cada membro. Uma vez que a perfeição da sociedade consiste em assegurar igualmente a felicidade de todos e de cada um de seus membros, trabalhar para essa perfeição é o grande propósito dos compromissos e dos deveres de um cidadão. É sobretudo a tarefa de todo o organismo, em todas as deliberações comuns, em tudo o que esse organismo faz enquanto tal.

§22: EVITAR TUDO O QUE FOR CONTRÁRIO À SUA PERFEIÇAo: Uma Nação deve, pois, também prevenir e evitar cuidadosamente tudo o que possa prejudicar a sua perfeição e a do seu Estado, ou retardar o progresso de uma e de outro.

§23: Dos DIREITOS QUE ESSAS OBRIGAÇÕES LHE CONFEREM:

Concluamos ainda, como fizemos acima no tocante à conservação do Estado (§18), que uma Nação tem direito a todas as cousas sem as quais ela não pode aperfeiçoar a si própria e ao seu Estado, nem prevenir e afastar tudo o que for contrário a essa dupla perfeição.

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§24: EXEMPLOS: Nesse sentido, os ingleses nos fornecem exemplo digno de atenção. Essa ilustre Nação tem se distinguido, brilhan-temente, por sua devoção a tudo o que possa tomar o Estado mais florescente. A sua constituição toma cada cidadão habilitado a contribuir para o esse grande fim e difunde em toda parte este espírito de verdadeiro patriotismo, o qual é zelosamente mantido para o bem público. Simples cidadãos podem formar empresas consideráveis para a glória e bem da Nação. E, enquanto um mau príncipe lá teria as mãos atadas, um rei sábio e moderado nela encontra os mais poderosos apoios para o êxito de seus gloriosos projetos. Os poderosos e os representantes do povo formam um elo de confiança entre o monarca e a Nação e, concorrendo com ele em tudo o que concerne ao bem público, aliviam-no em parte do ônus do governo, fortalecendo-lhe o poder, ao mesmo tempo que lhe rendem uma obediência tanto mais perfeita, quanto mais voluntária.

Todo bom cidadão conclui que o poder do Estado é verdadeiramente o bem de todos e não apenas de um só. Constituição feliz! Uma constituição que não foi obtida imediatamente e que custou, é verdade, rios de sangue, mas que não foi comprada demasiado cara. Possa o luxo, essa peste fatal às virtudes viris e patrióticas, esse medianeiro de corrupção tão funesto para a liberdade, nunca destruir um monumento honorável para a humanidade, monumento capaz de ensinar aos reis quanto é glorioso governar um povo livre!

Há uma outra Nação, ilustre por seu valor e por suas vitórias. Uma nobreza valente e numerosa, vastos e fortes domínios poderiam tomá-la respeitável em toda a Europa, estando em seu poder tomar-se próspera em pouco tempo. Mas a sua constituição a tal se opõe; e sua ligação com essa constituição é tal que não se ousa esperar venha ela a introduzir-lhe emendas convenientes. Em vão um rei magnânimo, cujas virtudes o põem acima da ambição e da injustiça, conceberá os mais salutares planos para o bem do povo; em vão ele os fará para a maior parte da Nação usufruir uma vida mais sadia; um único obstinado deputado, ou vendido ao estrangeiro, será capaz de paralisar tudo e destruir as medidas mais sábias e mais necessárias. Excessivamente ciosa de sua liberdade, essa Nação

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tomou precauções que, sem dúvida, põem o rei sem condições de nada promover contra a liberdade pública. Mas não se percebeu que essas medidas ultrapassam o objetivo, que elas amarram as mãos do mais justo e mais sábio dos príncipes e lhe subtraem os meios de assegurar essa mesma liberdade mesmo contra os procedimentos das potências estrangeiras e de tomar a Nação próspera e feliz? Não está claro que a Nação se tomou, ela mesma, incapaz de agir, e que o seu conselho está à mercê do capricho ou da traição de um único membro?

§25: UMA NAÇÃO DEVE CONHECER-SE A SI PRÓPRIA: Observemos, enfim, para concluir este capítulo, que uma Nação deve conhecer-se a si própria. Sem esse conhecimento, ela não pode trabalhar satisfato­

riamente para a sua perfeição.

É mister que ela tenha uma idéia correta de suas condições, para tomar as medidas que lhe sejam convenientes; que conheça os progressos por ela já alcançados e os que lhe restam a fazer, o que ela tem de bom, o que ela possui ainda de defeituoso, para conservar um e corrigir outro. Sem esse conhecimento, uma Nação é governada a esmo; ela toma as medidas freqüentemente mais errôneas; ela acredita agir com muita sabedoria ao imitar a conduta dos povos reputados hábeis, e não percebe que tal regulamento, tal prática, salutares para uma Nação, são muitas vezes perniciosas para uma outra. Cada cousa deve ser conduzida de acordo com sua natureza; os povos não podem ser bem governados se não forem regidos de acordo com seu caráter;

e para isso é necessário conhecer esse caráter.

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Da constituição do Estado e dos deveres e direitos da Nação a esse respeito

§26: DA AUTORIDADE PÚBLICA: Não pudemos evitar no primeiro capítulo antecipar algo sobre a matéria deste.

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á foi visto que toda sociedade

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