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6 MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

7 VEÍCULOS AUTOMOTORES

Dos aproximadamente 100 produtos comercializados pela indústria de veículos automotores no Brasil, pelo menos 15 constam na lista dos 100 produtos e/ou serviços mais vendidos pela indústria brasileira no ano de 2009, como pode ser visualizado na tabela 7.1. Neste contexto, o Rio Grande do Sul se destaca nas vendas de carrocerias para ônibus, em que ocupa a 1ª posição no ranking nacional. No total, foram R$ 1,2 bilhões em vendas, concentrando mais de 48% do valor total comercializado desse produto no Brasil.

Tabela 7.1: Principais produtos vendidos – Ranking – Brasil (Veículos automotores/Indústria de transformação)

Fonte: IBGE/PIA 2009. Elaboração: FIERGS/UEE. *em mil unidades.

Posição Produto Quantidade

(unidades)

Valor (R$ mil)

Automóveis, jipes ou camionetas, para passageiros, com motor a gasolina, álcool ou bicombustível, de cilindrada maior que 1 500 cm³ e menor ou igual a 3 000 cm³, inclusive CKD (completely knocked down)

930.809 32.610.825

Automóveis, jipes ou camionetas, para passageiros, com motor a gasolina, álcool ou bicombustível, de cilindrada menor ou igual a 1

000cm³, inclusive CKD (completely knocked down)

1.287.802 31.539.983

11º Caminhões, com motor diesel, de capacidade máxima de carga (cmc)

superior a 5 t, inclusive CKD (completely knocked down) 99.561 12.994.051

15º

Automóveis, jipes ou camionetas, para passageiros, com motor a gasolina, álcool ou bicombustível, de cilindrada maior que 1 000 cm³ e menor ou igual a 1 500 cm³, inclusive CKD (completely knocked down)

419.980 11.137.180

18º Peças e acessórios para veículos automotores, não especificados* 4.995.791 10.128.613

25º

Peças ou acessórios, não especificados, para o sistema de motor de veículos automotores (blocos de cilindro, virabrequins, carburadores,

válvulas, polias, juntas, etc.)*

1.877.883 6.718.511

48º Caminhão-trator, inclusive CKD (completely knocked down), para

reboques e semirreboques 18.541 4.266.691

54º

Veículos para o transporte de mercadorias (camionetas, furgões, pick- ups, etc.), com motor diesel, de capacidade máxima de carga (cmc)

não superior a 5 t, inclusive CKD (completely knocked down)

74.556 4.066.157

74º Chassis com motor para ônibus 31.957 3.223.182

84º Freios (travões), servofreios ou suas partes (pratos, tambores. cilindros,

etc.) para veículos automotores* 119.113 2.837.124

90º Carrocerias para ônibus 23.687 2.546.088

92º Motores diesel ou semidiesel para ônibus ou caminhões 209.287 2.530.695

93º Peças ou acessórios para o sistema de direção ou suspensão, não

especificados, para veículos automotores* 275.980 2.524.893

96º Jogos de fios para velas de ignição e outros chicotes elétricos para

veículos automotores 91.782.723 2.381.766

Cabe também ressaltar a participação do Rio Grande do Sul nas vendas de: caminhões com motor diesel de capacidade máxima de carga superior a 5 toneladas (2ª posição, com 1,6% do valor total vendido); peças e acessórios para veículos automotores (3ª posição, 8,4%); freios (travões), servofreios ou suas partes (pratos, tambores. cilindros, etc.) para veículos automotores (3ª posição, 4,2%); peças ou acessórios para o sistema de direção ou suspensão, não especificados, para veículos automotores (4ª posição, 8,1%); e jogos de fios para velas de ignição e outros chicotes elétricos para veículos automotores (4ª posição, 0,5%).

Figura 7.1: Participação da indústria de veículos automotores (valor da transformação industrial)

Brasil Rio Grande do Sul

Fonte: IBGE/PIA 2009. Elaboração: FIERGS/UEE.

A indústria de veículos automotores gaúcha, com VTI de R$ 5,64 bilhões, representa 31% do complexo metal mecânico e 11,7% do total da indústria de transformação do Estado. No Rio Grande do Sul, a representatividade deste setor é similar ao Brasil, como pode ser observado na figura 7.1.

7.1 Estabelecimentos

No Brasil, existem 5.557 estabelecimentos pertencentes à indústria de veículos automotores, o que equivale a 1,8% do total de estabelecimentos da indústria de transformação nacional e, como pode ser visualizado na figura 7.2, as regiões Sudeste e Sul concentram mais de 80% destes.

Na região Sudeste, destacam-se os estados de São Paulo e Minas Gerais, com 2,2 mil e 563 estabelecimentos, respectivamente. Na região Sul, os destaques são o Paraná (604) e o Rio Grande do Sul (607), que concentram 77,6% dos

31,4

11,1

No complexo metal

mecânico Na indústria detransformação

31,0

11,7

No complexo metal

A importância da indústria de veículos automotores gaúcha fica evidente quando se observa que é a segunda em termos de concentração de estabelecimentos industriais deste setor, representando 10,92% do total nacional. A distribuição espacial destes estabelecimentos pode ser observada na figura 7.2. É bastante evidente a concentração desta indústria nas regiões Nordeste (41,2%) e Metropolitana de Porto Alegre (37,9%).

Figura 7.2: Distribuição dos estabelecimentos da indústria de veículos automotores

(%)

Brasil Rio Grande do Sul

Fonte: MTE.RAIS 2010. Elaboração: FIERGS/UEE.

Cabe mencionar que, tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Sul, quase a totalidade dos estabelecimentos do setor de veículos automotores é de porte micro e pequeno. A desagregação dos dados pelos subsetores que compõem esta indústria mostra que a maior parte dos estabelecimentos pertence à fabricação de peças e acessórios para veículos automotores e à fabricação de cabines, carrocerias e reboques para veículos automotores.

Embora a indústria de fabricação de caminhões e ônibus seja de pouca relevância em termos de número de estabelecimentos no setor de veículos automotores, cabe destacar que o Rio Grande do Sul tem considerável representatividade neste segmento, concentrando 82,4% dos estabelecimentos situados na região Sul e mais de 41,2% em relação ao total do Brasil.

Tabela 7.2: Número de estabelecimentos da indústria de veículos automotores no Brasil, na Região Sul e no Rio Grande do Sul

Fonte: MTE.RAIS 2010. Elaboração: FIERGS/UEE.

7.2 Emprego

No Brasil, a indústria de veículos automotores emprega cerca de 506 mil trabalhadores formais. Como esperado, a distribuição espacial do emprego segue a tendência daquela observada para os estabelecimentos. Entretanto, nota-se uma concentração mais intensa na região Sudeste, que, como visto, concentra 55,2% dos estabelecimentos, e é responsável por 73,5% do total de postos de trabalho formal. Isso porque, do total de estabelecimentos de grande porte existentes no Brasil, 77% estão situados nesta região. A região Sul, por sua vez, concentra menos empregos do que estabelecimentos.

No Rio Grande do Sul, há 51,1 mil indivíduos empregados no setor e, como pode ser visto na figura 7.3, estes estão fortemente concentrados nas regiões Nordeste e Metropolitana de Porto Alegre. Chama atenção o elevado percentual de trabalhadores do setor situados no Nordeste do Estado, o que ocorre devido ao fato de que 55,7% dos estabelecimentos de médio e grande porte sedimentados no Rio Grande do Sul estão localizados nesta região.

Número % Número % Número %

Fabricação de automóveis, camionetas e utilitários 91 0,0 16 0,0 7 0,0

Fabricação de caminhões e ônibus 34 0,0 17 0,0 14 0,0

Fabricação de cabines, carrocerias e reboques para veículos automotores 1.333 0,4 513 0,5 169 0,5

Fabricação de peças e acessórios para veículos automotores 2.903 0,9 781 0,8 343 1,0

Recondicionamento e recuperação de motores para veículos automotores 1.196 0,4 233 0,2 74 0,2

Veículos automotores 5.557 1,8 1.560 1,6 607 1,7

Total Metal-Mecânico 78.345 25,0 23.995 25,2 9.779 27,9

Total Indústria de Transformação 313.763 100 95.077 100 35.090 100

Figura 7.3: Distribuição dos trabalhadores formais da ind. de veículos automotores

(%)

Brasil Rio Grande do Sul

Fonte: MTE.RAIS 2010. Elaboração: FIERGS/UEE.

A abertura dos dados para os subsetores que compõem a indústria de veículos automotores mostra que a maior parte dos empregados está vinculada à fabricação de peças e acessórios para veículos automotores e à fabricação de cabines, carrocerias e reboques para veículos automotores, que juntas concentram 87,5% da mão-de-obra formal do setor.

Tabela 7.3: Número de trabalhadores formais da indústria de veículos automotores no Brasil, na Região Sul e no Rio Grande do Sul

(em mil)

Fonte: MTE.RAIS 2010. Elaboração: FIERGS/UEE.

7.2.1 Perfil do trabalhador – Rio Grande do Sul

O tempo que o trabalhador permanece empregado nesta indústria, em média, são 55 meses, com maior estabilidade nas empresas de grande porte (61 meses) e menor nas de pequeno porte (36 meses).

Número % Número % Número %

Fabricação de automóveis, camionetas e utilitários 93,2 1,2 12,6 0,7 3,7 0,5

Fabricação de caminhões e ônibus 24,8 0,3 5,2 0,3 2,2 0,3

Fabricação de cabines, carrocerias e reboques para veículos automotores 59,3 0,8 32,3 1,7 20,3 2,9

Fabricação de peças e acessórios para veículos automotores 319,2 4,2 55,6 2,9 24,4 3,5

Recondicionamento e recuperação de motores para veículos automotores 9,6 0,1 1,8 0,1 0,5 0,1

Veículos automotores 506,2 6,7 107,6 5,5 51,1 7,4

Total Metal-Mecânico 2.268,7 30,2 532,7 27,4 223,4 32,2

Total Indústria de Transformação 7.517,1 100 1.942,1 100 692,8 100

Tabela 7.4: Distribuição do Emprego, Estabelecimentos e Características do Trabalhador por Porte das Empresas da Indústria de Veículos Automotores

1 em meses 2 em salários mínimos 3 por semana em horas contratuais Fonte: MTE.RAIS 2010. Elaboração: FIERGS/UEE

Aproximadamente 85,8% dos trabalhadores desta indústria são do sexo masculino. Este percentual é maior nas empresas de grande porte (87,6%) e menor nas de pequeno porte (79,4%). A idade média do trabalhador é de 32,8 anos, sendo que 92,7% têm menos de 49 anos. A distribuição percentual dos trabalhadores de acordo com a idade está caracterizada na figura 7.4. Uma vez que existem apenas 120 trabalhadores nesta indústria com 65 anos ou mais, o que representa 0,24%, os mesmos foram excluídos do gráfico.

Figura 7.4: Distribuição dos Trabalhadores da Indústria de Veículos Automotores de Acordo com a Idade

(em %)

Fonte: MTE.RAIS 2010. Elaboração: FIERGS/UEE

Dos trabalhadores, 10,1% possuem educação em nível superior completo e 7,8% em nível superior incompleto. A maior parte dos empregados (43,1%) possui ensino médio completo. O grau de instrução desses trabalhadores pode ser observado na figura 7.5. Cabe destacar que existem 111 trabalhadores nesta indústria com grau de

Micro Pequena Média Grande Total

Nº de Estabelecimentos 436 101 50 20 607 Nº de Trabalhadores 2.707 4.458 10.724 33.169 51.058 Homem 2.215 3.538 8.988 29.054 43.795 Mulher 492 920 1.736 4.115 7.263 Média de Idade 34,5 32,5 33,1 32,5 32,8 Tempo no Emprego¹ 41 36 46 61 55 Remuneração Média² 2,6 3,0 3,7 4,5 4,1 Horas Trabalhadas ³ 43,5 43,5 43,4 43,4 43,4

Figura 7.5: Distribuição Percentual dos Trabalhadores da Indústria de Veículos Automotores de Acordo com o Grau de Instrução

(em anos de estudo)

Fonte: MTE.RAIS 2010. Elaboração: FIERGS/UEE

A maior parte das vagas nesta indústria é ocupada por trabalhadores de montagem de tubulações, estruturas metálicas e de compósitos, com 16% do total de trabalhadores, por trabalhadores de usinagem de metais e de compósitos, com 15,6% e montadores de máquinas e aparelhos mecânicos, que ocupam aproximadamente 12,1% das vagas.

Tabela 7.5: Principais Ocupações dos Trabalhadores da Indústria de Veículos Automotores

Fonte: MTE.RAIS 2010. Elaboração: FIERGS/UEE

0,1 10,7 19,3 8,7 43,1 7,8 10,1 0,2

Analfabeto Entre 1 e 8 anos 9 anos Entre 10 e 11

anos 12 anos Entre 13 e 16anos 17 anos Mais de 17 anos

Empregados Trab de montagem de tubulações, estruturas metálicas e de compósitos 8.184

Trabalhadores de usinagem de metais e de compósitos 7.968

Montadores de máquinas e aparelhos mecânicos 6.193

Embaladores e alimentadores de produção 4.834

Técnicos de nivel médio em operações industriais 2.607

Escriturários de controle de materiais e de apoio À produção 2.325 Trab de tratamento térmico e de superfícies de metais e de compósitos 1.811

Operadores de utilidades 1.331

Escriturários em geral, agentes, assistentes e auxiliares administrativos 1.306 Supervisores da transformação de metais e de compósitos 889 Operadores de instalações e equipamentos de produção de metais e ligas (primeira fusão) 870 Mecânicos de manutenção de máq. e equiptos industriais, comerciais e residenciais 763 Trabalhadores de conformação de metais e de compósitos 754 Condutores de veículos e operadores de equiptos de elevação e de mov. de cargas 654

Engenheiros, arquitetos e afins 573

Técnicos de nivel médio em operações comerciais 569

Profissionais de organização e administração de empresas e afins 511

Desenhistas técnicos e modelistas 475

Operadores de instalações em indústrias químicas, petroquímicas e afins 458

Técnicos em metalmecânica 410

Outras ocupações 7.573

7.3 PIB

Em termos de Valor da Transformação Industrial (VTI), utilizado como proxy para o PIB setorial, nota-se que, no Rio Grande do Sul, o segmento da indústria de veículos automotores de maior relevância é o de fabricação de peças e acessórios para veículos automotores, que representa 11,2% do complexo metal mecânico e 4,2% do total da indústria de transformação gaúcha.

Tabela 7.6: Valor da transformação Industrial (R$ bilhões)

Fonte: IBGE. PIA 2009. Elaboração: FIERGS/UEE.

No que tange à representação do segmento gaúcho no total do mesmo em termos nacionais, destacam-se a fabricação de cabines, carrocerias e reboques para veículos automotores (48,3%) e a fabricação de peças e acessórios para veículos automotores (8,1%).

7.4 Exportações

Entre 2002 e 2008, as exportações gaúchas de veículos automotores aumentaram em um ritmo inferior ao Brasil. Enquanto o país registrou crescimento de 18,68% a.a. em média, o Estado cresceu apenas 8,07% a.a.. Além disso, o valor exportado registrou uma queda significativa com a crise financeira internacional de 2008, com quedas de -42,9% e -45,2%, respectivamente. Os valores exportados, apesar da recuperação no ano passado, ainda estão abaixo do registrado no pré-crise.

O quantum exportado e os preços tiveram comportamentos semelhantes dentro do segmento nos últimos 4 anos: enquanto os preços aumentaram de maneira contínua, o quantum diminuiu de forma significativa na crise de 2008, com modesta recuperação em 2010. Atualmente, a quantidade exportada de veículos automotores

VTI % VTI % VTI %

Fabricação de automóveis, camionetas e utilitários 30,2 5,0 6,7 5,3 1,7 3,5

Fabricação de caminhões e ônibus 7,8 1,3 1,0 0,8 0,1 0,2

Fabricação de cabines, carrocerias e reboques para veículos automotores 3,8 0,6 2,3 1,8 1,9 3,8

Fabricação de peças e acessórios para veículos automotores 25,1 4,1 4,7 3,7 2,0 4,2

Recondicionamento e recuperação de motores para veículos automotores 0,3 0,0 0,1 0,0 0,0 0,0

Veículos automotores 67,2 11,1 14,7 11,6 5,6 11,7

Total Metal-Mecânico 213,9 35,2 43,0 33,8 18,2 37,6

Total da Indústria de Transformação 607,7 100 127,1 100 48,3 100

Figura 7.6: Evolução do valor exportado pela indústria de veículos automotores (em US$ milhões)

Brasil Rio Grande do Sul

Fonte: MDIC/Aliceweb. Elaboração: FIERGS/UEE.

Entre os principais produtos embarcados pelo Rio Grande do Sul no ano passado, podem-se destacar cabines, carrocerias e reboques para veículos (participação de 63% no total dos embarques do segmento), peças e acessórios para motores (12,9%) e peças e acessórios para freios (8,24%). Em nível nacional, o subsegmento de maior relevância foi de automóveis, camionetas e ônibus (48%).

Figura 7.7: Evolução dos preços e quantidades exportadas pelos veículos automotores

Brasil Rio Grande do Sul

Fonte: Funcex. Elaboração: FIERGS/UEE.

Os maiores importadores da categoria no ano passado foram Argentina, Chile e Estados Unidos, representando praticamente metade do total. Já os principais destinos das exportações nacionais foram Argentina, México e Chile.

6.468 6.254 8.039 10.528 14.193 15.595 16.093 17.482 9.984 14.767 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 529,4 607,0 609,7 713,0 774,3 772,5 911,8 967,2 530,0 802,8 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 100 95,9 52,5 75,3 113,2 118,3 123,4 2007 2008 2009 2010

Índice Quantum Índice Preço

100 100,8 51,4 74,3 108,2 115,3 123,1 2007 2008 2009 2010

Figura 7.8: Principais destinos das exportações de Veículos Automotores do Rio Grande do Sul em 2010

Fonte: Secex. Elaboração: FIERGS/UEE.

7.5 Indicadores Conjunturais

Os dados de produção, disponibilizados pelo IBGE, mostram que, entre os anos de 2002 e 2010, a indústria de veículos automotores gaúcha cresceu 99,6% (numa média de 9% a.a.) enquanto que no Brasil a expansão acumulada no período foi de 98,3% (média de 8,9% a.a.), o que evidencia um maior dinamismo (ainda que marginal) por parte deste setor no Rio Grande do Sul.

Da análise dos dados mais recentes, observa-se que em 2009 a produção setorial apresentou uma queda mais acentuada no Estado em relação ao País. A retomada do crescimento em 2010 foi ligeiramente mais intensa no primeiro.

Figura 7.9: Produção física da indústria de veículos automotores (var % em relação ao ano anterior)

Brasil Rio Grande do Sul

Participação % do Total 1° ARGENTINA 26% 2° CHILE 11% 3° EUA 10% 4° MÉXICO 6% 5° ÁFRICA DO SUL 4% 6° PARAGUAI 4% 7° URUGUAI 4% 8° PERU 4% 9° COLÔMBIA 3% 10° BOLÍVIA 3% Demais 19% Total 100% -2,1 4,3 29,9 6,8 1,3 15,0 8,1 -12,4 24,2 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 21,0 5,8 21,8 -2,4 7,1 26,1 12,2 -15,9 24,7 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

Segundo o Índice de Desempenho Industrial (IDI-RS) – um indicador mais abrangente, baseado em variáveis como emprego, horas trabalhadas, vendas e compras industriais, utilização da capacidade instalada e massa real de salários – a queda do setor em 2009 foi ainda mais acentuada e a recuperação menos expressiva do que aquelas registradas pela produção.

Os dados desagregados segundo as variáveis que compõem este indicador mostram que as que apresentaram maior queda em 2009 foram a massa real de salários, as compras industriais e as horas trabalhadas. Destaca-se que o movimento

Figura 7.10: IDI/RS – indústria de veículos automotores (var % em relação ao ano anterior)

Fonte: FIERGS/UEE.

Tabela 7.7: Componentes do IDI/RS – indústria de veículos automotores (var. % acumulada no ano – 2002 a 2010)

Fonte: FIERGS/UEE. 12,8 -3,3 15,2 1,8 -3,0 14,7 11,7 -17,5 23,1 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Pessoal Empregado Horas Trabalhadas Vendas Industriais Compras Industriais UCI Massa real de salário IDI 2002 6,2 8,0 24,7 14,2 1,5 - 12,8 2003 0,0 -2,7 -10,4 -0,4 -0,3 - -3,3 2004 9,8 14,6 13,1 22,8 -0,1 - 15,2 2005 6,9 5,3 -4,5 -0,8 -5,1 - 1,8 2006 0,5 -1,2 -3,8 -7,2 -0,8 - -3,0 2007 7,5 15,1 27,2 21,7 5,4 3,6 14,7 2008 13,5 11,0 1,6 16,3 4,8 15,4 11,7 2009 -8,3 -22,5 -1,8 -24,9 -7,7 -26,7 -17,5 2010 13,3 23,5 18,3 43,2 7,5 15,3 23,1 Var.% acumulada 49,6 41,7 39,9 71,5 2,8 1,1 43,0 Var.% Média ao ano 5,2 4,5 4,3 7,0 0,3 0,3 4,6

de uma queda mais acentuada desta última variável em relação ao emprego em um cenário de crise (como pode ser observado na tabela 7.7) é esperado, dada a pouca flexibilidade do mercado de trabalho brasileiro.

O crescimento registrado para 2010 não foi suficiente para colocar a massa real de salários, as horas trabalhadas e a utilização da capacidade instalada no nível em que se encontravam em 2008.

7.6 Competitividade

A relação custos das operações industriais sobre receita total de vendas de produtos industriais releva-se uma importante medida de competitividade, no sentido de que quanto maior for esta proporção, menos competitiva é a indústria em questão. A figura 7.11 mostra que, neste sentido, o segmento de veículos automotores do Rio Grande do Sul esteve melhor comparativamente ao Brasil em 2009. O mesmo não foi verificado para os anos entre 2002 e 2008.

Figura 7.11: Relação custo/receita – indústria de veículos automotores (%)

Brasil Rio Grande do Sul

Fonte: IBGE. PIA. Elaboração FIERGS/UEE

Outra medida utilizada para mensurar competitividade é o Custo Unitário do Trabalho (ULC), que mede os custos de produção por trabalhador através da relação entre salários em US$ e produtividade. Nota-se que, de acordo com este indicador, o Rio Grande do Sul apresenta desvantagens em comparação ao Brasil.

No Estado, o custo unitário do trabalho aumentou 96,1% no acumulado entre 2001 e 2010 (média de 7,8% a.a.), frente a um crescimento bem menos expressivo observado para o Brasil no mesmo período, de 68,5% (média de 6% a.a.), um diferencial de crescimento superior a 16%.

61,9 62,8 60,1 61,8 63,2 65,1 60,9 61,6 60,1 56,6 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 57,6 56,5 65,2 65,1 66,4 66,6 67,5 68,2 67,6 55,4 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

Este movimento é explicado por duas vias. Primeiramente, pelo aumento de salários, que foram mais expressivos no Rio Grande do Sul. Em segundo lugar, a produtividade. Enquanto que no Brasil esta aumentou 51,6% no acumulado do período, no Estado esta expansão foi de apenas 43,3%. A combinação de aumentos de salários sem a devida contrapartida de aumento produtividade, não se justifica pela teoria econômica, sendo uma receita para perda de competitividade, o que, no médio e longo prazo, conduz a perda de dinamismo do setor.

Figura 7.12: Custo unitário do trabalho (ULC) – indústria de veículos automotores (var % acumulada – 2001 a 2010)

Fonte: IBGE/PIMES. Elaboração FIERGS/UEE.

68,5 161,2 51,6 96,1 182,4 43,3

ULC Salário em US$ Produtividade Brasil RS

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