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4 ANALISANDO O GÊNERO SOB NOVA LENTE

4.5 Webdoc Graffiti

O projeto Webdoc Graffiti201 (Giovanni Francischelli, 2012-13), produzido pela Doctella, foi contemplado no Edital ProAC da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, Edital de Co-Patrocínio para Primeiras Obras do Centro Cultural Ruth Cardoso e Lei Federal de Incentivo à Cultura/Lei Rouanet, além de ter sido selecionado para o Edital Cartografias Colaborativas do Ministério da Cultura. O projeto dá visibilidade e valoriza a presença do graffiti, enquanto arte, na transformação visual de grande parte das milhares de ruas da cidade

de São Paulo por um longo período, resultante de uma expressão artística que tornou a cidade famosa, em razão da grande quantidade desse tipo de arte exibida em muros e paredes de ruas.

Webdoc Graffiti identifica, mapeia e dá voz aos realizadores das performances em uma abordagem que tenta demonstrar o quanto esses trabalhos artísticos constroem e valorizam espaços, permitindo novos olhares para os cenários urbanos e seus cotidianos. De acordo com a Doctella202, e segundo o próprio projeto, enquanto documentário interativo sobre a arte urbana na capital paulista ele destaca a criação espontânea, nas ruas, da arte do graffiti e também o fato de que os ambientes da cidade constituem um grande terreno, com locais diversificados, para experimentação pelos artistas. Nesses sítios permite-se uma liberdade que não poderia existir em outros espaços, como museus ou galerias de arte.

Na interface inicial, o usuário pode navegar de forma georreferenciada escolhendo “Mapa” no menu superior ou “Tags”, ou ainda selecionar um dos vídeos agrupados em 8 episódios – com depoimentos, entrevistas e performances de artistas ligados à cultura graffiti em São Paulo. Cada episódio apresenta também um ensaio – vídeo poético que leva a uma exploração e experimentação do tema sob uma perspectiva mais pessoal (figura 68).

Figura 68 – Interface inicial com episódios segmentados, em Webdoc Graffiti

Fonte: http://www.webdocgraffiti.com.br.

202 Produtora responsável, cujo projeto foi contemplado no Edital ProAC da Secretaria de Estado da Cultura de

São Paulo, no Edital de Co-patrocínio para Primeiras Obras do Centro Cultural Ruth Cardoso e na Lei Federal de Incentivo à Cultura/Lei Rouanet, além de selecionado para o Edital Cartografias Colaborativas do Ministério da Cultura. Disponível em: http://doctela.com.br/webdoc/webdoc-graffiti/. Acesso em: 17 jan. 2017.

A navegação a partir da seleção de “Tags” leva à visualização de um mapa georreferenciado com marcadores (pins) dos trabalhos de acordo com a sua localização na cidade e, ao lado, um box de menus com as opções “Marcador”, “Tags”, “Comentários” e “Inserir marcador”. A seleção de um marcador (figura 69) no mapa traz como resultado uma foto e as informações do graffiti respectivo, disponibilizadas junto ao menu da interface.

Figura 69 – Navegação por meio de marcador georreferenciado, em Webdoc Graffiti

Fonte: http://www.webdocgraffiti.com.br.

Ao escolher “Tags”, abaixo de “Marcador”, o usuário visualiza, por nome, todos os artistas marcados no mapa pelo seu trabalho, podendo selecionar a visualização de quantos desejar ver mapeados ao mesmo tempo ou um de cada vez. A opção “Comentários” permite fazer publicações que são vinculadas a uma rede social. A opção “Inserir marcador” (figura 70) permite ao usuário fazer a inclusão de um marcador, por meio de conexão prévia em rede social, para divulgar um artista e sua arte em determinada localização e escolher um ponto de vista (por meio do Google Street View), ou até mesmo publicar uma foto, catalogando novos graffitis no projeto.

Os menus “Vídeos”, “Mapa” e “Info”, bem como os links para compartilhamento em redes sociais, acompanham o usuário em todas as interfaces de navegação.

Figura 70 – O usuário pode participar inserindo novo marcardor, em Webdoc Graffiti

Fonte: http://www.webdocgraffiti.com.br.

No webdocumentário, os episódios foram publicados de forma individual e periódica, sempre divididos em blocos com cinco vídeos: 1 “São Paulo – capital do graffiti”; 2 “Pioneiros”; 3 “Paga apaga”; 4 “Vontade de liberdade”; 5 “Duplamente agressoras”; 6 “Conquista das artes”; 7 “Comércio de graffiti” e 8 “Oficinas de graffiti”. O episódio “Duplamente agressoras” apresenta conteúdo totalmente dedicado a artistas femininas e aos seus trabalhos (figura 71). Ao selecionar um vídeo de um dos episódios, o usuário é remetido a uma interface – que se mantém para todos os vídeos selecionados - composta por uma janela de reprodução de vídeo e um box com menus – por meio do qual é possível acessar o vídeo com o ensaio, pré-visualizar e selecionar outro vídeo entre os demais que compõem o episódio ou publicar em “Comentários”.

Figura 71 – Mulheres com autoria na arte do graffiti são retratadas, em Webdoc Graffiti

Webdoc Graffiti traz uma abordagem que é definida no espaço (cidade de São Paulo) e delimitada no tempo, ao contextualizar um período de até 30 anos anteriores ao projeto. Permite ao usuário navegar de forma disseminada, a partir de um determinado conjunto de escolhas, seja entre os vídeos, seja entre os marcadores do mapa georreferenciado. Em relação ao modo de interação, o projeto pode ser considerado de duas formas. Uma delas, em relação ao período do seu desenvolvimento – modo participativo, com alteração evolutiva do artefato tanto pelo usuário - marcações no mapa e publicações de fotos para catalogação de novos artistas - quanto pelos artistas – além de conseguirem marcar seus próprios trabalhos e de terceiros, podiam oferecer novos episódios com novos ensaios -, se aproximando de Mapping Main Street, por exemplo. Em relação ao período subsequente ao seu desenvolvimento – ou a partir da sua interrupção –, o projeto adquire características presentes no modo hipertextual, com navegação predominantemente exploratória, comportamento pré-fixado e uma base de dados limitada. Também se detectam os produtores- sujeitos, que atuaram diretamente na etapa de produção.