• Nenhum resultado encontrado

176

CAPITULO V DIREITO

177

E no caso de recusa, assiste-lhes direito perfeito para exigir da.

nação que se entrepõe entre ellas e o mar, servidão de tranzito. (3) Os navios, como cousas moveis, que physicamente se desligão do território, carecem de um vinculo jurídico que os ligue e prenda]

& nação & que pertencem.

Esse vinculo resulta do caracter que lhes imprime o predi- camento da nacionalidade.

§ 107 Nacionalidades dos navios: seus effeitos

A nacionalidade é o estado jurídico que a lei attríbue ao navio e por virtude do qual elle è havido como uma dependência do território. (1)

Produz a nacionalidade os effeitos seguintes:

l? Communica ao navio os direitos, predicamentos e favores que as leis do paiz reservão para as embarcações nacionaes, (2)

2

o

Conserva o navio, ainda no mar alto, sob a soberania e a

protecção do Estado. (3) I

3

o

Mantém-n'o perpetuamente sob a responsabilidade da nação pelos crimes e offensas que o commandante e tripolação commettem contra as nações e súbditos estrangeiros. (4)

Este ultimo effeito é importante, porque encerra uma condição de policia e segurança para a navegação no mar alto, vasto es- paço, onde, ninguém imperando, os navios ficão materialmente

altamente prejudiciaes aos que os celebrio. Mas a dita impossibilidade realmente não existe, porque a nação encravada pode offerecer íis outras importantes vantagens, como a de diminuição de direitos de entradas, cousa perfeitamente realisavel em tempos em que vae sendo geral a pratica de admittirem-se empórios e transito livre de mercadorias,

(3) Vej. supra §.

(1) Ortolau, Diplomatie de la Mer, L. 2, cap. 9, HaU § 45, Perels, P. I, Sect. 2

§7, Calvo II §§ 836, 837 e 838, Blunt, nota 1 ao art. 324. Na linguagem commum e na jurídica o navio é tractado como se fora pessoa: é um modo de exprimir-ae figurado, em que o navio é tomado ou pelo commandante e tripolação ou pelo proprietário.

(2) Como são certos monopólios, isenção ou diminuição de direitos aduaneiros para as mercadorias que carregão, o transporte exclusivo de determinados produtos, a navegação de cabotagem e outros favores reservados £ marinha mercante nacional.

Ortolan, 2, 9 (pag. 168) Wheaton P. II cap. 2, § 22 Calvo II § 838.

(3) Vej. § adeante.

(4) CalvoII§ 1109, Blunt, art.340 e nota, Geffeken, sobreHeffter, §78, nota^:

L'Etat d'origine.... de même U est responsable vis á vis des autres Etats de tout acte illegitime du na vire et de son equipage.

PBIN.DIB.INTEB.12

178

fora da acção do poder publico. A necessidade de uma tal ga- rantia foi nm dos motivos que mais poderosamente influirão para a introducção da pratica de se dar aos navios a nacionalidade do paiz À que pertencem (5). D'ahi procede que o navio que não offerece a alludida garantia, isto é, que não tem nacionalidade e que portanto não está sob a responsabilidade <de nenhum Estado, não pode invocar em sen favor os princípios do Direito Internacional. (6)

§ 108 Condições da nacionalidade

E' da exclusiva competência de cada Estado estabelecer as condições e as formas para a concessão da nacionalidade aos navios.

As condições são tiradas da construcção e origem do navio e da nacionalidade do proprietário, do commandante e da tripo- lação. Varião de Estado â Estado no sen numero e combinação. (1)

Em geral exigem-se como condições indispensáveis para a nacionalidade:

1. Que o navio pertença, como propriedade, á súbditos na- cionaes, ou no sen todo (2), ou n'uma certa fracção, na metade, - em dous terços. (8)

(5) Ortolan 2, 9, (pag. 165): La mer est un theatre si vaste, ai difficilement soumis á une surveillance etíi une police capables d'y garantir la vie, les biena, et les droits do chacun, qu'il n'est pas de trop pour cette garantis d'exiger dea navires qu'ils ae rattachent á une nation quelconque. Perels, P. I, Sect. 2 § 7, Calvo II, §§ 836 «837.

(6) Ortolan, loc cit. Blunt, art. 325, nota 2, Calvo II § 837 : Un na vire sana

■caractere national n'offrirait aucune gnrantie pour le respect du Droit dea Gens qui regit la oonimunauté d'usage de la mer reconnue á toua les peuples, et il ne pourrait «n même tempa invoquer legitimement aucune protection. Perels, P. I, Sect. 2 § 7: 'Tout navire, pour ne pas encourir le soupçon de se livrer á ja piraterie. doit étre

en mesure de prouver sa nationalité.

(1) Ortolan, L. 2, cap. 9, (pag. 171) Calvo II, §§ 839 e 840, HaU § 45, Perels, P.

I. sect. 2, § 7, VI, Blnnt, art. 324.

(2) E' o direito vigente na Inglaterra, Áustria, Hespanba, Portugal, Suécia e Noruega, Brasil e Escados-Unidos. A Bélgica permitte a estrangeiro náo-reudente no paiz possuir até 3/8 do valor do navio, a Itália admitte que o navio no seu todo possa pertencer a estrangeiro depois de dez annos de domicilio, o Chile a estrangeiro depois de dez annos de domicilio, e seja dono de estabelecimento commercial •ou exerça industria. Vej. Calvo II, §842 e seg. Ortolan, ann«&o C. HaU, appen-dice II.

(3) França (metade) Dinamara, Grécia (metade) Paires Baixos (estrangeiros só podem possuir 5/8).

179

2. Que o commandante seja súbdito nacional (4) e que o seja uma parte da tripolação. (5)

Outr'ora requeria-se como condição necessária que o navio fosse construído no próprio paiz ou que fosse adquirido como preza ou por virtude de confisco (6), Hoje é indifferente para a nacio- nalisação, com rara excepção, que o navio seja construído no paiz ou adquirido de estranhos por titulo legal. (7)

No estabelecer as ditas condições os Estados são mais ou menos rigorosos, segundo o requerem os interesses do seu com- mercio e navegação. Permittem facilidades os que, por não pos suírem recursos e meios próprios, carecem de elementos estranhos para ter uma marinha mercante, e os que, tendo cbegado á um grão eminente de poder e prosperidade na construcção dos navios e no commercio marítimo, não temem a concurrencia das outras nações. São neste assumpto rigorosos os que dispõem de recursos para dar grande desenvolvimento ao seu poder naval e que en tendem que o melhor alvitre para aproveital-os é o de afastar a

concurrencia estrangeira. (8)

«

A nacionalidade, preenchidas as condições legaes, consti-tue- se difinitivãmente pela inscripção ou matricula do navio no registro competente, e prova-se pelos papeis de bordo. Destes são bastantes para estabelecer a prova o passaporte ou patente de navegação, o titulo de propriedade e o auto de arqueação destinado à demonstrar a identidade da embarcação. (9)

(4) Exigem que o capitão seja súbdito nacional Áustria, Suécia e Noruega, França, Itália, Grécia, Portugal, Estados-Unidos e Brasil. Permittem que seja estrangeiro Inglaterra, Bélgica, Dinamarca, Paizes Baixos, Rússia e Chile,

(5) Áustria, França, Itália, Portugal, Rússia, Brasil e Chile. Permittem que toda a tripulação seja estrangeira Inglaterra, Bélgica e Paizes Baixos.

(6) Antigamente em França, Hespanha e Noruega e ainda hoje nos Estados-Unidos e México. Vej. Calvo II, §§ 863 e 865.

(7) Vej. Ortolan, annexo C. Hall, appendice II.

(8) Ortolan, L .2, cap. 9, (pag. 1871, Calvo II, § 837.

(9) Ortolan, loc. cit. (pag. 174) Hall § 45, Perels, loc. cit. § 9, X, Heffier § 169, Calvo II, § 875, Blunt, art. 326 e nota.

Toda embarcação mercante deve trazer á bordo os papeis e documentos que são necessários para provar a propriedade e nacionalidade do navio, a procedência, des- tino, quantidade e natureza das mercadorias aue transporta, o contracto de freta- mento ou conhecimento de carga e recibos de despeza.

Estes documentos, denominadospapeis de bordo, são em geral os seguintes:

1? Titulo de propriedade do navio;

2? Patente de navegação, ou passaporte ou carta de registro ; 3? Auto de arqueação (tonnelagem) ;

4? Rol ou matricula da tripulação;

5? Carta de fretamento, conhecimentos de carga e recibos de despeza.

Veja á este respeito o Cod. Com. Franc. art. 226 e Cod. Com. do Brasil art.

466.

180

3 ioç Bandeira

No documento Princípios de direito internacional (páginas 180-184)