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87 Fronteiras

No documento Princípios de direito internacional (páginas 144-161)

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Nos accordos em que as nações entrão ou para aviventar limites ou para melhor diflnil-os, ou para estabelecemos de novo, militão, para a preferencia de rumos e direções, motivos e rasões diversas, como são as económicas, as de ordem administrativa e as de defesa e segurança. (15)

§87

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bactados a construcção, demolição e linha de fortalezas e obraa Èilitares (2); a conservação dos bosques vizinhos (3) ; a compe- tência para conhecer e julgar de delitos e contravenções em matéria florestal, rural e de caça (4); a policia e administração aduaneira (5); as pastagens communs (6); os direitos dos donos de propriedades immoveis cortados pela linha divizoria, como o de transportarem para seu domicilio isenos de impostos colheitas, madeiras e quaesquer productos desses immoveis. (7)

As nações não tem o direito de prolongar os seus caminhos, estradas e canaes pelo terr'torio alheio nem podem construir pontes ou ter barcos de transporte para a margem opposta nos rios limitrophes, sem o consentimento da nação confinante. (8)

Os edifícios, fabricas, moinhos ou machinas collocadas nos rios limitrophes, e que ultra passa o a linha devisoria, reputão-se pertencer ao território, onde é situado o povoado ou centro de que dependem. (9)

§ 88 Como se adquire o território

Adquirir território, no sentido do Direito Internacional, não é adquirir o direito de propriedade sobre a parte adquirida, mas é sujeital-a â soberania da nação adquirente

(21 Vej. acima §.

(3) Tractado entre a França e a Suissa de 29 de Setembro de 1803, art. 19;

Convenção entre os mesmos Estados de 30 de Junho de 1864.

(4) Convenção entre a França e Baviera de 22 de Fevereiro de 1869.

'5) Tractado entre a França e Hespanba de 24 de Dezembro de 1786, art. 19;

tractado entre a Hespanha e Portugal de (5 de Junho de 1801, art. 4; tractado entre as Duas-Sicilias e a Saneia Sé de 14 de Maio de 1852, art. 23.

(6)Tractado entre a França e o duque de Lorena de 21 de Janeiro de 1718, art. 5.

(7) Tractado entre a França e a Suissa de 27 de Setembro de 1803, art. 10;

tractado entre a Áustria e a Prússia de 21 de Abril de 1815, arts. 10 c22; tractado entre a França e a Baviera de 5 de Julho de 1825, art. 5 ; tractado entre a Franca

■e a Prússia de 23 de Outubro de 1829, arts. 6 e 7 ; tractado entre a Bélgica e os Paizes Baixos de 19 de Abril de 1839; tractado entre as Duas-Sicilias e a Sancta St

•de 14 de Maio de 1852, arts. 5 e 6; Convenção addicional entre a França e a Alle- manha de 11 de Dezembro de 1871, art. 12.

(8) Tractado entre a Baviera e a França de 5 de Julho de 1825, art. 4; tractado - entre a França e a Sardenha de 2 de Agosto de 1835, art. 1 e seg.; tractado entre a Bélgica e os Paizes Baixos de 19 de Abril de 1839, art. 12; tractado entre a França e Bade de 5 de Abril de 1840, art. 21; tractado entre a Bélgica e os Paizes Baixos de 27 de Setembro de 1843, art. 13; tractado entre as Duas-Sicilias e a Sancta Sé de 14 de Setembro de 1852, arts. 21 e 25.

(9) Tractado entre a Áustria e Rússia, Vienna, 21 de Abril de 1815, art. 23.1

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A propriedade do território adquirido continua á subsistir no- património dos particulares, por entre os quaes se acha dividida;

só vem para o domínio nacional as porções de terra que ja fazi&o parte das cousas publicas. (1)

Pode accontecer, mas é uma circumstancia puramente acci- dental, que todo o território adquirido entre para o património da nação, o que occorre quando a acquisição se faz pela occupação de terrenos vagos, realisada pelos representantes directos do Estado. (2)

A soberania em sua essência, como em outro lugar já se observou, nada tem com o direito de propriedade, e subsiste sem j elle (§). Com effeito a nação exerce a soberania sobre território, cuja propriedade na sua quasi totalidade se acha no património dos particulares. Eis ahi a soberania sem a propriedade. Ao mesmo tempo a nação pode ser, como simples pessoa jurídica do Direito Civil, senhora e possuidora de um immovel sito em território de j outra nação. Ahi está a propriedade sem a soberania. (3)

Para as nações, adquirir território quer diser — sujeital-o á sua jurisdicção, prolongar sobre elle a soberania com todos os seus eifeitos.

No expresso sentido o território adquire-se:

a) Pela occupação.

b) Pela accessão.

c) Pelos tractados.

d) E pela prescripção ou usucapião.

Os outros modos de aquirir a propriedade segundo o Direito Civil, como alei, a successãoa titulo universal, manifestunente

(1) Quando uma nação adquire por cessão, troca, ou por qualquer outro titulo uma com n uni a, uma comarca, unia região, as terras publicas e da propriedade do Estado passão da cedente para a cessionária. Vej. acima §.

(2) Depende isto do Direito interno da nação, o qual pode estatuir que as terras oceupadas perteuçao ao Estado, — e tal era o antigo Direito Portuguez, ou aos par- ticulares nas partes de que se apossão. As terras do Brasil pelo facto da descoberta e effectiva occupação, ficarão pertencendo a coroa de Portugal que as foi succesiva- mente concedendo aos particulares (por doações e sesmarias.)

(3) Pando § 80: Uri Estado puede tener propiedades en el território de uma po- tencia extrangera, pêro no poderá entouces eiereer sobre ellas mas que el domínio útil, semejaute ai delos particulares, porque el domínio eminente pertenece ai soberano dei território. Pando chama domínio útil ao direito de propriedade plena_ dos particulares em contraposição ao celebre domínio eminente do Estado. Era a linguagem dos antigos publicistas. Grocio 2, 3 § 4, n° 1 e 2 : Quamquam autem plerunque uno actu qiueri solent imperium et dominium, sunt tamen distincta, ideoque dominium non in eives tautuni, sed et iu extraneos transit, manente penes quem fuit império. Heinccio, in Hug. Grot. 2, 3, § 23 II, n? 2: Aliud est dominium, aliud imperium. Potest ilíud sine hoc esse, et hoe sine illo; sic, e. g. Imperator non negat Papa; com-j petere dominium directum in regnum Neapolitanum, et tamen ne mininam quidem partem imperii ibi exercere eum patitur. Alius cniin est dominus, alius imperator.

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não são admissíveis com relação á acquisição de território pelas oações. (4)

§ 89

Occupação

A occupação é um modo origiuario de adquirir território. (1) Consiste na tomada de posse de território que não esta sob a soberania e jurisdicção de terceiro e na consequente pratica de actos que revelão a intenção de adquirir.

São requisitos essenciaes da occupação:

1? Que os territórios á occupar sejão res nullius;

2? Que a posse seja effectiva e real, e seguida de actos que revelem claramente a intenção, o animo de adquirir.

a) Considerão-se res nullius:

1° Os territórios e ilhas deshabitadas; (2)

2" Os territórios e ilhas abandonadas pelos seus possuidores (res derelicta) (3)

Desde séculos dispntão os governos e os publicistas, se se devem haver como vagos e portanto susceptíveis de occupação, os territórios habitados por trilais selvagens, como as qne povoavão a America ao tempo da descoberta e as que ainda habitão o con- tinente africano.

São os selvagens homens, tem os direitos inherentes á na- tureza humana. Não lhes tira a natureza de homens e por con- seguinte a capacidade de jurídica, a condição em que vivem.

Certamente não tem as tribus selvagens governos regular- mente constituídos como os povos cultos; mas é fora de duvida

(4) Os antigos publicistas (Grocio I, 3, § 12, ns° 5 e 6, Iil, 1 § 13, n? 1) diseutião a acquisição de território, províncias, reinos, por successão ou legado em testamento.

Nos tempos modernos uma tal questão é inconcebível. Não ha mais estados patrimo- niats. Os soberanos são simples repiesentantes da soberania nacional e não senhores do povos e seus bens. Vej. §.

(1) Grocio 2, 3, § 4, ns? 1 e 2, VatteLI, §§ 207 e 208, Klúber § 126, Martens § 37, Phillimore I, § 226 e seg. Hall § 32, Halleck I, 607, Twis, §§ 118 e 119, Woolev § 55, Heffter § 70, fil, Wheaton, P. II, cap. 4, § 1? Pradier II, n? 789.

(2) Exemplos: a ilha da Reunião occupada em 1642 porII. de Pronis, em nome do rei de França; as ilhas Kerguelen descobertas em 1772, das quaes Bosnovel tomou posse em 1774 sob Luiz XV, as ilhas Aldara, Casmoledo e outras, pequeno arcbipelago ao noroeste de Madagáscar, occupadas pelos inglezes em 1802 e as ilhas Gloriosas e Rochas Verdes no Oceano Indico, das quaes a França se apoderou em 1892.

(3) Exemplo: a ilha Mauricia, abandonada pelos hollandezes em 1712 e de que Duranguet Ie Toullec tomou posse em nome ao rei de França em 1721 (Bonfils, ns? 543 e 554).

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que muitas delias vivem sob um rudimento de governo, com chefes a que obedecem, que mantém os seus ritos, celebrão tractados e punem ou fazem punir os que delinquem. A quali- dade de homens e a existência de um governo rudimentar, com attributos, ainda que não bem definidos, de soberania, constituem elementos moraes e jurídicos para que as tribus selvagens sejão respeitadas e respeitado o seu território, muito embora não sejão pessoas do Direito Internacional.

Em rigor de Direito, pois, os territórios habitados por tribus selvagens não são res nullius e, port mto, susceptíveis de serem adquiridos pela oGeupação. Esta doutrina é hoje aceit.i

ielo menos em theoria (4). Na realidade, porém, as nações civi- isadas nunca se detiverão deante do direito das tribus selvagens ao território que habitão: levarão-n'as a ferro e fogo, sempre que ellas tentarão resistir. A sua situação em presença dos invasores foi sempre a de uma raça conquistada. (5)

b) E' de necessidade que a posse seja effectiva e real. E por tal se entende a posse, que colloca o território occupado sob o poder physico do occupante, de modo que ahi exerça francamente a sua soberania e possa delle excluir a acção de terceiro.

A simples descoberta, a entrada momentânea no território, a collocação de signaes, como marcos, padrões, cruzes, não im- portão ainda a occupação. Para que actos taes se transformem em occupação, é necessário que sejão seguidos da tomada effectiva da

(4) Martens, § 86, Kltiber, § 126, nota a), Rayneval, Heffter § 70 I, Pradier, II, ns? 794 e 796, Bonfils, n° 548, Piedeliévre, n? 424. Em contrario, Vattel I, § 209 ej Bluntsckli, art. 280 nota 1, líivier I. L. 1, 39, 1. Segundo nota Piedeliévre (n° 549), | em nossos dias, nas instrucções dadas pelos governos europeos, upparece a idéade que devem ser respeitadas a soberania rudimentar e a independência das tribus selvagens.

A Conferencia de Berlim, observa o mesmo escriptor, por diversas vezes reconheceu os direitos dos soberanos bárbaros e dos tribus africanos. «Cest á 1'aide de conven- tions pacifiques que 1'Europe doit cbercher á penetrer dans les regions habitées, non encore soumises a son influence. Cest par voie de cession volontaire, consentie par les chefe du pays que la M>U veraineté peut étre acquise par les Etats Europeens. (Pie- deliévre, n° 548.)»

(5) Logo desde os primeiros tempos das descobertas modernas começou a vigorar a pratica de que os selvagens nenhum direito tinhão aos territórios por ellos occupados.

A Bulia du Alexandre VI (Roma anno 1493 nonas raaii) deu aos reis cathoUcos (Fer- nando e Isabel) o direito de sujeitar á sua soberania e dominio os territórios que descobrissem na America, occupados pelos infiéis (tribus americanas). Eis a palavras da Bulia: De nostra mera liberalitate et ex certa scientia ac apostalicoe potestalis plenitude omnes insulas et terras firmas inventas et inveniendas, dectectas et dete-

gendas versus occidentum et meridiem...quando fuerint per nuntios et capitaneos vestros inventae...auetoritate omnipolentis Dei nobis in beato Petro concessa ...

cumomnibus iUarum Dominiis, civitatibus, Castris, locis juribusque et jurisdictionibus ac pertinentiis universis, vobis hceredibusque et suecessoribus vestris ... in perpe- tuum tenore praesentium, donamus, concedimus, assignamus, vosque et hceredes...

iUarum Dominós cum plena, libera et commoda potestate, auetoritate et jurisdictione facimus, constituimus, et deputamos (Schamauss, Corp. Jnr. Gent. Academ. I, pag 130).

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posse e de actos que indiquem claramente o pensamento de acqui- sição. (6)

A descoberta, a entrada ou mera collocação de signaes es- tabelecem apenas & prevenção em favor de quem as pratica, pre- venção que desapparece e deixa de subsistir, se em tempo rasoavel não se consumão os demais actos que são necessários para tornar a occupação perfeita e acabada. (7)

Não se poderia, talvez, fixar um praso preciso para o dito effeito; depende isso de circumstancias varias, como a distancia em que se acha do território a nação que o descobre, as dificuldades de communicações, de navegação, os impedi- mentos e embaraços provenientes da superveniencia de guerra.

Ponderadas as circumstancias, se decorre um praso, durante o qual rasoavelmente se poderião ter praticado os actos para a acquisição e não o forão, cessa a prevenção, e qualquer Estado pode legitimamente apoderar-se do território. (8)

Considerão-se actos reveladores da intenção de adquirir a|

introdução de colonos, a cultura e o aproveitamento do solo, a fundação de estabelecimentos por súbditos da adquirente, a ins- tituição da autoridade publica e todos os que constituem exer- cício da soberania. (9)

A occupação, para ser um titulo legitimo de acquisição, deve ser realisada por agentes ou representantes legaes do Estado. A

As cartas patentes dadas por Henrique VII de Inglaterra a John Cabot e seus filhos authorisavào-n'os «to seek out discover ali islands, regions and provinces whatsoever that may belong to heathens and infidles and to subdue, occupy and possess tliese territories. Vej. Wheaton, P. II, c. 4. § 5.

(6) Vattel, I, § 208, Klfiber, § 123, Martens, § 36, Blunt, art. 278, Phillimore I,

§§ 231 e 248: It may therefore be considered as a uiaxim of Inter nat. Law that Dis- covery alone, though accompanied by the érection of some symbol of sovereignity, if inaccompanied by acts of a de fado possession, does not constitute acquUition. Twis

§ 118, Hall § 32, Wheaton, Dig § 8.

(7) Blunt, art. 278, Pradier II, 791, Phillimore I, § 227: Discovery. according to the ackoowledged practiee of uations... furaishes an inchoate ti lie to possession in the discoverer. Hall § 32 : An inchoate title auts as a temporary bar tooccupation by another state, but it mnst eitiíer be converted into a definitive title within reaso- nable time, by planting settlements or military posts, or it tnust at least be kept alive by repeated local acts showing an intention of continuai cl«im. Wheaton, cit.

§ 8. Twis § 122 cita as palavras do representantante dos Estados-Unidos na conferencia de Londres de 1826, M. Gallati, as quaes são deste theor: Prior desco- very gave a right to occupy, provided that occupancy took place within a reasonable time and was nltimately followed by permanent setlement and by the cultivation of thesoil. E o próprio Twis, no cit. §122: but unless descovery lias been followed within a reasonable time by same sort of settlement, the presumption arising out...

ia rebutted by non user, and lapse of time give rise to opposite presumption of abandonment. Blunt, art. 278 e Pradier II, n. 791.

(8) HaU§ 32: The effects of acts and of the lapse of time must be judged by the light of the circumstances of each case as a whole.

(9) Twis § 121, Hall § 32, Blunt, art. 278, nota.

PBIM.DIB.INTBB.10

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■ que é consumada por simples particulares, sem commissão official, só se converte em titulo legitimo e real, quando é aceita pelo Estado de que são súbditos, ou por declaração expressa, ou pela pratica de actos indicativos da intenção. (10)

c) Aos dous requisitos acima expostos, accrescentou a Con- ferencia de Berlim um terceiro — a necessidade de notificar-se a occupação ás outras nações, para que possão, se for o caso, fazer valer as suas reclamações, isto é, quaesquer direitos que lhes assistão sobre o território occupado. Um tal accordo, porem, por emquanto constitue direito particular entre os signatários do tractado, e segundo é nelle expresso, só vigora para a acquisição de territórios nas costas da Africa. Não faz regra para as demais nações. (11)

3 90 Comprehensão da occupação

A acquisição, realisada por meio da occupação, abrange todo o território eftectivamente senhoreado, bem como as partes ad- jacentes que são necessárias para a integridade, desenvolvimento e segurança da nova possessão. (1)

■ (10) Heffter § 70, HaU, § 32, PhUlimore I, § 227, Blunt, art. 279.

(11) Coages de Berlin, act. de 26 de Fevereiro de 1885.

Art. 34: La puissance qui, dorénavant prendra possession d'un territoire sur les cotes du continent africam situe endehors de ses possessions aetuelles, ou qui n'en ayant pas eu jusque-lá, viendrait á en acqnérir, et de méme la puissance qui y assumera uu protetorat, accompagnera 1'acte respectif d'une notification adressée anx autres puissances signataires du present acle, afin de les mettre á méme de fairej valoir, s'il y a lieu, feurs reclamations.

Art. 3o: Les puissances signataires du present acte reconnaissent 1'obligation d'assurer, dans le territoires occupés par elles, sur les cotes du continent africain, 1'existence d'une autorité suffisante pour faire respecter les droits acquis et, le cas échéanti la liberte du conimeree et du transit dans les conditions oú elle serait stipulée.

O Congresso de Berlim, composto de representantes das três grandes nações que disputavão entre si o predomínio no continente africano, a França, a AUemanha e a Oran-Bretanha, teve por objecto estabelecer accurdos definitivos sobre a extensão e limites de suas possessões. Nesses accurdos, a Africa Central com as regiões corres- pondentes do oriente e occidente forão partilhadas entre as três, tomando-se por base as posses anteriores, e augnientando-se e alargando-se as respectivas espheras de acção, com attenção aos interesses de cada uma, ã rasão de contiguidade, facilidade de communicação e conveniência dos limites (Hinterland).

Modernamente costuma-se substituir a occupação por uma espécie de protecto- rado, que dispensa a tomada de posse effectiva, e se constitue pela simples notificação

Bonlils, n. 558 — Nestas condições o protectorado é um inicio disfarçado de con- quista.

(1) Puffendorf 4, 5, § 8: In occupatione rerum immobilium non opus est ut singula? partes corpore tangantur. sed una para tacta intelligitur propnetatem in- ducere to li isti, cujus ea para dicitur... : intellecto tamen post, necessarinm esse

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No intuito de assegurar a appropriação das regiões, de que a adquirente carece e que não estão incluídas no território effectiva e realmente occupado, é-lhe permitido levantar em logares sepa- rados estabelecimentos e fundar postos militares que indiquem a posse, e sirvão ao mesmo tempo de pontos para determinar as linhas divisórias (2). Esta pratica é admissível, desde que se não excedem porporções justas e rasoaveis, attenta a impor- tância e necessidades do território principal.

A occupação das costas importa virtualmente a da região ou regiões ligadas por sua situação âs mesmas costas, compre- hendidas nas vertentes dos rios que correm para o mar dentro dos espaços tomados (3). Este principio, porem, não poderá ser appli- cado com relação á bacia toda dos rios de grande curso. A tra vessão esses rios extensões de território tão vastas que evidente mente não se podem reputar sob a dominação e o poder de quem tão somente occupa as costas (4). Dado o alludido caso, a questão resolve-se pelo principio acima exposto — que a occupação com pre liende os terrenos adjacentes necessários para a segurança e desenvolvimento das possessões da costa. I

E' também de advertir que a simples occupação da embo- cadura do rio no mar não tem o efeito de abranger toda bacia do mesmo rio. (5)

Se uma nação occupa uma parte de território vago, e outra occupa outra parte, ã certa distancia; entende-se que a occupação de cada uma das duas nações vae até o meio do espaço interposto,

istura locam vacuura suaj regioni adjongi, videtur sola destinatione aninii doiuinium in eundem locura, tanqnan partem ant appendicem sues ditionis, potuisse prorogare Martens § 38, PhiUimore I, § 237, Twiss §§ 124 e 125, Hall § 82. Dudley, art, 75 Bonfils, n? 553: Quelques publicistes sout d'accord pour puser en príncipe que cette sone doit cumprendre tonl le pays pouvant, íi raison de son orographie on de son hydrographie, étre considere comine formant une nnité geographique avec le poiut oceupé — Príncipe raison nable. acceptable en theorie, mais plus que difficilc a ap-|

liquer en pratique. Ri vier (I, 39, III) so admitte como occupadas as regiões que|

báo sob o poder real do oocupante. E' rigor de maia.

í2) Hall § 32: Henoe it nas been common... to eudeavour to obtain an exclusive right to territory by act which indicate iutentioii and show momentary pnssesion. but which do not amount to continued enjoyment; and it nas become the pratioe in ina- king settlements apon continente or large islands to regard rast tracts of ooantry in which no act of ownership has been done as attendant upon the appropriated land.

(3) Philimore 1, § 238 Hall § 32. Twiss § 125, Blunt, art. 282. Commissarios dos Estados Unidos nas negociações com Hespanha acerca dos limites occidentaes da Luiziana: When any European nation takes possessiun of any extent of sea-coast, that possession is understood as extending into the interior ooantry, to the sources of the rivers emptying witnin tliat coast, to ali their branches, and the country they|

cover, and to give it a right, in exclusion of aU others nations, to the same.

(4) Blunt, art. 282: Le prencipe pose plus haut n'a du reat que uue valeur rei ative; lorsque des fleuves immenses, le Jlissussipi par exemple (e o Amazonas) traversent nu continent tout entiér, celui qu'en possedel embouchure ue peut naturel- lement pas s'adjuger tout le bassin du fleuve.

(5) Twiss §§ 126, e 127 Hall § 32.

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salvo se nesse espaço ha arciftnios, porque em tal caso prevale- cerão os lemites naturaes, como são os montes e os rios. (6)

A occupação de um ponto de uma ilha induz a occupação da ilha toda. A ilha com effeito forma, em regra, uma unidade geo- graphica (7). Mas se a ilha tem considerável extensão e contem regiões distinctas par sua orographia ou hydrographia, e diversos!

Estados occupão pontos delia differentes,deve vigorar a occupação de cada um, servindo de limites a linha das arestas das montanhas ou b divórtium aquarum. (8)

Accessão Acrescem ao território da nação:

a) O prolongamento de terreno que se opera nos rios que servem de limites, proveniente ou de aterro lentamente formado ou da retirada insensível das aguas (alluvião). (1)

b) A porção de terreno que se reúne á ribanceira, violenta- mente arrancada (avulsio) ã ribanceira opposta (2), Ainda no caso em que tal porção de terra pode ser legalmente recobrada (3), emquanto não o é, reputa-se faser parte do território, a que está adherida, para todos os eífeitos de direito nas relações exteriores. (4)

f6) Phillimore § 238, Blunt, art. 283.

CommisSftrios Americanos nas citadas negociações com a Hespanha: Whenevêr one Europcan nation maltes a discovery and takes possession of any portion of that continent, and another aftervvards does the same at some distance from it, where ttae bonndary betwen them is not determined by the principie above mentioned, the niiille distance becomes suoh of course.

(7) Dudley, art. 39, Pradier, II n? 799, Flore, II, n? 857: Vtj. Bonfils, cit. n? 553.

(8) Bonfils, loc. cit. A hypothese figurada poder-se-ia ter dado com relação á ilha de S. Domingos, a Cuba e a Nova Islândia do Norte e a do Sul.

(1) Orocio, 2, 8 §§ 11 e 13, Vattel I § 268, Kluber § 134, 1°, Martens § 45, Pradier II, 807 e seg.

(2) Kluber §134, Heffter § 72, Twiss § 154, Blunt, art. 295, notai, Pradier, n?

812 e seg. Ao proprietário do terreno, de que se destaca a porção de terreno arran- cada, assiste o direito de rehave-la, direito que € regulado pela legislação civil. Aqui so se tracta da soberania a que fica sujeita o fragmento de terreno dest.cado e não da propriedade no sentido do Direito Civil.

■ (3) Segundo a opinião dos commentadores do Direito Romano, alias formada sobre, a errónea intelíigencia de um texto de Gaio (Maynz § 101, n? 3), o fragmento de terra arrancado per avulsionem, so passava á pertencer ao dono do terreno, á que se reunia, quando com esse terreno formava um todo perfeitamente ligado. O C. C, franc. art. 559, concede ao dono da porção de terra arrancada o direito de reivindica- la dentro de um anno, sob pena de perda do mesmo direito.

(4) Dudley Feld, arl. 44... mais tant qu'eUe n'a pas eté restituêe, elle est censée faire partie du território ou elle se trouve. Blunt, art. 295, notai: Un Etat ne pent

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