A soberania nacional — o complexo das faculdades politicas da nação — manifesta-se, como poder jurídico que é, por actos externos.
D'ahi vem que a soberania presupõe essencialmente um ter- ritório, sobre o qual ella entre em actividade e exercite as suas funções.
A natureza da soberania requer a subordinaçõo absoluta do território e de tudo que nelle se contem, porque, sendo illimi- tada e exclusiva, não se concebe a coexistência de duas soberanias no mesmo território.
A sujeição absoluta do território á soberania e de tndo que nelle existe — não é um effeito ou corollario do direito de pro- priedade ou do domínio (jus in ré) (1). A nação, como entidade politica, não é senhora, no sentido do Direito Privado, nem pro- prietária do território que occupa e sobre o qual exerce a sua soberania. As parcellas que formão o território nacional, em sua infinita divisão, pertencem como propriedade particular, ja á in- divíduos, súbditos nacionaes ou estrangeiros que as tenhão adquirido, já ás sociedades e corporações, e já ao próprio Estado, como cousas do seu património publico ou privado (2). E ainda uma nação estrangeira pôde adquirir como propriedade particular immoveis sitos em território alheio, mediante o consentimento do respetivo governo. (3)
(1) PufendorfL 8, oap. 5 § 7, Bynkershoek, O. J. P. II, 15, Heinecio, Jus N. et, G.
L. 2 § 168 nota f, Burlaraaqui, IV, P. II, oap. 12 § 2, Blunt. arte. 276 e 277.
(2) Blunt. nota I ao art. 277: La personne qui a droit á souveraineté territoriale est et ne pent etre que l'£tat, parce que la souveraineté appartient á 1'Etat seul.... Bi 1'Etat a des proprietés privées, c'est comme siraple particulier, et non comine Etat, qn'il en est proprietaire; il ne peut en disposer que dans formes presentes par le droit prive.
(3) Heflter § 64 in fine, Klnber §§ 124 e 128, Woolsev § 53. Não repugna ao Direito que uma nação possua como proprietária em caracter privado immoveis sitos
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A soberania territorial (imperium, potestas) é um poder meramente politico que tem por assento e limite no espaço o território. A sujeição do território á soberania exprime uma re- lação jurídica, mas puramente politica, e consiste nisto — que o território e tudo que nelle existe — pessoas e cousas, ficão sob a acção absoluta e exclusiva dos poderes do Estado.
Todos os actos do poder publico, ainda os que entendem directamente com os immoveis, taes como as leis de organisação di propriedade, as que decretão o imposto territorial, as de expro- priação por necessidade ou utilidade da communhão, são actos que emanão da soberania politica e que o Estado pratica por vir- tude de attribuições próprias, e não como proprietário na accepção do Direito Civil. (4)
O domínio eminente que alguns publicistas attribuem ao Estado, entendido como uma reserva desmembrada do pretendido direito de propriedade que primitivamente pertenceu á com- munhão sobre o território, (5), é um conceito erróneo, porque ã|
nação nunca pertenceu um tal direito Para explicar o direito que tem o Estado de impor contribuições e de expropriar a pro- priedade particular por necessidade ou utilidade publica, não ha necessidade de presupor o domínio eminente com o allndido fun- damento, porque aquelle direito é simplesmente uma faculdade, um attributo essencial da soberania, como o são a faculdade de de legislar, governar, de punir, de declarar e fazer a gueira.
em territotio de outra. Esta propridade fica em tudo sujeita á legislação local. Mas é fácil de comprehender-se que a acquisiçao de um immovel por uma nação estrangeira pode constituir um perigo para a independência e segurança do Estado á que pertence o território.
IVahi a necessidade de consentimento expresso ou tácito.
(4) BynkQ. J. P. II, cap. 15: Adsentior tamen Thomasio ad Huberum de Jure Civil.ilis L. I Sect. 3. C. 6, n. 38 existimanti, rectais dici Imperium eminens quam domnmttii eminens ; liam qiiicqnid cjns júris exerceu/ ôrincfies. profieisei/ur]
a saprema eorum po/eslale. Unde Séneca, cnm hoc jus exprimeret, poleslales você usus. Al reges, inquit, (Benefic. 74) pntesias omniunt pertinet, ad singulos pro- prielas. Heinecio, J. N. et Q. 2, § 168, nota f: Hinc non male qoidem Witerber- genses Jcti potes/a/em illam ex império, non domínio quod-im derivandam esse contendunt adversus F. Hornium. Bulamaqui, IV, P. II. c. 12 § 2: Concluons donc qu'A parler en general, il faut tenir pour constant qui le droit du prince sur les biens des sujets, n"est point un droit de proprieiê, que ce droit est
fondé sur la nature
meme et la fin de la souveraiiietc qui lui uonnent le pouvoir d'en
disposer en dif-
ferentes maniéres pour le bien meme des particuliers et de l'Etat, sans oter pour cela anx sujets leur droit de proprieté, excepte dans les cas oú cela est absolument neces- saire á la utilité pablique. Troplong, Trai lê d' /.» proprie'ê, cap. 16: L*Etat n'a sur la proprieté que les droits attachés au cominandement politique.... le ligistalteur n'in- tervient pas comine maitre de la chose; ilagitcomme arbitre et regulateur, pour le mnntieu du bon ordre et de la police.
(5) Vergé (sobre Marens. nota ao 8 72) reprodusindn Quisnt: On proclama que le roi, et le rui c'etait 1'Etat, avait eté le proprietaire exclusif de toutes les térrea et qu'il en avait conserva le domaine iminenl. E' o sistema de Grocio (L. 2, cap. 2 e cap.
14 § 7 e 8, L. 3, cap. 20 § 7). Das ideas de Grocio sobre este assumpto rcsentem-se as doutrinas de muitos dos publicistas que se lhe seguirão, antigos e modernos, como
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§ 75 I Soberania sob o ponto de vista internacional ]
A soberania de território é organisada e regulada pelo Di- reito Interno.
Mas desde que entra era contacto, debaixo de qualquer re- lação, com a vida externa das nações, incide sob a acção do Direito Internacional.
E' sob este aspecto que ella é aqui considerada.
§ 76 O que é território
A porção de superfície terrestre que uma nação occnpa e sobre a qual exerce livremente a sua soberania (summtim im-
\teriuw, publica potestas, jurisdictio) recebe na linguagem do Direite Internacional o nome de território, (l)
Vattel (L. I § 244 e L 2 § 831, PhiUimore (I, § 151), Twis (§§ 142 e 143), Halleck I, 6
§ 4 e 5) Whenton (F II. c. 4 § 3), HetFter (§ 64) Bello (P. I, cap. 4) e Riquelme (pag.
23), Para estes publicistas o domínio eminente é uma emanação tio direito de propriedade, do qual se distingue apenas pelo alcance e extensão : Nesta ordem de ideas dizem que o domínio eminente é absoluto pelo que respeita ás outras nações, porque exclue toda acção delias sobre o território, e limitado quanto aos bens doa súbditos. Nisto não ha senão confusão de idéas. Uma nação não pode exercer actos de soberania sobre o território de outra, não porque o território esteja sob o domínio eminente, mas porque a soberania de uma exclue a soberania de outra, não ao no que diz respeito aos actos que entendem com o solo, como em 1 elação a quasquer outros actos de jurisdicção.
A distineção entre soberania e propriedade acha-se claramente aceusada em alguns tractados. como se pode ver dos seguintes:
H Tractado entre a França e o Duque de Louna de Paris, 28 de Fevereiro de 1661, art. 16. Et pour les autres vil lagoa.... il a eté convenu que la touveraineh scitle en appartiendra á Sa Majeste: mais que la proprité des dita villngea, terres, bois et domai ri es.... appartiendra au dit Sicur Duo qui relevera á 1'avenir de la souveraineté
du Roi pour les dites choses. 'U
Tractado entre os mesmos de Paris 21 de janeiro de 1718, art. 8; II a ete convenu que sa dite Alt esse cedera et cede á Sa Majesté cn proprieti et souverainetí trote mille arpens... á prendre dans la dite forét.
Convenção territorial entre a Áustria, Ucsse Darmstadt e a Prússia de 30 de Junho de 1816, art. 7: Eu retour des cessions.... le grand Duo de Hesse et apre* lui ses desendante et ■uccesseura possederout:
1? En totite souverainete les territoires ete.
2? En proprieli les «dines située dans la lianlien.... L* souverainete de imites ces salinos restera a S. M. le roi de Prnsse.
(1) Fr. 239, D. de verbor. Significa tinne: Trrrilorium est uuiversilas agrorum inter fines cujusque ci vi ta tis, quod ab eo dictum quidam aiunt qutíd wagislratus ejua lot-i intra eos finos terrenal, id est, siimmovendi jus babel, f
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A concepção de território é complexa: envolve em si duas ideas—a de uma certa área de superfície do globo, e a de subor- dinação completa e absoluta dessa área a soberania de um povo constituído em nação. (2)
Comummente se diz que uma porção dada de terra faz parte do território do Estado ou que é do dominio ou propriedade de um Estado. Não quer isto dizer, como ja se observou, que tal porção de terra seja propriedade, no sentido do Direito Civil, do mesmo Estado, mas tão somente que está sujeita aos poderes políticos da nação.
§ 77 De que se compõe o território
O território da nação compõe-se:
a) Do solo que ella occupa, sem solução de continuidade, circunsciipto pelos limites estabelecidos;
b) Das superfícies, separadas do solo principal:
c) Dos rios, lagos e mares interiores;
d) Dos rios, lagos e mares contíguos;
e) Das bahias, portos, enseadas, angras e calhetas ; /) Dos mares territoriaes.
§ 7 3 Solo principal, superfícies separadas
O solo, occupado pelo grosso da nação e dentro do qual reside o governo com os grandes corpos de Estado, constitue a parte principal do território, o assento que ê necessário para a existência e exercício da soberania. (1)
Wnll", Ins. §1.010; Civitatis lerrilorium esl régio quam populus inbabitlt et iin qua originarie huperiuni habet.
Vattel, L. 1". §-05: Tout 1'espace dans lequel une natiuu etend son empire... ■'appelle son território.
E. Ortolan, Moyeits d'acquerir le domainc internai ional, denomina O território propriedade de Estado à Estado ou propried ide internacional.
(2) Vej. acima §.
(1) Klnber § 129: On doit quelquefois distingner le territoire principal d'avec le territoire aceessoire; le priínier est le siége principal de 1'Etat,
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Em principio todas as cousas que estão no solo ou sobre o solo, seguem-lhe a condição jurídica, e ficão, portanto, sob a solto rania a que é sujeita o mesmo solo. (2)
Fazem parte do território todas porções de superfície com-]
prehendidas dentro dos seus limites, ainda as não habitadas ou não cultivados, como os desertos e paúes. (3)
Reputão-se ligadas juridicamente ao território nacional as superfícies delle separadas por solução de continuidade, mas submettidas á soberania do Estado, qualquer que seja a distaneiaj em que demorem. Taes são as ilhas no mar alto, as colónias em continente diverso, as possessões encravadas. (4)
Qualquer que seja o regimen adoptado para o governo interno das superfícies separadas, ellas são havidas como partes do ter- ritório nacional, e, como taes, se considerão sujeitas ás mesmas regras e princípios de Direito nas relações exteriores. (6)
§ 79 Rios interiores
Considerão-se rios interiores, fazem, portanto, parte do ter- ritório e fícão sob a soberania territorial:
1? Os rios, navegáveis ou não, que fluem perpetuamente pelas terras do Estado, desde as nascentes athe o mar; (1)
(2) Wolf, J. G. § 274: Si gens regionem quandam occupavit, omnis terra et qua in e,i sim', in domínio ipsins sunt. Helfter§67: Qnidquid est in território, est ctimn de território. Kluher § 128, Twiss § 142.
(3) Vattel L. 2, § 86, Hall § 30, Kluber § 128. Por exemplo: o deserto do Ata-|
cama, o paul denominado Grande Chaco na margem direita do rio Paraguay, o pri- meiro pertencente ao Chile, o segundo á Republica Argentina.
(4) Vattel § L. 1" § 210 e L. 2, § 80, Kluber 129, Heflter § 68 nota 3 de Geffcken Twiss § 141. VVoolaey § 56: It may happen that lhe boundaries of a state are not con- tiuotiH, or that une partof itis separated from another, as the Bhine-provinces of Prússia were formerly cut off l>y Hesse from the rest of the kingdom. Or it may happen that one sovereignty, or a portion of it, is included withiu the limites of another. This lias beeu the case more or less in Germany and was formerly true of Avignon and the Venaissin, which werse Papal territorry enclaved in France — hence called enclaves.
(5) Kluber § 129, Twi»s § 141: When a nation take possesion of a distant country and settles a colony there, that Country, though separated from the principal esta- bleshment or Mother Country, natural ly beeomes a part of the state equally witli its ancieut possessions. Whenever, therefore, the Politicai La ws or Treaties make no distinctiou between them, anything said of a nation must also apply to its colonies.
(1) Exemplos : o Loire, o Garonna e o Sena em França, o Ebro em Hespanha, o tDuna e o Volga na líussia, o Mississipi nos Estados-Unidos, o S. Francisco, Tocan- ins e Araguaya uo Brazil.
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2? A secção superior, incluída no território do Estado, de rio que no seu curso inferior atravessa território de outras nações; (2)
3? A parte de rio que percorre território de niais de uni Es- tado, comprehendida nos limites do território atravessado de cada Estado. (3)
A soberania do Estado sobre a parte do rio que atravessa o seu território, (n? 3?) nunca foi posta em duvida (4). Tem sido, porem, objecto de controvérsia ede largas discussões o saber si o Estado, senhor das duas margens, tem o direito de recusar a livre navegação do rio na parte que lhe pertence, aoá Estados que occupão a parte superior do mesmo rio, e ás nações em geral.
Para firmar o principio da livre navegação na hvpothese sujeita ha boas rasões, como são as dedusidas da impossibilidade fysica de senhorear o volume de agua corrente, da necessidade, que tem os Estados que occupão a parte superior, de communicarem com os outros povos, da innocuidade da navegação, e do conceito de que as aguas fluviaes são servidões gratuitas estabelecidas pela própria naturesa.
Não obstante, o dito principio não foi ainda acceito como regra positiva e obrigatória do Direito Internacional. Subsiste ainda a doutrina de que o Estado, senhor do território atraves- sado, tem o direito perfeito de vedar á quem quer que seja a navegação do rio dentro dos limites de' sua jurisdição. (5)
(2) Exemplos: O Tejo e o Douro que nascem em território Hespanhol, o Paraná, cuja parte superior pertence ao Brasil, o Pilconiayo que desce da Bolívia para o Pa- raguay.
(3) Exemplos : O Paraná, desde sua confluência com o Paraguay, o Amazonas, o Mississipi, antes da compra pelos E. Unidos da Luiziana (11503) o Rheno e o Danúbio.
Vej. Kliil-er 8 120. Martens § 3», e nota de C. Vergè, Halleck, I, 6 § 23, Calvo I, § 290, Pradier II, n?s 726 e 750.
(4)Grocio, L. 2, cap. 2 § 12, Wheaton, P. II, cap. 4 8 12. Twisg 8 145, Hetfter 8 77 Calvo i § 293, Pradier, U, n? 699, Kent cap. 2 (pag. 124): While the free uavigatiou of the rivera runuing through or bouudiug severul States is maintained, the rlpariau states may ezerciae rigths of sovereignty in such rivers.
(5)Kluber § 76, Martens 8§ 39 e 84, PhiUimore II § 170, Twisa, S 145, Hall 639, infine. Halleck I, 6 § 26, Woolsey § 62, Kiquelme, L. 1, T. 1, cap. 4 (pag. 84), Pra- dier II, n? 701 e 749.
Kent (cap. 2) Wheaton (P II, cap. 4 § 12,) Calvo (16 293) e outros reconhecem que, no estado actual do Direito Internacional, o direito á livre navegação sobre os rios que atravessão ler ri tu ri os de diversos Estados, não revistiu ainda o caracter de um direito perfeito. Por emquanto o admittem como um direito imberfeito. Ce droit (Wheaton loc. cit.), etant uu droit imfijr/ait... ne peut ctre assurc d'uúcmnniére elfi- cace que par des couventions reciproques. Isto não é senão a reproducçao da antiga theoría de Grocio sobre o direito innócúa ulililatis (L. 2, cap. § 11 e 12). Mas o direito innocitíc ■utilitcth ê simplesmente ma direito imperfeito (Vattel, 2, § 117, eo direito imperfeito, locução muito usada dos velhos publicistas, não 6 um direito porque não lhe corresponde uma obrigação jurídica que possa ser exigida por meio de coacção (Vattel, Prelem. § 17).
Quando um rio é para o Estado que oceupa a parte superior, a unira via que lhe resta para commerciar com os outros povos, da-se o caso de uma espécie de s>r vidão necessária e.como tal pode ser reclamada como um direito. Woolsey § 62 e vej, acima §
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E' certo, porem, que as nações civilisadas tem deixado pra- ticamente de exercer aquelle direito e, ao contrario, permittem em geral não só ao Estados ribeirinhos, como ainda a todas as nações, a livre navegação dos rios, nas suas aguas, exigindo tão somente o respeito e a observância das leis e regulamentos de policia fiscal, de segurança e de hygiene por ellas estabelecidos. (6)
Este procedimento revela manifesta tendência para trans- formar o principio philosophico em regra positiva de direito; mas
(6) A navegação dos grandes rios acha-se hoje regulada por melo de tractados e actos unilateraes.
Nesses actos fora o em geral adoptados os princípios estabelecidos pelo congresso) de Vienna (arts. 108-116): consagra-se a liberdade de navegação e comiuercio, em una com retricções e peas em bem dos ribeirinhos, em outros com mais franqueza e latitude.
R lie no. Tractado de Paris de 30 de Maio de 1814, art. 5; tractado de Vienna de 9 de Junho de 1815, annexo 16; Acticles concernant la navigation du Rbin. Convenção entre os Estados ribeirinhos, Moguucia. 31 de Maio de 1831. Revisão da convenção citada pelos delegados dos Estados ribeirinhos em 1868.
Escalda : Tractado de Paris de 30 de Maio de 1814, artigos separados e secretos, ãrt. 3; tractado de Vienna, annexo u. 16; tractado entre a Bélgica e os Paizes Baixos art. 9; tractado de 12 de Maio de 1863, annexado ao tractado geral de 16 de Julho de 1863 (resgate por 17,141 649 florins do direito sobre a navegação do Escalda e suas embocaduras).
Pó: Convenção, estabelecendo a liberdade ampla de navegação, de 3 de Julho de 1849.
Elba: Tractado entre a Prússia e a Saxonia de 18 de Maio de 1815, Acto para a livre navegação do Elba, 23 de Junho de 1829 (Martens. Nonv. Recueil, 5, pag. 714).
Weser: Convenção de 10 de Setembro de 1823 e de 21 de Dezembro de 1825 (Mart. cit. 6, pags. 301 e 840)
Douro: Tractado entre Portugal e Ilespanha de 1835.
Danuhio: Tractado de Paris de 1856. art. 15 e seg. Acto para a navegação do Danúbio, concluído em Vienna, 7 de Novembro de 1857; tractado de 13 de Julho de 1878, Berliu, art. 51 e seg. tractado de Londres de 10 de Março de 18s3.
S. Lourenço (liberdade de navegação na parte inferior, pertencente a Gran- Bretanba desde o parallelo 45 até a embocadura no golfo do mesmo nome); tractado entre os Estados Unidos e .a Uran-Bretanha de 15 de Junho de 1854, art. 4, e tractado de 8 de Maio de 1871, art. 26: The navigation of the river St. Lawrence (na parte pertencente a Qran-Bretauha)... shaU forever reinai u free and opeu for the purposes of commerce to the citizens of the U. States, t>ubject to any laws and regula tio nu of Great Britain, or the Dominion of Canada not inconsistent withsuch prívilegeof free navigation.
Amazonas: tractado entre o Brazil p o 1'erfi de 23 de Outubro de 1851: tractado entre o Brazil e a Bolívia de 23 de Março de 1867, art. 7 e seg. Decreto do governo imperial de 7 de Dezembro de 1866:
Paraná, Paraguay e Uruguay: tractado entre o Brazil e a Republica Oriental de 13 de Outubro de 1853; tractado de 10 de Junho de 1853, entre a Republica Ar- gentina, Estados-Unidos, Gran-Bretanha e França; tractado de 13 de Maio de 1858, entre a Bolívia e os Estados-Unidos.
A Republica Oriental de Uruguay abriu as suas aguas interiores ao coinmercio de Iodas as nações por decreto de I? de Outubro de 1853; a do Equador por decreto do mesmo anuo e o Peru por lei de 17 de Dezembro de 1868.
Congo : Acto geral da Conferencia de Berlin de 26 de Fevereiro de 1885: art. 18 e seg. liberdade plena de navegação ecoiiuncrrio a todas bandeiras.
Nigc: Cit. Acto, art. 26. As duas convenções relativas ao Congo o Níger con- sagrai) a liberdade do trafego fluvial ainda em caso de guerra, isto é, estabelecem a neutralidade dos rios na accepção a mais larga. E' o ideal em matéria de liberdade de navegação.
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a necessidade de estipula-lo em tractados demonstra que na cons- ciência das nações não está ainda reconhecido como tal.
A concessão das livre navegação no caso de que se tracta, acarreta virtualmente o direito de uma espécie de servidão (no sentido do direito civil) sobre as margens, nos termos em que elle é necessária para a mesma a navegação, como — para carregar a descarregar mercadorias, amarrar navios. (7)
§ 8o Lagos e mares interiores: estreitos
Entendem-se por lagos e mares interiores os que são ro- deados de todos os lados por território de um só Eftado. (1)
A soberania do Estado sobre taes lagos e mares é tão com- pleta como sobre qualquer outro ponto do território. (2)
Pode o lago interior communicar com o mar livre por desa- guadeiro, ou rio, e o mar interior por estreito ou canal.
A communicação do lago interior no caso figurado em nada lhe altera a condição jurídica. O desaguadeiro ou canal que dá sa- bida para o mar, ou rio commum, é considerado sempre como rio, I e como tal é regido pelos mesmos princípios que regulão a pro- priedade e a navegação fluviaes. (3)
Pelo que respeita ao mar interior que tem communicação com o mar livre, a doutrina varia, segundo fôr a hypothese. Se a communicação se faz por estreito que pode ser dominado pela artilheria de um e outro lado no seu ponto de partida, o mar interior permanece sob a soberania do Estado, como se não tivera sabida para o alto. (4)
(7) Grocio 2 2, § 15, Whçaton, P. II, cap. 4, § 13, Halleclcl, cap. G, § 27.
(1) Lagos interiores: o Michigan nos Estados Unidos, o Winipeg no Canadá.
De mar interior no território de um só Estado í exemplo o Mar Morto na antiga Palestina, todo encravado em terras da Siria. Era outro exemplo o Mar Negro, quando todas as suas costas e praias pertencia» & Turquia.
(2) Grocio, 2, 3, § 10, n? 2, Vattel I. §§ 274 e 294, Kluber § 131, 6?, Murlens
§§ 39 e lõU, Puilíimore I, §§ 155 e 205, Hellter § 77, Halleck I, 6. §§ 21 e 22, Pando § 55. Keqnelme, L. IV, Secç. 1?, cap. 4 (pag. 85), Pradier II, ns. 640, 641 e 758.
(3j Vej, adiante §. Exemplo o lago Michigan e o de Nicarágua. H l4) Grocio, 2, 3, § 8, Twiss § 18], Pradier II, n? 642, Hauteleuille I, T. I, c. 3.
Sect. 2. J'entends par mers fcrm&es les golfos et les parties de mer qui ne eomiúuni- quent ú 1'ocean que par um detroit asses resserré pour être repute es... itiire partie du doiuaine maritime de l'Etãt maitre d es cotes; de telle sorte qu'il estimpossible de penetrer dans ce golfe ou dans cette mer sans traverscr la mer territonale de cet Etat, sans braver sa puissance et s'exposer aux efiets de sou arUUerie. Exemplo : o Mar Negro quando cm sua totalidade pertencia a Turquia. v^