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prática de teoria, pensamento de ação, linguagem de ideologia, quanto separar ensino de conteúdos de chamamento ao educando para que se vá fazendo sujeito do processo de aprendê-los.
Da mesma forma, corrobora com essas ideias Bueno (2009, apud FORQUIM, 1993, p. 2) quando afirma que:
É nesta diferença que se manifesta o desafio a ser enfrentado pela escola e professores de agir na interseção das culturas: a escolar, a dos alunos/
professores e a da humanidade, para promover a junção delas na construção de novos saberes e práticas contextualizadas.
Nesse contexto há necessidade de voltar-se para descentralização das relações de poder, para que se construa uma escola democrática, uma vez que a nova ordem exige decisões políticas, ações compartilhadas e um currículo que leve em consideração as diretrizes curriculares nacionais para a EJA e conhecimentos relacionados aos riscos sociais.
77 Essa pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de caráter descritivo e interpretativo do problema, com finalidade exploratória com vistas a um estudo de caso sobre alunos em vulnerabilidade social na modalidade EJA em uma Unidade Municipal de Ensino Fundamental (UMEF), localizada na periferia de Vila Velha, no estado do Espírito Santo. Ressalta-se a importância de propor ações escolares com abordagens psico-pedagógico- familiares que visem à redução das vulnerabilidades sociais na modalidade de Educação de Jovens e Adultos. Os dados coletados foram tratados de forma hipotético-indutivo-dedutiva, e para a análise dos resultados dessa pesquisa, pautou-se em referências bibliográficas atualizadas e ratificadas em obras renomadas.
Utilizaram-se, nessa abordagem, multiltimétodos qualitativos na coleta de dados, os quais integram na técnica de grupo focal, os “[...] resultados com os da observação participante e da entrevista em profundidade”
(MORGAN apud GONDIN, 2002, p.5), uma vez que houve necessidade de adquirir informações rápidas dos participantes com ampla variedade de opiniões. Assim, além do grupo focal, que envolveu alunos da EJA de grupos comportamentais heterogêneos na investigação dos riscos sociais como fator de abandono dos estudos, foi realizada entrevista com os pais dos alunos investigados com foco na intervenção psico-pedagógico-familiar. Aplicou- se, ainda, um questionário junto a 10 professores da EJA com foco na práxis pedagógica, nos desafios de contextualização e nos enfrentamentos do problema em sala de aula.
Os sujeitos da pesquisa são alunos da modalidade da Educação de Jovens e Adultos, na faixa etária entre quinze a trinta anos. São alunos que foram excluídos do ensino regular pela necessidade de trabalhar e/ou por não estarem adequados à faixa etária e, ainda, por causa das vulnerabilidades sociais. Alguns desses discentes já são trabalhadores, outros só estudam e desejam inserir-se no mercado de trabalho.
Os pais que participaram dessa pesquisa são os genitores dos alunos menores e maiores de idade que foram convidados para participar da técnica do grupo focal. A amostragem limitou-se a um intervalo maior ou igual a seis e menor do que oito pais.
Os professores selecionados representam o universo de professores que ministram aulas na modalidade EJA, ou seja, retratam o quantitativo total.
Uma professora leciona no primeiro segmento (1ª e 4ª série) e os demais no
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segundo segmento (de 5ª a 8ª série), todos no horário noturno. São graduados em sua área de atuação e somente 08 possuem o curso de pós-graduação.
São regentes na EJA nas disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Ciências, Inglês e Educação Especial. Foram escolhidos para essa pesquisa por acompanharem diretamente o ensino-aprendizagem desses alunos e vivenciar os riscos sociais na sala de aula.
3.1 TÉCNICA DE GRUPO FOCAL COM CONGLOMERADOS HETEROGÊNEOS
O grupo focal é um método de pesquisa qualitativa em que os participantes selecionados, segundo uma dada técnica de amostragem, interagem focados em temas específicos, mediados pelo moderador. Esse instrumento de pesquisa vem sendo utilizado pela comunidade científica para coleta de dados frente à compreensão de atitudes, comportamentos e opiniões de realidades distintas (COTRIN-CARLINI, 1996; KRUNGER, 1988; SOARES, 2000). Dependendo dos objetivos da pesquisa, pode-se optar por grupos homogêneos ou heterogêneos (DIAS, 2000). No caso dessa pesquisa, optou-se por grupos heterogêneos, já que o objetivo foi encontrar consenso entre opiniões de sujeitos representantes de conglomerados diferenciados no âmbito da comunidade escolar.
Para esse instrumento foi utilizada a técnica de amostragem probabilística (aleatória), ou seja, a probabilidade de um elemento da população ser escolhido é conhecida. Dentro dessa classificação, escolheu-se trabalhar com uma amostragem por conglomerados, com a população dividida em subpopulações (conglomerados heterogêneos) representativas da população global (BARBETTA, 2002). Primeiramente, faz-se a seleção aleatória de conglomerados (1º estágio) e depois a seleção aleatória de elementos no conglomerado escolhido (2º estágio), como esquematizado na Figura 1.
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Figura 1 - Amostragem por Conglomerados
Fonte: Produção Cead
A população para esse instrumento de pesquisa constituiu-se de alunos da Educação de Jovens e Adultos da escola estudada e nesse universo todos os alunos são regularmente matriculados e freqüentes, sendo que os critérios de seleção, inclusão e exclusão da amostra definiram certas características que promoveram a separação da população em três conglomerados diferenciados, dentro dos quais se obedeceu a uma seleção aleatória para os alunos participantes, a saber:
• Conglomerado 1: alunos supostamente em risco e vulnerabilidade social (envolvidos com drogas, prostituição, alcoolismo, tabagismo), que tenham acompanhamento pedagógico;
• Conglomerado 2: alunos que possuem familiares em risco social;
• Conglomerado 3: alunos com bom desempenho escolar, assíduos, motivados a participar das atividades.
Deve-se ressaltar que o embasamento teórico-metodológico adotado para minimizar os constrangimentos individuais, promover o entrosamento e favorecer a opinião de todos no grupo focal facilitou a estruturação dos trabalhos de forma heterárquica, utilizando-se, para desenvolver o roteiro do grupo focal, de princípios que criticam os
[...] pressupostos moralistas, discriminatórios e estigmatizantes que contribuem para gerar e alimentar preconceitos, que conduzem a uma
Conglomerados 1º Estágio
Elementos 2º Estágio
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política e um elenco de práticas proibicionistas que favorecem o tráfico, aumentam a marginalização do usuário e utilizam métodos repressivos, amedrontadores, informações parciais e inverídicas que contribuem para gerar e alimentar mitos e incrementar o ceticismo (SOARES, 2000. p. 318).
O debate sobre o assunto dirigiu-se à condução tripartite “Informar- Refletir-Questionar”, informando sobre o narcotráfico no cenário da geopolítica global e brasileira, sobre circulação e consumo de drogas e discutindo conceitos e preconceitos com vistas a valores, consumismo e os novos paradigmas sociais, para culminar, então, com a reflexão central da pesquisa no âmbito da escola no mosaico social.
Discutir sobre o tema das vulnerabilidades sociais na EJA é uma situação delicada e exigiu posicionamentos dos participantes. Diante disso, “Frente à quantidade de informações trocadas nesse tipo de reunião, o moderador pode ser auxiliado por um anotador ou pela gravação da sessão em áudio e/ou vídeo, desde que os participantes assim o permitam”
(DIAS, p.5, 2000).
Participaram da técnica do grupo focal oito alunos. Os instrumentos utilizados na pesquisa foram de responsabilidade da pesquisadora, não gerando qualquer ônus para os participantes. A aplicação dos instrumentos ocorreu com o consentimento dos sujeitos participantes do estudo ou dos responsáveis dos alunos menores de idade.
Os dados coletados no questionário, entrevista e grupo focal foram tabulados sob a forma de gráficos, quadros e registro de falas dos alunos. Os diálogos dos alunos foram gravados e posteriormente escritos. Após isso, as gravações das falas foram apagadas. Os sujeitos foram identificados com crachás com seus codinomes para preservar suas identidades.