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É sabido que há uma divergência de opiniões referentes à necessidade de se efetuar avaliações de maneira amiúde. Contudo, é visível (em todas as modalidades de ensino) que essas avaliações são instrumentos permeados de estigmatização, de exclusão, a ponto de afirmar que avaliar torna- se sinônimo de julgar, selecionar e, não raro, de depreciar, considerando percentuais de erros e acertos.

Por conseguinte, tende-se a homogeneizar uma sala de aula que já é heterogênea por excelência, na perspectiva do erro como resultado da incompetência. Por isso repensar a avaliação faz-se extremamente necessário e iremos analisá-la em aspectos voltados para as especificidades da modalidade de ensino de jovens e adultos.

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Segundo Chueiri (2008), a avaliação está presente em todos os domínios da atividade do ser humano. Por exemplo, o julgar, o comparar e o avaliar fazem parte do nosso dia a dia. Logo, a avaliação, ao longo do tempo, está tendo um caráter apenas classificatório e, às vezes, excludente. Segundo Souza (2008, p.5) o ato de avaliar é:

[...] uma prática que está presente no contexto educativo, como um mecanismo de controlar a aprendizagem dos alunos. Ela é um dispositivo essencial à dinâmica do processo de ensino- aprendizgem, mas não é usada como um processo de acompanhamento do desempenho dos alunos e, sim, em momentos estanques. A avaliação é usada também como sinônimo dos instrumentos que se usa para avaliar, sendo assim, confundida com provas, exercícios, registros e notas. Essa visão limitada da avaliação contribui para que muitos educadores não articulem o ato de avaliar como sendo um disparador de indícios daquilo que é necessário fazer para que os alunos possam aprender.

Em seu texto, Silva (2011) afirma que é necessário desenvolver uma postura avaliativa diferenciada, respeitando os tempos de aprendizagem de cada indivíduo, as especificidades de cada jovem e aluno. Nas modalidades EJA e Proeja as diferenças se fazem presentes tanto nas idades, que se diferem muito, quanto nos níveis de aprendizagem. Nesse contexto, avaliar deve adquirir uma postura ainda mais cuidadosa, para que o processo avaliativo não venha contribuir com a desmotivação do aluno e, assim, fazê-lo desistir dos estudos, interrompendo mais uma vez a trajetória educacional.

Para os jovens e os adultos mais experientes, esse processo pode se tornar - com a mediação e diálogo do professor - um importante instrumento de reflexão. Assim, ele estará fazendo com que esses sujeitos compreendam os erros como parte integrante e fator determinante da aprendizagem, uma vez que serve para mostrar e apontar dificuldades. Silva (2011) ressalta:

“Para o aluno o erro deve indicar aquilo que ainda precisa ser construído ou compreendido. Para o professor, esse erro precisa ser fonte de informação para a identificação dos problemas, das dificuldades, objetivando as possíveis ações subsequentes” (SILVA, 2011, p. 15).

183 Sendo assim, o professor da EJA deve oportunizar ao aluno a reflexão e consciência dos seus avanços e dificuldades, contribuindo para sua criticidade e tornando-os pessoas construtoras de seus próprios conhecimentos. Deve então superar as práticas educativas tradicionais – punição, memorização –, valorizando o que o aluno aprendeu ao longo de todo o processo. Isso pode ocorrer por meio da autoavaliação, conforme nos afirma Antoni Zabala (1998, p. 220)

Também devemos aprender a confiar nas possibilidades dos alunos para auto-avaliar seu processo. O melhor caminho para fazê-lo é ajudar os alunos a alcançar os critérios que lhes permitam se auto-avaliar, combinando e estabelecendo o papel que esta atividade tem na aprendizagem e nas decisões de avaliação que tomam. A auto-avaliação não pode ser um episodio nem um engano; também é um processo de aprendizagem de avaliação do próprio esforço e, portanto, é algo que convém planejar e levar a sério.

Podemos pensar um processo de ensino-aprendizagem, que compreenda todos os aspectos significativos do aluno, trazendo para dentro da avaliação todo conteúdo de vida e experiência adquiridas por ele ao longo de sua jornada. A avaliação não deve ser vista de maneira isolada. Ela deve ser contemplada durante todo o processo de ensino-aprendizagem, ou seja, deve servir para reflexão das ações, possibilitar modificações, ampliação dos conhecimentos, sendo ela clara em seus objetivos para que os alunos possam compreender o verdadeiro significado da avaliação.

Ao discutirmos a avaliação, portanto, não podemos deixar de fora a clás- sica pergunta de Esteban (2001 2002): Quem erra sabe? O que sabe quem erra?

Segundo essa autora, toda resposta, certa ou errada, é simultaneamente um ponto de chegada aceitável, por mostrar os conhecimentos já elaborados, e um novo ponto de partida, por possibilitar novos conhecimentos. Essa nova forma de ver o erro como reconstrução do conhecimento possibilita-nos desconstruir a visão distorcida do erro que ainda impera nas práticas sobre a avaliação.

Na aprendizagem do aluno, a avaliação desempenha um papel fundamental como elemento regulador das ações. É necessário que haja

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momentos de discussão sobre a avaliação e que os estudantes tenham conhecimento do seu processo de aprendizagem, dos critérios usados na avaliação prevista no regimento escolar e sejam orientados de modo a ultrapassar as dificuldades apresentadas.

Uma avaliação participativa e dialógica exige clareza de objetivos a atingir (o que avaliar), relações de confiança e respeito mútuo, além de motivar o interesse no crescimento de cada aluno: avaliar para conhecer e fazer crescer, o que requer conhecimento dos objetivos de cada segmento, de cada etapa. A verificação do rendimento escolar deverá observar o critério de avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos, bem como do predomínio da avaliação diagnóstica, que deve servir para orientar a intervenção pedagógica, subsidiando a prática do professor e a aprendizagem do aluno.

A avaliação não deve ser um instrumento de mera classificação ou punição por não ter assimilado certo conteúdo, mas sim uma forma de perceber os avanços e dificuldades de cada aluno, um indicador para o docente, que visa atingir uma avaliação transformadora.

No documento PROEJA_Livro_2012_Vol1-IFES.pdf - Educimat (páginas 181-184)