• Nenhum resultado encontrado

4.4.1 - O site da Rede Mercocidades

No documento Sem t.tulo-2 (páginas 122-128)

O site da Rede Mercocidades, ou a sua home page, foi lançado no dia 15 de março de 1997 (na Gestão Pont), e, através dele, eram dadas informações sobre as atividades da Rede, o seu histórico, a sua regulamentação e as cidades que a compunham. A Figura 4.2 apresenta o layout do site oficial da Rede Mercocidades.7

7 É interessante constatar que o layout da Rede Mercocidades segue o mesmo padrão internacio- nal de outras redes de cidades, apresentando-a sempre vitoriosa e eficaz em termos de resultados. De uma forma acessível, divulga informações que induzem e convidam outras cidades a se associarem. No Apêndice (Figuras A1, A2, A3 e A4) são apresentados Tabela 4.2

População e distância média entre as cidades da Rede Mercocidades — 1995 CIDADES POPULAÇÃO (hab.) DISTÂNCIA MÉDIA (km) Porto Alegre ... 1 314 032 958 Florianópolis ... 281 928 970 Curitiba ... 1 584 232 978 Assunção ... 455 517 1 084 Montevidéu ... 1 378 707 1 126 Rosário ... 1 157 372 1 175 La Plata ... 564 750 1 189 Rio de Janeiro ... 5 598 953 1 294 Córdoba ... 1 157 507 1 387 Brasília ... 1 969 868 1 525 Salvador ... 9 003 804 2 125 FONTE: ATLAS MUNDIAL ENCARTA, MICROSOFT. [S. l.]: Microsoft, 2001. CD-ROM.

De uma forma geral, pode-se argumentar que a home page da Rede Mercocidades responde adequadamente, na área de navegação, às perguntas básicas “quem é a Rede Mercocidades?” e “por que e como foi criada?”. O layout é muito reduzido, mas resolve favoravelmente todas as dúvidas, através da disponibilização de grande parte dos documentos firmados ao longo da existência da Rede.

Convém buscar um aprofundamento maior na literatura, que dê suporte à análise de sites na internet, para proceder a um detalhamento da home page da Rede Mercocidades.

Uma boa metodologia para analisar a utilização de home pages foi desenvolvida por Nielsen e Tahir (2002), que examinam a eficácia de várias home pages. Nela, eles discutem uma série de aspectos para assegurar a utilização da home page por um usuário.

os layouts de sites das redes de cidades IULA, World Federation of United Cities, Eurocities e Sister-Cities. Pode-se observar que são páginas muito bem elaboradas e que tornam irresistível a outras cidades o interesse em se associar.

Figura 4.2

Layout do site oficial da Rede Mercocidades — 2002

FONTE: Site da Rede Mercocidades. [on line] Disponí- vel em:

http://www.pbh.gov.br/mercocidades/ Arquivo capturado em: 25 out. 2002.

Na realidade, os autores procuram trazer informações sobre como causar uma boa primeira impressão, se o slogan está funcionando, se é fácil localizar a caixa de pesquisa, se é fácil navegar na página e se a porcentagem da página é dedicada ao verdadeiro conteúdo.

Colocam em teste 50 dos principais sites atuais e concluem o que dará uma boa — e uma não tão boa — impressão à primeira vista. Além disso, a idéia desse estudo é fornecer centenas de exemplos que podem ser implementados na construção de home pages.

Nesse sentido, os autores apresentam uma metodologia baseada em oito itens, que serve para melhor entender o uso de uma home page e que, ao mesmo tempo, é bem eficaz para desconstruir um site.

O Quadro 4.4 apresenta os conceitos de autopromoção, boas-vindas e identificação do site, conteúdo de interesse, navegação, preenchimento, publicidade, sem uso, sistema operacional e controle do navegador.

Quadro 4.4

Principais conceitos utilizados pelo estudo de Nielsen e Tahir para desconstruir uma home page — 2002

ITENS DE ANÁLISE DESCRIÇÃO

Autopromoção A área da home page chamada “autopromoção” significa a existência de algum link relacionado com a promoção da própria rede de cidades.

Seria como um anúncio da própria rede na home page.

Boas-vindas e identificação do site

Esse item está relacionado tanto a mensagens de boas-vindas aos usuários do site, como também à própria identificação da rede de cidades. Geralmente, está mais destacado do que os itens a seu redor, de modo a chamar, de imediato, atenção, quando os usuários entram no site.

Conteúdo de interesse É um espaço na home page destinado a manter vivo o interesse do usuário no tema das redes de cidades. Geralmente, nesse item, se encontram notícias gerais de cidades da rede, ou também são listados os próximos eventos da rede.

Navegação A área denominada de navegação significa o conteúdo mais importante do site; geralmente são informações relacionadas com a estrutura da rede, o que ela faz, quais são as cidades parceiras e como aderir à rede. É o objetivo principal de uma home page, propiciando ao usuário facilidade de se locomover no site. Deve-se sempre dar condições para que os usuários consigam encontrar a área de navegação adequada, distinguindo as opções e tendo uma noção básica do que existe por trás do link.

Preenchimento A área da home page de preenchimento refere-se ao espaço gráfico que é usado para dar forma a uma determinada mensagem ou link;

geralmente, essa área se destina ao uso de bordas, margens, cores, etc.

(continua)

O Gráfico 4.2 apresenta o detalhamento da área física da home page da Rede Mercocidades.

Quadro 4.4

Principais conceitos utilizados pelo estudo de Nielsen e Tahir para desconstruir uma home page — 2002

ITENS DE ANÁLISE DESCRIÇÃO

Publicidade Através desse item, procura-se saber se a rede de cidades promove produtos de outras empresas em seu site. É, em outras palavras, a utilização de publicidade de empresas externas.

Sem uso Essa área da home page significa o espaço não utilizado pelos designers.

Sistema operacional e controle do navegador

Essa área oferece ao usuário acesso às tarefas relacionadas com o sistema operacional, como os comandos file, edit, favorites, help, e ao controle do navegador, como, por exemplo, definir uma página como sendo uma página inicial do navegador, ou marcar um site como favorito.

FONTE DOS DADOS BRUTOS: NIELSEN, J.; TAHIR, M. Homepage: 50 websites desconstruídos.

Rio de Janeiro: Campus, 2002.

Sem uso (55%)

Autopromoção (0%)

Preenchimento (0%)

Conteúdo de interesse (0%)

Publicidade e patrocínio

(0%) Navegação

(2%) Boas-vindas e identificação do site

(28%) Sistema operacional e

controle do navegador (15%) Gráfico 4.2

Detalhamento da área física da home page da Rede Mercocidades — 2002

FONTE DOS DADOS BRUTOS: Site da Rede Mercocidades [on line ].

Disponível em:

http://www.pbh.gov.br/mercocidades/

Pode-se verificar que mais de 50% da área física não está sendo utilizada pela Rede Mercocidades. Isso representa um desperdício, pois não existe praticamente nada de conteúdo de interesse para o usuário que quer se informar sobre notícias ou sobre algum evento que deve ocorrer proximamente.

Além disso, um outro problema dessa página é a utilização de muito espaço para identificar o site: quase 30% da área física é usada para identificar a rede de cidades. A parte do sistema operacional e o controle do navegador estão adequados com o de outras home pages. Os itens preenchimento, autopromoção e publicidade não foram sequer utilizados e, da mesma forma, estão coerentes com o verificado por outras redes.

A Tabela 4.3 faz um comparativo dos itens da home page da Rede Mercocidades, com os de outras redes de cidades.

De uma forma geral, através da Tabela 4.3, pode-se notar que os itens autopromoção, preenchimento, publicidade e patrocínio não foram utilizados por nenhuma rede de cidades, e o item conteúdo de interesse foi um dos mais enfatizados (com exceção da Rede Mercocidades). Na realidade, esse é o

Tabela 4.3

Principais itens e sua participação percentual na área física das home pages das redes de cidades IULA, Eurocities, Sister-Cities, WFUC e Mercocidades — 2002

ITENS IULA EURO-

CITIES

SISTER-

-CITIES WFUC MERCO- CIDADES

Autopromoção ... 0 0 8 0 0

Boas-vindas e identificação

do site ... 3 1 15 3 28

Conteúdo de interesse ... 15 66 22 28 0

Navegação ... 18 5 7 11 2

Preenchimento ... 3 3 8 5 0

Publicidade e patrocínio .... 0 0 0 0 0

Sem uso ... 43 6 20 34 55 Sistema operacional e con-

trole do navegador ... 18 19 20 18 15 TOTAL ... 100 100 100 100 100

FONTE DOS DADOS BRUTOS: Gráficos A1, A2, A3, A4 e 4.2.

padrão adotado pelas redes de cidades:8 atrair os usuários através do item conteúdo de interesse, seguindo inclusive o que está sugerido por Nielsen e Tahir (2002). Talvez nesse item esteja a maior fragilidade da home page da Rede Mercocidades.

Mas, apesar dessa falha, a home page da Rede Mercocidades ainda consegue oferecer uma visão dos temas que foram tratados nas inúmeras reuniões dos executivos da Rede. Agindo assim, ela trata com êxito a possível aproximação de uma nova cidade interessada em aderir à Rede.

Essa home page, por ser bastante simples, não informa, tanto aos usuários já cadastrados como, principalmente, aos novos usuários, quais são os benefícios da rede de cidades, o que é uma das obrigações fundamentais de uma home page. Os usuários precisam refletir muito para descobrir quais são efetivamente as vantagens de uma cidade ao aderir a uma rede. Essa questão é importante, pois devem estar bem claros quais foram os resultados obtidos por uma determinada cidade enquanto pertencente à Rede Mercocidades. Seria melhor ser mais informativo, principalmente aos novos usuários, pois a impressão que se tem é de que a home page está dirigida prioritariamente aos usuários já cadastrados na Rede.

Sabe-se que a idéia básica das redes de cidades é, ao atuarem em unidades temáticas, disponibilizarem informações de projetos vitoriosos, entretanto isso não está claro. O site é considerado um portal da Rede Mercocidades, mas, efetivamente, não é, pois focaliza apenas a estrutura da Rede e não consegue impactar suficientemente os cidadãos (contribuintes) para que o usem regularmente, a fim de procurarem um bom projeto que deu certo em uma cidade da Rede.

Essa home page não oferece links para outras redes de cidades (como a grande maioria das redes fazem) e tampouco textos técnicos que discutam as redes de cidades. Um conteúdo assim limitado reduz as possibilidades de um usuário gostar de uma opção o suficiente para continuar explorando o site.

8 No Apêndice, as Figuras A1, A2, A3 e A4 e os Gráficos A1, A2, A3 e A4 apresentam um estudo dos layouts e do detalhamento da área física das home pages das redes de cidades IULA, Eurocities, Sister-Cities e World Federation of United Cities. Procurando-se entender o padrão utilizado pelas home pages das redes de cidades, percebeu-se que todas elas fazem um bom trabalho, ao fornecerem um conteúdo bem aprofundado. Na verdade, essas home pages mostram uma atenção muito grande na promoção de eventos e nas notícias de interesse geral das cidades. Usam, de forma bem marcante, o item conteúdo de interesse, como já mencionado, mostrando apenas o suficiente em termos de conteúdo para tornar claro o que existe de informações, sem sobrecarregar os leitores. Em síntese, é essa a diferença fundamental da home page da Rede Mercocidades em relação às outras: enquan- to a primeira não explora o item conteúdo de interesse, as demais são bem mais dedica- das — Eurocities (quase 70% do espaço destinado a esse item), WFCU (28%), Sister-Cities (22%) e IULA (15%).

Mas, enfim, a idéia do site da Rede Mercocidades foi importante e teve um objetivo básico: despertar a atenção de outras cidades latino-americanas. Nesse sentido, a Cidade de Porto Alegre, que, em março de 1997, estava sediando a Secretaria Executiva da Rede, apresentava a home page, destacando que:

“Numa de suas subpáginas, encontra-se uma listagem das cidades integrantes da Rede, e nossa intenção é tornar clicáveis os nomes de cada cidade, permitindo o acesso do usuário ao correio da Internet de cada uma delas ou à home page das mesmas, caso possuam. Na parte inferior da página de rosto, existem dez botões, onde cada uma das Unidades Técnicas terá lugar para suas informações específicas. Para uma melhor utilização da home page, a Secretaria Executiva aguarda o recebimento de notícias das cidades” (Diálogo, 1997a, p. 5).

Na mesma época, o Secretário Executivo da Rede, Prefeito Raul Pont, declarava que: “(...) o Governo de Porto Alegre esteve bastante envolvido na constituição da Rede, e minha eleição representa a continuidade da mesma frente política” (Diálogo, 1997a, p. 7).

No documento Sem t.tulo-2 (páginas 122-128)