O CONTEXTO DA INVESTIGAÇÃO: FORMAÇÃO SOCIOESPACIAL DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ E O TRATAMENTO DO LIXO
O município escolhido para este estudo é Balneário Camboriú com uma população estimada para 2004 pelo IBGE de 90.461 habitantes fixos; sua densidade demográfica é de 1.465,32 habitantes por km².
Balneário Camboriú, como todo o litoral brasileiro, foi povoado, antes da chegada dos colonizadores europeus, por populações indígenas. Estes, aqui encontraram na Praia de Laranjeiras um clima aprazível, um rio de água doce e boa pesca. Existem relatos segundo os quais a colonização européia teria iniciado em 1758 com algumas famílias que residiam na margem esquerda do rio, mas apenas em 1826 é que foi doada, pelo Governo da Província de Santa Catarina, uma área a Baltazar Pinto Corrêa. Esta terra destinava-se à moradia e ao cultivo (Foto 1).
FOTO 1 - BALNEÁRIO CAMBORIÚ NA DÉCADA DE 50
FONTE: Arquivo histórico de Balneário Camboriú
O café era o principal produto de Camboriú e o município destacou-se como primeiro produtor de café do Estado por muito tempo. Além da economia cafeeira, destacou- se na economia do município a exploração de jazidas de mármore, granito e calcário. Somente em fins de 1920 tem início o processo de desenvolvimento econômico, através da exploração da praia como balneário, sendo o primeiro hotel construído em 1928 (Foto 2).
FOTO 2 - BALNEÁRIO CAMBORIÚ NA DÉCADA DE 60
FONTE: Arquivo histórico de Balneário Camboriú
Com o interesse pelo balneário por parte dos alemães do Vale do Itajaí, surgem as casas de veraneio e o hábito de ir à praia como lazer, pois até então era utilizada apenas para tratamento para certas doenças. A atividade turística, entretanto, é acelerada apenas na década de sessenta, destacando a cidade, a partir daí, como importante centro turístico brasileiro.
(Foto 3).
FOTO 3 - BALNEÁRIO CAMBORIÚ DÉCADA DE 70
FONTE: Arquivo histórico de Balneário Camboriú
Balneário de Camboriú transforma-se em município em oito de abril de 1964, com o território de cinqüenta quilômetros quadrados e após quatro anos, em 1968, passa a denominar-se Município de Balneário Camboriú. Politicamente está dividido em quatorze áreas das quais, uma é o centro da cidade, doze bairros e uma é a região das praias. Limita-se, ao norte, com Itajaí, ao sul, com Itapema, a leste, com o Oceano Atlântico e a oeste com o Município de Camboriú.
Encontra-se a dois metros acima do nível do mar, em média, apresentando clima temperado. A temperatura máxima é de 40º centígrados e a média de 25º centígrados, e a vegetação original predominante era a Mata Atlântica e a vegetação rasteira. O relevo é predominantemente constituído de superfícies planas e ondulado com formação do complexo do modelo litorâneo. Quanto à hidrografia o município não possui grandes recursos hídricos, porém os rios existentes têm sua importância para o município: Rio Camboriú com 40 km de extensão, Rio Ariribá e Rio Peroba.
Além do turismo, outros setores da economia são de grande importância para o desenvolvimento do município, especialmente a indústria da construção civil. Entretanto, o Setor Terciário é o principal responsável pela dinâmica de crescimento que o coloca como oitavo município que mais recebe turistas no país.
Na busca da melhor qualidade de vida, de acordo com a Secretaria de Turismo, foi o 35º município citado pela UNICEF (1999) pelas condições do desenvolvimento infantil e a atenção ao menor. Em 2001 foi citado como 1º município catarinense em qualidade de vida e
atualmente, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) apurado pelo IBGE. As instituições educacionais do município são: dezenove escolas municipais, seis estaduais, doze particulares, treze creches municipais, quinze particulares e uma instituição de ensino superior.
Resultados do Censo 2000
População Residente
Total 73.455
Homens 35.082
Mulheres 38.373
FONTE: Censo 2000 - IBGE - Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
População Residente – de 10 anos ou mais de idade
Total 61.594
Alfabetizada 59.871
Taxa de alfabetização % 97.2
FONTE: Censo 2000 - IBGE - Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Dados complementares
Estabelecimentos de ensino pré-escolar 35
Estabelecimentos de ensino fundamental 27
Estabelecimentos de ensino médio 8
Hospitais 2
Agências Bancárias 7
FONTE: Censo 2000 - IBGE - Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O município em questão apresenta algumas características que são próprias das cidades turísticas de veraneio. Durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, o fluxo de turistas altera não só a paisagem, mas também os índices de consumo de energia elétrica e de água, assim como o aumento no volume de trânsito, de poluição sonora e, evidentemente, um grande aumento na produção de resíduos sólidos. Os índices apresentados pelos órgãos competentes e fornecidos pela Secretaria de Turismo de Balneário Camboriú :
Movimento estimado de turistas em Balneário Camboriú
Origem 2003 2004 2005 2006
Nacionais 410.971 654.002 756.139 670.465
Estrangeiros 99.702 116.033 105.936 102.419
Total 510.674 770.035 862.075 772.884
FONTE: Santur/Gerência de Planejamento (março/2006).
Meios de Hospedagem utilizados
2002 2003 2004 2005 2006
Hotel 20,14 17,13 13,82 14,30 15,19
Pousada 1,15 0,95 1,74 2,14 1,56
Hospedaria/pensão 4,75 0,29 0,87 0,89 1,08
Casa própria 22,30 23,60 18,06 18,77 23,33
Casa amigos/parentes 16,12 26,26 33,13 27,08 27,87
Casa ou apto aluguel 33,53 30,92 31,13 35,84 30,01
Camping 1,87 0,76 0,87 0,80 0,96
Albergue/alojamento 0,14 0,19 0,38 0,18 -
Total 100 100 100 100 100
FONTE: Santur/Gerência de Planejamento (março/2006).
A situação dos resíduos sólidos em Balneário Camboriú pode ser percebida verificando os números apresentados pela Engepasa Ambiental. O impacto de cada temporada deixa montanhas extras de resíduos. Desta forma procuramos avaliar até que ponto as medidas encaminhadas pela Administração Municipal são suficientes para amenizar os problemas decorrentes desse aumento demográfico sazonal, sobretudo em relação à questão do lixo, cujos impactos ambientais parecem inquestionáveis.
Os serviços de coleta de resíduos e a limpeza urbana do Município de Balneário Camboriú, de responsabilidade da Prefeitura Municipal até 1994, a partir desse ano passam a ser prestados pela empresa Coneville. A Engepasa Ambiental, que pertence a Coneville, é a empresa contratada pela prefeitura através de contrato de concessão do município para fazer exclusivamente a limpeza urbana e a coleta de lixo de Balneário Camboriú. Fazem parte da limpeza urbana além da coleta de resíduos (domiciliar, seletiva e hospitalar) a destinação final no aterro de Canhanduba como também os trabalhos de varrição, raspagem e capinação das ruas, pinturas de meio-fio, limpeza de boca-de-lobo, limpeza de praias, capina química e coleta seletiva.
A coleta seletiva foi iniciada em 2001, com a freqüência de uma vez por semana, em todos os bairros, e todo o material coletado é disponibilizado na Usina de Triagem de Recicláveis de Balneário Camboriú, e a partir da entrega dos resíduos passa a ser de responsabilidade da Secretaria do Meio Ambiente. Na Usina de Triagem cerca de uma tonelada de resíduos por dia são separados, classificados e encaminhados a um intermediário, que vende para indústrias de reciclagem.
Em 2001, a Engepasa Ambiental iniciou também a coleta hospitalar abrangendo todos os estabelecimentos que geram lixo infectante: hospitais, clínicas médicas, odontológicas, veterinárias, farmácias e postos de saúde. A freqüência dessa coleta é determinada pela necessidade de cada estabelecimento. A empresa utiliza em torno de 300 funcionários, 13 caminhões e 07 veículos de apoio.
De acordo com informações da Secretaria de Meio Ambiente de Balneário Camboriú, o processo de conscientização sobre o lixo reciclável foi iniciado nas Unidades Escolares, em 1997, pelas Secretarias do Meio Ambiente e da Educação que utilizavam vídeos, palestras, slides, com o objetivo de demonstrar as possibilidades de reaproveitamento do lixo.
O Programa Terra Limpa, desenvolvido nas escolas do Município desde 1997, tem mostrado resultados concretos, percebidos através de algumas mudanças de comportamento da população. Segundo a Secretaria do Meio Ambiente de Balneário Camboriú (SEMAN), “é um trabalho lento e contínuo para que aconteça a mudança dos hábitos e a conscientização de que a responsabilidade é de cada um de nós”.
A Secretaria do Meio Ambiente de Balneário Camboriú (SEMAN) foi criada no ano de 1989, no dia 29 de março - Lei n° 863 - primeira secretaria do meio ambiente criada em Santa Catarina. Sua área de abrangência compreende todo o Município de Balneário Camboriú atuando por meio de seus departamentos: departamento de desenvolvimento ambiental, fitoterapia, fiscalização ambiental e departamento administrativo. Capítulo 10 – sessão 1,2,3, artigo 67 até 71. Lei n° 1068 – Estrutura de SEMAN (competências).
Os principais projetos atualmente desenvolvidos, além do Projeto de Educação Ambiental em parceria com a Engepasa são:
- Projeto Restinga.
- Viveiro Mata Atlântica.
- Plantas que curam.
- Projeto de Urbanização Ambiental do Pontal Norte.
- Observatório Astronômico.
- Dragagem do Rio Camboriú.
- Espaço Ambiarte.
- Programa Terra Limpa.
- Projeto de Sinalização Ecológica Turística e Cultural das Praias Agrestes (passarelas nas praias agrestes).
- Gerenciamento Costeiro.
- Parque Eco – Marinho.
- Projeto Orla.
- Participação na elaboração do novo Plano Diretor.
- Coleta Seletiva.
Em 1998, através de um convênio com a Caixa Econômica Federal, o “Projeto Coleta Seletiva e Tratamento de Resíduos Sólidos”, é aprovado. Os recursos propiciaram a recuperação da Usina de Reciclagem que passou a operar como “Centro de Triagem de Lixo”;
foi adquirido um caminhão para a coleta seletiva, containeres e material para divulgação do projeto. Neste mesmo ano o projeto passa a ser chamado de “Projeto Terra Limpa na Onda da Coleta Seletiva”.
A partir de 1999, o projeto é aplicado em alguns hotéis, restaurantes, condomínios e implantado nas escolas e creches municipais, com o envolvimento de dezoito escolas municipais, noventa e dois monitores, doze professores e secretarias.
Em 2000, o projeto sofre mudanças. As atividades nas escolas são ampliadas e os treinamentos para a separação do lixo se estendem aos funcionários, vigias e merendeiras. No ano de 2001 duas escolas estaduais e duas particulares se envolvem no projeto.
As palestras, as visitas ao Centro de Triagem do Lixo e ao Aterro Sanitário informam, orientam, sobre os tipos de materiais, sua classificação, a importância da separação do lixo orgânico e inorgânico para que seja percebida a necessidade do destino e do tratamento do lixo e o que isso representa na preservação do ambiente e no impedimento dos impactos ambientais.
Outras ações como cadastramento de residências, distribuição de adesivos da coleta seletiva e folhetos (Anexo A) com esclarecimentos sobre o lixo visam conscientizar a população. A partir dessas atividades, a Secretaria do Meio Ambiente sistematizou a coleta periódica, utilizando o caminhão de coleta seletiva.
O Projeto “Terra Limpa”, desde o ano de 2002, está sendo ampliado nos bairros e domicílios, para motivar toda a população municipal. Há um roteiro da coleta seletiva indicando os dias da semana e as ruas em que é coletado o lixo reciclável segundo a Secretaria do Meio Ambiente de Balneário Camboriú. O projeto de coleta seletiva mantido segundo a secretaria para integrar o desenvolvimento urbano à conservação do meio ambiente, conta com quarenta postos de coleta disponibilizados para a comunidade.
A Engepasa Ambiental trabalha exclusivamente com a limpeza urbana no Município do Balneário Camboriú, inclusive a coleta de lixo. São feitos três tipos de coleta: a
coleta de lixo domiciliar (lixo orgânico) a coleta seletiva e a coleta hospitalar. A empresa trabalha em Balneário Camboriú através de um contrato de concessão para realizar a limpeza urbana e toda a coleta de lixo, serviço este que é cobrado diretamente do usuário.
O objetivo desta empresa, de acordo com a gerente regional responsável, é reduzir a quantidade de lixo que vai para o aterro sanitário. Segundo suas informações, apesar da implantação da coleta seletiva, muita coisa reciclável ainda é levada ao aterro sanitário porque está misturada ao lixo. Se tudo fosse separado pelas pessoas que produzem o lixo essa grande quantidade de material que é reciclável não iria para o aterro. Mas, uma vez que está misturado ao lixo, o caminhão que recolhe tem um compactador e não é mais possível separar nada. Vai tudo para o aterro. A gerente da empresa alerta:
Se as pessoas separassem mais, tivessem a consciência de que o lixo que se produz é de responsabilidade de cada um e não da Conevile, isso aumentaria muito a vida útil do aterro além de ajudar a associação de catadores que recebe este material da coleta seletiva para fazer a triagem e a comercialização que é o ganha pão deles, e também a contribuição para o meio ambiente, que isso nem se fala. Então a gente tem essa visão de tentar melhorar sempre e tentar prestar um serviço de qualidade pro município.
O caminho do lixo feito através da empresa desde a coleta até a disposição final é percorrido de três maneiras diferentes: pela coleta domiciliar, a coleta seletiva e a coleta hospitalar.
Na coleta domiciliar composta pelo lixo orgânico, o material é recolhido nas lixeiras e na frente das casas pelo caminhão de coleta com compactador, e o lixo é transportado diretamente para o aterro sanitário de Itajaí onde recebe tratamento adequado:
“Não há separação ou triagem do lixo, foi pro aterro acabou”.
Na coleta seletiva, o lixo é recolhido semanalmente em todas as ruas do município, obedecendo a um roteiro pré-estabelecido. Cada dia da semana é recolhido nas ruas de um determinado bairro. Todo esse material vai para a ACATELI, Associação dos Catadores na Usina de Triagem que é o local indicado pela prefeitura, onde os materiais são separados. Isto será tratado mais detalhadamente adiante.
A responsabilidade da Engepasa é somente com a coleta e a limpeza do município. Nós não temos qualquer relação com os catadores. Somos contratados apenas para levar os resíduos da coleta seletiva naquele local indicado pela Prefeitura e aí termina nosso trabalho. Eles indicam o local para dispormos o material e a Secretaria do Meio Ambiente é que está envolvida com os catadores e começou a estruturar essa Associação.
Portanto, a empresa de limpeza urbana, em relação à coleta seletiva, é responsável apenas pela coleta e disposição do material na Associação. A separação e a comercialização são feitas pela Associação, segundo a gerente da Engepasa destaca:
Os catadores em BC estão por todas as ruas, eles recolhem muito material reciclável e de melhor qualidade do que nós. Eles na verdade acabam escolhendo o que é melhor, mais fácil de vender, e nós não, tudo o que é reciclável mesmo meio misturado nós coletamos e dispomos na Usina. O material que os catadores recolhem nós não temos informação de quanto eles coletam nem para onde vai. Só que esse material não vai para a associação.
Eles vendem pros depósitos diariamente.
De acordo com a responsável, seria interessante ter os dados da coleta realizada pelos catadores uma vez que, com relação à coleta seletiva, “de concreto só temos os dados do que coletamos”, e cita um exemplo: em junho, a quantidade de lixo domiciliar é de 95 toneladas dia e a seletiva não chega a duas toneladas dia, então “não posso dizer que BC só separa isto porque tem todos esses catadores que coletam e isso não é computado”.
A empresa realiza visitas periódicas aos estabelecimentos, edifícios, por todas as ruas principais e transversais e as muitas pessoas informam que já separam os materiais para os catadores. Segundo a gerente, “para nós isso não é problema porque o importante é a separação. Tem que se levar em consideração o lado social, são pessoas que estão buscando seu sustento”. Isso contraria, de certo modo a idéia que têm alguns catadores, como já foi dito, quando acreditam que a coleta seletiva estaria prejudicando-os, retirando o material que eles poderiam comercializar.
Há também a coleta hospitalar que recolhe o lixo dos hospitais, das farmácias, laboratórios, etc. Esse material é recolhido por uma Fiorino destinada somente para isso, com toda identificação para levar esse lixo infectante diretamente para o aterro sanitário onde recebe tratamento adequado. Os resíduos da coleta domiciliar e coleta hospitalar são, portanto, dispostos no Aterro Sanitário, enquanto que os resíduos obtidos na coleta seletiva são levados para a Usina de Triagem onde funciona a ACATELI (Associação de Catadores Terra Limpa).
Os problemas e dificuldades enfrentadas pela empresa prestadora em relação à população em geral, são provocados pela falta de observação dos dias e horários para colocar o lixo em frente às casas. Dessa forma, lixo fica muito tempo exposto na rua, provoca mau cheiro, o que é ruim, desagradável, segundo a gerente, o que além do aspecto atrai os cachorros e até mesmo cavalos, como recentemente, quando a empresa recebeu uma
reclamação de que os cavalos espalham o lixo de um pequeno prédio na rua. Segundo a empresa, o prédio deveria ter uma lixeira fechada, de acordo com a legislação, mas nem todos têm. Uma outra observação quanto ao comportamento da população é na forma incorreta de acondicionar vidros quebrados que provocam muitos cortes e acidentes nos funcionários, mesmo que utilizem equipamentos de segurança. Com relação aos funcionários da empresa, os problemas mais comuns são os cortes e as torções. Eles são submetidos a treinamentos regulares sobre as formas seguras de trabalhar.
Com relação ao número de funcionários e equipamentos utilizados para a limpeza urbana do Município, a empresa contratada, Engepasa Ambiental, conta, ao todo com 325 funcionários, dos quais 235 trabalham na coleta e limpeza. São 11 caminhões compactadores, dos quais são utilizados apenas sete, fora da temporada. Os outros ficam como reserva e para alta temporada. Para coleta seletiva são utilizados dois caminhões e um veículo para coleta hospitalar. Há mais dois caminhões para serviços gerais e raspagem (ruas, praias, etc) sendo um poliguindaste e um caminhão caçamba.
Abaixo se encontram dois quadros com as quantidades de resíduos (coleta domiciliar e seletiva) coletados pela Engepasa Ambiental nos últimos quatro anos, segundo dados fornecidos pela empresa:
QUADRO 4 - RESÍDUOS COLETA DOMICILIAR
Toneladas de Lixo produzidas - Janeiro 2002 a Junho 2006 Coleta Domiciliar
2002 2003 2004 2005 2006
Janeiro 5.497 5.451 5.031 5.020 5.365
Fevereiro 3.789 3.708 3.696 3.691 3.678
Março 3.008 3.633 3.274 3.137 3.494
Abril 2.642 2.781 2.795 2.624 2.774
Maio 2.599 2.664 2.481 2.475 2.633
Junho 2.475 2.387 2.478 2.399 2.465
Julho 2.664 2.524 2.470 2.408
Agosto 3.110 2.464 2.374 2.552
Setembro 2.672 2.478 2.425 2.433
Outubro 2.650 2.511 2.498 2.688
Novembro 2.935 2.631 2.667 2.863
Dezembro 3.949 3.771 3.601 3.757
Total 37.990 37.003 35.790 36.047 20.409
FONTE: Engepasa Ambiental Ltda. Balneário Camboriú. (2006).
QUADRO 5 - RESÍDUOS COLETA SELETIVA
Toneladas de Lixo produzidas - Janeiro 2002 a Junho 2006 Coleta Seletiva
2002 2003 2004 2005 2006
Janeiro 20,30 24,23 47,73 36,26 63,14
Fevereiro 15,50 14,35 40,33 37,00 49,14
Março 17,76 18,40 37,74 40,70 51,18
Abril 15,54 35,16 31,08 38,17 48,05
Maio 16,28 27,40 26,64 48,12 49,07
Junho 17,76 25,63 26,64 47,03 48,05
Julho 21,46 29,25 32,93 44,04
Agosto 26,64 29,88 31,08 50,09
Setembro 22,66 33,30 29,60 50,05
Outubro 27,72 32,56 33,30 46,61
Novembro 20,72 30,34 29,60 51,04
Dezembro 24,42 51,06 31,08 56,07
Total 246,76 351,56 397,75 545,22 260,58
FONTE: Engepasa Ambiental Ltda. Balneário Camboriú. (2006).
Pode-se observar que as quantidades de resíduos orgânicos vêm se mantendo nestes quatro anos, mesmo nas temporadas, não há variação de um ano para outro, enquanto que, as quantidades de material da coleta seletiva recolhido pela empresa tiveram um aumento significativo ao longo deste mesmo período. Entretanto, deve-se levar em consideração que:
os dados da coleta seletiva, conforme destacou a gerente da Coneville, não revelam a real quantidade desses resíduos em Balneário Camboriú, pois não estão aí computados os materiais recolhidos pelos catadores.
O roteiro semanal estabelecido para coleta seletiva cumpre no período da manhã e da tarde todos os dias um trajeto que percorre todos os bairros e principais ruas da cidade. Os roteiros são periodicamente distribuídos para que a população esteja informada dos dias da coleta seletiva (Anexo B).
ROTEIRO SEMANAL DA COLETA SELETIVA DE RESÍDUOS RECICLÁVEIS.
Segunda-feira:
Manhã: Rua 10 à Rua 1500 (entre a 3ª Avenida e Avenida do Estado), Avenida Atlântica, Avenida Brasil e Ruas Transversais;
Tarde: Continuação da Avenida Atlântica, Avenida Brasil e Ruas Transversais;
Terça-feira:
Manhã: Bairro das Nações (Rua Itália à Rua Venezuela entre a Avenida do Estado e Avenida Palestina);
Tarde: Bairro das Nações (Rua Itália à Rua Venezuela, da Avenida Palestina sentido Morro) e Praia dos Amores;
Quarta-feira:
Manhã: Rua 3.020 à Rua 1542 (entre a 3ª Avenida e Marginal Leste) e Bairro Vila Real;
Tarde: Continuação Bairro Vila Real e Bairro dos Estados;
Quinta-feira:
Manhã: Centro, da Rua 2101 à Rua 1500 (entre a Avenida Brasil e Avenida do Estado);
Tarde: Bairro dos Pioneiros, Nova Esperança, Bairro das Nações (Rua Israel à Rua Albânia);
Sexta-feira:
Manhã: Centro, da Rua 3700 à Rua 1500 (entre Avenida Brasil e 3ª Avenida);
Tarde: Bairro dos Municípios e Bairro Ariribá;
Sábado:
Manhã: Praias Estaleiro, Estaleirinho, Taquaras, Laranjeiras, Bairro da Barra e Bairro São Judas;
FONTE: Engepasa Ambiental (2006).
Em informações fornecidas pela Secretaria do Meio Ambiente (2005), as atividades exercidas por esta secretaria contam com diversos setores: o setor de análise e elaboração de projetos, o setor de Educação Ambiental, o setor de Divulgação e Eventos e o setor de Monitoramento de Áreas Invadidas.
Camboriú e Balneário Camboriú somam um número significativo de catadores, de acordo com a pesquisa realizada pela SEMAN em 2003. A grande proximidade dos dois municípios faz com que muitos catadores mantenham residência no primeiro e trabalhem no segundo. O valor do aluguel é menor em Camboriú enquanto que a quantidade maior de resíduos é encontrada no Balneário Camboriú. (Foto 4).
FOTO 4 - BALNEÁRIO CAMBORIÚ VISTA AÉREA - 2005
FONTE: Arquivo histórico de Balneário Camboriú