O cenário educacional sinaliza sobre os aspectos de “aprender bem” (DEMO, 2004). Há tempos que a educação vem sendo objeto de estudo em pesquisas das mais diversas áreas do conhecimento. A realidade educacional comentada por Merriam e Caffarella (1999) é afetada por forças demográficas, econômicas e tecnológicas. Essas três forças são constituídas por visões das ciências humanas, exatas, naturais, saúde e sociais.
Ao passo que essa heterogeneidade de campos do conhecimento contribui para os estudos da aprendizagem, causa também uma complexidade de ideias.
Para tanto, é importante orientar os principais preceitos que envolvem as teorias da aprendizagem. Merriam e Caffarella (1999) classificam os estudos acerca da aprendizagem em quatro teorias: behaviorista, cognitivista, humanista e aprendizagem social (sócio interacionista). Essa classificação se repete em outras obras, como em Mizukami (1986), o qual apresenta uma pequena variação sobre aprendizagem, nominando da seguinte forma: tradicional, comportamental, humanista, cognitivista e sociocultural.
Diversos trabalhos como Cranton (1996), Hutto (2009) entre outros adotarem a classificação das autoras Merriam e Caffarella (1999) quanto às teorias da aprendizagem, fato pelo qual se optou em seguir a mesma abordagem nas descrições a seguir.
A abordagem behaviorista ou comportamentalista tem como um de seus precursores Burrhus Frederic Skinner (MIZUKAMI, 1986). O foco desta abordagem está no entendimento do comportamento humano, para que o aluno haja conforme os desejos do professor, (HOLLAND; SKINNER, 1973; MILHOLLAN; FORISHA, 1978; MIZUKAMI, 1986). A ação docente sobre o comportamento do aluno poderá ser: reforço positivo e reforço negativo, punição positiva e punição negativa ou extinção. Isso quer dizer que, a partir de estímulos, o educando se sente mais motivado ou não para uma determinada atividade em si.
A teoria behaviorista tem foco na mudança do comportamento desejável pelo professor. O comportamento desejável deverá ou deveria agir no sentido daquele que o professor julga ser importante para aquisição do conhecimento. O comportamento pode ser influenciado a partir de reforços/punições. Caso os fatores que influenciam os comportamentos não forem direcionados de maneira correta, poderá ocorrer à extinção de determinado comportamento, ou seja, a não concretização da aprendizagem (MIZUKAMI, 1986; SKINNER, 2000). Assim como em outras teorias da aprendizagem, para o comportamentalismo o conhecimento também advém da experiência. A aprendizagem será o resultado da experiência. O ambiente pode ser controlado e alterado, consequentemente o comportamento também sofre mudanças. Um dos precursores dessa ideia é Skinner (2000), que trata a realidade como objetiva, ou seja, ela se encontra fora da consciência humana. Essa ideia se assemelha a escola de pensamento funcionalista apresentada por Burrell (1996) e anos mais tarde comentada por Caldas e Fachin (2005).
Uma teoria que ganhou destaque no ensino foi à escola cognitivista, idealizada na década de 30 pela psicologia Gestaltiana e que só foi clarificada anos depois por Jean William Fritz Piaget (MERRIAM; CAFFARELLA, 1999). O foco dessa abordagem está na aprendizagem baseada em problemas, ou seja, a partir de determinada problemática os alunos buscam a solução e, dessa forma, apreendem o conhecimento (PIAGET; GRECO, 1974).
A teoria cognitivista apresenta o aprendiz como capaz de identificar e conferir significados. As experiências são analisadas e nesse momento ocorre a aprendizagem. A ressalva dessa teoria é que cada um interpreta as informações diferentemente dos outros. Por isso o aprendizado se presta a formas individuais nos modelos mentais internos (PIAGET, 2010). Aqui são questionados os estilos de
pensamento. Entretanto, apesar do viés da construção do conhecimento para o indivíduo, as experiências são tratadas pela relação do adulto com o ambiente na qual se encontra inserido e a forma como interage com ele (LINDEMAN, 1926).
Piaget (2010) comenta a necessidade de envolver o real e trabalhar com materialismo ao invés de agir com o abstrato ou fictício e histórias narradas. A ação docente deverá ocorrer no sentido de desenvolver situações que propiciem a cooperação entre o grupo de estudo.
Personalidade forte na abordagem cognitivista é Lev Semenovitch Vigotsky (VIGOTSKY; LURIA; LEONTEV, 1988). O autor preconiza que a aprendizagem se dá pela construção do conhecimento a partir das experiências vividas em interações, além do histórico de vida pelo qual passou o educando. As experiências são consideradas fator importante para o processo de aprendizado do aluno (MERRIAM;
CAFFARELLA, 1999). No contexto dessa abordagem vale a máxima “é errando que se aprende”. A construção da aprendizagem ocorre a partir das experiências vividas pelos alunos e desenvolvimento na resolução de problemas. O coletivo se dá pela colaboração (interação) entre os agentes envolvidos no processo de ensino aprendizagem.
A teoria humanista envolve o aspecto emocional, onde o indivíduo possui a capacidade de saber o momento de aprender. A ação do aluno se dá em função de sua auto realização (MIZUKAMI, 1986). Para o contexto da teoria o humanista o professor é tido como facilitador desse processo e não exatamente como transmissor do conteúdo. O professor deve circunstanciar o ambiente que propicie ao aluno, de maneira autônoma, produzir conhecimento. Na teoria humanista o conhecimento também é adquirido a partir da experiência do aluno com o ambiente (MERRIAM; CAFFARELLA, 1999; PIAGET, 2010). Entretanto, a aprendizagem e a necessidade de avançar no conteúdo emanam da consciência do aluno. É preciso respeitar as limitações do aluno, visto que cada um possui um ritmo único de desenvolvimento (FELDER, 1996).
Considerando que as abordagens comportamentalista, humanista e cognitivista trabalham aspectos isolados, respectivamente, o comportamento e os aspectos cognitivos para resolução de problemas, deve-se considerar ainda outras vertentes, que também se fazem importantes, dentre elas, a abordagem sociocultural, baseado no Brasil; em Paulo Freire (MIZUKAMI, 1986). No contexto apresentado por Mizukami (1986) a aprendizagem social é conhecida no Brasil
como Sociointeracionista e possui sua base nas relações das pessoas com o ambiente. A aprendizagem é construída pela observação e convívio com os outros (MERRIAM; CAFFARELLA, 1999). Esta abordagem revolucionou a educação ao tratar do processo ensino aprendizagem enquanto diálogo em classe entre educador e educando, a partir da realidade vivenciada pelos indivíduos. O real é trazido para dentro de sala de aula e discutido, também são expostos os conflitos em sala, de forma a dinamizar, facilitar e promover a aprendizagem. (GADOTTI, FREIRE, GUIMARÃES, 1985; MERRIAM; CAFFARELLA, 1999).
É preciso inserir o aluno no contexto do ambiente de forma que ele tenha consciência que se encontra nele inserido e trazer para dentro de sala de aula a realidade do aluno e seu histórico social. O professor e aluno são tratados como educador e educando (FREIRE, 1979). O professor se aproxima do aluno, pois faz parte do ambiente em que ele está inserido. O docente age na forma de tutoria e não como ditador de conteúdo. O aprendizado se dá pelo debate em sala a partir da troca de experiências. Essa teoria possui função transformadora sobre a percepção de existência do aluno junto ao ambiente (MERRIAM; CAFFARELLA, 1999). É premissa para garantia da aprendizagem a consciência de que o aluno faz parte do ambiente e do conteúdo que está sendo tratado em aula.
Das diversas abordagens apresentadas, é importante considerar que elas refletem mais sobre o processo de formação escolar do que especificamente em aprendizagem para adultos. A aprendizagem para adultos é conhecida como Andragogia, do grego andros = adultos e gogos = educar. O principal referencial da Andragogia é Malcolm Knowles. A Andragogia considera que o adulto “não sabe que sabe”, ou seja, ele não considera suas experiências anteriores como conhecimento adquirido (FORREST III; PETERSON, 2006). A clara identificação na aprendizagem para adultos, é que o aluno adulto tem consciência de que é necessário continuar aprendendo (CARVALHO, 2010).
Mesmo que a base das teorias da aprendizagem sejam designadas para o desenvolvimento e formação das crianças - a pedagogia. Ainda, é possível perceber aspectos como a experimentação que também são importante defesa para a prática educacional na educação de adultos. Pelo fato do presente estudo tratar dos
preceitos da educação de adultos, o foco será sobre as abordagens andragógicas, experiencial e interacionismo simbólico. Um dos fatores da educação de adultos que se diferencia da educação de crianças, é que em muitos casos o professor é um instrutor com faixa etária próxima do aprendiz, o que faz com que esse deva ser enxergado como processo ativo na aprendizagem (CHEETHAM; CHIVERS, 2001).