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O método do caso: do tradicional para o virtual

No documento 1 APRESENTAÇÃO DO TEMA E JUSTIFICATIVA (páginas 90-96)

2.6 APRESENTAÇÃO DO MODELO TEÓRICO: OS ESTILOS DE

2.6.5 O método do caso: do tradicional para o virtual

Como em qualquer área de estudos, os casos sofreram avanços em termos de sua estrutura em especial com o desenvolvimento tecnológico. Naumes e Naumes (1999) fazem referência aos Casos Multimídia. Esses casos são apresentados em formato áudio, vídeo e imagens, diferentemente do tradicional eminentemente textual. Os autores comentam que esse formato multimídia torna o caso mais atrativo pelo fato de utilizar recursos estéticos. Os recursos estéticos

devem ser pensados em termos de dinamizar a prática docente em sala de forma que permita a melhor apresentação de determinados conteúdos (FRANCIO, 2009).

Avanços em termos tecnológicos permitiram que as mídias fossem importadas para o ciberespaço. Na dimensão virtual as possibilidades se ampliam em termos de mídias, Hiperlinks e recursos de comunicação (NAUMES; NAUMES, 1999; MORAN; MASETTO; BEHRENS, 2004). Entretanto, há de se considerar as experiências e acessibilidade dos alunos em termos de hardware e software para uma participação efetiva. A dificuldade no uso do recurso multimídia está muitas vezes na forma de apresentação do vídeo e na pessoa que narra à estória do caso conseguir se expressar adequadamente frente às câmeras (NAUMES; NAUMES, 1999).

O uso de casos multimídia e casos web comentados por Naumes e Naumes (1999) associa-se fortemente com a teoria cognitivista. Mizukami (1986), Merriam e Caffarella (1999) e Ally (2004) aliam essa teoria ao estimulo dos sentidos sensoriais, o que facilita a captação da informação. Métodos de ensino que despertam sensorialmente o aluno possibilitam a relação efetiva de sentimentos, pensamento e reflexão para a compreensão da realidade (MORAES; LA TORRE, 2004).

A ação no Ambiente Virtual permite ao aluno interagir com o ambiente, com o conteúdo e se comunicar de diversas formas com seus pares. Então, além da teoria cognitiva, percebe-se uma perspectiva da teoria construtivista. A teoria construtivista envolve a dimensão afetiva e social, em que o aluno aprende em comunhão com outros colegas, bem como, reflete a partir de sua ação, erros e acertos (MIZUKAMI, 1986; MERRIAM; CAFFERELLA, 1999).

Com o uso contínuo de um ambiente virtual o aluno poderá perceber conhecimento tácito sobre o uso da tecnologia envolvida (ALLY, 2004). O ambiente Virtual estimula o aluno a uma aprendizagem auto direcionada, em que possui certa autonomia dentro do ciberespaço e que também exige dele planejamento sobre sua ação.

Considerando o advento da internet, de forma mais proeminente a partir da década de 90, o uso de casos web, podem ser considerados relativamente novos.

Estudos internacionais como os de McNeil (1998), Dechef (2005), Webb, Gill e Poe (2005), Brooke (2006) e Tran (2007) relatam experiências de casos para o ensino com uso de tecnologias educacionais. O estudo brasileiro de Lima (2003) demonstra também a possibilidade da aplicação do método em espaço virtual.

O estudo de McNeil (1998) faz um comparativo sobre os resultados do uso do Caso de maneira tradicional e seu uso em ambiente virtual. Os indicadores adotados nesse estudo foram: tempo, número de respostas e tipos de respostas. Os resultados apontaram melhores indicadores para o uso no ambiente virtual em comparação ao caso no formato tradicional. O autor não chega a analisar se a aplicação da metodologia no método presencial com o sistema e, no método presencial sem o sistema, foi adequada ao processo de aprendizagem na percepção dos alunos.

Dechef (2005), Webb, Gil e Poe (2005) e Brooke (2006) também compararam o método do caso no formato tradicional com o virtual. Os resultados destes estudos ocorreram pela percepção de professores e alunos participantes, os quais identificaram nos casos virtuais maior comprometimento, um aprender de forma diferente e experiências relevantes para uma nova profissão.

Enquanto que McNeil (1998) credita parte do sucesso do caso no ambiente virtual pelo ensino presencial, Webb, Gil e Poe (2005) acreditam que o sucesso ocorre pelo caso virtual em modalidade semipresencial.

McNeil (1992), Dechef (2005), Webb, Gil e Poe (2005) analisam resultados em termos de estimular a ação para resolução do caso, mas não relacionam com as características que envolvem a qualidade de um ambiente virtual.

Webb, Gil e Poe (2005) sugerem a realização de outros estudos que identifiquem a relação entre os agentes envolvidos durante a aplicação do caso virtual. Brooke (2006) ressalta que o Método de Casos para o Ensino raramente foi usado para o ensino on-line. Seu estudo inicia falando do desafio sobre envolver o aluno on-line.

Tran (2007), diferentemente de McNeil (1998), Dechef (2005), Webb, Gil e Poe (2005), foi o único autor que apresentou em seus estudos, fracassos pelo uso de casos em ambientes virtuais. O estudo de Tran (2007) relata apenas resultados por meio de experiências, mas não chega a apontar dados primários. No Brasil pouco se tem estudado sobre o método do caso em ambientes virtuais.

O estudo brasileiro de Lima (2003) comenta que quando um caso é transportado para uma tecnologia educacional irão existir diferenças metodológicas significativas, já que o método de Harvard é muito utilizado para o ensino tradicional (presencial em sala de aula). Para tanto, apresenta o PANTEON, um software que

disponibiliza recursos para coleta de percepções em entrevistas com os gestores, que servirão de base para a construção do caso.

Dentre os estudos, nesta seção comentados, que analisaram o método do caso em plataformas virtuais, percebe-se este ser um tema recente para investigar essa relação. Os estudos demonstram em sua maioria que os casos em ambiente virtual obtiveram melhores resultados de aprendizagem em comparação ao formato tradicional.

Assim, considera-se importante avaliar o ambiente virtual e sua influência para o aprendizado no uso do método do caso para o ensino. Delone e Mclean (1992), Sun et al. (2008), Neto e Takaoka (2010) sugerem a avaliação da aprendizagem por meio da qualidade de um AV. Como os estudos de Mcneil (1998), Dechef (2005), Webb, Gil e Poe (2005), Brooke (2006) e Tran (2007) não incluíram a avaliação do ambiente virtual para o método do caso, essa tese vem a contribuir com a seguinte hipótese:

H11: A avaliação do ambiente virtual influencia positivamente os fatores facilitadores do método do caso para o ensino.

Sobre casos multimídia e sua estrutura, poucos são os trabalhos que abordam o tema. Os trabalhos de Naumes e Naumes (1999) Boehrer (2000), Hoag, Brickley e Cawley (2001), Orngreen (2002), Lima (2003), Gill (2011) todos teóricos, sinalizam que casos em formato multimídia, podem utilizar vídeos, áudios, textos e imagens. Com o advento da internet são empreendidos ambientes virtuais ao ensino, o que facilita a adoção de casos neste formato. Ao mesmo tempo, comentam que se torna mais difícil analisar a efetividade do aprendizado em casos multimídia, já que é necessário considerar o tipo de mídia, a modalidade de ensino, o ambiente virtual em uma prática ainda pouco explorada na academia.

Lima (2003) sugere uma plataforma eletrônica para utilização de Casos, na qual, podem ser inseridas mídias diversas. No entanto, não se encontrou estudos que demonstrassem resultados de uma aplicação via plataforma PANTEON, apresentada por Lima (2003). Talvez, a não ocorrência de casos multimídia, se dá justamente pela dificuldade em disponibilizar esse tipo de formato em plataformas eletrônicas de anais e revistas eletrônicas, ou até, pela inexistência de casos multimídia no Brasil, já que Dalfovo et al. (2012) encontraram 155 casos publicados,

em formato texto, com a primeira ocorrência somente a partir de 2003. Isso demonstra quão recente é a cultura de casos no Brasil, mesmo com mais de 40 anos de tradição nas escolas americanas.

Dessa forma, a tese vem a contribuir com a confecção de casos multimídia, adaptando conteúdos de casos já existentes no formato texto. Os casos nos formatos virtual e multimídia podem demonstrar novas formas de usar métodos tradicionais das escolas de administração envolvendo o cenário de tecnologias educacionais. Assim, tem-se a hipótese de que:

H12 Existe relação de influência do formato do caso com os fatores facilitadores do método do caso para o ensino.

O método do caso, quando utilizado em formatos não tradicionais, pode evidenciar a importância de considerar o ambiente virtual na percepção do aluno, que deve ser o principal beneficiário em termos de aprendizagem e competências geradas. Porém para analisar a percepção do aluno, é preciso considerar que este possui características inerentes quanto às suas preferências em aprender, seja pela experiência, pela troca de informações, pela teoria e/ou prática. Essas preferências contribuem no desenvolvimento do seu estilo de aprendizagem.

Esse estilos evidenciam preferências quanto à forma de estudar, seja por meio de experiências individuais e em grupos ou pela preferência em estudar a partir de textos, observações, figuras e diagramas ou lidando com suas emoções.

No ambiente acadêmico os alunos são considerados adultos e dessa forma, possuem maior senso de responsabilidade sobre suas práticas e avanços no ensino.

Para tentar garantir a aprendizagem dos alunos o professores devem pensar em metodologias que desenvolvam competências para a formação do aluno e sua atuação profissional. Nesse sentido, o método do caso, como uma metodologia ativa, contribui para o desenvolvimento discente por meio de uma aprendizagem transformadora, experiencial e auto direcionada.

A metodologia de casos para o ensino pode ser adotada por diversos fatores facilitadores que justificam a sua aplicação. Os benefícios em termos do campo da administração ocorrem no sentido de trazer maior realismo organizacional, diagnosticar problemas, tomada de decisão e atuar em grupo.

As práticas de ensino vêm sendo repensadas, principalmente, ao considerar o advento de novas tecnologias educacionais. O ciberespaço ampliou os canais de comunicação entre os agentes envolvidos no processos de aprendizagem para fora da sala de aula e tornou-se mais presente com a participação em ambiente virtual.

Os ambiente virtuais ainda estão sendo estudados e avaliados nas diversas estratégias de ensino. Essa tese pretende compreender os estios de aprendizagem e o ambiente virtual da perspectiva que podem contribuir para os fatores facilitadores que envolvem o método de casos para o ensino.

3 METODOLOGIA

Nesse capítulo são apresentados os procedimentos metodológicos da proposta da pesquisa desta tese. São apresentados: o posicionamento paradigmático (item 3.1), que trata a forma como o pesquisador percebeu os fenômenos decorrentes do estudo; a estratégia de pesquisa (item 3.2), que caracteriza o estudo quanto à abordagem e objetivo da investigação; as estratégias de pesquisa, que revelam os caminhos necessários para a obtenção dos dados da pesquisa; o design da pesquisa (Item 3.3) apresenta as fases que envolveram a aplicação e condução da pesquisa desde a escolha dos instrumentos de coleta, aplicação, e análise da aplicação dos métodos do caso para o ensino.

No documento 1 APRESENTAÇÃO DO TEMA E JUSTIFICATIVA (páginas 90-96)