Solicitação Tribuna Livre Entidade Assunto 24.05.2006 25.05.2006 Grêmio Estudantil Colégio
Nilton Kücker. Projeto Passe Livre.
30.05.2006 30.05.2006 Irmã Maria Adelina da
Cunha (representando o Colégio São José).
Agradecimento pela liberação de recursos para a peregrinação à Capela Santa Paulina.
1º. 06.2006 1º. 06.2006 Esperidião Amin Helou Filho - ex-governador do Estado de Santa Catarina.
Não consta em ata o assunto.
22.06.2006 22.06.2006 José Fritsch - ex-Secretário Nacional da Aqüicultura e Pesca.
“[...] estando em visita a Casa [...] concedeu-se para que o mesmo se manifestasse”. (não consta em ata o assunto).
QUADRO 9: Entidades que usaram a Tribuna Livre
Fonte: Ofícios das Instituições e Atas das Sessões (Arquivo do Legislativo Municipal Vereador Luiz Gonzaga Agostinho, 2007).
Destaca-se que, o prefeito municipal Dr. Volnei José Morastoni (PT) e os pré- candidatos ao governo do Estado de Santa Catarina, Esperidião Amin Helou Filho (PP) e José Fritsch (PT), utilizaram-se da Tribuna Livre, face ao que preceitua o § 2º, do artigo 158, do Regimento Interno, ao destacar que os visitantes recebidos em Plenário em dias de sessão poderão usar a palavra para agradecer à saudação que lhes seja feita pelo Legislativo municipal. Em seu pronunciamento, Morastoni (PT) ressaltou que “faço essa visita em homenagem ao Parlamento municipal” e Amin (PP) elogiou a atitude democrática do Legislativo municipal que lhe concedeu o uso da palavra, declarando que “este gesto traduz o alto espírito democrático e o desenvolvimento político de Itajaí e da Câmara de Vereadores que representa o seu povo.”
O controle da gestão pela opinião pública vem assumindo importância fundamental no aperfeiçoamento da democracia. Através da organização da sociedade civil, novas formas de controle da gestão pública têm surgido, entre elas as audiências públicas. O processo legislativo tem na realização de audiências públicas com entidades da sociedade civil uma delegação incontestável. Consiste no debate coletivo, amplo e aberto a toda a população para tratar sobre os mais variados temas de interesse comunitário e de importância para o município, sendo convocadas através de requerimentos dos parlamentares e convidados os representantes da sociedade e autoridades para discutirem sobre o assunto proposto, com fins determinados.
A discussão temática será tanto para coleta de opiniões sobre uma política pública, quanto para debate em uma tomada de decisão. Nas audiências públicas, as quais se caracterizaram como um instrumento de grande importância para ampliar a participação da sociedade, escutam-se a manifestação e a opinião dos diversos atores sociais (governo, parlamentares, cidadãos, representantes de entidades) e são esclarecidas as dúvidas. Na medida em que a participação é aberta a todos os cidadãos, torna-se uma oportunidade para se expor e discutir os diversos interesses da sociedade num processo democrático. A audiência pública tem o papel educativo de informar ao gestor e à sociedade sobre as propostas e as visões relacionadas à matéria objeto de debate.
É preciso ficar claro que, em geral, as audiências públicas são momentos de discussão pública, não cabendo à comunidade deliberar sobre os temas em questão. Somente será possível à população decidir se estiver previsto em lei, ou seja, as opiniões não vinculam a decisão, visto que têm caráter consultivo, e a autoridade, embora não esteja obrigada a segui-las, deve examiná-las conforme seu discernimento, acolhendo-as ou não. A audiência pública está intimamente ligada às práticas democráticas, por ser um instrumento de conscientização para a sociedade, funcionando como um veículo para a legítima participação dos particulares nos temas de interesse público, em que os cidadãos podem exercer seu direito de requerer esclarecimentos, fazer críticas ou dar sugestões e contribuições a respeito de uma determinada decisão que será deliberada pelos agentes políticos.
O inciso II, do § 1º, do artigo 25, da Lei Orgânica do Município (LOM) determina que às Comissões Técnicas (permanentes e temporárias), em razão da matéria de sua competência, cabem realizar audiências públicas com entidades da comunidade.
O artigo 60, da Lei Orgânica do Município (LOM), rege que toda entidade da sociedade civil, de âmbito municipal ou não, poderá requerer ao prefeito ou à outra
autoridade, a realização de audiência pública, para que esclareça determinado ato ou projeto da administração. Cada entidade terá direito, no máximo, à realização de duas audiências por ano, ficando, a partir daí, a critério da autoridade requerida deferir ou não o pedido, sendo que da audiência pública poderão participar, além da entidade requerente, cidadãos e entidades interessadas, que terão direito à voz.
Com efeito, a realização das audiências públicas pelo Poder Legislativo municipal decorre do seu Regimento Interno que, no artigo 39, rege sobre as competências do Presidente da Câmara, destacando que, no inciso XII, compete ao mesmo realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil e com membros da comunidade, com o objetivo de integrar representantes e representados e, no inciso XVII, o de conceder audiências ao público, a seu critério, em dias e horas pré-fixados.
O artigo 55, do Regimento Interno da Câmara de Vereadores, trata sobre as Comissões Técnicas Permanentes, destacando em seu inciso III que, em razão da matéria de sua competência, cabem às mesmas realizarem audiências públicas com entidades da sociedade. Ressalta-se que somente a Comissão Técnica Permanente de Fiscalização (composta pelos vereadores presidente Níkolas Reis Moraes dos Santos (PT), vice-presidente Maurílio Moraes (PDT) e relator Laudelino Lamim (PMDB)) e a Comissão Técnica Permanente de Finanças e Orçamento (composta pelos parlamentares presidente Pedro Antônio Geraldi (PMDB), vice-presidente Laudelino Lamim e relator Níkolas Reis Moraes dos Santos (PT)) realizaram, em conjunto, audiências públicas, em face da obrigatoriedade legal da realização das mesmas, no que refere à apresentação dos relatórios de gestão fiscal e cumprimento das metas fiscais, conforme previsto pela Lei Complementar nº. 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal).
Destaca-se que a divulgação para a realização de audiências públicas é efetuada através de convites impressos, direcionadas às diversas entidades, associações, sindicatos, mídia e órgãos dos Poderes Executivo e Legislativo, além da convocação genérica a toda a sociedade, através da imprensa (televisão, rádio e jornal). Ressalta-se que a Secretaria de Comunicação Social dispõe de lista completa com registro destas entidades.
Como afirma Fonseca (2003, p. 300), “ouvindo o cidadão, a possibilidade de errar diminui consideravelmente.”
Durante o ano de 2005, houve nove audiências públicas:
Data Assunto Legislação Presença Manifestação
30.03.2005 - sessão ordinária
Trânsito no município - tráfego de veículos de cargas portuárias.
Artigo 39, inciso XII -Regimento Interno.
Na ata consta que “[...]
mais de 200 pessoas”, comunidade,
representantes de entidades, de empresas, de associações e de órgãos do poder público municipal e estadual.
Consta que 133 pessoas assinaram o Livro de Presença.
Moradores da zona portuária,
Vice-prefeita,
Secretários municipais, Vice-presidente do CDL, representante da Intersindical, diretor técnico do Porto de Itajaí, entre outros órgãos públicos.
29.06. 2005
Projeto de Lei nº. 100/05 Plano Plurianual - Quadriênio 2006/2009
Artigo 48,
Parágrafo único LC nº. 101/00 - LRF § 2º, art. 165 - CF
Assessor do vereador Níkolas Reis Moraes do Santos – PT.
No Livro de Presença não consta assinatura.
“[...] eu falo como cidadão”.
Assessor do vereador Níkolas Reis Moraes do Santos – PT.
30.06.2005 - sessão ordinária
Relatório de Gestão Fiscal – Primeiro Quadrimestre 2005
Artigo 9º, § 4º da LC nº. 101/00 - LRF e § 1º, art. 166 - CF
Comunidade,
representante da OAB e membros da UNIVALI (ata não especifica o número de pessoas).
Consta que 18 pessoas assinaram o Livro de Presença.
Membro da OAB/SC, - subseção Itajaí.
02.09.2005 - sessão extra- ordinária
Projeto de Lei nº. 171/05 Lei Diretrizes Orçamentárias LDO - 2006
Artigo 48,
Parágrafo único LC nº. 101/00- LRF § 2º, art. 165- CF Inciso X do Artigo 47 c/c Emenda nº.
20/05 – LOM LC nº. 55/05.
Não consta em ata. “Foram dirimidas as dúvidas questionadas pelos participantes”.
05.09.2005
Transporte coletivo municipal
Artigo 39, inciso XII -Regimento Interno.
Representantes do Executivo municipal, de sindicatos, de empresários do setor e associação de
moradores.
“Houve manifestação dos representantes das entidades presentes”.
28.09.2005 - sessão extra- ordinária
Consumo de drogas no município
Artigo 39, inciso XII - Regimento Interno.
Psicólogos, representantes de Conselhos Municipais, representantes dos Poderes Executivo e Judiciário, Ministério Público e da Polícia Militar.
Dra. Sônia Moroso (juíza), Dr. Eduardo Legal (psicólogo), Janaína Costa (psicóloga).
“Foram dirimidas as dúvidas questionadas pelos participantes”.
29.09.2005 - sessão extra- ordinária
Relatório de Gestão Fiscal – Segundo Quadrimestre 2005.
Art. 9º, § 4º da LC nº. 101/00- LRF e
§ 1º, art. 166- CF. Não consta em ata.
Somente houve manifestação dos representantes do Executivo municipal.
05.10.2005 Transporte coletivo de
Artigo 39, inciso XII - Regimento
Representantes de Conselhos Municipais e
Não consta em ata.
Data Assunto Legislação Presença Manifestação - sessão
extra- ordinária
passageiros. Interno. representantes do Executivo .
30.11.2005 - sessão extra- ordinária
HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis (DST).
Artigo 39, inciso XII - Regimento Interno.
Secretários municipais, representante da OAB/Itajaí, do Porto de Itajaí, de ONGs, de associação dos profissionais do sexo e profissionais na área de saúde.
Consta que 73 pessoas assinaram o Livro de Presença.
Psicólogo, representantes de órgãos do Executivo municipal, da
OAB/Itajaí, de ONGs, órgãos dos Direitos Humanos, da Academia Itajaiense de Letras.
Destaca-se a participação de dois cidadãos que fizeram indagações aos explanadores.
QUADRO 10: Audiências Públicas – 2005
Fonte: Ata das Audiências Públicas (Arquivo do Legislativo Municipal Vereador Luiz Gonzaga Agostinho, 2007).
Ressalta-se que as duas audiências públicas convocadas para apresentação de relatórios de gestão fiscal, para que o Executivo municipal, compreendendo os órgãos e entidades da administração direta e indireta, demonstre e avalie o cumprimento das metas fiscais relativas ao primeiro e segundo quadrimestre do exercício de 2005 são obrigatórias, em cumprimento a Lei Complementar nº. 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal), a qual determina que o Executivo deve demonstrar e avaliar o cumprimento das metas fiscais de cada quadrimestre e a legislação municipal pertinente que impõe que até o final dos meses de maio, setembro e fevereiro, o Poder Executivo demonstrará e avaliará o cumprimento das metas fiscais de cada quadrimestre, em audiência pública na Comissão Técnica Permanente na Casa Legislativa municipal, tornando-o público, garantindo a transparência da gestão dos recursos públicos.
É salutar destacar que, na audiência pública de 29 de setembro de 2005, mesmo não sendo necessário a Câmara Municipal apresentou seu “Demonstrativo de Execução de Gestão Fiscal – 2º Quadrimestre.”
Em matéria jornalística de Sérgio Pardellas, que trata sobre a “gastança com o dinheiro público”, o mesmo descreve a percepção crítica de Abramo, diretor-executivo da organização não-governamental Transparência Brasil, enfatizando, com veemência, que “os integrantes das casas legislativas brasileiras perderam a noção de proporção entre o que fazem e o País em que vivem.” (ABRAMO, 2008 apud PARDELLAS, 2008, p. 39).
Abramo (2008 apud PARDELLAS, 2008, p. 39) conclui que o “Parlamento é importante para a democracia, mas há uma grande falta de resposta à sociedade.”
Através do Requerimento nº. 159/05, de 25 de outubro de 2005, o parlamentar João Eduardo Vequi (PT) requereu a realização de audiência pública para debater o caráter jurídico da Fundação UNIVALI. Na justificativa de seu requerimento, questiona se “a Fundação é pública de caráter privado ou eminentemente privado?” e, posteriormente, argüi se “a instituição tem responsabilidades sociais maiores do que as que atualmente se propõe?” e conclui, indagando se “o Poder Público municipal está dispensado de qualquer ônus para com o bom andamento da Universidade?” A Fundação UNIVALI é a mantenedora da Universidade do Vale do Itajaí, do Hospital Universitário Pequeno Anjo, do Laboratório de Produção e Análise de Medicamentos, da Rádio Educativa UNIVALI FM e da TV UNIVALI.
A Fundação UNIVALI se define como uma “entidade de finalidade filantrópica, sem fins lucrativos, de natureza beneficente de assistência social, destinada a promover a educação, a ciência e a cultura, bem como desenvolver programas de assistência social.”
As duas audiências públicas convocadas para discussão sobre o Projeto de Lei nº.
100/05, que dispõe sobre o Plano Plurianual (PPA) para o quadriênio 2006/2009 (aprovado por unanimidade dos vereadores na sessão ordinária, de 2 de agosto de 2006, em primeira discussão e votação) e o Projeto de Lei nº. 171/05, que dispõe sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o exercício de 2006, também são obrigatórias, face o que estabelece a legislação ao referir-se que a transparência, o controle e a fiscalização da gestão fiscal é assegurar mediante incentivo à participação popular e à realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e de discussão do Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA).
No período de 1º de janeiro de 2006 a 30 de junho de 2006, houve duas audiências públicas:
Data Assunto Legislação Presença Manifestação
09.03.2006 – sessão extraordinária
Relatório de Gestão Fiscal – Terceiro Quadrimestre 2005.
Art. 9º, § 4º da LC nº. 101/00 - LRF e § 1º, art.
166 - CF.
“[...] registrada foi a presença dos senhores Michael Zimmermann, Giovani de Bortoli (operador do data show) e Everaldo Izaú Desidério”.
Somente houve manifestação dos representantes do Executivo municipal.
23.06.2006
Relatório de Gestão Fiscal – Primeiro Quadrimestre 2006.
Art. 9º, § 4º da LC nº. 101/00 - LRF e § 1º, art.
166- CF.
Na ata nada consta.
No livro de presença, seis pessoas o assinaram.
Somente houve manifestação dos representantes do Executivo municipal.
QUADRO 11: Audiências Públicas – 2006
Fonte: Atas das Audiências Públicas (Arquivo do Legislativo Municipal Vereador Luiz Gonzaga Agostinho, 2007).
Ressalta-se que o Poder Legislativo municipal, através do Planejamento Estratégico, tem como um dos seus objetivos traçados, a partir da análise do seu ambiente, integrar a Câmara de Vereadores com a sociedade através de audiências públicas.
O Planejamento Estratégico apresenta como uma de suas ações a proposta de desenvolver metodologia para a realização de audiências públicas (diagnóstico/identificação de problemas, apresentação de possíveis sugestões, encaminhamentos, acompanhamento/retorno etc.).
O fundamento prático da realização da audiência pública versa do empenho em produzirem-se atos legítimos, do interesse da sociedade em apresentar argumentos e provas anteriormente à deliberação e, pelo menos na teoria, também do interesse do agente político em diminuir os riscos de erros em suas decisões, para que possam produzir melhores resultados.
É imprescindível, para que se realize a audiência pública propriamente dita, a efetiva e real participação da sociedade. Não se caracterizará como tal a sessão que, mesmo aberta à comunidade, a conduta dos presentes seja indiferente, apática, abstrata. Nesse caso, não se estará diante de uma audiência pública, mas de mera reunião popular, com livre troca de opiniões entre o agente político e a sociedade sobre tema específico.
A simplicidade, a oralidade, a informalidade, a participação presencial e efetiva da sociedade e a economia processual são os princípios básicos que devem ser observados nas audiências públicas.
As audiências públicas precisam ser mais eficazes e menos burocráticas, dando respostas efetivas às questões atinentes. Constata-se a necessidade de maior pressão e mobilização popular, junto ao Legislativo municipal, para que as soluções apresentadas durante os debates nas audiências públicas sejam efetivamente concretizadas. O debate, através de audiência pública, é um valioso instrumento de cidadania para a construção da democracia participativa.