2 O MUNICÍPIO DE ITAJAÍ E O LEGISLATIVO MUNICIPAL
destacam-se o alemão Carl Friederich Von Martius, o botânico Padre Raulino Reitz e os historiadores catarinenses Carlos da Costa Pereira e Arnaldo Santiago. Todos eles trazem sua interpretação que, com poucas variações, tem sido: ‘rio das pedras’ ou ‘rio dos taiás’. O antropólogo Roquette Pinto, fundamentado em artigo publicado no Boletim do Museu Nacional de 1932, descreve que o nome Itajahy deriva de Tajá – erva e hy – água, ou seja, Rio das Taiobas. O poeta itajaiense Marcos José Konder Reis acredita também ser possível associar a origem do nome Itajaí à presença, tão próxima da foz do rio, das pedras da Praia de Cabeçudas. No entanto, esta elucidação merece muita pesquisa. Os desencontros ocorrem certamente pelas muitas maneiras que se escreveu o vocábulo até se fixar na forma atual – Itajaí, isto somente após 1799. Mais do que transmitir seu nome ao município, o Rio Itajaí teve decisivo papel na história e no desenvolvimento de toda a região. O rio facilitou o acesso ao mar e foi fator principal para o desenvolvimento da pesca industrial, tornando o município o maior porto pesqueiro do Brasil e um dos segmentos de desenvolvimento local. (D’ÁVILA, 1982, p. 14).
No século dezessete surgiram os primeiros brancos, oriundos de São Vicente (São Paulo) em busca de ouro e, no século dezoito, os imigrantes portugueses, também se deslocaram para a região. A partir de 1850, imigrantes alemães e italianos passaram a fazer da cidade a entrada para colonizar o Vale do Itajaí (LENZI, 2002, p. 50).
Em 4 de abril de 1859, através da Resolução n° 464, assinada por João José Coutinho, presidente da Província de Santa Catarina, é instaurada a Vila do Santíssimo Sacramento d’Itajaí.
A instalação do município ocorreu em 15 de junho de 1860, compreendendo toda a região que vai atualmente de Penha à Camboriú e até Blumenau.
Sendo composta e empossada a primeira Câmara Legislativa, tendo como presidente Joaquim Pereira Liberato (mais votado), cabendo-lhe também o direito do Executivo, conforme normatização na época do Brasil Império. O Poder Judiciário foi criado em 23 de abril de 1868, sendo criada a Comarca de Itajaí, abrangendo também o município de Tijucas, compondo-se então os três poderes (LENZI, 2002, p. 50).
Em 1º de maio de 1876 a Vila de Itajaí passa a categoria de cidade, face a Lei Provincial nº. 819 (LENZI, 2002, p. 51).
Desde a sua fundação, Itajaí era dividida em distritos. Os limites da cidade se estendiam pelas terras onde atualmente se situam os municípios de Luís Alves, Ilhota, Navegantes, Penha e Piçarras, sendo que cada distrito tinha um representante. Segundo o
depoimento do ex-vereador Vicente Tito Filomeno (1951-1955), no vídeo ‘Legislativo em Memória’ (2006), naquele período havia “uma administração ‘descentralizada’ da época, com um intendente que trazia ao prefeito as reivindicações da comunidade local.”
No período da restauração da democracia, em 1945, o município de Itajaí toma o desenvolvimento, em meio às influências políticas internacionais. Em 1995, é inaugurada a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento (teve sua pedra fundamental lançada em 1940) e, um ano após, é fundado o Colégio Salesiano (vídeo ‘Legislativo em Memória’, 2006).
A crescente exportação de madeira, principalmente para a Europa, que se reerguia após a Segunda Guerra Mundial, fez com que a década de cinqüenta represente um tempo áureo da economia da cidade. A exportação de madeira impulsionou o setor portuário. (vídeo
‘Legislativo em Memória’, 2006).
2.1.1 Itajaí, Cidade do Porto
As terras banhadas pelo mar e rio eram as portas de entrada aos imigrantes e, com o tempo, o porto passou a ser o principal meio de dinamizar a economia. Porto de encontro, passagem e intercâmbio. As décadas passam e Itajaí, com seu porto, torna-se cada vez mais internacional (SUPERINTENDÊNCIA do Porto Municipal de Itajaí, 2007).
Em 1997, o Porto de Itajaí é o único a ser municipalizado no Brasil. O município de Itajaí tem uma economia fortalecida pela ampliação da atividade portuária, em que o resultado disto é bastante concreto no cenário local. É o segundo maior na movimentação de cargas de contêineres de longo curso no país, com capacidade de armazenagem estática de cinco mil TEUs. É também o maior porto pesqueiro do Brasil, com uma frota industrial de mais de trezentas embarcações, que gera aproximadamente três mil e setecentos postos diretos de trabalho. (OLIVEIRA, 2005a, p. 79-83).
2.1.2 Município de Itajaí em 2006
O município de Itajaí está situado na microrregião da Foz do Rio Itajaí, em divisa com o Oceano Atlântico e os municípios de Navegantes, Balneário Camboriú, Camboriú, Brusque e Gaspar, fazendo parte da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (AMFRI), composta por Itajaí (Sede), Balneário Camboriú, Balneário Piçarras, Bombinhas, Camboriú, Ilhota, Itapema, Luís Alves, Navegantes, Penha e Porto Belo (AMFRI, 2007).
Itajaí tem uma área territorial oficial de 289,255 quilômetros quadrados, com uma população de cento e sessenta e oito mil e oitenta e oito habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2006), contando com cento e treze mil e sessenta e dois eleitores, conforme o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE/SC, 2006). É de se ressaltar e destacar o baixíssimo índice de analfabetismo, em apenas um vírgula cinqüenta e seis por cento (Revista ‘Itajaí – muitos motivos para emocionar’, 2006, p. 28).
Através da Lei Estadual nº. 12.234, de 3 de julho de 2002, o município de Itajaí foi reconhecido como a “Capital Catarinense da Construção Naval.”
O prefeito municipal, Dr. Volnei José Morastoni (PT), em depoimento transcrito no livro ‘Itajaí: muitos motivos para emocionar’, afirmou que “é impossível não se apaixonar e se encantar por Itajaí. Uma cidade cheia de belezas, gente alegre, bonita e hospitaleira. [...] a arte, a música e a dança estão presentes na nossa cultura.” (OLIVEIRA, 2005a, p. 3).
No mesmo livro, a vice-prefeita, professora Eliane Neves Rebello Adriano (PMDB), destaca que o município “é uma cidade que se melhora, se aprimora, num crescente desenvolvimento nos diversos segmentos da sociedade, ampliando seu lado sócio-cultural, econômico, turístico, integrando sua gente nessas conquistas.” (OLIVEIRA, 2005a, p. 4).
O presidente da Câmara Municipal, vereador João Eduardo Vequi (PT), ressalta que
“aqui se constroem vidas, transformam-se sonhos e ideais em realidade. [...] Difícil ficar sem sentir o fresco aroma da esperança sempre acesa.” (OLIVEIRA, 2005a, p. 5).
Destaque-se a visão do superintendente da Fundação Cultura de Itajaí, Lourival Andrade Júnior, o qual observa que Itajaí é “[...] onde tenho a possibilidade de construir uma cidade melhor”, em face de que o “povo está decidindo pelo melhor, para si e para o coletivo em que ele está inserido”, o qual faz coro o superintendente da Fundação Genésio Miranda Lins, José Roberto Severino, assegurando que Itajaí é onde o povo “concretiza sonhos”, em face de que é “uma cidade onde o ser humano está em primeiro lugar”, como bem destaca a
presidente da Associação Empresarial de Itajaí (ACII), a empresária Maria Izabel Pinheiro Sandri, ao certificar que o “idealismo [do povo itajaiense] extrapola fronteiras.” (OLIVEIRA, 2005a, p. 7 e 9).
2.1.3 Universidade do Vale do Itajaí
A Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) é uma instituição de ensino com sua sede no Município de Itajaí. Suas origens remontam a 16 de setembro de 1964, quando a comunidade local se mobilizou para criar a Sociedade Itajaiense de Ensino Superior (SIES), iniciando uma história que se identifica com a do próprio município, que previa a instalação da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.
(Revista “Itajaí – muitos motivos para emocionar”, 2006, p. 35).
Em 22 de setembro de 1964, a Sociedade Itajaiense de Ensino Superior (SIES), face à lei municipal, torna-se uma instituição pública. (UNIVALI, 2007).
Em 25 de outubro de 1968, é publicada a Lei Municipal nº. 892/68, instituindo a Autarquia Municipal de Educação e Cultura. (UNIVALI, 2007).
Em 1970, cria-se a Fundação de Ensino do Pólo Geoeducacional do Vale do Itajaí (FEPEVI). (UNIVALI, 2007).
Em 1986, as Faculdades Isoladas de Ciências Jurídicas e Sociais, de Filosofia, Ciências e Letras, e de Enfermagem e Obstetrícia são transformadas em Faculdades Integradas do Litoral Catarinense (FILCAT). (UNIVALI, 2007).
Em 16 de fevereiro de 1989, através da Portaria Ministerial (MEC) nº. 51/89 cria-se a Universidade do Vale do Itajaí, sendo instalada oficialmente em 21 de março. (UNIVALI, 2007).
Em outubro de 1989, através da Lei Municipal nº. 2.515/89, cria-se a Fundação Universidade do Vale do Itajaí, mantenedora da Universidade do Vale do Itajaí, do Hospital Universitário Pequeno Anjo, do Laboratório de Produção e Análise de Medicamentos, da Rádio Educativa UNIVALI FM e da TV UNIVALI. (UNIVALI, 2007).
Mais do que uma instituição de ensino superior, a Universidade do Vale do Itajaí é um centro de estímulo e desenvolvimento para pesquisa e extensão, atividades pela qual a universidade difunde sua enorme capacidade de influência institucional, seja produzindo
novos conhecimentos, seja em projetos de inclusão na comunidade, nos quais desenvolve importantes iniciativas na área da cidadania, destacando-se os programas ‘Comunidade Mãos à Obra’, ‘Ações Comunitárias’, determinado por oferecer atendimento às comunidades da periferia (atinentes à promoção de direitos, registro e documentação, à saúde, ao lazer e à cultura) e o ‘Serviço Voluntário’, em que equipes formadas por acadêmicos e professores procuram atender a comunidade em distintas áreas do conhecimento e saber, saindo do plano das idéias para a prática, com o intuito de demonstrar seu compromisso com a diminuição das diferenças sociais e a elevação da qualidade de vida em sua área de abrangência (Revista
“Itajaí – muitos motivos para emocionar”, 2006, p. 28 e UNIVALI, 2007).
Em 17 de março de 2005, o reitor da Universidade do Vale do Itajaí, Dr. José Roberto Provesi, recebeu na sala dos Conselhos Superiores, comitiva dos vereadores, sendo exibido um vídeo institucional posteriormente, a comitiva visitou as clínicas e os laboratórios do Centro de Ciências da Saúde (CS) e ao Hospital Universitário Pequeno Anjo (UNIVALI, 2007).
Em matéria no Jornal “Diário da Cidade”, de 21 e 22 de agosto de 2005, descreve-se que a Universidade do Vale do Itajaí é um “centro de excelência e de multiplicidade de idéias e tendências, com uma dinâmica e política interna com características próprias.” Em entrevista ao vereador Luiz Carlos Pissetti (PFL), o mesmo descreve que “a UNIVALI é o cérebro de Itajaí.” E, em conteúdo jornalístico de 21 de setembro, alusiva à comemoração dos 41 anos de ensino superior em Itajaí, destaque-se a declaração do articulista Ivan Rupp, ao afirmar que “temos muito a comemorar nesta data, em face de que o ensino superior revolucionou a sociedade itajaiense e a UNIVALI é um dos marcos mais significativos e queridos de nossa cidade, sendo motivo de orgulho para todos.”