• Nenhum resultado encontrado

Características e suportes do espaço virtual

No documento universidade estadual do norte fluminense (páginas 46-50)

Para que o espaço virtual seja possível são necessárias ferramentas que o sustentem.

Em 2018, o acesso à internet se dá a partir de diferentes dispositivos. A Agência Brasil de notícias divulgou que, segundo o IBGE, em 2015, “92,1% dos domicílios brasileiros

16 Neologismo criado para diferenciar o soneto do poeta Pedro Lyra de tipos clássicos de sonetos. “[...]

distinguindo-o dos 2 modelos tradicionais: o petrarquiano/camoniano, no esquema 4-4-3-3, e o shakespeareano, no esquema 4-4-4-2, pois o soneto de Lyra, com versos decompostos e estrofação variada, não tem esquema”

(RIBEIRO, 2016, pp. 22-23). Neste trabalho, o neologismo será empregado também para adjetivar ensaios e críticas de Pedro Lyra.

17 O portal, mantido pelo Ministério da Educação, foi lançado em 2004, e oferece acesso de graça a obras literárias, artísticas e científicas, já em domínio público ou que tenham a sua divulgação autorizada.

acessaram a internet por meio do telefone celular, enquanto 70,1% dos domicílios o fizeram por meio do microcomputador” (CAMPOS, 2016, p.1).

Entretanto, o uso da internet em dispositivos de telefonia móvel só é possível porque estes aparelhos são informatizados. Pode-se dizer que os telefones celulares contam, em 2018, com algumas tecnologias de computadores. Estes surgiram na década de 1940 para atender as necessidades dos militares americanos.

Os primeiros computadores (calculadoras programáveis capazes de armazenar os programas) surgiram na Inglaterra e nos Estados Unidos em 1945. Por muito tempo reservados aos militares para cálculos científicos, seu uso civil disseminou-se durante os anos 60. Já nessa época era previsível que o desempenho do hardware aumentaria constantemente. Mas que haveria um movimento geral de virtualização da informação e da comunicação, afetando profundamente os dados elementares da vida social (LÉVY, 2010, p.31).

O uso de computadores foi sendo aos poucos popularizado. Segundo Lévy (2010), na década de 1970, houve a comercialização de microprocessadores e a invenção do computador pessoal.

Já a internet, foi originada, na década de 1960,

[...] pelos guerreiros tecnológicos da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (a mítica DARPA) para impedir a tomada ou destruição do sistema norte-americano de comunicações pelos soviéticos, em caso de guerra nuclear (...). A ARPANET, rede estabelecida pelo Departamento de Defesa dos EUA, tornou-se uma rede de comunicação horizontal composta de milhares de redes de computadores (cujo número de usuários superou os trezentos milhões no ano 2000, comparados aos menos de vinte milhões em 1996, e em expansão veloz). (CASTELLS, 2009, p.44).

A união da máquina capaz de processar e arquivar informações com uma rede que conecta dispositivos e, consequentemente, usuários, fez a informática ganhar cada vez mais adeptos. Os números, possivelmente, são infinitamente maiores do que pensaram seus criadores no século XX.

O desenvolvimento de programas e aplicativos permitiu que o uso do computador se tornasse mais individualizado. Para empresários, programas que ajudam no controle de pagamento de funcionários, entrada e saída de materiais no estoque; para professores, processadores de textos e imagens são importantes para a preparação das aulas; para médicos, dispositivos que permitem exames em alta resolução. Enfim, os usos possíveis para a informática e para internet são infinitos.

No campo da comunicação social, pode-se dizer que a informática instaurou um novo tempo. Depois da oralidade primária, passando pela escrita, caminhou-se “Da galáxia de Gutenberg à galáxia de McLuhan” (CASTELLS, 2009, p. 415). A transição do poderio dos meios massivos para as mídias de recepção individualizada possibilitou a formação de internautas com o hábito de escolher o conteúdo informativo, de entretenimento ou cultural, que desejam ter acesso.

Como abordado no capítulo anterior, “A capacidade de gravação de programas de TV para assistir nos momentos oportunos mudou os hábitos dos telespectadores e reforçou a seleção (...). A possibilidade de gravação por videocassetes representou mais uma opção”

(CASTELLS, 2009, p.423).

Com a digitalização, os conteúdos ficaram ainda mais disponíveis. Entretanto, toda essa tecnologia só obteve sucesso porque existem pessoas que alimentam o espaço virtual. A internet sobrevive não apenas de tecnologias, mas de homens. É o interesse humano e sua criatividade que criam novos programas. O homem pós-informática parece mais inclinado ao compartilhamento, ao upload18.

2.5.1 Entre robôs humanos e cyborgs

O advento da informática gerou especulações e endossou questões que há muito permeavam o imaginário humano. Segundo Homero Lima (2007, p.122): “O conceito de cyborg, na ficção-científica, surge de uma história de Arthur Clark de 1965, intitulada The City and the Stars, para designar os ‘organismos cibernéticos’”. Cyborg é a junção das palavras inglesas cybernetic organism, em português, organismo cibernético.

A ideia de que as máquinas tomariam o lugar dos seres humanos e que os homens ficariam mais artificializados ganhou ainda mais ênfase no tempo informatizado. Acredita-se, sem extremismos, que ambas as hipóteses têm coerência. Em algumas atividades agrícolas, homens foram substituídos por máquinas. Por outro lado, o homem tem cada vez mais recebido próteses mecânicas. Na medicina, são usadas próteses de pernas, braços e até mesmo de coração.

Esta mescla de homem e máquina não é recente. Para Santaella (2003a, p 222) existem

“As máquinas sensórias e as máquinas cerebrais” que funcionariam como extensões do homem. Seriam máquinas sensórias, por exemplo, os aparelhos de som e a fotografia. Vozes e

18 Trata-se de um termo da língua inglesa, antônimo de download, que significa enviar dados de um computador local para um computador ou servidor remoto, geralmente através da internet.

imagens que, descoladas do indivíduo, chegam a lugares que ele não necessariamente percorreu.

As máquinas cerebrais são capazes de, além de arquivar informações, reproduzir comportamentos do homem. São programas capazes de resoluções matemáticas e correção de textos.

O ser humano criou máquinas que imitam suas próprias funções, mas esse processo de reprodução maquínica do corpo chegou a um ponto em que é o cérebro que está sendo produzido por parte em computadores. [...] De fato, o crescimento do cérebro da espécie humana, nos signos que esse crescimento extrojetou, necessita hoje de hipercérebros processadores. (SANTAELLA, 2003a, p.223).

A discussão sobre o cyborg é para que se compreenda que abordagens sobre a humanização da máquina e a artificialização do homem existem devido ao hibridismo viabilizado pela informática. Além das próteses utilizadas pela medicina, existem várias outras no cotidiano do ser humano. Desde uma agenda (extensão da memória) a softwares (como o PoeTryMe) que prometem criar poemas.

2.5.2 Inteligência coletiva

Para Pierre Lévy (2010), não há uma artificialização humana, mas uma sinergia de saberes viabilizada pela rede de computadores, ou de dispositivos (como os telefones celulares) que têm funções que permitem trocas de informações na internet.

A inteligência coletiva constitui mais um campo de problemas do que uma solução. Todos reconhecem que o melhor uso que podemos fazer do ciberespaço é colocar em sinergia os saberes, as imaginações, as energias espirituais daqueles que estão conectados a ele. (LÉVY, 2010, p.133).

A inteligência coletiva pode ganhar diferentes conotações, dependendo da área do conhecimento. Bembem e Costa (2013, p.141) explicam que para a tecnologia da informação, a inteligência coletiva diz respeito ao estudo científico das técnicas de informação, conhecimentos científicos utilizados na produção, no armazenamento e no tratamento das informações. Apesar das diversas possíveis abordagens interdisciplinares, o mais habitual é a definição da expressão como conjunto de saberes humanos disponibilizados na internet.

Segundo Santaella (2003a, p.106), Kerckhove chegou a pensar, em 1997, que havia sido o primeiro a conceber a internet como meio de inteligência coletiva. Para Kerckhove

(1997 apud SANTAELLA, 2003a, p.106), “[...] a internet é, na realidade, um cérebro, um cérebro coletivo, vivo, que dá estalidos quando o estamos a utilizar. É um cérebro que nunca para de trabalhar, de pensar, de produzir informação, de analisar e combinar”.

Entretanto, a ideia de que a internet é um meio colaborativo e de inteligência já havia sido publicada por Lévy, em 1996 (SANTAELLA, 2003a, p106). Lévy explica que a inteligência coletiva

É uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências. Acrescentemos à nossa definição este complemento indispensável: a base e o objetivo da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento mútuo das pessoas, e não o culto de comunidades fetichizadas ou hipostasiadas. (LÉVY, 2007, pp. 28-29).

O axioma inicial da definição de Lévy (2007, p. 29) é que a inteligência coletiva diz respeito a “Uma inteligência distribuída por toda parte [...] ninguém sabe tudo, todos sabem alguma coisa, todo o saber está na humanidade”. O autor segue dizendo que a inteligência tem que ser “incessantemente valorizada”, deve-se buscar, elaborando projetos – se necessários – o desenvolvimento da inteligência.

Para o filósofo (LÉVY, 2007), é essa inteligência, que só se encontra em qualidade e quantidade satisfatória na coletividade, que permeia o ciberespaço e torna possível o grande número de informações presentes na rede. Sem a inteligência coletiva, o ciberespaço seria um vazio sustentado por conexões digitais.

No documento universidade estadual do norte fluminense (páginas 46-50)