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cautela, amor e perseverança” (2ªA-21); e o outro escreveu “uma pouca mudança no que diz respeito à minha valorização pessoal. Eu sou gente” (2ªA-30), demonstrando que percebeu pouca mudança com relação à valorização pessoal.

O professor 4ªA-18 relatou que praticamente não percebeu mudança. Ele justifica que sempre procurou respeitar a todos e isso ele deve à formação familiar recebida, pois seus pais, de forma amorosa, sempre impuseram limites na criação dos filhos, ensinaram a serem tementes e gratos a Deus, e esses ensinamentos perduraram pela vida dele.

gostaria que os assuntos do curso fossem mais abrangentes no que diz respeito à sala de aula (2ªA-52).

O que foi apresentado nesse curso foi muito válido, mas, acho que é um trabalho que teria que ser feito diretamente com os pais (3ªA-24).

Para minha vida pessoal é ótimo, mas o PQV-AE nas escolas só vai funcionar realmente se houver parcerias com os pais dos alunos (3ªA-28).

Pois essas palestras tinham que ser realizadas para os pais e alunos (3ªA-38).

Gostaria que esta proposta chegasse até os familiares para que assim ocorram as mudanças necessárias (4ªA-15).

Eu acho que os pais também deveriam fazer esse curso (3ªA-45).

Pouco satisfeito porque acho que os temas deveriam ser mais centrados nos alunos e não na nossa vida particular (5ªA-48).

Percebe-se que a maior parte dos professores considera essencial que os pais e os alunos fossem envolvidos na formação, acreditando ser a proposta direcionada a eles. A proposta do AE não é de culpar e nem buscar culpados e sim que cada um conheça e reconheça a sua responsabilidade e busque, juntos, soluções em prol do bem comum.

Acreditamos com convicção absoluta: sozinhos estamos perdidos, na comunidade encontramos nossa força. Na linha do Amor-Exigente, propomos que professores, pais e comunidade se juntem para:

1) Sensibilizar, conscientizando as pessoas a respeito de sua responsabilidade em relação à escola e ao meio em que vivem;

2) Informar sobre prevenção nas escolas, dando oportunidade para serem transmitidas informações precisas, honestas e oportunas;

3) formar, dando condições para mudanças dos comportamentos inadequados, criando novos hábitos, novos modelos de vida (MENEZES, 2012b, p. 19).

Já o professor 5ªA-48 considerou que os temas deveriam ser mais voltados para o trabalho com os alunos, assemelhando-se à resposta dada por 2ªA-52, sobre o curso se dedicar muito à formação pessoal dos docentes e pouco ao trabalho diretamente com os alunos.

Conforme já citado, a proposta do curso é proporcionar ao professor, ao mesmo tempo que conhece o programa, a oportunidade de vivenciá-lo na prática durante quinze semanas.

Os comentários dos professores demonstram que eles manifestaram reações como as de alunos que muitas vezes oferecem resistência às iniciativas do professor, e uma das formas de vencer essa resistência é a harmonizar as ações dos alunos com as do professor, “ao invés de se oporem a elas”, conforme afirma Tardif (2002, p. 130). Importante registrar que a metodologia utilizada no curso de formação continuada em PQVAE, de partilha e troca de experiências, oferecia oportunidades aos professores de exporem suas opiniões e primava pela harmonia das ações e relações entre os professores cursistas e os formadores.

Assim como para os alunos na escola, são impostas algumas atividades aos professores, durante o curso. Ir à escola não é opcional, conforme afirma Tardif (2002, p. 131):

“a escola não é escolhida livremente, ela é imposta, e isso, inevitavelmente, suscita resistências importantes em certos alunos”. Da mesma forma, alguns professores não compreenderam o objetivo principal do curso que era de levar ao professor o conhecimento básico do AE por meio da vivência em quinze semanas do programa, para que ele tivesse o mínimo de conhecimento para ministrar a disciplina. Assim, viam a sua participação como obrigatória no curso de formação em PQVAE, o que pode justificar a manifestação de certa resistência da parte de alguns professores.

Menezes (2011, p. 65) afirma que viver o AE é “aprender a conhecer-se e ajudar-se para, na mesma medida, conhecer e ajudar seu filho”. Traspondo essa fala para a educação, aprendendo a se conhecer e a se ajudar, o professor poderá se conhecer melhor e ajudar o seu aluno. Vale ressaltar que em nenhuma documentação analisada foi mencionada a obrigatoriedade de participar da formação, e sim a importância de se conhecer o programa para aplicar de acordo com o que determina as suas diretrizes.

Como a disciplina PQV-AE foi implantada na rede municipal de ensino, a SME tinha a obrigatoriedade de ofertar a capacitação aos professores, pois estes teriam de trabalhar nas unidades de ensino, com os alunos, os conteúdos da nova disciplina. Neste sentido, Nóvoa (2017, p. 1125), em seus estudos, afirma que o “professor precisa ter um conhecimento mais orgânico, historicizado, contextualizado e compreensivo da disciplina que vai ensinar”. Em função da necessidade deste conhecimento, o curso foi ofertado.

Na concepção de Marcelo Garcia (2005), para aprender a arte, a técnica e o ofício de ensinar, a orientação prática juntamente com a orientação acadêmica tem sido bem aceita no contexto de formação de professor. O curso do PQVAE oportunizou, de maneira prática, ao professor apreender não só os conteúdos a serem ministrados na disciplina, mas conhecer a metodologia do programa do AE.

Quanto à metodologia, objeto de avaliação da questão de número dois, um pequeno número de professores comentou que poderia ter sido melhor, mais dinâmica, conforme os relatos a seguir.

Poderiam ser melhores se o grupo fosse mais dinâmico, interagissem mais (3ªA-27).

Faltam algumas dinâmicas diferentes (2ªA-30).

Poderia ser um pouco melhor (3ªA-36).

Achei que podia ser mais dinâmica (4ªA-26).

A estrutura básica da metodologia do curso contemplava o estudo do princípio, partilha e discussão. A problemática com relação à metodologia vai ao encontro do que Marcelo Garcia (2005) atesta sobre aprender a ensinar:

é um processo que se inicia através da observação de mestres considerados

“bons professores”, durante um período de tempo prolongado. Isso significa trabalhar com um mestre durante um determinado período de tempo ao longo do qual o aprendiz adquire as competências práticas e aprende a funcionar em situações reais (p. 39, grifos do original).

No curso de formação continuada em PQVAE, a metodologia utilizada de estudo, partilha, discussão e estabelecimento de metas, teve como objetivo proporcionar ao professor a oportunidade de ver a atuação dos formadores diante de situações passíveis de acontecer nas aulas da disciplina PQV-AE, pois um dos seus objetivos é dar voz e ouvido ao aluno. A metodologia do curso oferece condições para os professores conhecerem os pilares de sustentação do programa que são a base dos conteúdos da disciplina. Oportuniza a vivência na prática de algumas metodologias como aluno e de situações semelhantes ao que poderão propor e vivenciar com os alunos.

Quanto ao estabelecimento de metas com objetividade, relativa à questão três, as respostas dos professores, a seguir, retratam como perceberam este aspecto.

Sim, em parte, porém leva tempo para adaptar às regras (3ªA-37).

Não, porque algumas metas foram estabelecidas ali de momento, porque tinha que estabelecer alguma meta naquele momento (3ªA-44).

A maior parte das pessoas não se sente à vontade para expor suas metas pessoais (4ªA-29).

Tive dificuldade em vincular o princípio visto com uma meta pessoal atingível (6ªA-13).

Com base na vivência e experiência de Menezes (2012b, p. 32) no AE, a autora ressalta que “muitas vezes também ficamos paralisados diante de emoções muito fortes como medo, raiva, auto piedade ou mesmo culpa”. Os comentários dos professores revelam algumas emoções, sentimentos e reações que podem ter impedido estes de se permitirem vivenciar a proposta sugerida.

O Amor-Exigente propõe: esvazie-se de qualquer tipo de emoção negativa.

Elas, além de o tornarem indefeso e sem ação, distorcem a realidade, não transferem nem dividem responsabilidades, não são a solução. Achar culpados também não resolve. Mostra, apenas, que estamos – consciente ou

inconscientemente – nos achando melhores que os outros (MENEZES, 2012b, p. 32).

A autora ressalta que o AE propõe o esvaziamento de emoções negativas, pois não resolvem as situações e podem paralisar as pessoas na busca de solução dos problemas vivenciados. Nesta perspectiva, Nóvoa (2019, p. 7) relata: “é evidente que todas as profissões têm um lado conservador e rotineiro, o que as impede de construírem políticas de formação que conduzem à renovação das práticas e dos processos de trabalho”. Assim como as instituições, também se pode notar em alguns professores este aspecto conservador e rotineiro, a desconfiança, a insegurança em se permitir vivenciar novas experiências.

Os comentários a seguir retratam a resistência, sobre colocar dificuldade quanto ao cumprir as metas estabelecidas, aspecto tratado na questão de número quatro.

É muito difícil algo novo, que não está em nossa rotina (2ªA-28).

Porque é muito difícil cumprir metas (2ªA-30).

É difícil atingir as metas principalmente quando exige de nós mudanças em nossa postura (3ªA-31).

Não é fácil mudar hábitos facilmente (2ªA-42).

É muito difícil mudar os vícios que pegamos no decorrer de nossa vida (3ªA- 52).

Não é fácil, pois requer paciência, tolerância e disposição (3ªA-53).

Às vezes acontecem imprevistos que nos atrapalham no cumprimento das metas (3ªA-54).

Não é fácil cumprir determinadas metas (4ªA-17).

A mudança nem sempre é fácil e é gradativa (5ªA-36).

Existe um pouco de resistência diante das mudanças (6ªA-43).

Os comentários revelam resistência no sentido de considerar difícil ocorrer mudanças de posturas, de hábitos, por requerer paciência, tolerância e disposição, como explicita o professor 3ªA-53, e outros resistem a fazer mudanças por acomodação, medo de agir frente a novas situações, entre outras razões.

Dependendo da meta estabelecida, quando colocada em ação pode gerar crises. Sobre essa questão, Brigagão (2015, p. 131) faz uma constatação: “o homem e, por extensão, a sociedade, estão sempre procurando um meio de evitar a crise. [...] Crises implicam dor, desconforto, insegurança, criam oportunidade de romper com o passado, abrem a possibilidade do novo”. A dor, o desconforto, a insegurança são algumas razões que paralisam e deixam as pessoas sem ação. Na proposta do AE, crise é vista como possibilidade para mudança positiva.

Poucos foram os professores que relataram alguns de seus motivos relacionados a não perceberem mudanças relativas à participação/assimilação no curso, conforme trata a questão se número seis da avaliação A.

Alguns conflitos necessitam tempo e habilidades para serem aceitos e praticados com maior segurança (3ªA-34).

Porque não estou gostando do curso (3ªA-45).

Horário e dinâmica do trabalho (5ªA-22).

Minha participação foi de acordo com o tempo permitido (6ªA-12).

O fator tempo citado pelos professores 3ªA-34 e 6ªA-12, remete à questão da limitação causada por um intervalo de tempo que algumas pessoas necessitam para conhecer, aceitar, praticar algo diferente do habitual e quando uma situação nova aparece, há uma resistência no sentido de não dar abertura ao novo. Já o professor 3ªA-45 foi bem claro em sua justificativa quando escreve que não está “gostando do curso”. O professor 5ªA-22 cita o horário e a dinâmica do curso como fatores provocadores de resistência em participar do curso.

Quanto à questão referente à percepção de alguma mudança em relação ao modo de pensar, agir e encarar os desafios após o estudo dos princípios, o professor 3ªA-21 respondeu que não mudou nada: “o meu modo de ser não mudou, acredito que a forma que estou agindo em minha vida está bom”, o que demonstra uma certa resistência à mudança, visto que sempre se pode melhorar em algum âmbito, seja no individual, familiar ou social. A responsabilidade social no AE trata justamente disso, sempre se pode fazer algo para melhorar a si mesmo, a família, a comunidade, o mundo.

4.5 Categoria 5 – percepção dos professores em relação à formação continuada do