P1243
A estimulação elétrica periférica do nervo acessório ativa áreas do córtex cerebral relacionadas ao processamento da dor
Maitê Costa Ferreira, Janete Shatkoski Bandeira, Wolnei Caumo - UFRGS
Introdução: A técnica de estimulação elétrica periférica (PES) parece modificar o modo como os neurônios interagem entre si, desde a medula até o córtex cerebral. Considerando a alta prevalência de dor crônica na população, a PES tem sido estudada como uma possível complementação à terapia farmacológica. O nervo acessório contém fibras motoras e sensitivas, e a literatura sugere que ele seja um bom alvo para a PES com vistas a aliviar quadros dolorosos tais como, por exemplo, o de síndrome miofascial. Um método para avaliar atividade metabólica de áreas de interesse do córtex cerebral é a espectroscopia funcional por infravermelho (fNIRS), que avalia variações nas concentrações de hemoglobina oxigenada (HbO) e desoxigenada (HbR), a partir da emissão e captação de frequências específicas de ondas de luz. Objetivos: Avaliar se a aplicação de PES no nervo acessório resulta em mudanças hemodinâmicas do córtex motor-sensorial (SMC) e do córtex pré-frontal dorsolateral (DLPFC) distintas à estimulação SHAM. Métodos: Neste estudo randomizado, cruzado e controlado, quinze voluntários homens, saudáveis e destros, com idade entre 20 e 55 anos, foram randomizados entre estimulação ativa ou sham do nervo acessório espinal direito. A intervenção ativa consistiu em 10 segundos de estimulação à intensidade de 10 Hz, alternada com 20 segundos de repouso, durante 12 minutos. Após um período de washout de seis dias e cross-over, os participantes realizaram a segunda intervenção. As respostas hemodinâmicas bilaterais do DLPFC e SMC foram avaliadas por fNIRS em sistema de 40 canais. As variações nas concentrações relativas de HbO durante a estimulação foram parâmetros para avaliação da atividade cortical. Resultados: A variação observada nas concentrações relativas de HbO durante a estimulação foi significativamente maior no grupo ativo em relação ao sham nas áreas de DLPFC direito (p=0,025) e SMC esquerdo (p=0,042). Com relação ao SMC direito e ao DLPFC esquerdo, não houve diferença significativa entre o grupo ativo e o sham. Conclusões: A estimulação elétrica periférica do nervo acessório resultou em ativação cortical significativa do DLPFC ipsilateral e do SMC contralateral, áreas do córtex cerebral relacionadas ao processamento da dor. Estes resultados estão de acordo com as conclusões de estudos prévios e podem servir como evidência adicional para novos estudos e para otimizar o uso da estimulação elétrica periférica no tratamento de indivíduos com dor crônica. Unitermos: Dor; Estimulação Elétrica Periférica;
fNIRS.
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P1265Impacto de um serviço de dor aguda pós-operatória no tempo de hospitalização em hospital universitário no sul do Brasil
Paulo Ricardo Assis de Souza, Paulo Eduardo Schmitz, Gabriela Kroeff Schmitz, Túlio Macário Graccho Serrano, Francisco Krum, Letícia Uzeika, Lara Both Palazzo, Elaine Aparecida Felix, Luciana Paula Cadore Stefani, Wolnei Caumo - HCPA
Introdução: A Sociedade Americana de dor endossa hospitais a organizarem Serviços de Dor Aguda (SPA) para um cuidado mais eficiente, assim como para aferir seu impacto em desfechos mensuráveis. A criação deste tipo de serviço tem se difundido ao redor do mundo. No entanto, o seu real impacto com relação a custos e desfechos como o tempo de hospitalização não tem sido adequadamente avaliados, considerando-se os múltiplos potenciais confundidores. Sendo assim, o presente estudo comparou o período de estadia hospitalar entre pacientes submetidos a cirurgias de grande porte manejados por um time multidisciplinar de SPA, com uma coorte compatível de indivíduos com os mesmos procedimentos cirúrgicos durante o mesmo período que tiveram sua dor pós-operatória manejada pelo time cirúrgico. Objetivos: Avaliar o tempo de internação hospitalar e o impacto do Serviço de Dor Aguda em pacientes submetidos a cirurgia de grande porte comparado com pacientes submetidos a cirurgia de mesmo porte que receberam o cuidado pós-operatório padrão da equipe cirúrgica assistente. Métodos: Coorte naturalista retrospectiva que incluiu 1007 pacientes, maiores que 18 anos, do sexo masculino e feminino, e que foram submetidos a cirurgias de grande porte eletivas com abertura de cavidade (cirurgias proctológicas e torácicas) e cirurgias ortopédicas (artroplastia de joelho e quadril). A Base de Dados Eletrônica compreendeu os anos de 2011 a 2015 em um Hospital Universitário no sul do Brasil. Resultados: Foram avaliados retrospectivamente 1007 pacientes [cirurgia proctológica 524 (52%), cirurgia torácica 212 (21,1%) e cirurgia ortopédica 271 ( 26,9%)].
Através de uma regressão multivariada seguida pela técnica de entrada, foi possível encontrar que o uso de analgesia epidural contínua e uso de opioide neuroaxial diminuiu o tempo de internação hospitalar em 0,5 e 0,8 dias respectivamente. E, uma vez que estas duas técnicas são os principais alvos do nosso SPA, indiretamente podemos afirmar que nosso time de dor aguda tem papel relevante no tempo de internação hospitalar. Conclusão: Tais achados suportam a hipótese de que um cuidado mais próximo no manejo da dor em pacientes submetidos a cirurgias com maior propensão a dor pós-operatória severa reduz o tempo de internação hospitalar. Apoio financeiro: FIPE/GPPG-HCPA, CNPq, CAPES. Unitermos: Serviço de dor aguda; Tempo de internação hospitalar;
Cirurgia.
P1268
Estimulação transcraniana de corrente contínua associada à analgesia hipnótica em dor experimental aguda:
resultados preliminares de um ensaio randomizado controlado
Franciele Pereira dos Santos, Bruno Schein Cavalheiro Corrêa, Maxciel Zortea, Gerardo Beltran Serrano, Wolnei Caumo - HCPA
Introdução: Estudos demonstraram que técnicas neuromoduladoras são ferramentas promissoras no tratamento da dor crônica.
Dentre essas, a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) pode reduzir níveis de dor em síndromes de dor crônica atuando em regiões corticais e subcorticais envolvidas nos processos de neuroplasticidade maladaptativa e disfunção da percepção de dor. A hipnose é outra técnica neuromodulatória que atua na modulação descendente do fenômeno e pode reduzir a atividade em diversas áreas supraespinhais componentes da matriz da dor. Objetivo: Avaliar o efeito do uso sinérgico de ETCC e analgesia hipnótica sobre a percepção de dor por meio do Quantitative Sensory Testing (QST), Conditioned Pain Modulation (CPM) task e do Cold Pressor Test (CPT). A hipótese é que as intervenções combinadas potencializarão os efeitos analgésicos. Métodos: Estudo clínico randomizado cruzado controlado por sham, que incluiu 20 mulheres hígidas, idade entre 18 e 45 anos e com alta pontuaç ão na Escala de Suscetibilidade Hipnótica de Waterloo-Stanford (8-12 pontos). Essas foram randomizadas em 2 grupos que realizaram duas intervenções de modo cruzado, em paralelo e com intervalo médio de 7 dias: 1) ETCC ativa+hipnose(n=5) e ETCC sham+hipnose(n=5); 2) ETCC ativa(n=5) e Hipnose(n=5). Na ETCC ativa, o ânodo foi direcionado ao córtex dorso lateral pré-frontal (CDLPF) esquerdo e o cátodo na mesma região à direita, com intensidade de 2mA por 20 mins. Na ETCC sham, a corrente foi desligada após 30s. A sessão de analgesia hipnótica consistiu em uma indução de 20 mins. Antes e após cada intervenção, foram aplicados o QST (tolerância máxima à dor), o CPM-task (sistema modulatório descendente da dor) e o CPT (tolerância máxima ao frio). Resultados: A partir da análise de variância multivariada, observou-se que o tempo total de permanência da mão na água fria foi maior para a intervenção ETCC ativa+hipnose em comparação as demais (p=0,001; η²partial=0,35). Já a ETCC-ativa apresentou maior tolerância térmica durante o QST quando comparada as intervenções ETCC ativa+hipnose e ETCC sham+hipnose (p=0,008;
η²partial=0,26). Conclusão: A partir dos resultados, pondera-se que a ETCC anodal sob o CDLPF tenha um papel analgésico evidenciado por aumento da tolerância térmica. A analgesia hipnótica parece exercer um efeito sinérgico, porém isto é depende nte do tipo de estímulo nociceptivo e, consequentemente, das vias e sistemas de sensação e percepção de dor. Unitermos: Estimulação transcraniana de corrente contínua ; Hipnose; Dor.
P1273
Manejo da dor aguda pós-operatória em artroplastia total de joelho: bloqueio contínuo de nervo femoral
Carolina Lourenzon Schiavo, Kahio Cezar Kuntz Nazario, Simone Maria Guske Petry, Patricia Wajnberg Gamermann, Luciana Cadore Stefani - HCPA
Introdução: A artroplastia total de joelho (ATJ) é um procedimento com extenso trauma tecidual, necessitando abordagem multimodal para o controle adequado da dor aguda pós-operatória. Neste contexto, o uso do bloqueio femoral contínuo tem sido utilizado com sucesso para otimizar analgesia. Caso: Paciente feminina, 74 anos, diabética, com transtorno de ansiedade, internou para cirurgia eletiva de ATJ à direita. No pré-operatório, apresentava escore 8 na escala análogo-visual de dor (EAV). Realizado anestesia subaracnóidea com bupivacaína pesada 15mg e morfina 0,1mg. No término do procedimento cirúrgico, realizado bloqueio nervo femoral guiado por USG, com agulha Tuohy 16 e inserido cateter peridural, devido à inexistência de kit específico para bloqueios contínuos no HCPA. Agulha introduzida paralelamente ao transdutor e após ultrapassar a fáscia ilíaca, injetado anestésico loc al e inserido o cateter, sem resistência, 3-4cm além da ponta da agulha, posicionado abaixo do nervo. Paciente permaneceu por 3 dias com infusão contínua de bupivacaína 0,125% a 5mL/h. Durante o acompanhamento apresentou EAV 0 no repouso e 3 ao movimento, com hipoestesia em face ântero-medial da coxa e joelho. O controle da dor foi satisfatório durante a fisioterapia ativa e passiva, sem necessidade de bolus adicional. A analgesia multimodal incluiu paracetamol 500mg 6/6h, dipirona 2g 6/6h, codeína 30mg 6/6h. Não foi necessário uso de morfina venosa de resgate. A alta hospitalar ocorreu no terceiro dia pós-operatório, com alto grau de satisfação. Discussão: Diversas variáveis influenciam a recuperação no pós-operatório da ATJ. O controle efetivo da dor
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permite reabilitação precoce e melhora a função protética. O uso de técnicas regionais, como cateter de nervo femoral, reduz dor aguda nas primeiras 72h pós cirurgia, especialmente dor ao movimento nas primeiras 24h. O uso do bloqueio femoral está associado a menores escores de dor moderada e severa, bem como redução no consumo de morfina no pós-operatório. Há na literatura poucos relatos de efeitos adversos graves como: extenso hematoma na vigência de anticoagulação, parestesia prolongada em face anterior da coxa e queda. Não há relato de toxicidade por anestésico local ou aumento na retenção urinária. Benefícios dos bloqueios de nervos periféricos como componentes de esquema multimodal de analgesia incluem menor incidência de sedação, náuseas e vômitos, redução do tempo de permanência hospitalar e prevenção de dor crônica. Unitermos: Analgesia; Pós-operatorio;
Cateter nervo femoral.
P1335
Análise das complicações pós-operatórias em até 30 dias através do questionário POMS (Postoperative Morbidity Survey)
Marina Boff Lorenzen, Mariana Linck Berto, Giuliano Machado Danesi, Katherine Coelho Gonçalves, Claudia de Souza Gutierrez, Luciana Cadore Stefani - HCPA
Introdução: Entender as complicações no período perioperatório é fundamental para planejar e implementar estratégias que impactem em melhorias na qualidade assistencial. O uso da escala POMS (Postoperative Morbidity Survey) é sugerido para uniformizar pesquisas científicas e servir como indicador da qualidade assistencial. Nosso objetivo é avaliar a incidência de complicações pós-operatórias e óbitos através da Escala POMS em um hospital universitário. Métodos: Estudo de coorte retrospectivo em pacientes acima de 16 anos, submetidos a cirurgias não-cardíacas no período de junho a dezembro 2016.
Informações referentes à cirurgia, às condições clínicas no pré-operatório e à presença de complicações no pós-operatório no terceiro e sétimo dias foram avaliadas, utilizando a Escala POMS. Resultados: 775 cirurgias foram analisadas, 58% mulheres, 8 4%
cirurgias eletivas, havendo 7 mortes perioperatórias em 30 dias (1%). Cirurgias consideradas de alto risco (intrabdominais, vasculares ou intra-torácicas) totalizaram 40% da amostra. Os pacientes foram classificados, de acordo a Classificação ASA: ASA 1 (11%), ASA 2 (52%), ASA 3 (34%), ASA 4 (2,6%), ASA 5 (0,1%). As complicações pós-operatórias no terceiro dia: Febre ou uso de antibiótico ( 19%), Oligúria (19%), Dor forte (16%), Intolerância à dieta ( 5%), Alterações Pulmonares (3,6%), Alterações neurológicas (2,6%), Complicações Cardíacas ( 1,6%). No sétimo dia de pós-operatório foram verificados Febre ou Uso de Antibiótico (11,14%), Oligúria (5,5%) e Complicações Neurológicas (2,2%). Conclusões: O resgate eficiente das complicações no perioperatório tem sido associado a redução de mortalidade(1). Essa coorte proporcionou o conhecimento das complicações no perioperatório de um Hospital Universitário do SUS. As complicações infecciosas e renais foram as mais frequentes no terceiro e sétimo dia.
Complicações cardíacas e pulmonares , apesar de serem associadas a maior morbimortalidade, foram menos frequentes. Isso pode- se dever à melhoria na avaliação clínica e monitorização. Linhas de assistência para prevenção de complicações infecciosas e renais devem ser implementadas para melhorar desfechos. Unitermos: Complicações pós-operatórias; POMS.
P1385
Mapeamento, inventário e priorização de riscos assistenciais do macroprocesso anestésico do serviço de anestesia e medicina perioperatória (SAMPE), na unidade do bloco cirúrgico (UBC) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA)
Paulo Ricardo Assis de Souza, Ana Paula Etges, Túlio Macário Graccho Serrano, Lara Both Palazzo, Elaine Aparecida Felix, Luciana Paula Cadore Stefani, Deborah Kotek Selistre, Rafael Soldatelli Claudino, Renato Budzyn David, Gilberto Braulio - HCPA
Introdução: Anestesiologia como especialidade focada no cuidado ao paciente cirúrgico é uma área facilitadora da intervenção diagnóstica e/ou terapêutica, portanto os riscos associados à mesma devem ser mínimos, porém nunca serão inexistentes. Na busca de melhorar a segurança do paciente, conhecer os riscos permite tratá-los ou mitigá-los antes que eles se materializam em eventos adversos. Objetivos: identificar, classificar e priorizar riscos assistenciais do macroprocesso anestésico desde a admissão do paciente na sala de preparo até a alta da sala de recuperação pós-anestésica. Métodos: Estudo exploratório, descritivo e prospectivo, na perspectiva qualitativa. A identificação dos riscos foi feita por consenso obtidos de reuniões com anestesistas do SAMPE . Dezesseis anestesistas, por entrevistas individuais,pontuaram os riscos do processo do transoperatório utilizando a Matriz de Riscos 4x4 (Probabilidade x Gravidade); números de risco ≥12 foram considerados os mais críticos. Estes também responderam a 4 questões abertas. Resultados: O mapa do macroprocesso anestésico possui 5 processos: Fase Pré-anestésica, Transporte do preparo à Sala Cirúrgica, Transoperatório, Transporte para sala de recuperação (SR) e Pós-operatório. Foi identificado e inventariado riscos assistenciais (n=432), dividido em subgrupos (n=28). Os riscos prioritários do transoperatório foram: 1. Riscos na indução anestésica; 2. Tarefas e desempenho da equipe cirúrgica; 3. Complicações cirúrgicas; e 4. Complicações clínicas.
Identificou-se pontos carentes para melhoria do processo de trabalho: medidas administrativas e de documentação (28,2%), pressão da equipe cirúrgica para início da cirurgia (11%), aplicação do check-list (11%) e qualidade da avaliação pré-anestésica (8,7%). Para melhora da eficiência da unidade, mais de 85% são ações administrativas, de comunicação e organização de escala. O processo anestésico pode falhar dependendo da avaliação pré-anestésica para 30,4% dos entrevistados e por falha de comunicação entre equipes por 21,7%. Conclusões: A identificação de riscos prioritários num processo de trabalho estabelece onde devem ser dirigido os esforços para a implementação de melhorias para superar as lacunas, prevenindo a ocorrência de eventos adversos que fragilizam a assistência e a segurança do paciente. Apoio financeiro: FIPE/GPPG-HCPA. Unitermos: Segurança do paciente;
Anestesia; Gestão de riscos.
P1396
Validação da escala preditora de estresse pré-operatório B-MEPS em uma coorte prospectiva de pacientes submetidos a cirurgias de médio e grande porte no HCPA
Carolina Lourenzon Schiavo, Luciana Cadore Stefani, Wolnei Caumo, Anelise Schifino Wolmeister, Kahio Cesar Kuntz Nazario, Fabian Jonas Nickel, Andressa Souza, Stela Mariz de Jezus Castro - HCPA
INTRODUÇÃO: A associação entre estresse psicológico e desfechos no perioperatório como dor aguda, qualidade de reabilitação e tempo de internação representa um vasto campo a ser explorado. A Escala B-MEPS foi desenvolvida pelo grupo de pesquisa de Dor e Neuromodulacao do HCPA, com objetivo de identificar e mensurar o estresse psicológico pré-operatório. Construída com base em 4 instrumentos clássicos que avaliam carga emocional negativa e aspectos psíquicos como ansiedade, depressão e expectativa
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de futuro, a Escala B-MEPS consiste em um questionário (15 ítens facilmente aplicáveis) que avalia o traço latente de estresse psicológico no pré-operatório. OBJETIVOS: Realizar a validação prospectiva concorrente da Escala Preditora de Estresse Pré- Operatório B-MEPS com a escala já validada Questionário de Sensibilização Central, as quais avaliam constructos semelhantes.
Além disso buscou-se avaliar a correlação da escala B-MEPS com desfechos relacionados a dor aguda no pós-operatório, qualidade de reabilitação e tempo de internação. MÉTODOS: Estudo de coorte prospectivo realizado com pacientes entre 18 e 70 anos submetidos a procedimentos cirúrgicos de médio a grande porte no Hospital de Clínicas de Porto Alegre no período entre março 2017 e março 2018. No pré-operatório foram coletadas variáveis referentes a aspectos psíquicos e uso de medicações, aplicados a Escala B-MEPS e o Questionário de Sensibilização Central. No pós-operatório, os pacientes foram acompanhados até a alta hospitalar (avaliação do tempo de internação) e dados referentes a dor aguda, consumo diário de morfina e Escala de Reabilitação Pós-Operatória foram coletados. RESULTADOS: A Escala B-MEPS apresentou moderada correlação positiva com o Questionário de Sensibilização Central (r= 0,480 p<0,001) e com a quantidade de medicamentos psicoativos consumidos (r=0,289 p<0,001). Não houve correlação da Escala B-MEPS com a dor aguda pós-operatória, Escala de Reabilitação Pós-Operatória ou tempo de internação. CONCLUSÕES: A Escala B-MEPS apresentou validação concorrente positiva com o Questionário de Sensibilização Central, confirmando a sua capacidade de discriminar pacientes com perfil psíquico complexo no perioperatório. A mesma não se correlacionou com outros desfechos clínicos negativos medidos a curto prazo no pós-operatório. Com objetivo de otimizar o manejo perioperatório dos pacientes, prospecta-se estudar intervenções para redução do estresse e seu impacto a curto, médio e longo prazos. Unitermos: Estresse psicológico; Dor aguda pós-operatória.
P1425
Análise de custos da colecistectomia robótica por portal único (Davinci Single Site) - resultados preliminares Sofia Michele Dick, Marcelo Costamilan Rombaldi, Thamyres Zanirati dos Santos, Henrique Rasia Bosi, João Vicente Machado Grossi, Leandro Totti Cavazzola - HCPA
Introdução Desde a década de 90 a colecistectomía (CCT) videolaparoscópica (VLP) é padrão-ouro no tratamento de colelitíase sintomática, associada a diminuição de morbidade e dor pós-operatórias quando comparada à cirurgia aberta, resultado estético razoável e recuperação precoce. Entretanto, se continuou buscando uma técnica que possa ser superior, sendo desenvolvida a técnica da colecistectomia por portal único assistida por robô - definida pela literatura como segura, factível e, na realidade norte americana, com custo semelhante à VLP. Métodos As cirurgias foram realizadas por cirurgião único. Materiais cirúrgicos fornecidos pela empresa H. Strattner, sem custo adicional ao HCPA para qualquer material excedente ao usado na CCT VLP. Feita capacitação de equipe para adequado manejo dos instrumentos e registro de dados e materiais utilizados nas cirurgias. Selecionados pacien tes de amostra de conveniência do ambulatório de cirurgia geral do HCPA com indicação de colecistectomia. Realizada avaliação dos pacientes em diferentes tempos quanto a satisfação com procedimento, resultado estético, dor, complicações. Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HCPA sob o nº 16-0253. Resultados Analisados 22 pacientes, todas mulheres com média de 42 anos de idade e IMC médio de 30,6. Pelos sintomas, 63,6% haviam procurado a emergência e 41% faltado ao trabalho. O tempo operatório médio foi 68 minutos. Houve uma conversão para técnica VLP por segurança na dissecção e identificação das estruturas.
Complicações pós operatórias imediatas: cefaleia, náuseas e baixa aceitação de dieta oral. Após 1 mês, pacientes demonstraram um grau de satisfação de 9,6, média de dor 2 e satisfação com resultado estético 8,4. Houve 3 complicações tardias: um seroma de ferida operatória (FO), uma infecção de FO e uma hérnia incisional, já corrigida. Quanto à análise de custos, o custo total médio, sala mais instrumental, da colecistectomia por robô foi de R$ 4245,65, enquanto o da a CCT VLP é de R$ 353,88. Conclusão A taxa de sucesso da cirurgia e tempo operatório médio foram similares à literatura. Não houve complicações transoperatórias maiores, c omo sangramento ou lesão de via biliar. Essa técnica possui aplicação restrita na saúde pública, uma vez que seu custo é cerca de 12 vezes maior que a CCT padrão, podendo ser uma alternativa segura em pacientes de saúde suplementar ou particular que procuram benefício estético, tendo em vista que não há aumento de complicações. Unitermos: Colecistectomia assistida por robô.
P1437
Manejo da via aérea difícil em pediatria
Anelise S. Wolmeister, Ana Lúcia C. Marins, Letícia Cunha da Rosa, Carolina Alboim, Rogério Sivleira Martins, Luciana Cadore Stefani - HCPA
Introdução: O manejo da via aérea pediátrica é fundamental na prática anestésica, de terapia intensiva e emergência. Alterações anatômicas e funcionais são previamente reconhecidas em 80% dos casos de via aérea difícil (VAD). Entretanto, situações não previstas levam a múltiplas tentativas de intubação traqueal e hipoxemia, complicações severas e de alta morbidade. Técnicas e equipamentos têm evoluído aumentando as chances de sucesso no manejo de situações críticas tanto de intubação traqueal (IT) quanto de ventilação sob máscara facial (VMF). Contudo, a ampla diversidade de condutas e conceitos sobre o tema em pediatria, mesmo em mãos experientes, torna o manejo da VAD um desafio para o anestesista. Objetivos: Criação de um protocolo para o manejo da VAD em anestesia pediátrica, adaptado à realidade do Hospital de Clínicas de Porto Alegre em termos de equipamento e logística. A uniformização de condutas adequadas e subsequente treinamento visa reduzir danos e melhorar a segurança do paciente. Métodos: Para o gerenciamento deste processo foram utilizadas as seguintes estratégias: 1. Busca de dados na literatura acerca do manejo da via aérea difícil prevista e não prevista (dificuldade IT, VMF e não ventilo/não intubo) em pediatria. 2.
Participação em cursos nacionais e internacionais de atualização no tema. 3. Criação de 4 protocolos de adaptados à realidade do HCPA. 4. Treinamento do corpo clínico através de simulações, seguindo tais protocolos para reduzir a taxa de complicações na VAD pediátrica. Resultados: Ao contrário do manejo da VAD no adulto, a maior causa de VAD na criança é causa funcional (ex:
laringoespasmo, broncoespasmo, plano anestésico inapropriado,etc). Dessa forma, propusemos o manejo da VAD apresentando 4 fluxogramas: 1 - dificuldade de VMF, 2 - dificuldade de Intubação traqueal (IT), 3 - situação não oxigeno não intubo e 4 - via aérea difícil prevista. Conclusões: São escassos dados baseados em evidência abordando o manejo da VAD tanto prevista quanto inesperada em pediatria. As publicações limitam-se basicamente a opiniões de especialistas e relatos de casos. Embora seja um tema de suma importância, ainda carece de estudos que determinem uma conduta uniformizada e definitiva. Assim, torna-se mandatória a criação de um material adequado à nossa realidade bem como sua divulgação e treinamento dos profissionais envolvidos, a fim de melhorar nosso desempenho assistencial. Unitermos: Via áerea difícil; Pediatria; Algorítmos.