INTOLERÂNCIA À LACTOSE: RELATO DE CASO. Araujo A , Rossi G , Gazzana MB . Serviço de Medicina Interna . HCPA.
Fundamentação:Intolerância à lactose secundária é descrita como de grande prevalência em adultos. Entretanto, na avaliação ambulatorial de pacientes com diarréia crônica atendidos no Serviço de Medicina Interna esse diagnóstico têm sido infreqüente. Conforme descrito por Shaw (1999), o diagnóstico dessa entidade pode ser difícil. No HCPA dispõe-se de teste de tolerância à lactose para diagnosticar essa doença, conforme ilustrado no caso relatado. Objetivos:Descrever o diagnóstico clínico e a resposta terapêutica de um caso de deficiência de lactase.Causistica:Delineamento:relato de casoRevisão de literatura através do MEDLINE Resultados:Paciente masculino, branco, 53 anos, foi encaminhado para atendimento ambulatorial devido a diarréia crônica há mais de 1 ano, intermitente, 3 a 4 evacuações semi-líquidas por dia, sem elementos patológicos, associada a distensão abdominal e flatulência, exacerbada por ingesta excessiva de derivados de leite. Sem história de emagrecimento, dor abdominal ou febre. Tratamento empírico com antiparasitário sem melhora.
Exames complementares sem evidência de anemia ou hipoalbuminemia. Exames de fezes sem particularidades. Rx trânsito de delgado sem alterações. Teste de tolerância à lactose sem aumento da curva glicêmica, caracterizando deficiência de lactase com dificuldade de absorção de glicose. Paciente obteve melhora significativa dos sintomas após dieta com restrição de lactose. Conclusões:Deficiência de lactase adquirida é a causa mais comum de má absorção de carboidratos. Adultos com essa deficiência tipicamente apresentam flatulência, distensão abdominal e diarréia após a ingesta de leite ou derivados. O diagnóstico dessa doença pode ser feito pelo teste de tolerância à lactose ou pela resposta à restrição de dessa na dieta.
Essa intervenção usualmente minimiza os sintomas descritos.
RELATO DE CASO: PACIENTE COM PANCREATITES DE REPETIÇÃO POR ESTENOSE DO DUCTO PANCREÁTICO.
Faulhaber GAM , Svartman F , Berger HM . Serviço de Medicina Interna . HCPA - UFRGS.
Paciente feminina de 55 anos interna no HCPA por dor abdominal intensa irradiada para dorso. Refere apresentar episódios semelhantes nos últimos 3 anos, sendo sempre interpretada e medicada como cólica renal. Exames laboratoriais demonstram Pancreatite. Tomografia de abdome visualiza pâncreas edemaciado, contendo coleção de 4 cm, compatível com pseudocisto. CPER demonstra importante estenose do ducto pancreático com dilatação a montante e extravasamento de contraste entre a cabeça e o corpo do pâncreas. Ausência de cálculos. Estenose de ducto pancreático é uma patologia com múltiplas causas e acarreta a longo prazo na manutenção da inflamação pancreática, configurando quadro de pancreatite crônica. Está relacionado com formação de pseudocisto de pâncreas. Seu tratamento pode ser feito pelo uso de endopróteses ou cururgia.
RELATO DE CASO: GASTRITE ENFISEMATOSA COMO COMPLICAÇÃO DE VOLVO GÁSTRICO. Faulhaber GAM , Stifft J , Seligman B , Maguilnik I . Serviço de Medicina Interna . HCPA - UFRGS.
Paciente masculino de 49 anos, previamente hígido, procurou o HCPA por vômitos incoercíveis que se iniciaram 3 dias antes, algumas horas após refeição. Concomitantemente iniciou com diarréia líquida, com múltiplas evacuações diárias, sem sangue ou muco acompanhada de dor abdominal difusa. Iniciado Ciprofloxacina por suspeita de gastroenterite aguda. Rx de abdomem agudo mostrou importante distensão gástrica associada a presença de gás na parede gástrica. Tc de abdome demonstrou tais achados. Foi submetido a Endoscopia digestiva que mostrou volvo gástrico e necrose da mucosa gástrica.
Foi submetido à laparotomia exploradora, com gastropexia, tendo excelente evolução clínica e alta hospitalar. A gastrite enfisematosa é patologia rara, cujo diagnóstico é radiológico. É um quadro de alta mortalidade, já que está relacionado a infecção da parede gástrica por bactérias gram negativas. Há poucos relatos de caso na literatura de tal patologia como complicação do volvo gástrico.
RELATO DE CASO: HEMORRAGIA RETRO-PERITONEAL MACIÇA POR RUPTURA DE PSEUDO-ANEURISMA DE RAMO DE ARTÉRIA RENAL. Faulhaber GAM , Svartman F , Dora JMS , Krumel C , Mallman LF , Furlanetto, T . Serviço de Medicina Interna . HCPA - UFRGS.
Paciente feminina de 46 anos admitida por choque hipovolêmico após dor lombar súbita. Tomografia de abdomem demonstrou importante sangramento no retroperitônio junto ao rim direito. Após estabilização clínica foi submetida a arteriografia renal direita que mostrou pseudo-aneurisma em ramo inferior da artéria renal, com sangramento ativo. Foi
submetida a embolização deste ramo durante o procedimento, com resolução do sangramento e melhora clínica. Entre 1985 e 1999 foram publicados 145 casos de hemorragia retro-peritoneal associados a sangramento renal, sendo apenas 1,2%
relacionados a aneurisma de artéria renal.
RELATO DE CASO: PACIENTE DE 19 ANOS COM MÚLTIPLOS AVC ISQUÊMICOS ASSOCIADOS AO USO DE COCAÍNA E FORAME OVAL PATENTE. Faulhaber GAM , Imhof BV , Torres, CM , Nogueira L , Picon PD . Serviço de Medicina Interna . HCPA.
Paciente de 19 anos, com história de surdez congênita, interna por paralisia de múltiplos nervos cranianos. História de uso de Cocaína. Ressonância Magnética demonstra múltiplas áreas isquêmicas. Angio-ressonância sem alterações sugestivas de vasculite de SNC. Investigação para trombofilias negativa. Ecocardiograma mostra presença de forame oval patente.
Paciente evolui com piora neurológica progressiva e coma, do qual apresentou recuperação completa em 2 meses de internação. A presença de forame oval patente é considerado como fator de risco para AVC isquêmico, assim como o uso da cocaína parece estar relacionado com AVC isquêmicos.
RELATO DE CASO: CISTITE INTERSTICIAL EM PACIENTE SIDA COM FASE INICIAL DE PARAPARESIA TROPICAL ESPÁSTICA E NEFROPATIA PELO HIV. Faulhaber GAM , Stifft J , Seligman R . Serviço de Medicina Interna . HCPA - UFRGS.
Paciente feminina de 44 anos com diagnóstico de HIV há 2 anos interna por dor supra-púbica intensa acomapanhada de incontinência urinária. Ecografia mostra bexiga de paredes espessadas, irregulares, com moderada hidronefrose bilateral.
Uroculturas negativas. Cistoscopia mostra bexiga com áreas erosadas, volume reduzido, com contrações não-inibidas.
Biópsia das lesões erosadas compatíveis com cistite intersticial. Paciente apresenta sorologia para HTLV-1 positiva e evolui com pirimidalismo progressivo com discreta paresia de membros inferiores. A Cistite intersticial é uma patologia rara, acomete predominantemente mulheres, apresentando clínica de dor com enchimento vesical, aliviado com micção, acompanhado de urgência urinária, capacidade vesical menor que 350ml e lesões erosadas na bexiga. Não há relato na literatura da associação de Cistite intersticial e Paraparesia Tropical Espástica.
RELATO DE CASO: DOENÇA CELÍACA ASSOCIADA A DOENÇA FIBROSANTE PULMONAR E POLINEUROPATIA SENSITIVO-MOTORA AXONAL.. Faulhaber GAM , Faulhaber FRS , Rosa A . Serviço de Medicina Interna . HCPA - UFRGS.
Paciente do sexo feminino de 62 anos interna no hcpa por parestesias nos pés e mãos associada a dispnéia progressiva, tosse seca e emagrecimento de 15 kg em 2 meses. Radiografia de tórax mostra intiltrado intersticial e fibrose bilateral.
Espirometria com distrúrbio restritivo grave. ENMG compatível com lesão nos troncos dos nervos periféricos, de forma axonal, com atividade desnervatória atual. Fator Reumatóide positivo. Investigação para neoplasias, infecções e deficiências nutricionais negativas. Endoscopia mostrou nodularidade de 2a porção do duodeno e biópsia da lesão mostrou infiltrado linfocítico compatível com doença celíaca.Há poucos relatos de caso com associação entre doença celíaca e fibrose pulmonar idiopática na literatura. A neuropatia associada a doença celíaca que classicamente era atribuída a deficiências vitamínicas parece ter relação direta com atividade da doença, apresentando melhora com dieta sem glúten. A presença de fator reumatóide pode ocorrer em pacientes celíacos, tendo sido comprovada a sua síntese na mucosa intestinal.
SÍNDROME DE SNEDDON. Faulhaber GAM , Prado AD , Silva DR , Kelbert S , Kronfeld M . Serviço de Medicina Interna . HCPA.
A síndrome de Sneddon, descrita em 1965, é caracterizada pela tríade de acidentes vasculares cerebrais, livedo reticulares e hipertensão. Devido a várias características clínicas em comum, é considerada uma variante da síndrome anticorpo antifosfolipídeo. Nós relatamos o caso de um paciente de 40 anos, com um quadro de demência progressiva desde os 32 anos, uma internação prévia devido a endocardite marântica e hipertensão diagnosticada nesta época. Apresentava fenônemo de Raynaud e livedo reticulares extenso. Eletrocardiograma evidenciou zonas inativas anterior e inferior.
Ressonância magnética de encéfalo mostrou múltiplas lesões isquêmicas. Solicitados anticorpos anticardiolipina e anticoagulante lúpico, pela suspeita de síndrome anticorpo antifosfolipídeo, os quais foram negativos. Sabe-se que na síndrome de Sneddon, cerca de 60% dos pacientes têm anticorpos negativos, os quais apresentam geralmente livedo mais extenso e não têm plaquetopenia, com o paciente em questão.
APOPTOSE DE NEUTRÓFILOS: UM MARCADOR DE GRAVIDADE NA SEPSE?. Fialkow L , Souza MR , Fochesatto Filho L , Habekost CT , Pierozan P , Zenkner FM , Moura RM , Morimoto L , Ladniuk RM , Milani AR , Rodrigues Filho EM , Bozzetti MC . Departamento de Medicina Interna/Faculdade de Medicina/UFRGS e Serviço de Medicina Intensiva/HCPA . HCPA - UFRGS.
Fundamentação: Embora essenciais para a defesa do hospedeiro os neutrófilos têm sido implicados na fisiopatologia da Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA). A Sepse, uma resposta inflamatória sistêmica secundária à infecção, é a causa mais freqüente de SARA. A apoptose celular é um processo de morte celular que permite a remoção de células do meio inflamatório. Objetivo: Determinar se o percentual de apoptose de neutrófilos difere em pacientes com SARA secundária à Sepse, Choque Séptico, Sepse Não Complicada, pacientes em Ventilação Mecânica sem SARA ou Sepse e em controles normais. Métodos: Neste estudo transversal, 20 ml de sangue venoso periférico foram coletados dos participantes.
Os neutrófilos, após isolados, permaneceram em cultura por 24 horas. A apoptose foi quantificada utilizando-se critérios morfológicos convencionais em lâminas coradas com Giemsa. Resultados: Observou-se uma diferença significativa (p<0,001;ANOVA) entre os percentuais médios de apoptose de neutrófilos dos diferentes grupos. Realizou-se uma análise estratificada para avaliar os possíveis efeitos de um procedimento cirúrgico sobre a apoptose de neutrófilos dos pacientes dos vários grupos. O teste de Tukey demonstrou que a apoptose de neutrófilos dos pacientes clínicos com SARA secundária à Sepse (27,2%±2,0;n=13) foi significativamente inferior (p<0,05) aos demais grupos [Choque Séptico (41,2%±3,4;n=20);
Sepse Não Complicada (58,7%±3,6;n=8); Ventilação Mecânica sem SARA ou Sepse (52,9%±7,3;n=5); e controles
(69,5%±1,3;n=29)]. Houve uma diferença significativa (p<0,05) entre os percentuais de apoptose de neutrófilos dos grupos Sepse Não Complicada e Choque Séptico; entre os grupos Ventilação Mecânica sem SARA ou Sepse e controle; e entre os grupos Choque Séptico e controle. Observamos que a apoptose de neutrófilos dos pacientes cirúrgicos com [SARA secundária à Sepse (26,4%±2,8;n=9); Choque Séptico (26,8%±2,3;n=8); Sepse Não Complicada (35,5%±4,0;n=10);
Ventilação Mecânica sem SARA ou Sepse (32,5%±4,0;n=11)] foi significativamente inferior (p<0,05) ao percentual de apoptose de neutrófilos do grupo controle (69,5%±1,3;n=29)]. Não houve diferença significativa entre os percentuais de apoptose de neutrófilos dos grupos cirúrgicos SARA secundária à Sepse, Choque Séptico, Sepse Não Complicada e Ventilação Mecânica sem SARA ou Sepse. Conclusões: Nossos resultados sugerem que: 1. Há uma pequena diminuição da apoptose de neutrófilos em pacientes em Ventilação Mecânica sem SARA ou Sepse, o que poderia estar associado a alterações celulares induzidas pela ventilação mecânica; 2. Há uma redução da apoptose de neutrófilos nos pacientes cirúrgicos por mecanismos ainda desconhecidos; 3. Os resultados sugerem que em pacientes clínicos há uma diminuição de neutrófilos apoptóticos no Choque Séptico e na SARA secundária à Sepse. Isso indica um aumento da sobrevida destas células, o que poderia agravar a lesão tecidual mediada por leucócitos nestas patologias; 4. Esses achados também sugerem que a apoptose de neutrófilos na Sepse seja um marcador de gravidade da resposta inflamatória sistêmica. O entendimento dos mecanismos da apoptose de neutrófilos pode levar a novas estratégias terapêuticas nestas síndromes.
RELATO DE CASO: PACIENTE DE 80 ANOS COM CRISES HEMOLÍTICAS SEVERAS DURANTE INVERNO. Faulhaber GAM , Stifft, J , Monticielo, O , Buffon, RB . Serviço de Medicina Interna . HCPA.
Paciente de 80 anos interna com quadro súbito de confusão mental, perda de força e anemia. Investigação Clínica mostrou Anemia severa Hb=5,3g/dl, prova de coombs ++++ e presença de autocrioaglutininas. Paciente é submetida a tratamento com prednisona, com melhora clínica. 10 dias após, com a queda da temperatura por frente fria, paciente reinterna com quadro semelhante. Investigação adicional mostra inúmeras adenomegalias mediastinais e beta2-microglobulina aumentadas, provavelmente relacionados a linfoma. Paciente evolui com sepse hospitalar e óbito durante a internação. O quadro clínico descrito é compatível com anemia hemolítica por anticorpos a frio, apresentando a paciente crises hemolíticas pela exposição ao frio. Essa síndrome normalmente é secundária a doenças linfoproliferativas ou infecções, e no caso relatado provavelmente realacionado a Linfoma.
RELATO DE CASO: PNEUMONIA NECROSANTE COMPLICADA POR FÍSTULA PLEURAL E EMPIEMA EM PACIENTE HIV +. Faulhaber GAM , Perin C , Zanonato J . Serviço de Medicina Interna . HCPA - UFRGS.
Paciente feminina de 54 anos interna no HCPA por pneumonia comunitária grave. No terceiro dia de internação apresenta volumoso derrame pleural cuja análise do líquido pleural mostrou-se derrame complicado. Paciente foi submetida à drenagem de tórax sem sucesso pela presença de empiem septado. Submetida à toracotomia com decorticação aonde foi encontrada necrose do lobo inferior direito com fístula para pleura, justificando a rápida formação do empiema. Permaneceu com cavernostomia com drenagem, apresentando excelente evolução clínica, recebendo alta hospitalar após 21 dias de internação. Sorologia para HIV foi positiva e Cd4 = 228.
PERFIL DOS PACIENTES ATENDIDOS NO AMBULATÓRIO DE ANTICOAGULAÇÃO DO SERVIÇO DE MEDICINA INTERNA DO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE.. Gazzana MB , Amon LC , de Araújo A , Bertoluci M . Servico de Medicina Interna . HCPA.
Introdução: A anticoagulação a nível ambulatorial é uma terapia freqüentemente empregada no atendimento de pacientes clínicos. Estudos recentes tem demonstrado que o manejo dos pacientes em clínicas especializadas em anticoagulação, com rotinas estabelecidas, formulários padronizados e orientações aos pacientes, melhora os desfechos em relação a obtenção do nível alvo de anticoagulação e as complicações (Hirsh J et al. Circulation 2003; 107:1692). Resultados da experiência em nosso meio não são disponíveis. Objetivo: Relatar o perfil dos pacientes atendidos no Ambulatório de Anticoagulação do Serviço de Medicina Interna do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (MEI/HCPA). Material e Métodos: delineamento tipo coorte não controlada. Incluídos todos pacientes atendidos neste ambulatório de outubro/2000 (quando foi instituído) à julho/2003. Os dados foram apresentados de forma descritiva (freqüências absolutas e relativas, médias e desvios-padrão), teste qui-quadrado e Kruskal-Wallis (significância < 5%). Resultados: Foram atendidos 187 pacientes no período do estudo, tendo média de idade 59,9 anos (+ 15,3 anos, amplitude de 21 a 90 anos), predominância do sexo feminino (59,9%, n=112) e da raça branca (84,0 % ,n =157). As indicações de anticoagulação foram tromboembolia venosa (TEV) em 43,3%
(n= 81), fibrilação atrial em 34,2% (n=64), prótese valvar metálica 8,6% (n=16) e outras 13,9% (n=26). O INR alvo foi de 2.0 a 3.0 em 85,6% (n=160), 2.5 a 3.5 em 13,4% (n=25) e 3.0 a 4.0 em 1,1% (n=2). Os fármacos utilizados foram o warfarin em 86,6% (n=162) e a femprocumona em 13,4% (n=25). O número médio de consultas por paciente foi de 10,1 (+ 11,6, amplitude de 2 a 46 consultas). A média do tempo de anticoagulação foi de 10,5 meses (+ 11,8 meses). Dosagens de INR no alvo terapêutico ocorreram em 63,2% e fora do alvo terapêutico desejado ocorreram em 36,8% das dosagens.
Detectou-se associação entre a indicação de anticoagulação por TEV e INR fora do alvo terapêutico (p=0,004). Quarenta porcento (n=75) dos paciente mantem-se anticoagulado, enquanto foi suspensa por término previsto em 27,3% (n=51), má adesão a terapia em 4,3% (n=8) e complicação grave em 2,7% (n=5). As complicações observadas foram sangramento menor em 21,4% (n=40), sangramento maior em 2,1% (n=4) e necrose cutânea em 0,5% (n=1). Houve associação entre complicações e sexo feminino (p=0,03) e a maior número de dosagens com INR fora do alvo terapêutico (p=0,05). Não houve diferença entre complicações e idade, tipo de fármaco, indicação de anticoagulação e tempo de anticoagulação.
Discussão: O sucesso do uso de anticoagulantes depende da tríade clínico vigilante, um paciente cooperativo e um laboratório disponível e confiável. Um estudo que comparou os cuidados médicos usuais (CMU) com clínica de anticoagulação(CA) demonstrou índices de INR dentro da faixa terapêutica entre 37 a 51% no CMU e de 40 a 64% na CA, sendo a taxa de sangramento menor, respectivamente, de 62,8% e 26,1% (Chiquette E et al. Arch Intern Med 1998;
158:1641). Recente pesquisa demonstrou que um programa em clínica especializada pode previnir a ocorrencia de sangramento em pacientes utilizando warfarin (Beyth RJ et al. Ann Intern Med 2000; 133:687). Conclusão: A maioria dos
pacientes atendidos no Ambulatório de Anticoagulação da MEI/HCPA envolve idosos com tromboembolia venosa ou fibrilação atrial, observando índices terapêuticos comparáveis a clínicas de anticoagulação relatadas na literatura internacional e uma baixa incidência de complicações graves, o que demonstra o potencial benefício do atendimento estruturado de pacientes em anticoagulação oral ambulatorial, resultado semelhante ao apresentado nos últimos anos.
"PNEUMONIA ASIÁTICA": UMA REVISÃO DA LITERATURA.. Molon MP , Franciscatto E , Lampert L , Rijo MVP , Roggia MF , Scheffel RS , Tesche RD . . HCPA - UFRGS.
A síndrome respiratória aguda grave (SARS), popularmente conhecida como Pneumonia Asiática no Brasil, é responsável pela primeira pandemia do século XXI. Após alguns meses de seu surgimento na província de Guangdong (China), ela já tinha afetado mais de 8 mil pacientes e causado 774 mortes em 26 países dos 5 continentes.O patógeno responsável pela doença é o SARS-CoV, derivado da família dos coronavírus. A hipótese mais aceita é a de que ele surgiu de mutações em animais e tornou-se eficiente na transmissão entre humanos. Dado o fato de que ele foi isolado de animais utilizados como alimentos exóticos em alguns países, sua utilização deve ser bem avaliada a fim de que não surjam novos animais reservatórios de novas mutações.SARS foi transmitida primariamente, mas não exclusivamente, em profissionais da saúde e em ambiente hospitalar. O modo de transmissão parece ser através de contato direto ou indireto com mucosas (olhos, nariz ou boca) através de fômites ou partículas. O papel da transmissão fecal-oral é controverso, mas parece ser importante, já que diarréia aquosa profusa é sintoma comum e o vírus é encontrado em grande quantidade nas fezes.Pacientes infectados aparecem inicialmente com febre, mialgia, enjôos e calafrios. Tosse é comum, mas dificuldade respiratória, taquipnéia e pleurisia aparecem somente no curso da doença. Ao contrário de outras pneumonias atípicas, SARS manifesta-se menos comumente por sintomas respiratórios superiores, como rinorréia e dor de garganta.Poucos estudos foram realizados até hoje visando buscar a terapêutica adequada. Resultados de ensaios preliminares (alguns não controlados) sugerem alguma resposta ao uso de peg-interferon alfa com corticóides. No entanto, com o descobrimento da seqüência genômica do vírus, novas estratégias terapêuticas serão buscadas com o desenvolvimento de drogas antivirais e vacinas. Vigiar ativamente para o surgimento de casos semelhantes em grupos de pessoas de uma mesma localidade deve ser uma prioridade, especialmente entre profissionais da saúde. Vigilância e astúcia por parte dos médicos são a chave para a detecção de qualquer emergência antes que ela torne-se uma realidade nas comunidades.
RELATO DE CASO: MELANOMA COMO CAUSA DE FEBRE DE ORIGEM OBSCURA. Furlanetto TW , Cunha JL , Monticielo OA , Ritter CG , Londero RM , Chakr RMS . Departamento de Medicina Interna . HCPA - UFRGS.
Fundamentação:Homem de 54 anos, branco, desempregado, segundo grau completo, natural e procedente de Bento Gonçalves procura a emergência do HCPA com queixa de febre. Dizia-se hígido até 4 semanas antes., quando iniciou com febre persistente (38-39OC), de maior intensidade à noite, sudorese, astenia e anorexia. Perda de 3 Kg em 2 meses, sem outros sinais ou sintomas associados. Oito anos antes referia colecistectomia laparoscópica por colelitíase sintomática, com posterior derivação bilio-digestiva em Y de Roux (estenose pós-operatória da via biliar). Negava doenças crônicas, uso de drogas e medicações, assim como tabagismo ou etilismo. Pai falecido aos 79 anos por câncer de próstata e mãe, aos 84, por cardiopatia, irmãos hígidos. Ao exame físico, apresentava-se em bom estado geral, eutrófico, mucosas levemente hipocoradas, manchas lenticulares acastanhadas distribuídas simetricamente em face, tronco e membros, alguns nevos melanocíticos. Sinais vitais estáveis, exceto por febre. Aparelho cardiopulmonar, abdome e exame neurológico sem particularidades. Micropoliadenopatia inespecífica em regiões supra e infraclaviculares e cervical esquerda. Nódulo de aproximadamente 1 cm em testículo esquerdo. Exames laboratoriais mostravam discreta anemia, provas inflamatórias (VSG e proteína C reativa) aumentadas, assim como cortisol sérico e cortisolúria. Eletrólitos, função renal e hepática normais. Anti HIV e sorologias de hepatites virais negativas. Hemoculturas aeróbicas (4 amostras), para fungos e endocardite, reação de Mantoux , pesquisa de histoplasmose e paracoccidioidomicose negativas. Eletroforese de proteínas, PSA, demais provas reumatológicas, HCG, alfa-feto proteína, ACTH, TSH, SDHEA normais. Ecocardiografia transesofágica sem vegetações valvares e trombos intracavitários. Tomografia de abdome mostrava 15 imagens hipodensas em lobo esquerdo do fígado, de até 1,9cm de diâmetro, várias lesões hipodensas no baço, com até 1,3cm e nódulo hipodenso de 1,5cm em glândula adrenal, bem como imagens hipodensas de até 1cm em retroperitônio. Sem outras alterações descritas. Ecografia de testículo esquerdo com lesão nodular em pólo superior, bem delimitada, levemente lobulada, heterogênea com cerca de 1,0 cm de diâmetro. Tomografia de crânio com inúmeras lesões hiperdensas supra e infra-tentoriais, com importante edema adjacente. Tomografia de tórax com derrame pleural bilateral e áreas de espessamento pleural. Havia duas imagens nodulares pulmonares subpleurais de 1,5 e 1,0cm e importante linfonodomegalia mediastinal difusa. Realizada biópsia de linfonodo infraclavicular com diagnóstico anatomopatológico de carcinoma metastático. A imunohistoquímica mostrava células epiteliais positivas para S 100, HMB45 e vimentina, compatível com metástases de Melanoma. Biópsia do testículo, pós orquiectomia mostrava neoplasia maligna pleomórfica com focos de necrose e várias áreas de invasão vascular compatível com Melanoma. Biópsia de nevo abdominal com neoplasia maligna dermo-hipodérmica compatível com Melanoma, possivelmente não sendo a lesão primária. A avaliação da Dermatologia não constatou lesões tegumentares suspeitas. A fundoscopia também foi negativa. Foi proposta quimioterapia paliativa. Paciente evolui com depressão de sensório, vindo a falecer no qüinquagésimo dia de internação. Objetivos:Causistica:Resultados:Conclusões:
SESSÃO ANÁTOMO-CLÍNICA DO HCPA: MARÇO/2004: MULHER DE 48 ANOS COM DOR ABDOMINAL E MÚLTIPLOS CISTOS HEPÁTICOS.. Faulhaber GAM , Bertoluci MC , Furlanetto T , Cerski M , Kronfeld M . Serviço de Medicina Interna e Serviço de Patologia . HCPA - UFRGS.
Paciente feminina de 49 anos interna no HCPA para investigação de dor abdominal. Ecografia de abdomem mostra comprometimento do baço e do fígado por numerosas e volumosas lesões nodulares císticas, as maiores com cerca de 10 cm no maior eixo. Biópsia percutânea inconclusiva. Paciente evlouiu com dispnéia súbita, dor precordial e óbito durante a internação. Diagnóstico diferencial das lesões incluía lesões não-neoplásicas como cistos simples, hidatidose, abscessos hepáticos e lesões neoplásicas, como neoplasias primárias do fígado e os tumores metastáticos. Paciente submetida à