TRIAGEM DE NOVAS MUTAÇÕES EM PACIENTES COM GANGLIOSIDOSE GM1 ATRAVÉS DA ANÁLISE DO POLIMORFISMO CONFORMACIONAL DE FITA SIMPLES DE DNA (SSCP). Goldim JR, M , Vieira, MB , Giugliani, R , Matte, U , Coelho, JC . Centro de Terapia Gênica/Centro de Pesquisas . HCPA.
A Gangliosidose GM1 (GM1; MIM230500) é uma doença lisossômica de depósito causada pela deficiência da enzima Beta- Galactosidase ácida (E.C. 3.2.1.23). Essa doença é caracterizada pelo acúmulo de metabólitos não degradados, principalmente gangliosídeo GM1, nos lisossomos de vários tipos celulares. Baseado na idade de início e na atividade residual da enzima, a Gangliosidose GM1 é classificada em três diferentes tipos: infantil, juvenil e adulto. As manifestações clínicas da forma mais grave de Gangliosidose GM1 incluem degeneração progressiva do sistema nervoso central, anomalias faciais e esqueléticas, e visceromegalia. O gene da beta-galactosidase ácida (GLB1, GenBank M27507) está situado no cromossomo 3 e possui mais de 60 kb, contendo 16 exons. Aproximadamente 40 mutações estão descritas na literatura. As mutações mais freqüentemente descritas são substituições de nucleotídeos. No sul do Brasil, há uma alta freqüência dessa doença (1:17.000 nascidos vivos). Quinze pacientes diagnosticados em nosso hospital tiveram o gene GLB1 investigado em 9 dos 16 exons por SSCP (Single Strand Conformational Polymorphism) usando DNA extraído de sangue periférico. Neste estudo nós encontramos 25 alterações de mobilidade do DNA, indicando a presença de mutações. Este é um estudo preliminar de triagem de mutações e os exons com mobilidade alterada estão sendo seqüenciados. Este trabalho auxiliará na identificação de mutações presentes em pacientes brasileiros com Gangliosidose GM1 contribuindo para estudos de corelação genótipo-fenótipo e identificação de portadores.(CNPq-FIPE/HCPA).
CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL DE MICROSSATÉLITES BAT-25 E BAT-26 EM UMA AMOSTRA DE INDIVÍDUOS DE ORIGEM AFRO-AMERICANA DO RIO GRANDE DO SUL. . Cossio SL , R Coura , MC Bortolini , P Ashton-Prolla . Serviço de Genética Médica . HCPA.
O câncer colorretal (CCR) está entre os seis tipos de neoplasias mais comuns e é o terceiro em mortalidade no Brasil. Além de parâmetros clínico-patológicos e morfológicos, marcadores moleculares têm sido associados ao prognóstico (resposta terapêutica e sobrevida em geral) do CCR. Entre eles se destaca a instabilidade de microssatélites (IMS), que é uma forma de instabilidade genômica causada por uma falha no sistema de reparo do DNA, com o conseqüente acúmulo de mutações, principalmente em microssatélites mono- e dinucleotídicos. A análise de IMS se faz através da comparação de produtos de amplificação de marcadores específicos no tecido normal (ou sangue) e no tecido tumoral do mesmo indivíduo, e a diferença no padrão de produtos de amplificação entre estes dois tecidos é o que caracteriza a instabilidade. A IMS pode ser identificada através de um painel de cinco marcadores, sendo dois deles mononucleotídicos, BAT-25 e BAT-26, e três dinucleotídicos, D2S123, D5S346 e D17S250. Esses marcadores dinucleotídicos são polimórficos, mas BAT-25 e BAT-26 são considerados quasi-monomórficos em populações de origem caucasóide. Sendo assim, torna-se possível a análise apenas do tecido tumoral para definir a instabilidade, sem a necessidade de comparação com o tecido normal. Por isso, a maioria dos trabalhos descritos na literatura já utiliza apenas o tecido tumoral para análise de IMS em BAT-25 e BAT-26. No entanto, um estudo populacional em indivíduos de origem africana e afro-americana mostrou uma alta freqüência de variação alélica destes dois marcadores. Esta variabilidade pode ser um importante fator de confusão para estudos de IMS em populações que tiveram contribuição africana em sua formação e que têm alto grau de miscigenação, como é o caso da população brasileira. Este trabalho tem como objetivo uma análise populacional descritiva do perfil dos microssatélites BAT-25 e BAT- 26 em duas amostras do Rio Grande do Sul: uma de indivíduos com ascendência africana e outra de doadores de sangue do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). A análise de IMS está sendo realizada através de PCR e SSCP. Até o momento foram analisados 80 indivíduos da amostra com ascendência africana, para BAT-26, dos quais 4% apresentaram variação alélica, e 105 indivíduos da mesma amostra para BAT-25, com uma freqüência de variação alélica de 6,3%. Estes resultados preliminares sugerem uma característica polimórfica destes dois marcadores na amostra estudada e reforçam a necessidade de realizar o estudo comparativo do perfil de marcadores mononucleotídicos em tecido normal e tumoral para determinação da presença de IMS em tumores colorretais.
ANEUGÊNESE, CLASTOGÊNESE E AMPLIFICAÇÃO GÊNICA EM UMA AMOSTRA DE INDIVÍDUOS SAUDÁVEIS UTILIZANDO A TÉCNICA DE MICRONÚCLEOS COM BLOQUEIO DE CITOCINESE. Mergener M , Silvestrin R , Silva LB , Maluf SW . Institude de Ciências da Saúde . Outro.
Existe uma variação na freqüência de alterações cromossômicas entre indivíduos saudáveis e células do mesmo doador podem mostrar diferentes níveis de aberrações em diferentes períodos. Informações variadas vêm sendo reunidas e parece quase impossível encontrar indivíduos completamente não expostos, porém é necessário, tanto quanto possível, conhecer a freqüência espontânea normal, suas variâncias e os fatores que a influenciam. A freqüência de micronúcleos em células humanas tornou-se um dos testes mais utilizados para monitorar populações sob risco de exposição a agentes genotóxicos.
Através da técnica de micronúcleos em linfócitos do sangue periférico com bloqueio da citocinese celular (CBMN) é possível reconhecer os processos de clastogênese e aneugênese. A avaliação foi feita apenas nas células binucleadas, analisando-se a presença de micronúcleos, pontes nucleoplasmáticas e “buds” nucleares. Micronúcleos são fragmentos acêntricos ou cromossomos inteiros que falharam em unir-se ao fuso mitótico durante a divisão celular. As pontes nucleoplasmáticas são cromossomos dicêntricos, sendo que cada um dos centrômeros migrou para pólos diferentes na divisão celular. Fenech e Crott (2002) têm proposto outra alteração que pode ser visualizada com a técnica CBMN, os “buds” nucleares, que são uma medida da amplificação de DNA que será eliminado da célula. O presente trabalho está sendo realizado com o objetivo de estabelecer padrões controles de indivíduos saudáveis não expostos e relacionar as freqüências encontradas com hábitos de vida e idade dos participantes. Os dados estão sendo coletados a partir do “Questionário de saúde pessoal” publicado pela Comissão Internacional de proteção a mutágenos e carcinógenos ambientais (ICPEMC). A amostra analisada consta de 31, indivíduos, sendo 16 do sexo masculino e 15 do sexo feminino, 10 fumantes e 21 não fumantes, com média de idade de 20,96 ± 3,33. Em um total de 1000 células analisadas por indivíduo, a média de células com micronúcleos foi de 3,70 ± 2,08, com pontes nucleoplsamáticas foi de 0,84 ± 1,15 e com “buds” nucleares de 1,51 ± 1,36 células. Não foi encontrada diferença estatisticamente significativa entre os sexos, nem entre fumantes e não fumantes. Em relação à idade dos indivíduos, também não existe correlação estatisticamente significativa, porém a amostra ainda deve ser aumentada para aumentar o poder estatístico da avaliação.
SERVIÇO DE INFORMAÇÕES SOBRE ERROS INATOS DO METABOLISMO: ANÁLISE DE UM SERVIÇO PIONEIRO NO BRASIL. . Brustolin S , Souza CF , Refosco L , Pires R , Giugliani R . Genética Médica . HCPA.
O Serviço de Informações sobre Erros Inatos do Metabolismo (SIEM) é um call free pioneiro no Brasil e na América Latina, implantado em outubro de 2001 em Porto Alegre, no sul do Brasil, com o objetivo de fornecer suporte aos profissionais da área da saúde envolvidos com o diagnóstico e manejo de pacientes com suspeita de apresentar uma doença metabólica. O objetivo do presente estudo foi analisar as características demográficas e clínicas relacionadas com as consultas atendidas neste serviço em seus primeiros dois anos e meio de funcionamento, buscando identificar o perfil dos profissionais que buscam esse tipo de serviço e dos casos que são objeto de consulta. Como resultados mais relevantes nas 376 consultas avaliadas verificamos que na maior parte das vezes a suspeita de uma doença metabólica está associado à sintomatologia neurológica, a um início precoce dos sintomas e a uma tendência à presença de consangüinidade. Nessa amostra tivemos 47 (12,5%) casos com diagnóstico de EIM com predomínio de acidúrias orgânicas e aminoacidopatias. Serviços como este podem prestar apoio a profissionais da área da saúde, provavelmente àqueles que estão distantes de centros de referência, podendo contribuir para o melhor diagnóstico e manejo de EIM mudando para melhor o desfecho clínico dos pacientes em muitas situações.
TRÊS LINHAGENS CITOGENÉTICAS INVESTIGADAS COM A TÉCNICA DE FISH EM PACIENTE SRY POSITIVO E ESTÍGMAS DE SÍNDROME DE ULLRICH-TURNER. Trombetta GB , Faller MS , Vasques FR , Dalpiaz D , Arruda LCF , Bottini S , Sanseverino MTV , Chula F , Riegel M , Maluf SW . Serviço de Genética . HCPA.
A síndrome de Ullrich-Turner caracteriza-se, principalmente, pelo cariótipo 45,X ou monossomia X e as principais características clínicas são baixa estatura, amenorréia primária, ausência de desenvolvimento de seios, ausência ou quantidade mínima de pêlos pubianos e axilares, cúbito valgo e pescoço alado. Descrevemos a paciente D.S.S., filha de um casal não consangüíneo, gestação sem intercorrências, parto cesáreo por apresentação pélvica, peso de nascimento: 2100g.
Encaminhada para avaliação genética por retardo mental, baixa estatura, atraso puberal. O desenvolvimento neuropsicomotor foi normal no primeiro ano de vida. Aos 4 anos, a mãe começou a observar episódios de movimentos oculares e perda de contato com ambiente, realizou investigação neurológica que evidenciou paroxismos ao eletroencefalograma, iniciando com anticonsulvsivantes. Apresentou dificuldade escolar não conseguindo ser alfabetizada.
Com 11 anos, teve diagnostico de Diabete tipo I. Menarca com 15 anos após uso de hormônios. A investigação cardiológica é normal. A ecografia pélvica mostrou útero e gônadas pouco desenvolvidas.O cariótipo com bandas G demonstrou a presença de 3 linhagens citogenéticas, com cariótipo 45,X[23]/46,X,+mar[11]/46,XY[6]. A análise com hibridização in situ por fluorescência (FISH), utilizando-se as sondas CEPX, CEPY e SRY, confirmou que a linhagem celular XY era constituída de um cromossomo Y com SRY presente e que o cromossomo marcador tinha origem de cromossomo X, região centromérica.
Os pais do paciente apresentaram cariótipo normal. Indivíduos com cariótipo 45,X/46,XY podem ter genitália feminina normal ou apresentar algum grau de masculinização variando de clitiromegalia, passando por genitália ambígua, até fenótipo masculino hipospádico e criptorquidia. Segundo Schinzel (2001), não existe uma clara correlação entre a proporção de células que contém o cromossomo Y e o grau de masculinização. Reindollar et al. (1987) descreveram gêmeos monozigóticos de sexos diferenetes, um do sexo masculino e o outro do sexo feminino com características da síndrome de Ullrich-Turner, devido a diferentes proporções das 2 linhagens celulares em diferentes tecidos.
DETECÇÃO DE ADRENOMIELONEUROPATIA E ADRENOLEUCODISTROFIA CEREBRAL INFANTIL EM PACIENTES BRASILEIROS. Vargas CR , Coelho DM , Barschak AG , Sitta A , Ferreira GC , Deon M , Fitarelli D , Chiochetta M , Caldas R , Roth F , Jardim L , Giugliani R , Wajner M . Serviço de Genética Médica . HCPA.
Adrenoleucodistrofia é uma desordem hereditária recessiva ligada ao cromossomo X (X-ALD), fenotipicamente heterogênea, caracterizada por progressiva desmielinização do sistema nervoso central e insuficiência adrenocortical. Seis formas clínicas foram descritas para X-ALD: forma cerebral infantil (cALD), adrenomieloneuropatia (AMN), forma cerebral juvenil, forma cerebral adulta, forma assintomática e forma olivo-ponto-cerebelar. O diagnóstico da X-ALD é feito pela dosagem dos ácidos graxos de cadeia muito longa (AGCML) em plasma pelo método da cromatografia gasosa (CG) em coluna capilar. Foram investigados no período de janeiro de 1999 a julho de 2004, 743 indivíduos oriundos de diferentes estados do Brasil com suspeita clínica de X-ALD. Destes, foram diagnosticados 70 casos de X-ALD, perfazendo 9,4% do total investigado, tendo os pacientes idade entre 4 e 53 anos. Dentre os pacientes, identificou-se 51 (72,9%) casos de cALD, 9 (12,8%) casos de AMN e 10 (14,3%) casos de pacientes assintomáticos. Insuficiência adrenal, leucodistrofia e fraqueza muscular foram os sintomas mais frequentes. A investigação familiar da X-ALD permite identificar precocemente indivíduos assintomáticos, os quais são os pacientes que sabidamente melhor respondem ao tratamento com Óleo de Lorenzo, uma vez que esta terapêutica retarda o aparecimento dos sintomas neurológicos nestes pacientes. Desta forma, enfatiza-se a importância da detecção de altos níveis séricos de AGCML em familiares de indivíduos afetados por X-ALD.Apoio: FAPERGS, CNPq, PROPESQ/UFRGS, FIPE/HCPA.
RELATO DE CASO: GÊMEOS CONJUGADOS. Kronbauer CL , Zoratto GG , Bolson PB , Alberton DL , Franzon NS , Leite JCL . Serviço de Genética Médica . HCPA. Programa de Monitoramento de Defeitos Congênitos - ECLAMCRecém-nascidos (RNs) do sexo feminino, nascidas em 24/07/2004, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, com idade gestacional de 32 semanas e 3 dias, gemelares conjugadas de forma xifonfalópagas. Trata-se da primeira gestação de um casal não consangüíneo, sem antecedentes familiares. A mãe, de 32 anos, realizou quatro consultas pré-natais, com exames de rotina normais e primeira ecografia (01/05/04) evidenciando gestação gemelar. A segunda ecografia, realizada na última semana pré-parto, demonstrou a malformação. No terceiro trimestre da gestação, a mãe fez uso de amoxicilina e brometo de N- butilescopolamina.Ao nascimento, as RNs pesaram em conjunto 3500g (~1750g cada), mediram 38 e 40 cm, ambas com perímetro cefálico de 28,5 cm. Obtiveram apgar de 6/9, necessitando aspiração e oxigênio inalatório. RN I apresenta fissura labial incompleta anterior. Realizou-se ecografia abdominal que evidenciou fígado único, dois rins em cada recém-nascido, não visualizou-se pâncreas, baço e vesícula biliar. A ecocardiografia realizada mostrou coração único, com um átrio e três ventrículos, apresentando comunicação inter-ventricular, provável circulação funcional única, veia cava inferior única e dificuldade de visualização de vasos da base. A angiografia realizada demonstrou ventrículo direito com comunicação interventricular ampla e um ventrículo esquerdo; apresenta coartação, estenose valvar e subvalvar aórtica, além de estenose subpulmonar e uma artéria pulmonar saindo do ventrículo esquerdo; as circulações são interligadas e dependentes do ventrículo direito único, não presente na RN II; o átrio é único e há somente uma veia cava inferior; não houve identificação do ducto arterioso. Diante dos resultados dos exames, foi descartada a possibilidade de correção cirúrgica. As RNs evoluíram a óbito no 18° dia de vida.Esse é o terceiro caso de gêmeos conjugados do Programa de Monitoramento de Defeitos Congênitos (PMDC) do HCPA, tendo uma taxa de incidência de 0,30/ 10.000 nascimentos (senso anual: 1982-2002).
Gêmeos conjugados são exemplos de gestações gemelares incompletas e ocorrem em 1% das gestações gemelares monozigóticas. Ocorre, predominantemente, nos primeiros 15 a 17 dias de divisão do blastocisto. A forma mais comum é a junção pelo tórax. Como nas gestações monozigótica, em geral, há uma maior incidência de malformações precoces em gêmeos, ocorrendo em 10 a 20% dos casos.
AVALIAÇÃO DE 38 PACIENTES COM SUSPEITA DE MICRODELEÇÃO 22Q11 (CATCH 22). Maluf SW , Faller MS , Roth FL , Leite JCL , Trombetta GB , Chula F , Riegel M , Duarte HQG , Borba JB , Vietta GG . Genética Médica . HCPA.
Algumas deleções 22q11 são citogeneticamente visíveis, embora compreendam mais do que apenas a subbanda 22q11.22, característica desta microdeleção. Com a utilização da técnica de hibridização in situ por fluorescência (FISH), três condições relacionadas, mas diferentes, foram associadas a esta microdeleção. A primeira é a síndrome de DiGeorge (DGS), caracterizando-se principalmente pelas seguintes características clínicas: arco aórtico interrompido, malformações cardíacas, hipoplasia de timo e paratireóide. A segunda é a síndrome velocardiofacial (VCFS), com palato fendido, defeitos cardíacos, retardo mental leve a moderado e anomalias crânio-faciais menores, especialmente nariz grande e mandíbula pequena. A terceira é a síndrome de anomalia de face conotruncal (CAFS), que é difícil de distiguir da VCFS, com um alto grau de variabilidade fenotípica. Anomalias menores incluem hipertelorismo, fissuras palpebrais para cima, prega epicântica, um nariz longo, estreito e bulboso, orelhas proeminentes e assimétricas, boca e mandíbula pequenas e outras. No presente estudo, 38 pacientes com suspeita de microdeleção 22q11 foram avaliados a partir da técnica de hibridização in situ por fluorescência (FISH). O cariótipo também foi realizado em todos os pacientes. Um dos pacientes apresentou cariótipo alterado (47,XX,+mar). Oito pacientes apresentaram a microdeleção 22q11. Nossa amostra apresentou uma proporção de diagnósticos positivos maior do que as de outros estudos similares: Alikasifoglu et al. detectaram a microdeleção em 2 dos 32 pacientes com a suspeita; Borgmann et al. detectaram a microdeleção em 10 dos 176 pacientes avaliados. Descrevemos em detalhes as 8 crianças com a microdeleção 22q11 mostrando as características clínicas observadas em cada uma delas.
Apoio financeiro: FAPERGS, HCPA.
CONFIRMAÇÃO DO ASPECTO PATOGÊNICO DE DUAS MUTAÇÕES NOVAS DESCRITAS EM PACIENTES BRASILEIROS COM MPS IVA. Dieter T , Matte U , Laureano A , Schwartz I , Giugliani R . Centro de Terapia Gênica, Centro de Pesquisas . HCPA.
A Síndrome de Mórquio A é uma mucopolissacaridose causada pela deficiência da enzima N-acetilgalactosamina 6-sulfato sulfatase (GALNS). Resulta em um acúmulo de queratan e condroitin sulfato. Os principais aspectos clínicos estão relacionados com deformidades ósseas e seus efeitos sobre o sistema nervoso periférico. O gene que codifica para a enzima GALNS está localizado no cromossoma 16, contém 14 exons e 1566 nucleotídeos. Muitas mutações tem sido descritas, mas a maioria está restrita a populações específicas. Analisar as mutações em pacientes brasileiros com Mórquio A e verificar se as novas mutações são responsáveis pelo fenótipo clínico. Seis pacientes com diagnóstico bioquímico foram analisados por seqüenciamento direto dos 14 exons do gene GALNS. Cem controles anônimos estão sendo analisados, por PCR seguido de SSCP, para verificar a presença das mesmas alterações. Foram encontradas duas mutações já descritas e quatro novas. As análises por SSCP nos controles para as mutações S341R (exon 10) e G116S (exon 4) foram concluídas. Nenhum controle apresentou o mesmo padrão que os pacientes, o que indica o caráter patogênico destas mutações. Os controles para as outras duas mutações novas (N164T e L307P) estão sendo analisados. As mutações S341R e G116S foram consideradas patogênicas neste estudo. A mutação G116S foi encontrada em homozigose em dois pacientes não relacionados, o que indica que possa ser uma mutação freqüente no Brasil.
ASPECTOS DE ACONSELHAMENTO GENÉTICO PARA PACIENTES EM RISCO PARA CÂNCER DE MAMA E OVÁRIO HEREDITÁRIOS.. Palmero EI , JCC Rocha , FR Vargas , L Schüler-Faccini , P Ashton-Prolla . Serviço de Genética Médica . HCPA.
Fundamentação: No Brasil, são escassos os estudos sobre o processo de aconselhamento genético (AG) para câncer. Esse é um processo que objetiva transmitir informações de forma compreensível aos pacientes e seus familiares, sendo para isso importante que se estabeleça uma relação mais próxima entre o aconselhador e o paciente.Objetivos:Caracterizar pacientes em risco para câncer de mama e ovário hereditários que procuraram atendimento em ambulatórios de genética e câncer da rede pública de saúde de três capitais brasileiras. Causistica:Estudo descritivo transversal, realizado através da aplicação de um questionário prospectivo à consulta com o aconselhador, o qual incluía questões sobre dados demográficos, rastreamento e presença de fatores de risco para câncer de mama/ovário, percepção do risco de câncer e entendimento/motivação para realização de teste genético de predisposição ao câncer. Resultados:Um total de 264 pacientes foram incluídos no estudo, sendo que parte desses já haviam tido câncer (n=145, 55%) e parte eram assintomáticos (n=119, 45%), porém com história familiar positiva de câncer. A média de idade dos pacientes foi de 46 anos, sendo maior dentre os pacientes com câncer (média de 51 anos no grupo dos pacientes com câncer e de 41 anos no grupo dos assintomáticos). Quanto ao rastreamento a maior parte dos pacientes foi considerada normovigilante (47%), porém uma parcela significativa foi classificada como hipovigilante (45%). Não houve registro de grandes exposições a fatores de risco ambientais, tais como álcool, cigarro, radiação...Quanto à percepção do risco de câncer, a maioria dos pacientes considerou seu risco superior a 50% e, quando o risco percebido foi comparado ao risco real, verificou-se que a maioria dos pacientes (80%) superestimava seu risco (em até oito vezes), sendo que o risco percebido era maior nos pacientes assintomáticos e, que essa superestimativa apresentava relação com a escolaridade. Em avaliação retrospectiva a variável percepção de risco foi novamente mensurada e constatou-se que mais de 60% dos pacientes estimaram corretamente seu risco, superando os 22% que estimaram corretamente o risco antes do AG. Conclusões:A maioria dos pacientes possuía risco moderado a baixo de ter câncer, porém, antes do AG percebiam esse risco como sendo muito alto.
No entanto, essa percepção, para a maioria dos pacientes, tornou-se mais acurada após o AG, destacando a eficácia desse processo em promover uma melhor percepção do risco. Além disso, dada a importância do AG para câncer, vimos ser necessário que se conheça bem os pacientes e seus familiares, pois isso facilitará a transmissão e a compreensão das informações, permitindo que essas sejam com maior freqüência postas em prática.
DETERMINAÇÃO DE LIGANTES COM AFINIDADE POR ORGÃOS ESPECÍFICOS MEDIANTE "PHAGE DISPLAY"
PARA APLICAÇÃO EM TERAPIA GÊNICA. Ayala A , Salgueiro J , Giugliani R , Matte U . Laboratorio de Terapia Gênica.
Centro de Pesquisas . HCPA.
Um dos principais desafios da medicina molecular na era pós-genômica é o estudo das proteínas e suas interações.
Peptídeos que reconheçam e interajam com os diferentes tipos celulares de forma especifica prometem ser importantes ferramentas terapêuticas, diagnósticas e de pesquisa. Técnicas novas têm sido desenvolvidas para o estudo destas interações, sendo uma delas o “phage display”, que consiste na manipulação do genoma de fagos filamentosos para que apresentem peptídeos exógenos fusionados a suas proteínas de superfície, formando bibliotecas conformacionais de peptídeos exógenos fusionados a suas proteínas de superfície, formando bibliotecas conformacionais de peptídeos candidatos para interagir com alvos específicos. O objetivo deste trabalho consistiu na identificação de ligantes com afinidade aumentada pelo cérebro, mediante o uso de uma biblioteca de fagos. Utilizou-se um sistema de seleção in vivo (biopanning in vivo) que estudou uma biblioteca de fagos M13 que dispõe 7 distintos aminoácidos ao acaso flanqueados por duas cisteínas (CX7C). Os fagos forma injetados por via intravenosa na cauda de camundongos CF1 de dois meses de idade.
Depois de 15 minutos, os animais forma perfundidos e os órgãos foram coletados, homogeneizados e lavados para recuperação dos fagos. Assim se realizaram duas etapas, cada uma delas com 3 ciclos de biopanning. Vinte fagos recuperados do terceiro ciclo de ambas as etapas forma caracterizadas. Destes, 7(35%) apresentaram a seqüência de aminoácidos CSPLNRLAC. Além disso, dois fagos (10%) apresentaram coincidência nos aminoácidos CSPKYXXTC, onde X são os aminoácidos não coincidentes, e outros dois (10%) apresentaram coincidência nos aminoácidos CEXTSXXQC. Por este motivo a seqüência CSPLNRLAC foi estudada quanto a sua afinidade pelo cérebro, que demonstrou estar aumentada (p<0,0001) em relação aos outros órgãos. O fato de identificar seqüências de peptídeos que apresentem afinidade pelos diferentes tecidos aumenta as ferramentas disponíveis para o endereçamento de agentes terapêuticos e diagnósticos aos diferentes órgãos. Sua utilização em terapia gênica pode contribuir para um melhor direcionamento dos vetores.
POLUIÇÃO DO AR E DEFEITOS CONGÊNITOS EM PORTO ALEGRE, BRASIL. Nascimento CR , Bergamaschi CB , Henriques MA , Quintana A , Andreoni L , Thomé J , Waldman C , Peres RM , Sanseverino MTV , Schüler-Faccini L . Estudo Colaborativo Latino-Americano de Malformações Congênitas (ECLAMC); Serviço de Genética Médica-HCPA; Departamento de Genética-UFRGS ), FEPAM . HCPA - UFRGS.
Fundamentação:Está bem estabelecido que a exposição à poluição do ar é um problema sério de saúde, levando à redução da expectativa de vida e diversas doenças. De preocupação particular, são as evidências indicando que fetos e crianças são mais vulneráveis que adultos a uma série de agentes tóxicos ambientais. Entretanto, há poucos estudos epidemiológicos em humanos avaliando uma relação entre parâmetros de poluição de ar e defeitos de nascimento. Objetivos:Trata-se de um estudo de caso-controle com a objetivo de avaliar um possível efeito da poluição do ar na incidência de malformações congênitas maiores isoladas, ocorridas de 1992 a 2002. Causistica:No total 88.215 nascimentos foram analisados nos hospitais monitorizados pelo Estudo Colaborativo Latino-Americano de Malformações Congênitas (ECLAMC) em Porto Alegre, Brasil. Baseando-se nas medidas de poluentes das estações de monitorização ambiental, a cidade foi dividida em duas regiões distintas: uma incluindo as áreas mais poluídas e a outra incluindo as menos poluídas. Os casos eram os nascimentos com malformações congênitas maiores isoladas (n=719) e seus controles foram definidos como o primeiro recém-nascido sem malformações, emparelhando pelo sexo. A localização da residência da mãe durante a gravidez foi usada como parâmetro de exposição baseando-se nas zonas mais ou menos poluídas.Resultados:Na análise não-ajustada, foi achada uma associação entre malformações maiores isoladas e residência localizadas em zonas mais poluídas (OR=1.46;
95% IC95%=1.32-1.62; p<0.001). O teste de regressão logística múltipla demonstrou uma relação de risco aumentada entre residir em zonas poluídas e defeitos congênitos com uma odds ratio de 2.24 (p<0.001) e nenhum fator de confusão foi encontrado.Conclusões:Apesar das limitações associadas com a maioria dos estudos de caso-controle baseados em registros hospitalares de defeitos congênitos, nos quais o tamanho de amostra é limitado, e apesar do fato de que algumas mulheres grávidas moravam em cidades sem um sistema de monitorização ambiental da qualidade do ar, este estudo abre nova abordagem para tentar estabelecer o impacto de poluição do ar na saúde fetal de Porto Alegre.
ANÁLISE DAS EXPANSÕES TRINUCLEOTÍDICAS CAG NOS GENES DE SCA1, SCA2 E SCA6. . Trott A , Carvalho TS , Jardim LB , Giugliani R , Pereira MLS . Serviço de Genética Médica - Hospital de Clínicas de Porto Alegre; Depart. de Bioquímica e Depart. de Genética - UFRGS, Porto Alegre, RS. . HCPA - UFRGS.
As ataxias espinocerebelares autossômicas dominantes (SCAs) são doenças neurodegenerativas que atingem o cerebelo e suas principais conexões. As mutações associadas à SCA1, SCA2 e SCA6 são expansões do trinucleotídeo CAG na região codificante dos seus respectivos genes levando, no caso de alelos mutados, à síntese de proteínas com uma expansão de poliglutaminas. O objetivo deste trabalho foi o estabelecimento de um método não radioativo para detecção e quantificação de alelos normais e expandidos nos genes de SCA1, SCA2 e SCA6 em pacientes que apresentavam uma suspeita clínica de um tipo de SCA. O protocolo laboratorial consistiu inicialmente da amplificação por PCR da seqüência nucleotídica dos respectivos genes contendo a repetição CAG e posterior análise do produto de PCR por eletroforese em gel de agarose, permitindo a determinação qualitativa da presença ou não da expansão trinucleotídica. Posteriormente, os mesmos produtos foram submetidos à análise por eletroforese em gel de poliacrilamida para a determinação do número de repetições em cada alelo da amostra analisada. No total, 64 indivíduos foram analisados, os quais tinham sido previamente testados para a doença de Machado-Joseph (DMJ ou SCA3), apresentando resultado negativo. O protocolo proposto foi padronizado e alguns pacientes testados apresentaram alelos com número de repetições alterado para as três SCAs estudadas. Um paciente apresentou resultado positivo para SCA1 com um alelo mutado contendo 47 repetições CAG. Quanto à análise dos alelos para o gene de SCA2, foram detectados sete pacientes com alelos alterados. Quatro apresentaram um alelo expandido com 38 repetições CAG, um outro paciente apresentou um alelo expandido com 41 repetições e no sexto paciente observamos um alelo mutado com 42 repetições CAG. Além desses 6 pacientes confirmados, um outro paciente apresentou alelos com números de repetições em uma faixa intermediária entre a faixa normal e a faixa de expansão (32 e 33 repetições CAGs) sendo considerado positivo, pois 33 repetições podem levar à doença. Os resultados de SCA2 permitiram a observação do fenômeno de antecipação, onde quanto maior a expansão CAG, mais cedo iniciam as manifestações clínicas da doença. A análise dos pacientes para SCA6 demonstrou a ocorrência de quatro pacientes positivos.