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Classificação dos Ramos Cooperativistas

cooperativas ligadas à criação-cultura rural. Tem uma atuação especialmente relacionada ao manejo de animais e à agricultura.

O “Ramo do consumo” concentra as cooperativas de abastecimento, que podem ser abertas e/ou fechadas; essa é uma caraterística desse ramo, podendo, portanto, ser aberta quando se admite a entrada de qualquer pessoa que tenha interesse, porém, pode ser fechada quando se admite somente pessoas de um estabelecimento, de um comércio, uma empresa ou um segmento profissional. É importante relembrar que a primeira cooperativa foi criada na Inglaterra, no ano de 1844, pelos pioneiros de Rochdale e era uma cooperativa de consumo, em que os trabalhadores tecelões fundaram uma espécie de armazém de secos e molhados. Os produtos são vendidos na condição ou preço à vista e com uma margem de, no máximo, 4%. As cooperativas de consumo, conhecidas também por cooperativas de compra comum, são formadas pelo agrupamento de pessoas que definem comprar em conjunto, a fim de obter preços mais acessíveis (CARDOSO, 2014).

O “Ramo de infraestrutura” se volta para as questões de energia, telecomunicações, telefonia rural, internet, mecanização agrícola, limpeza pública e serviços. Nesse segmento, destacam-se muito as cooperativas de eletrificação rural, que atendem os pequenos e médios produtores.

Também muito expressivo é o “Ramo educacional”. Comumente, as cooperativas ligadas a esse ramo são criadas com a intenção de oferecer, por um preço mais justo, um ensino de melhor qualidade. Muitas dessas cooperativas surgem especialmente em momentos de profunda crise educacional e a partir da necessidade de obter acesso a um ensino que não tenha tão alto custo. A maioria dessas cooperativas é criada por grupos de pais, alunos e/ou professores.

Caracterizam-se por valorizar a cooperação e a democracia, que são fundamentais para esse segmento, além de ser muito prezado o cuidado, a fim de evitar a incitação da competitividade. Esse tipo de cooperativa pode atuar em qualquer fase do ensino, ou seja, busca sempre atender às necessidades dos cooperativados. Além das escolas que atendem ensino fundamental e/ou ensino médio, muitas têm um caráter funcional voltado para a profissionalização, outras são voltadas para a educação do campo, especialmente as escolas agrícolas.

“Ramo de Produção” tornou-se independente, no sentido de que provém do ramo agropecuário, e muitas cooperativas desse ramo são organizadas por trabalhadores com o intuito de recuperar ou retomar a capacidade de produção de indústrias que faliram. São cooperativas produtoras

de bens e produtos voltadas especialmente para a indústria e a agropecuária, em que tanto a propriedade como os meios de produção pertencem àqueles que nela trabalham, nesse caso, os cooperados.

Outro ramo é o “Habitacional”, que tem a função, via cooperativismo, de realizar ações e encontrar alternativas para viabilizar moradia aos cooperados.

As cooperativas desse ramo não visam ao lucro e buscam construir casas por preço inferior ao praticado no mercado, por um preço justo.

O “Ramo do cooperativismo de crédito ou financeiro” tem crescido aceleradamente nas últimas décadas, e atualmente é o que mais se evidenciou.

Existem algumas justificativas para o referido crescimento, dentre as quais se destacam: 1 - as taxas de juros bem mais baixas, chegando a ser a metade das que são ofertadas pelos bancos convencionais; 2 - o direcionamento de crédito voltado para o agronegócio; 3 – a expansão geográfica possibilitando atender até pequenos municípios onde não há nenhum outro banco; 4 – o cooperado poder decidir e participar dos resultados na condição de dono do negócio (EXAME, 2018). O cooperativismo de crédito tem entre seus objetivos facilitar as condições de acesso dos cooperados ao mercado financeiro. Os bancos cooperativistas oferecem basicamente os mesmos serviços e produtos que os bancos tradicionais, como seguros, aplicações, empréstimos, débito, cartões de crédito e consórcio. Um diferencial significativo desse ramo é que os cooperados são sócios, mas, para ocuparem essa função ou obterem esse direito, é preciso que façam, inicialmente, um pequeno investimento, chamado capital social. Uma vez sócio, é relevante a informação de que as cooperativas desse ramo não têm fins lucrativos, mas, como trabalham com taxas de lucros muito baixas, é possível obter alguns ganhos financeiros, caso em que as sobras são devolvidas aos sócios. Anualmente, é realizada uma assembleia geral, na qual é definida a destinação das sobras, e geralmente essas sobras são devolvidas aos sócios, de acordo com a movimentação bancária que cada um realizou.

O cooperativismo crédito se destaca em diversos países, sendo que 25% dos ativos financeiros na Alemanha são movimentados pelo cooperativismo financeiro, mas especialmente na França é que o mesmo mais se destaca, pois as instituições cooperativas de cunho financeiro são responsáveis por movimentar 60% de todos os recursos financeiros; aliás, é da França a maior instituição financeira cooperativa do mundo, o banco Credit Agricole. No Brasil são mais de 1.100 cooperativas desse ramo e as regiões Sul e Sudesse são as que concentram a maioria delas. Dentre as principais instituições se destacam:

CONFESOL (que representa as centrais Cresol, Ecosol e Crenhor), SICOOB, SICREDI, UNICRED e CECRED (PORTAL, 2018). Os maiores do Brasil são o SICOOB e o SICREDI, cujas instituições se fazem presentes no município de Iporá.

“Ramo de saúde” é um cooperativismo oriundo do desmembramento do ramo do trabalho, que teve as primeiras iniciativas em terras brasileiras e rapidamente se expandiu pelo mundo. Dentre seus objetivos funcionais, destacam-se: valorizar e melhor remunerar os profissionais cooperados desse segmento, evoluir e oferecer condições adequadas de realização do trabalho, e avançar e melhorar o atendimento das pessoas-pacientes. Obviamente, é um ramo do cooperativismo voltado para aquelas pessoas-profissionais da área de saúde que se propõem a se dedicar na realização de ações voltadas para a promoção da saúde humana. Importante explicitar que essas cooperativas também permitem a participação de usuários.

“Ramo da mineração” destaca-se principalmente em locais onde existem as médias ou pequenas jazidas; é formada por garimpeiros que buscam obter melhores condições de vida, trabalhar com mais segurança e reduzir a exploração do trabalho ocasionada por grandes mineradoras e por intermediários.

As cooperativas desse ramo têm entre seus objetivos: realizar extração, pesquisar, industrializar, proceder às importações e exportações de minerais.

“Ramo Social ou Especial” é dedicado à organização de cooperativas que visem fazer gestão e organização de serviços educativos e sociais, com vistas a atender pessoas com deficiências ou que estejam em situação de desvantagens e de vulnerabilidade; destina-se ainda ao atendimento de pessoas que necessitam de tutela. Também existem as cooperativas formadas por pessoas que queiram realizar ações no sentido de abonar a cidadania como direito a todos, sobretudo para as pessoas com deficiência, além de tentar inserir no mercado de trabalho e ou gerar renda para estas pessoas. Para a efetivação desse objetivo, é muito importante o despertar da consciência crítica social das pessoas com deficiência. As cooperativas desse ramo são especializadas no atendimento de pessoas com deficiência, ex-presidiários, dependentes químicos, adolescentes em idade aprendiz e ainda pessoas que foram condenadas a penas alternativas (BRASIL, 1999). Enfim, as principais ações ocorrem no sentido de promover cidadania e inclusão de pessoas no mercado de trabalho. Nesse tipo de cooperativismo é permitida também a participação de cooperados profissionais de

saúde (psicólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos e outros) e pais ou responsáveis, especialmente de pessoas que tenham deficiência metal ou física.

“Ramo de turismo e lazer” é passível de bastante ampliação, especialmente em função das possibilidades existentes de realizar atividades de turismo e lazer, e pelo vasto patrimônio turístico existente em diversos países. As cooperativas desse ramo buscam realizar e/ou disponibilizar serviços de cunho artístico, em eventos, de formação para trabalho em hotelaria, esportivo, de turismo e também de entretenimento.

O “Ramo do Transporte” está entre os mais novos e as cooperativas desse ramo têm demonstrado ser muito eficientes em função da rápida estruturação e também pelo crescimento-aumento da frota de carros destinados a este tipo de cooperativas. As cooperativas desse ramo realizam prestação de serviços e também de transporte de passageiros

As cooperativas do “Ramo do Trabalho” estão entre as mais abrangentes de todos os outros ramos, pois podem agregar trabalhadores de áreas diversas. Para se integrar a uma dessas cooperativas, basta ter uma ocupação profissional, ter o anseio de melhorar as condições de trabalho e, consequentemente, a remuneração. Na maioria das vezes, são compostas por trabalhadores autônomos que buscam se unir para potencializar a produção e realizá-la, preferencialmente, em modos coletivos. Importante ressaltar que esses ramos são significativamente novos e ainda encontram resistência no que tange à regulamentação funcional em vários países.

Como averiguado, existem variados ramos de cooperativismo que atuam no sentido de atender aos interesses e necessidades da sociedade. Os ramos, os tipos de cooperativas se assemelham, porém, variam muito entre os países, sobretudo em função das leis que são criadas para regulamentar as atividades cooperativistas.

Alguns ramos do cooperativismo encontram mais resistência no processo de implantação ou organização em relação a outros. Como fatores que influenciam e justificam essa negatividade de conduta, citam-se a existência de diversos casos e relatos de uso indevido do cooperativismo. Há situações em que pessoas usufruem dos benefícios cooperativistas e usam a concepção de organização como meio de explorar trabalhadores, de burlar as leis de regulamentação do trabalho e como forma de transgredir, inclusive, os direitos trabalhistas, além de não respeitarem e infringirem as orientações e princípios do cooperativismo.