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Competência e Procedimento

No documento samir claudino beber - Univali (páginas 120-129)

A sanção pela infração prevista no art. 41-A é a multa pecuniária, de mil a cinqüenta mil Ufir, mais cassação do registro ou do diploma, se o corruptor for candidato.

Completando o rol de penalidades pelo ataque à lisura do processo eleitoral, há, agora, dispositivo que penaliza de forma mais célere o candidato, quer seja durante a campanha, quer seja após – no curso da campanha e, se eleito, após a mesma –, sem a complexidade procedimental e processual dos demais meios legais.

Ademais, na linha de outra decisão prolatada pelo Tribunal Superior Eleitoral, sendo [...] “distintas a causa de pedir da AIME (abuso de poder) daquela da AIJE (captação ilícita de sufrágios), a cassação do mandato eletivo, como efeito da procedência da investigação judicial eleitoral, por violação do art. 41-A da Lei n. 9.504/97, não implica a prejudicialidade desta pela mera circunstância de haver sido anteriormente julgada a impugnatória (AIME)”.216

Aspecto curioso e interessante é o que detalha a aplicação ou não do art. 15 da Lei Complementar n. 64/1990 nos procedimentos que envolvem o art.

41-A, ponto versado nos próximos parágrafos217.

A perfeita compreensão desse dispositivo, por estar diretamente ligado ao rito da Lei Complementar n. 64/1990, é crucial para compreender a captação ilícita de sufrágio, uma vez que a tênue barreira que separa – ou seria o elo que liga? – “o abuso do poder econômico” e “compra de votos”, não chega a comportar, para esta infração, a norma insculpida no dispositivo da lei complementar. Assim, refletir sobre a aplicabilidade do citado art. 15 quando não há declaração de inelegibilidade, mas, sim, perda do registro por infringência ao art. 41-A da Lei n. 9.504/1997, é essencial à abordagem do tema.

Mais uma vez, o art. 41-A trata da cassação de registro de candidatura ou do diploma – e multa – e foi acrescido à lei eleitoral pela Lei n. 9.840/1999, vindo a incidir somente no pleito de 2000. Por via de conseqüência, até então, a Justiça Eleitoral não havia analisado detidamente a matéria, ou melhor, não o tinha feito acerca da questão relativa à aplicação do art. 15 da Lei Complementar n. 64/1990.

Relativamente à representação com base no art. 41-A, cuida-se da

216 BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Ac. 1.282, Relator: Min. Barros Monteiro, 2003.

217 BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Ac. 970, Relator: Min. Waldemar Zveiter. Voto do Min.

Fernando Neves, 2001. De outra banda, imprescindível alertar que tal decisão vai além – tem outra abrangência – pois apresenta uma visão geral de todos os implicadores envolvidos.

[...] apuração e punição de conduta delituosa de quem já havia se apresentado à Justiça Eleitoral como candidato, diferentemente do que ocorre nos processos de registro, em que se discutem condições de elegibilidade ou causas de inelegibilidade.

A questão da aplicação do art. 15 da Lei Complementar n. 64/90 à espécie é de alta relevância diante das conseqüências que acarreta.

Após meditar sobre o tema, concluí que, se não há declaração de inelegibilidade, a eficácia da decisão proferida pela Justiça Eleitoral não está condicionada ao seu trânsito em julgado. Incide a regra geral de que os recursos eleitorais não têm efeito suspensivo (Código Eleitoral, art. 257).

[...]

O fato de que, na apuração do delito, seja observado o previsto no art. 22 da Lei Complementar n. 64, de 1990, não altera meu entendimento, pois o que deve ser seguido é apenas o procedimento, não as punições lá previstas, entre as quais se encontra a inelegibilidade por três anos. Aliás, as penas próprias do art. 41-A nele estão perfeitamente definidas: multa de mil a cinqüenta mil Ufirs e cassação do registro ou do diploma.

Observo que as alterações da Lei n. 9.504/97, entre as quais consta a introdução do art. 41-A, vieram ao encontro da vontade da sociedade de ver rapidamente apurados e punidos os ilícitos eleitorais, razão pela qual a corrupção, que constitui crime previsto no art. 299 do CE, passou a ser também causa da perda do registro da candidatura ou do diploma, sem que o legislador condicionasse os efeitos da decisão proferida na representação ao seu trânsito em julgado.218

A jurisprudência é pacífica, e se assim não fosse, cuidar-se-ia de atenção às regras eleitorais, de que compete aos juízes auxiliares – e não ao Corregedor – o processamento e o relatório de representação ajuizada com fundamento no art. 41-A da Lei n. 9.504/1997, observado o procedimento do art.

22 da Lei Complementar n. 64/1990. Essa assertiva pode ser melhor explicitada:

nas eleições gerais – para presidente, governador, deputados e senador(es) – , ou seja, excetuadas as eleições municipais, a competência é dos Tribunais, que têm juízes auxiliares; nas eleições municipais, a competência plena – conhecer, processar e julgar – é dos juízes eleitorais, num desdobramento da competência

218 Este voto do Min. Fernando Neves, constante do Acórdão TSE n. 970/2001, rel. Min. Waldemar Zveiter, já foi anteriormente apontado como paradigma (ver o início deste capítulo).

do Corregedor Regional. Em síntese, as representações relativas ao art. 41-A serão processadas e julgadas pelos juízes auxiliares, no segundo grau; e pelos juízes eleitorais, no primeiro219.

Os feitos, ao seu turno, serão desmembrados: as infrações ao art. 41-A serão processadas na forma do art. 22 da Lei Complementar n. 64/1990; as infrações ao art. 73 da Lei n. 9.504/1997 (ou quaisquer outras relativas à Lei n.

9.504/1997), na forma do art. 96 da mesma lei. E as representações e/ou reclamações com fundamento nos arts. 41-A e 73, da Lei n. 9.504/1997, e 22, da Lei Complementar n. 64/1990, individualmente, cada qual seguindo rito de lei.220

Outros aspectos relevantes acerca da competência e do procedimento são: abertura da investigação e termo inicial; legitimidade; participação de terceiros e formação do julgamento.

O impulso inicial para a abertura da investigação judicial independe [...]

“de robusto lastro probatório acerca das condutas abusivas praticadas em detrimento do processo eleitoral, sendo imprescindível tão-somente descrever situações concretas que tipifiquem, em tese, tais ilícitos, indicando circunstâncias,

219 Apenas para ilustrar, idêntica regra cabe às representações/reclamações relativas ao art. 73 da Lei n. 9.504/1997. Ainda, consta do Acórdão TSE n. 4.029/2003, rel. Min. Barros Monteiro: “A referência à observância do procedimento do art. 22 da Lei Complementar n. 64/90 impõe que a representação objetivando cassação de registro ou diploma com base no art. 41-A da Lei n.

9.504/97, nas eleições estaduais e federais, seja levada pelo juiz auxiliar ao Tribunal, para decisão colegiada, e não examinada por ele monocraticamente. Nas eleições estaduais e federais, as decisões, em sede de representação fundada no art. 41-A da Lei n. 9.504/97, proferidas após a proclamação dos vencedores, devem ser atacadas por meio de recurso ordinário, na medida em que o diploma pode ser atingido, mesmo que a decisão seja anterior à diplomação. Art. 121, § 4º, IV, da Constituição da República”. Outrossim, a título de ilustração – mas com tênue diferença e completa alteração de competência –, compete ao Corregedor a apuração às infrações relativas ao art. 22 da Lei Complementar n. 64/1990.

220 “São competentes os juízes auxiliares para o processamento de representação por desobediência à Lei das Eleições, observado o rito previsto no art. 96, exceção feita aos processos que visem apurar captação ilícita de sufrágio, ante a disposição da parte final do art. 41- A, hipótese que deverá ensejar desmembramento do feito, de forma a possibilitar que a infração a esse dispositivo se processe conforme o rito do art. 22 da LC n. 64/90” (BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Ac. 763, Relator: Min. Luiz Carlos Lopes Madeira).

indícios e provas a corroborar suas alegações”221. Certo é, contudo, que o termo inicial é o pedido de registro da candidatura.

“A ação de investigação judicial deve ser proposta não só contra os que praticaram o ato ilícito como também contra os que porventura tenham sido diretamente beneficiados pela interferência do poder econômico”222. Ainda, sob outro prisma, a [...] “legitimidade para propor a ação de investigação judicial prevista no art. 22 da LC 64/90, não é exclusiva da coligação, podendo cada partido que a compõe, isoladamente, propô-la”223. Mas, ao se tratar do art. 41-A da Lei n. 9.504/1997, especificamente, o agente ativo será o candidato e, como se verá adiante, se a captação de sufrágio se der por terceiro, mas com ciência e/ou anuência do candidato, este será igualmente penalizado. Outrossim, diferentemente da norma penal – art. 299 do Código Eleitoral –, na captação ilícita de sufrágio não se penaliza o eleitor, e tal condição não prejudica qualquer ação penal, bem como não exime eventual responsabilização por abuso do poder econômico (art. 22 da Lei Complementar n. 64/1990).224

Nas representações por captação ilícita de sufrágio é desnecessária [...] “a citação do vice para integrar a lide, como litisconsorte passivo, tendo em

221 SANTA CATARINA. Tribunal Regional Eleitoral. Ac. 19.856, Relator: Juiz José Gaspar Rubik.

222 Excerto do acórdão recorrido, do TREMG, extraído do Acórdão TSE n. 21.221/2003, rel. Min.

Luiz Carlos Madeira, relativamente ao abuso do poder econômico (art. 22 da Lei Complementar n.

64/1990).

223 SANTA CATARINA. Tribunal Regional Eleitoral. Ac. 17.045, Relator Juiz Otávio Roberto Pamplona, 2001. Nas palavras de Pedro Roberto DECOMAIN, [...] “verificada a possível ocorrência de conduta prevista no presente artigo da Lei, qualquer dos legitimados – partido político, coligação, candidato ou o Ministério Público – poderá ofertar representação para que o fato seja apurado em investigação judicial, que obedecerá ao rito disciplinado ao longo dos incisos do mencionado art. 22 daquela Lei Complementar. O processamento é incumbência do Corregedor-Geral Eleitoral, na eleição presidencial, dos Corregedores-Regionais Eleitorais, nas eleições estaduais e parlamentares federais, e do Juiz Eleitoral, nas eleições municipais” (in Eleições: comentários à Lei n. 9.504/97. 2. ed. São Paulo: Dialética, 2004. p. 250). Sobre o tema – legitimidade – ver os subtítulos relativos à Lei Complementar n. 64/1990 e ao art. 41-A da Lei n.

9.504/1997, retro.

224 Ver Acórdãos TSE n. 1.282/2003 e n. 19.644/2002, ambos rel. Min. Barros Monteiro.

vista ser a situação jurídica do titular subordinante em relação a ele, por concorrerem, no pleito, em chapa”, prescindível, portanto, a participação do vice inclusive da colheita de provas, ou seja, inexigível a citação de terceira pessoa.225

Por fim, a matéria abordada é de cunho político e, por menos que se admita, requer dos julgadores o pleno exercício do seu tirocínio. Para tanto, cabe

“ao magistrado a livre apreciação da prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, desde que indique os motivos de seu convencimento”.226

A decisão que julga procedente a representação com base no art. 41-A da Lei n. 9.504/1997 deve ser executada imediatamente, não admitindo efeito suspensivo227. “Já tendo sido expedido o diploma em favor da ora recorrida, a sanção adequada à espécie é a cassação do mesmo diploma, independentemente da interposição do recurso contra a expedição de diploma (art. 262 do Código Eleitoral) ou da propositura da ação de impugnação de mandato eletivo (art. 14, § 10, da Lei Maior)”.228

Ainda, em se tratando de [...] “decisão fundada no art. 41-A da Lei n.

9.504/97, não se pode cogitar, no caso, da aplicação da norma do art. 22, XV, da LC n. 64/90, que prevê a remessa de cópias de todo o processo ao Ministério Público Eleitoral, no caso em que a representação for julgada procedente após a eleição do candidato, ‘para os fins previstos no art. 14, §§ 10 e 11, da Constituição Federal, e art. 262, inciso IV, do Código Eleitoral’”229. Inaplicável, à espécie, o inciso XIV, que traz consigo a pena da inelegibilidade, ponto

225 BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Ac. 21.308, Relator: Min. Barros Monteiro.

226 Art. 23 da Lei Complementar n. 64/1990, reproduzido no Acórdão TSE n. 21.264/2004, rel. Min.

Carlos Velloso.

227 Cf. SANTA CATARINA. Tribunal Regional Eleitoral. Ac. 19.807, Relator: Juiz Rodrigo Roberto da Silva, 2005.

228 BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Ac. 19.644, Relator: Min. Barros Monteiro, 2002.

229 BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Ac. 19.644, Relator: Min. Barros Monteiro, 2002.

importantíssimo que será abordado quando em discussão a constitucionalidade – ou inconstitucionalidade – do 41-A.

3.3.1 Lapso Temporal de Incidência da Norma

Por mais singelo que seja o tema diante da clareza do dispositivo legal – art. 41-A – arranjou-se espaço para discutir o lapso temporal de incidência da norma.

Ora, se para a configuração do abuso tratado no art. 22 da Lei Complementar n. 64/1990 as condutas podem ser praticadas antes ou após o registro da candidatura, para a configuração da captação ilícita de sufrágio – art.

41-A da Lei n. 9.504/1997 – o termo inicial é o pedido de registro da candidatura.

E, mais, ao se tratar de “registro da candidatura” fala-se do pedido, e não do deferimento.230

Como termo final, o dia da eleição, inclusive231.

Merece reiterado apontamento que os referidos termos não têm o condão de descaracterizar eventuais crimes-eleitorais e/ou ilícitos do art. 22 da Lei Complementar n. 64/1990.

230 Ver Acórdãos TSE n. 19.229/2001 e 19.566/2001, rels. Mins. Fernando Neves e Sálvio de Figueiredo Teixeira.

231 Ver MARANHÃO. Tribunal Regional Eleitoral. Acórdão n. 3.657. Recurso. Investigação eleitoral.

Captação indevida de sufrágio. Distribuição de leite. Recorrente: Luiz Sabry Azar. Recorrido:

Ananias Barbosa da Silva. Relator: Juiz Carlos Santana Lopes. São Luís, 16 de outubro de 2000.

Diário da Justiça, São Luís, 16 out.2000.

3.3.2 Termo Final para Ajuizamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral

E é na trilha do item anterior que resta a indagação: qual o termo final para o ajuizamento da reclamação/representação eleitoral para os fins da investigação judicial eleitoral (art. 22 da Lei Complementar n. 64/1990), que também denominam de ação de investigação judicial eleitoral?

Curiosamente, tanto o abuso do poder econômico quanto a captação ilícita de sufrágio, que observam o rito do art. 22 acima referido, admitem o ajuizamento até a data da diplomação232 (nada obstante, é preciso ter em mente o objeto de ambos os feitos, recordando os termos inicial e final do ato delituoso, vistos no subtítulo precedente).233

Resta, contudo, uma questão curiosa, diretamente vinculada à execução imediata da decisão que julgar captação ilegal de voto (art. 41-A), qual seja: a representação pode ser julgada procedente após a realização do pleito?

Segundo Decomain, [...] “a representação pode até ser julgada procedente depois das eleições, mas, nesse caso, tal decisão não conduz, só por si, à cassação do diploma. Para que se obtenha tal desiderato, haverá necessidade do manejo do recurso contra a diplomação”.234

232 MATO GROSSO DO SUL. Tribunal Regional Eleitoral. Ac. 3.891, Relatora: Juíza Janete Lima Miguel, 2001. In verbis: “Não há que se falar em falta de interesse de agir ou impossibilidade jurídica do pedido se a representação, com base no art. 41-A da Lei 9.504/97, foi intentada depois das eleições, mas antes da diplomação dos eleitos, até porque, consoante jurisprudência, a ação de investigação judicial eleitoral prevista no art. 22 da Lei Complementar n. 64/90 pode ser ajuizada até a data da diplomação dos candidatos”.

233 Apenas para ilustrar (quanto às condutas vedadas), ”O prazo para o ajuizamento de representação por descumprimento das normas do art. 73 da Lei das Eleições é de cinco dias, a contar do conhecimento provado ou presumido do ato repudiado pelo representante” (BRASIL.

Tribunal Superior Eleitoral, Ac. 748, Relator: Min. Luiz Carlos Madeira, 2005.).

234 DECOMAIN, Pedro Roberto. Eleições: comentários à Lei n. 9.504/97. 2. ed. São Paulo:

Dialética, 2004. p. 253. Conclusão idêntica é a de Adriano Soares da COSTA, para quem [...] “a efetivação da sanção depende, nessa hipótese, de decisão judicial transitada em julgado”

(COSTA, Adriano Soares da. Captação de sufrágio: novas reflexões em decalque, p. 17).Esse autor – à fl. 28 do seu artigo doutrinário – fundado em jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral, desenvolve o assunto sob a ótica da aplicação imediata da decisão e da efetivação da decisão.

Nesse passo, vem à tona a possibilidade de o candidato continuar no concurso eletivo, por sua conta e risco, enquanto sua condenação não transitar em julgado, uma vez que persistente seu direito de recorrer. E é esse o nó górdio da questão: execução imediata, mas com direito de recorrer – e de continuar em campanha, por conta e risco do candidato – situação que permite concluir, efetivamente, que o que torna a decisão definitiva, efetiva, é o trânsito em julgado. A conclusão não poderia ser diferente, pois esse o sistema jurídico vigente: como regra, a decisão é definitiva quando transitada em julgado. Em sentido contrário, ZILIÓ, Rodrigo López. Captação ilícita de sufrágio: art. 41-A da Lei n. 9.504/97. Revista do TRE/RS, Porto Alegre, v. 9, n. 18, p. 23- 50, jan./jun.2004.

O autor segue o mesmo raciocínio “do julgamento da representação após a diplomação”, ou seja, poderá a captação ilícita de sufrágio se julgada inclusive após a diplomação, mas a cassação do diploma fica vinculada à interposição do competente recurso.

Não obstante os judiciosos fundamentos trazidos pelo renomado autor, essa interpretação não é a que melhor se coaduna com a norma. Ora, a utilização de instrumento que dê efetividade às decisões contra a corrupção eleitoral não pode ficar vinculada ao manejo de outros instrumentos jurídicos existentes – e igualmente disponíveis –, razão pela qual, por mais defensável que seja a tese acima exposta, não merece guarida na aplicação do art. 41-A da Lei n.

9.504/1997.235

3.3.3 Litisconsórcio Passivo Necessário nas Eleições Majoritárias para Cargos do Executivo

As eleições majoritárias para Presidente da República, Governador de Estado e do Distrito Federal e para Prefeito Municipal são viabilizadas por meio de inscrição/registro de chapas. Repete-se: a candidatura, preenchidos os requisitos de lei, só é viabilizada por meio do registro de chapa. Não se trata, pois, de candidatura avulsa, individual.

Assim sendo, segundo [...] “a jurisprudência hoje pacífica desta Corte, é prescindível a citação do vice para integrar a lide, como litisconsorte passivo, tendo em vista ser a situação jurídica do titular subordinante em relação a ele, por

235 E neste sentido já se pronunciou o Tribunal Superior Eleitoral (BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Ac. 19.644, rel. Min. Barros Monteiro, 2002): ver nota 213.

concorrerem, no pleito, em chapa. Era despiciendo, portanto, que participasse da colhida das provas”236. Improcede, destarte, a obrigatoriedade de o mesmo ser [...] “chamado a integrar a lide na condição de litisconsorte passivo necessário.

Inexigível é, com efeito, a pretendida citação de terceira pessoa, ainda que tenha ela praticado as condutas que levaram à cassação do mandato do titular, como é a hipótese sub examen. Rememoro, por elucidativa, a norma do art. 22, XIV, da Lei de Inelegibilidade (LC n. 64/90), no que interessa: ‘julgada procedente a representação, o Tribunal declarará a inelegibilidade do representado e de quantos hajam contribuído para a prática do ato, (...) além da cassação do registro do candidato diretamente beneficiado pela interferência do poder econômico e pelo desvio ou abuso do poder de autoridade (...)’. Ainda mais, não se pode descurar do entendimento já assentado neste Pretório, no sentido de que

‘a representação pode ser proposta contra os beneficiários da conduta abusiva assim como contra seus autores’”.237

E é esse o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral, inclusive com relação à ação de impugnação de mandato eletivo e ao recurso contra a diplomação.238

No documento samir claudino beber - Univali (páginas 120-129)