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Considerações finais

No documento 1 DOI: http://dx.doi.org/10.17793/rdd.v4i6 (páginas 165-169)

V. Bibliografia

5. Considerações finais

política de seus administradores e o Viber e WhatsApp são aplicativos para celulares e tablets para facilitar a comunicação online através de mensagens e voz. Todo esse manancial tecnológico está incorporado na sociedade e tirando o sono de muita gente. Se antes desses produtos entrarem no mercado as pessoas já tinham de administrar o tempo para fazer coisas, e agora tendo de dar conta de tudo isso juntamente com os amigos, família, trabalho, etc. Já estamos cansados só de escrever este parágrafo imaginando a quantidade de pessoas no mundo se conectando com tudo e com todos.

É notório que novas doenças começam a aparecer no indivíduo. Uma delas é a Nomophobia, ansiedade que surge por não ter acesso a um dispositivo móvel; o termo deriva da abreviatura de ‘no-mobile phobia’ (medo de ficar sem telefone móvel). Outra enfermidade é a Síndrome do toque fantasma, que é quando o seu cérebro faz com que você pense que seu celular está vibrando no seu bolso (ou bolsa, se preferir). Há muitas outras, como Depressão de Facebook, Transtorno de Dependência da Internet, Vício de jogos online, Cibercondria, ou hipocondria digital e Efeito Google. Todas elas estão em um dos focos que geram doenças contagiosas: um blog. Mas parece que esse blog está na contramão da paranoia cibernética. Ele é o Mundo Tecnológico (2014) que alerta as pessoas do mundo virtual para que leiam, reflitam e façam perguntas em busca de respostas para a cura. Na verdade, é um blog socrático, a voz da filosofia cibernética no mundo virtual para libertar o indivíduo que está aprisionado sem saber que o está.

Esse efeito é a resignação e incapacidade de alterar o sistema vigente de concepção milenar: foco no capital. E como sair dessa “caverna”? Há dois caminhos: a busca individual e a coletiva. E onde buscar?

Platão279 não diz que estamos condenados a viver em uma caverna. O que ele diz é que podemos começar como prisioneiros, mas que podemos fazer melhor. De que forma?

Bem, aí mais uma pergunta!

Os próprios blogs, instrumentos que alienam são os mesmo que promovem a libertação. Como resolver esse impasse? A resposta está justamente na lição que Sócrates apresenta com o seu método maiêutico.

Sair desse estágio de alienação para ver o mundo de forma natural, como deveria ser desde o início, não é tarefa fácil. Por quê? Primeiro porque desde quando nascemos as regras sociológicas do poder começam a se introjetar em nossas consciências de forma subliminar. Tão subliminar a ponto de nossos pais também não perceberem essa internalização dos valores que o poder social nos impõe. Segundo porque nossos pais são

‘produtos’ de gerações passadas que vão se solidificando pela mudança de valores crescentes em nossa sociedade. Então como exigir dos pais uma postura diferente daquela que já se massificou? Pode ser simples ou complexo, dependendo da percepção que o indivíduo tem da vida. Aqui começamos a lembrar do Sócrates.

Quando os professores aplicam esse método socrático, ou maiêutico, a fim de que os alunos não recebam o conteúdo de forma tradicional em uma aula expositiva, necessariamente provoca um certo mal estar porque precisam pensar e isso não faz parte de seu mundo cognitivo para a aprendizagem. Mudança de paradigma que precisa ter suporte acadêmico-científico para alcançar resultados na maneira de pensar do estudante.

Será que o discurso de Sócrates conseguiria subverter a juventude deste nosso século concorrendo com o poder da tecnologia em suas mãos? Conseguiriam ouvir esse professor e deixar seus tablets e celulares desligados na hora do ensino? E se tivessem de

                                                                                                                         

279 Importante esclarecer que na literatura filosófica as vozes de Platão e Socrátes são confundidas porque os diálogos de Sócrates foram escritos por Platão. E como definir se a afirmação é de quem escreveu o que o outro disse? Realmente, é muito complicado. Existem estudos que argumentam para um e para outro, mas como são argumentos dependem de condições de verdade. E como saber onde está a verdade? Complicado mesmo, mas é o que nos faz pensar e, se pensamos, estamos livres. Lembram da história do livro 1984, de George Orwell? Não eram livres, não podiam pensar. Se o fizessem, eram aprisionados e mortos. Essa obra se assemelha à de Huxley porque também é utópica no sentido negativo da palavra, chamada de distopia.

responder às suas perguntas a partir de um assunto que ainda não foi exposto? ao invés de fazerem as perguntas para obter respostas?

Entrar em uma sala de aula e presenciar o professor expondo o conteúdo de forma tradicional pode gerar alguma expectativa no aluno? Ele aceita a aula sem questionar a maneira como está sendo apresentado esse conteúdo? Ele poderia reclamar quando o professor pedisse para guardarem seus celulares ou qualquer instrumento tecnológico? Se o professor estivesse ministrando uma aula expositiva com o conteúdo somente no quadro- negro, ele reclamaria porque não está sendo utilizada tecnologia?

Finalizando, a escola tradicional ensina muito o aluno para que aprenda a responder. E o professor é um especialista em ensinar o aluno a responder algumas perguntas que ele já fez. A proposta é a inversão no processo: o professor ensinará o aluno a saber fazer boas perguntas. Com isso a gama de questionamentos que irá surgir provocará outra de possíveis respostas. Será que daria certo? E agora o último questionamento para reflexão: o conhecimento evolui a partir das perguntas ou das respostas?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ACADEMIA DA MENTE. Abra a sua mente: existe um mundo querendo entrar.

http://www.administradores.com.br/artigos/cotidiano/abra-sua-mente-existe-um-mundo- querendo-entrar/78113/ Acesso em 28/07/2014 às 19h18min.

EDUCATERRA. http://educaterra.terra.com.br/voltaire/politica/democracia3.htm. Acesso em 28/07/2014 às 4h46min.

HOUAISS ELETRÔNICO. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro:

Editora Objetiva, 2009.

HUXLEY, A. L. Admirável Mundo Novo. 22.ed. São Paulo: Globo, 1996.

LARANJA FILMES. Filme Matrix e a relação com o Mito da Caverna. http://alaranja- filmes.blogspot.com.br/2013/04/analise-do-filme-matrix-1999.html Acesso em 28/07/2014 às 19h18min.  

MARCONDES, Danilo e JAPIASSÚ, Hilton. Dicionário básico de filosofia. 4.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.

MEDEIROS, Rodrigo. SÓCRATES: O Mártir da Filosofia, 2001. Disponível em http://www.odireito.com/impressao.asp?ConteudoId=21&SecaoID=10&SubSecao=1&Sub SecaoID=23. Acesso em 28/07/2014 às 6h25min.

MUNDO TECNOLÓGICO. http://k1tecnologia.blogspot.com.br/. Acesso em 28/07/2014 às 3h45min.

PLATÃO. A República. Tradução de Enrico Corvisieri. São Paulo: Editora Nova Cultura, 1997.

_______. O Julgamento de Sócrates. Tradução de Paulo Henriques Britto. São Paulo:

Companhia das Letras, 1988.

                 

(Artigo  submetido  em  29/06/2014  e  aceito  em  28/07/2014)    

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12. A OBRA ADMIRÁVEL MUNDO NOVO E A PROTEÇÃO DE DIREITOS

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