respeitar cada uma das ordens jurídicas internas, e o Principio do Pacta Sunt Servanda, que fundamenta a força obrigatória dos pactos71.
Mason e proclamada pela convenção da Virgínia. Esta grande medida influenciou Thomas Jefferson na declaração dos direitos humanos que se existe na declaração da independência dos Estados Unidos da América de 4 de julho de 1776, assim como também influênciou a assembléia nacional francesa em sua declaração, a declaração dos direitos do homem e do cidadão de 1789 esta última definia o direito individual e coletivo das pessoas.
A noção de direitos humanos não experimentou grandes mudanças até o século seguinte com o início das lutas operárias, surgiram novos direitos que pretendiam dar solução a determinados problemas sociais através da intervenção do Estado. Neste processo são importantes a revolução Russa e a Revolução Mexicana.
Após a Primeira Guerra Mundial, ganhou força a crença de que não se pode atribuir somente aos governos a responsabilidade de salvaguardar e garantir direitos de âmbito internacional.
Desde o nascimento da Organização das Nações Unidas em 1945, o conceito de direitos humanos se tem universalizado, alcançando uma grande importância na cultura jurídica internacional. Em 10 de dezembro de 1948 a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada e proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em sua Resolução 217 A (III), como resposta aos horrores da Segunda Guerra Mundial e como intento de sentar as bases da nova ordem internacional que surgia atrás do armistício. Coincidência ou não, foi proclamada no mesmo ano da proclamação do estado de Israel73. A Declaração universal dos direitos Humanos firmou a idéia do rspeito aos direitos fundamentais do homen, da dignidade e do valor da pessoa humana, a igualdade de direitos dos homens e mulheres em todas as nações, indiferente do porte de cada uma.
A idéia central da carta é de fornecer base juridica, para ações conjuntas e permanente dos estados, em busca da justiça e paz social.
Constituindo um dos documentos fundamentais da idade contemporânea, a declaração universal dos direitos do homem, iniciou sua historia com a denuncia de barbáries, causando revolta na consciencia da humanidade.
73 Disponivel em http://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_humanos. Acessado em 12 out. 2009.
Formada por trinta artigos, sendo precedidos de um preambulo com sete considerações, a declaração traz reconhecimento solene a dignidade da pessoa humana, tendo por base a liberdade, a justiça e a paz,ideais democráticos, progresso economico, social e cultural, o desenvolvimento entre as nações, o respeito aos direitos assegurados por todos os estados e por todos os povos.
Em seus artigos a dDeclaração consagra os principios da igualdade, dignidade humana, a vedação absoluta à discriminação de qualquer espécie, seja qual for a razão, raça, sexo, lingua, religião, opnião politica ou de outra natureza, origem nacional ou social, o direito a vida, à liberdade, a segurança, a proibição da escravidão em todas as formas, a proibição a tortura, proibição ao tratamento ou o castigo cruel, desumano ou degradante, o principio do juiz natural, o livre acesso ao judiciario, a vedação as prisões, detenções a exilios arbitrários, os principios da presunção de inocência, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, o principio da reserva legal, a inviolabilidade à honra, a imagem e à vida privada, a liberdade, a leberdade de locomoção, o direito de propriedade, a liberdade de pensamento,opnião expressão e religião, os direitos politicos, o direito ao Trabalho e a livre escolha de profissão.
Em sintese, BONAVIDES74, dispõe sobre a importância da Declaração Universal de Direitos do Homem:
A declaração dos direitos do homem é o estatuto de liberdade de todos os povos, a Constituição das Nações Unidas, a Carta Magna das minorias oprimidas, o còdigo das nacionalidades, sem distinção de raça, sexo e religião, o respeito à dignidade do ser humano. A Declaração será porém um texto meramente romântico de bons propósitos e louvável retórica, se os países signatários da Carta não se aparelharem de meios e órgãos com que cumprir as regras estabelecidas naquele documento de proteção dos Direitos fundamentais e sobretudo produzir uma consciência nacional de que tais direitos são invioláveis.
A DeclaraçãoUniversal dos Direitos Humanos abriu caminho para o surgimento de novos instrumentos que visam a proteção da pessoa humana, nos mais diversos Direitos, sendo estes inalienáveis em qualquer que seja o cenário em que esteja inserido.
74 BONAVIDES, Paulo. Curso de direito Constitucional. 19. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p. 578.
A positivação dos Direitos Fundamentais pela constituição de cada país, torna-se de grande importãncia pois ao serem consagrados pela constituição, os Direitos fundamentais garantem efetividade, função esta essencial, ou seja ponto fundamental para assegurar e salvaguardar os Direitos do homem.
Acerca dos Direitos fundamentais, CRUZ75 leciona:
a inclusão estes direitos do homem nos textos constitucionais teve uma consequencia quase que imediata: a transformação de alguns principiosfilosóficos em normas juridicas. O conceito de direitos humanos ou direitos do homem, é uma noção folosófica oiu ideológica, noção esta que acata a idéia de que certos direitos sãonecessários para que se possa falar de ser humano e de dignidade humana. Já o reconhecimento juridico destes Direitos os transforma em normas vinculantes.
Pode-se considerar sobre os Direitos Fundamentais a lição de BONAVIDES76:
A Declaração Universal dos Direitos do Homem é o estatuto de liberdade de todos os povos, a constituição das Nações Unidas, a carta magna das minorias oprimidas, o código das nacionalidades, a esperança, enfim, de promover, sem distinção de raça, sexo e religião, o respeito a dignidade do ser humano. A Declaração será porém um texto meramente romântico de bons propósitos e louvável retórica, se os países signatários da carta não se aparelharem de meios e órgãos com que cumprir as regras estabelecidas naquele documento de proteção dos direitos fundamentais e sobretudo produzir uma consciencia nacional de que tais direitos são invioláveis.
Desta forma pode-se concluir que tal norma internacional constitui importante avanço na conquista dos Direitos Humanos, podendo ser considerada um marco para o reconhecimento e efetivação da Pessoa Humana.
75 CRUZ, Paulo Márcio. Fundamentos do Direito Constitucional. 2 ed. Curitiba: Juruá, 2003, p. 154.
76 BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional, 2006, p. 578.
DA PROTEÇÃO DO PORTADOR DE DEFICIÊNCIA
2.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA NO MUNDO
A vida de um portador de deficiência está sujeita a preconceitos, onde se observa em muitos ambientes conduta discriminatória que advém da combinação de suas limitações com os obstáculos criados pela própria sociedade.
Como ocorre com todos os seres humanos, a vida dos portadores de deficiência é cercada de alegrias, realizações, incertezas e dificuldades. É dentro desse mundo que eles crescem, se educam, fazem amigos e constroem suas carreiras77.
Na Antigüidade remota e entre os povos primitivos, o tratamento para com os deficientes assumiu dois aspectos: alguns os matavam, porque os considerava um grande empecilho para a sobrevivência de um grupo e, outros cuidavam e sustentavam para que conseguissem obter a simpatia dos deuses, ou como gratidão pelos esforços dos que se mutilaram na guerra78.
Os hebreus viam na deficiência física ou sensorial, uma espécie de punição de Deus e impediam qualquer portador de deficiência de ter acesso à direção dos serviços religiosos.
A Lei das XII Tábuas, na Roma antiga, autorizava os patriarcas a matar seus filhos defeituosos, o mesmo ocorrendo em Esparta, onde os recém-nascidos, frágeis ou deficientes, eram lançados do alto do
77 PASTORE. José. Oportunidades de trabalho para portadores de deficiência. 2. ed. São Paulo:
LTr, 2001, p.13.
78 BECHTOLD, Patrícia Barthel. A Inclusão das Pessoas Com Necessidades Educacionais Especiais No Mercado de Trabalho. Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Disponível em: <
http://www.icpg.com.br/artigos/rev03-03>. Acessado em 28 set. 2009.
Taigeto (abismo de mais de 2.400 metros de altitude, próximo de Esparta)79.
Pode-se encontrar na história exemplos opostos, de povos que sempre cuidaram de seus deficientes, mudando sua conduta, na maneira em que evoluiu moral e socialmente.
Os hindus, ao contrário dos hebreus, sempre consideraram os cegos, pessoas de sensibilidade interior mais aguçada, justamente pela falta da visão, e estimulavam o ingresso dos deficientes visuais nas funções religiosas80.
Os atenienses, por influência de Aristóteles, protegiam seus doentes e os deficientes, sustentando-os, até mesmo por meio de sistema semelhante à Previdência Social, em que todos contribuíam para a manutenção dos heróis de guerra e de suas famílias. Assim também agiam os romanos do tempo do império, quiçá, por influência ateniense. Discutiam estes dois povos, se a conduta adequada seria a assistencial, ou a readaptação destes deficientes para o trabalho que lhes fosse apropriado81.
Durante a idade média, já sob a influência do cristianismo, os senhores feudais amparavam os deficientes e os doentes em casas de assistência por eles mantidas.
Progressivamente, no entanto, com a perda de influência do feudalismo, veio à tona a idéia de que os portadores de deficiência deveriam ser engajados no sistema de produção, ou assistidos pela sociedade, que contribuía compulsoriamente para tanto. Em 1723, na Inglaterra, fundou-se a work house, que se destinava a proporcionar trabalho aos deficientes, mas foi ocupada pelos pobres que alijaram os primeiros daquele programa.
Na França, institui-se, em 1547, por Henrique II, assistência social obrigatória para amparar deficientes, por meio de coletas de taxas.
79 FONSECA, Ricardo Tadeu marques. O Trabalho do Portador de Deficiência. Disponível em: <
http://www.ibap.org/ppd/artppd/artppd_ricardofonseca01.htm>. Acessado em 28 out. 2009.
80 FONSECA, Ricardo Tadeu marques. O Trabalho do Portador de Deficiência. Disponível em: <
http://www.ibap.org/ppd/artppd/artppd_ricardofonseca01.htm>. Acessado em 28 out. 2009.
81 REVISTA ÂMBITO JURÍDICO. O trabalho protegido do portador de deficiência. Disponível em:
< http://www.ambito-juridico.com.br/pdfsGerados/artigos/4891.pdf>. Acessado em 10 ago. 2009.
Mas foi com o Renascimento que a visão assistencialista cedeu lugar, definitivamente, à postura profissionalizante e integrativa das pessoas portadoras de deficiência. A maneira científica da percepção da realidade daquela época derrubou o estigma social que influenciava o tratamento para com as pessoas portadoras de deficiência e a busca racional da sua integração se fez por várias leis que passaram a ser promulgadas82.
Na idade moderna (a partir de 1789), vários inventos se forjaram com intuito de propiciar meios de trabalho e locomoção aos portadores de deficiência, tais como a cadeira de rodas, bengalas, bastões, muletas, coletes, próteses, macas, veículos adaptados, camas móveis e etc.
O Código Braile foi criado por Louis Braile e propiciou a perfeita integração dos deficientes visuais ao mundo da linguagem escrita.
São exemplos de portadores de deficiência que se destacaram ao longo da história recente, apesar de seus limites físicos ou sensoriais, justamente superando-os e demonstrando a adaptabilidade humana às adversidades, desde que se viabilizem meios para tanto o compositor Ludwig Van Beethoven, que tinha impedimentos no sistema auditivo, o escritor português cego, Antonio Feliciano de Castilho, o escultor brasileiro, Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho), Lord Byron, grande poeta e herói da guerra de libertação da Grécia e Helen Keller, nos Estados Unidos.
Após a revolução industrial devido aos efeitos das guerras, das mais variadas epidemias, além das anomalias genéticas, houve necessidade da criação de normas de direito do trabalho.
O despertar da atenção para a questão da habilitação e da reabilitação do portador de deficiência para o trabalho, aguçou-se a partir da Revolução Industrial, quando as guerras, epidemias e anomalias genéticas, deixaram de ser as causas únicas das deficiências e o trabalho em condições precárias passou a ocasionar os acidentes mutiladores e as doenças profissionais, sendo necessária a própria criação do Direito do Trabalho e um sistema eficiente de Seguridade Social, com atividades assistenciais, previdenciárias e de atendimento da saúde, bem como a reabilitação dos acidentados83.
82 REVISTA ÂMBITO JURÍDICO. O trabalho protegido do portador de deficiência. Disponível em:
< http://www.ambito-juridico.com.br/pdfsGerados/artigos/4891.pdf>. Acessado em 10 ago. 2009.
83 REVISTA ÂMBITO JURÍDICO. O trabalho protegido do portador de deficiência. Disponível em:
< http://www.ambito-juridico.com.br/pdfsGerados/artigos/4891.pdf>. Acessado em 10 ago. 2009.
No mundo temos mais de 500 milhões de pessoas portadoras de deficiência, e o Brasil é uma das maiores populações tendo aproximadamente 16 milhões de deficientes e uma das menores taxas de participação no mercado de trabalho84.
No Brasil, segundo a ONU, 10% (dez por cento) da população é portadora de algum tipo de deficiência. Em nosso País, o Censo 2000 assentou que 14,5% da população é portadora de algum tipo de deficiência, o que corresponde a 24,5 milhões de pessoas (mais precisamente, 24.537.984 PPD’s), das quais 15,14 milhões têm idade e condições de integrarem o mercado formal do trabalho. De acordo com dados divulgados pela OIT, o desemprego entre as PPD’s com idade para trabalhar é extremamente maior do que para as pessoas ditas
"normais", podendo chegar a 80% em alguns países em desenvolvimento. Sensível a essa problemática, o Brasil, como no resto do mundo, ante o crescente desemprego, com conseqüências mais graves ainda, quando se trata de pessoas portadoras de deficiência ou as reabilitadas, que via de regra necessita de condições especiais para o desempenho satisfatório de suas funções, cuidou, através de lei, de estabelecer "reserva de mercado" em benefício dessas pessoas, consignando no art. 93, da Lei N.º.213/9185.
Segundo o IBGE86, no Brasil, 14,5% da população são pessoas portadoras de deficiência.
Os resultados do Censo 2000 mostram que, aproximadamente, 24,6 milhões de pessoas, ou 14,5% da população total, apresentaram algum tipo de incapacidade ou deficiência. São pessoas com ao menos alguma dificuldade de enxergar, ouvir, locomover-se ou alguma deficiência física ou mental.
Entre 16,6 milhões de pessoas com algum grau de deficiência visual, quase 150 mil se declararam cegos. Já entre os 5,7 milhões de brasileiros com algum grau de deficiência auditiva, um pouco menos de 170 mil se declararam surdos.
84 PASTORE, José. Oportunidades de trabalho para portadores de deficiência, 2001, p. 07.
85 MENDONÇA, Rita de Cássia Tenório. Da Inserção das Pessoas Portadoras de Deficiência no Mercado de Trabalho. Disponível em: http://vemconcursos.com/opnião/index.phtml. Acessado em 19 ago. 2009.
86 IBGE – instituto brasileiro de geografia e estatística – censo demográfico 2000. Disponível em:
<http//www.ibge.com.br>, acessado em: 19 ago. 2009.
É importante destacar que a proporção de pessoas portadoras de deficiência aumenta com a idade, passando de 4,3% nas crianças até 14 anos, para 54% do total das pessoas com idade superior a 65 anos. A medida que a estrutura da população está mais envelhecida, a proporção de pessoas com deficiência aumenta, surgindo um novo elenco de demandas para atender as necessidades específicas deste grupo.
Os dados do censo 2000 mostram, também, que os homens predominam no caso de deficiência mental, física (especialmente no caso de falta de membro ou parte dele) e auditiva. O resultado é compatível com o tipo de atividade desenvolvida pelos homens e com o risco de acidentes de diversas causas. Já a predominância das mulheres com dificuldades motoras (incapacidade de caminhar ou subir escadas) ou visuais é coerente com a composição por sexo da população idosa, com o predomínio de mulheres a partir dos 60 anos.
2.2 CONCEITO DE PORTADOR DE DEFICIÊNCIA
A questão da habilitação e reabilitação do portador de deficiência para o trabalho começou a crescer com a revolução industrial, deixando de ser as epidemias e anomalias genéticas as únicas causas das deficiências, contando também com as condições precárias de trabalho e suas doenças profissionais ocasionadas de acidente de trabalho. Surgindo a partir daí a necessidade de criação de normas de trabalho e um sistema eficiente de seguridade social, com atividades assistenciais, previdenciárias e de atendimento à saúde, bem como a reabilitação ao convívio social.
Para uma melhor compreensão da matéria em questão, é necessário o estudo da questão terminológica que envolve o termo Portador de Deficiência.
O conceito ampliado utilizado no censo 200087 para caracterizar as pessoas com deficiência, que inclui diversos graus de severidade na capacidade de enxergar, ouvir e locomover-se, é compatível com a classificação
87 IBGE – instituto brasileiro de geografia e estatística – censo demográfico 2000. Disponível em:<http//www.ibge.com.br>. Acessado em: 19 ago. 2009.
internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde (CIF), divulgada em 2001 pela organização mundial de saúde (OMS)
Segundo ARAÚJO88, terminologicamente falando, deficiência é:
A utilização de várias expressões para designar as pessoas portadoras de deficiência, tais como indivíduos de capacidade limitada, minorada, impedida, descapacitados, excepcionais, minusválidos, disable person, handcapped person, special person, inválido, além de deficiente.
A definição de FERREIRA89, em sua respeitada obra: dicionário da língua portuguesa é:
Individuo que apresenta caráter permanente ou temporário, algum tipo de deficiência física, sensorial, cognitiva, ou múltipla, ou condutas típicas, ou altas habilidades, necessitando por isso, de recursos especiais para desenvolver mais plenamente o seu potencial e/ou superar, ou minimizar, suas habilidades. Toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano.
Segundo o instituto ETHOS90, portador de deficiência:
É aquele que apresenta em caráter temporário ou permanente, com significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais, decorrente de fatores inatos ou adquiridos, que acarretem a dificuldade em sua interação com o meio social, necessitando por isso, de recursos especializados para desenvolver seu potencial e superar ou minimizar suas dificuldades.
Para melhor e completa compreensão acerca de pessoa portadora de deficiência, há necessidade de especificar os tipos de deficiência enquadrados no ordenamento pátrio.
O legislador especificou no Decreto 3298/99 em seu art. 4º, os critérios utilizados para a caracterização e enquadramento da deficiência em categorias.
88 ARAÚJO, Luiz Alberto David. A proteção constitucional das pessoas portadoras de deficiência. Brasília: Corde, 1994, p. 20.
89 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio século XXI: dicionário da língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999, p. 1613.
90 INSTITUTO ETHOS. O que as empresas podem fazer pela inclusão das pessoas com deficiência, 2002, p.42.
I - deficiência física - alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; II - deficiência auditiva - perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500 hz, 1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz; III - deficiência visual - cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores; IV - deficiência mental – funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: a) comunicação; b) cuidado pessoal;
c) habilidades sociais; d) utilização dos recursos da comunidade;
e) saúde e segurança; f) habilidades acadêmicas; g) lazer; e h) trabalho; V - deficiência múltipla – associação de duas ou mais deficiências.
Com o passar dos tempos, o avanço na proteção dos direitos humanos, levou o Estado a legislar sobre a integração do portador de deficiência, justificada pela colocação do homem como cidadão de direitos, possibilitando uma contextualização ampla sobre os aspectos gerais dos direitos e garantias sociais e fundamentais.
Diante das formulações propostas a respeito da evolução dos direitos humanos, chegando aos dias de hoje, veremos que a sociedade e o próprio estado, além de justificarem e fundamentarem os direitos humanos devem aceitar e respeitar sua obrigatoriedade jurídica, instituída pelos ordenamentos constitucionais e declarações de direitos, objetivando sua proteção e concretude91.
O Brasil, nos dias de hoje, segundo a Organização Mundial de Saúde é um dos países que mais se preocupa com a pessoa com deficiência, no que tange a existência de vasta legislação para resguardar seus direitos. Por outro lado, o descaso e o descumprimento destas leis pela sociedade equivalem à
91 PILAU, Newton César. Teoria Constitucional moderno-contemporanea e a positivação dos direitos humanos nas constituições Brasileiras. Passo Fundo: UBF, 2003, p. 23.
retroação de centenas de anos, sacrificando o exercício dos direitos deste contingente social.
Quanto as Constituições somente com a Emenda N.º 1 à Constituição de 1967, é que surgiu uma vaga referência a pessoa portadora de deficiência, quando tratou da “educação dos excepcionais.
Posteriormente, com a Emenda N.º2, de 17 de outubro de 1978 à Constituição de 1967, novo avanço ocorreu para os portadores de deficiência, uma vez que foi estabelecido que:
Artigo único: É assegurado aos deficientes a melhoria de sua condição social e econômica especialmente mediante:
I - educação especial e gratuita;
II – assistência, reabilitação e reinserção na vida econômica e social do País;
III – proibição de discriminação, inclusive quanto à admissão ao trabalho ou ao serviço público e a salários;
IV – possibilidade de acesso a edifícios e logradouros públicos.
A partir daí, a inovação mais significativa ocorreu com a atual Constituição de 1988. a qual foi pródiga ao tratar da pessoa portadora de deficiência, estabelecendo não somente a regra geral relativa ao princípio da igualdade (art. 5º,
“caput”), mas também:
a) a competência comum da União, Estado, Distrito Federal e Município para cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência (art. 23, II). b) a competência concorrente para legislar visando a proteção e integração do portador de deficiência (art. 24, XIV). c) a proteção ao trabalho, proibindo qualquer discriminação no tocante ao salário e admissão do portador de deficiência (art. 7º, XXXI) e a reserva de vagas para cargos públicos (art. 37, VIII); d) a assistência social – habilitação, reabilitação e benefício previdenciário (art. 203, IV e V), e) a educação – atendimento especializado, preferencialmente na rede regular de ensino (art. 208, III), f) a eliminação das barreiras arquitetônicas, adaptação de logradouros públicos, edifícios, veículos de transportes coletivos. (art. 227, II, parágrafo 2º). g) preocupação com a criança e adolescente portadores de deficiência, com criação de programas de prevenção e atendimento especializado, além de treinamento para o trabalho (art. 227, II) 92.
92 INSTITUTO INTEGRAR. A Inclusão da Pessoa Portadora de Deficiencia. Disponível em: <
http://www.institutointegrar.org.br/arquivos/>. Acessado em: 20 de ago. 2009.