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ENFOQUE NA REGIÃO AMAZÔNICA

3.2 DISCUSSÃO

Figura 5. Número de mortes na Região Norte por HIV por gênero no período de 2010 - 2017.

médico, baixa disponibilidade de testes, estigma e preconceito (GUIMARÃES et al., 2017;

LIMA et al., 2017).

Quanto às faixas etárias mais acometidas, elas estão vinculadas a população economicamente e sexualmente ativas, apresentando ainda dois fatores importantes para sua prevalência. O primeiro diz respeito ao otimismo advindo do desenvolvimento do tratamento por terapia antirretroviral (TARV) ocorrendo que inúmeros indivíduos, especialmente homossexuais, adotem comportamentos de risco na prática sexual, sendo o não uso de preservativos o principal. O segundo, por sua vez, repercute principalmente nas faixas etárias mais jovens, uma vez que estes não vivenciaram o início da epidemia do HIV/SIDA no mundo e consequentemente no Brasil, desconhecendo as fases mais avançadas da doença e morbimortalidade precoce que ela ocasiona sem o tratamento adequado (LIMA, 2014; REIS et al., 2007).

A respeito da prevalência do gênero masculino, ela ainda é reflexo do início da epidemia de HIV/AIDS, uma vez que esta disseminou-se por meio do homossexualismo/bissexualismo, acometendo principalmente os grupos de risco como homens que fazem sexo com homens e trabalhadores do sexo (LIMA, 2014; BENZAKEN et al., 2019). Contudo, apesar de a mortalidade feminina ser inferior à masculina e das oscilações que apresenta, ela tende a crescer na região Norte, produzindo uma feminização da epidemia, a qual pode ser elucidada pela vulnerabilidade social em que o gênero feminino encontra-se, vinculado a fatores como baixa escolaridade e renda, baixa percepção de risco sobre a doença, dificuldade de negociação do uso do preservativo com o parceiro e baixa adesão ao tratamento antirretroviral (CUNHA; CRUZ; TORRES, 2016;

REIS et al., 2007).

Além destes fatores, a grande mortalidade pelo HIV, independente de região, idade e gênero, resulta em grande parte do não uso ou uso inadequado da terapia antirretroviral em pacientes diagnosticados aliado ainda a baixa testagem na população em geral e principalmente entre os grupos de risco (homens que fazem sexo com homens, homossexuais e trabalhadores do sexo, entre outros) (GUIMARÃES et al., 2017;

FOCACCIA et al., 2019; BENZAKEN et al., 2019).

É importante frisar ainda que a região Norte caracteriza-se por apresentar grandes desafios quanto a oferta de acesso à saúde por meio do Sistema Único (SUS), uma vez que concentra os piores índices de utilização de tais serviços no país, enfrentando, por exemplo, a baixa disponibilidade de médicos - com desigualdades alarmantes quando

populacional e grandes distâncias geográficas para acesso (GARNELO et al., 2018).

Ademais, nessa região, a maioria das Unidades Básicas de Saúde (UBS), locais que devem ser o primeiro acesso ao SUS pela população, encontram-se nas áreas urbanas (GARNELO et al., 2018), tornando, por si só, um fator de exclusão e de dificuldade de acesso às populações rurais de tais estados, contribuindo ainda, dessa forma, para a continuidade da epidemia de HIV/AIDS e sua mortalidade na região.

4. CONCLUSÃO

Apesar do estabelecimento de metas envolvendo esta temática, o Brasil ainda possui inúmeros desafios no controle da mortalidade por SIDA, sendo o principal deles o fato do país ter dimensões continentais, o que segrega parte da sua população e não permite que a assistência à saúde chegue uniformemente nos locais. A região Norte é a que mais sofre com o descaso em saúde. Reflexo disto é a elevação da mortalidade por SIDA nesta área, contrariando a tendência nacional.

Diversos são os motivos para esse crescimento, tais quais a ainda baixa testagem para o HIV, a desinformação de grande parcela da população e a vulnerabilidade socioeconômica. Todos eles perpassam por políticas públicas deficientes, exibindo o atraso na elaboração e aplicação de medidas efetivas nas cidades nortistas. O Pará e o Acre representam dois extremos, uma realidade que não deveria mais existir, assim como diferenças drásticas entre os gêneros no quesito acometimento. Enquanto a Amazônia ainda for lembrada como um local de onde apenas se retira matéria-prima e não for alvo de ações em saúde arquitetadas de maneira estratégica, a SIDA continuará sendo imponente e dominando os indicadores desta região. Assumir metas é firmar um compromisso com a população, a qual deve ser a prioridade máxima em qualquer gestão em saúde.

5. REFERÊNCIAS

BENZAKEN, A.S.; PEREIRA, G.F.M.; COSTA, L.; TANURI, A.; SANTOS, A.F.; SOARES, M.A. Antiretroviral treatment, government policy and economy of HIV/AIDS in Brazil: is it time for HIV cure in the country? AIDS Res Ther, v. 16, n.1, p.e19, 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde - Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais. Boletim Epidemiológico HIV/AIDS. Brasília, 2017.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis – DCCI. Boletim Epidemiológico HIV/AIDS. Brasília, 2019.

CUNHA, A.P.; CRUZ, M.M.; TORRES, R.M.C. Tendência da mortalidade por aids segundo características sociodemográficas no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre: 2000-2011.

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FOCACCIA, R.; et al. Tratado de Infectologia. 5ª ed, Atheneu, 2015.

FOCACCIA, R.; et al. Clinical and epidemiology evaluation of Aids-infected patients hospitalized between 2011 and 2016 in the Santos region of Brazil. Rev Soc Bras Med Trop, v.52, p.e20180126, 2019.

GARNELO, L.; SOUSA, A.B.L.; SILVA, C.O. Regionalização em Saúde no Amazonas:

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GARNELO, L.; LIMA, J. G.; ROCHA, E. S. C.; HERKRATH, F. J. Acesso e cobertura da Atenção Primária à Saúde para populações rurais e urbanas na região norte do Brasil.

Saúde Debate, v. 42, n. 1, p. 81 - 99, 2018.

GRANGEIRO, A.; ESCUDER, M. M. L.; CASTILHO, E. A. de. A epidemia de AIDS no Brasil e as desigualdades regionais e de oferta de serviço. Cad Saúde Pública, v. 26, n. 12, p.2355-2367, 2010.

GUIMARÃES, M.D.C.; CARNEIRO, M.; ABREU, D.M.X.; FRANÇA, E.B. HIV/AIDS Mortality in Brazil, 2000-2015: Are there reasons for concern?. Rev Bras Epidemiol, v.20, n.supl. 1, p. 182-190, 2017.

LIMA, T.R.A. Pessoas vivendo com Aids no Brasil: desigualdades regionais e entre populações vulneráveis na era pós-terapia antirretroviral tardia. (Tese) Doutorado em Epidemiologia em Saúde Pública - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2014.

LIMA, R.L.F.C.; MOREIRA, N.R.T.L.; MEDEIROS, A.R.C.; MORAES, R.M.; NASCIMENTO, J.A.; VIANNA, R.P.T.; SANTOS, S.R. Estimativas da incidência e mortalidade por Vírus da Imunodeficiência Humana e sua Relação com os Indicadores Sociais nos Estados do Brasil.

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REIS, A.C.; SANTOS, E.M.; CRUZ, M.M. A mortalidade por aids no Brasil: um estudo exploratório de sua evolução temporal. Epidemiol Serv Saúde, v.16, n.3, p.195-205, 2007.

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Disponível em: <https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/24088-pactuadas- novas-metas-mundiais-para-o-enfrentamento-ao-hiv-aids>. Acessado em 05/04/2020.

ÓBITOS POR HIV NAS REGIÕES NORTE E NORDESTE DO

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