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Dos processos administrativos e judiciais sobre o ICMS-

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 73-77)

Abandonam-se nas quadras anteriores, os elementos doutrinários tão necessários para o engrandecimento deste trabalho, a fim de que, nesta seção, sejam coligidos os resultados da pesquisa realizada no Tribunal Administrativo de

200 MELO, José Eduardo Soares de. Importação e exportação no direito tributário: impostos, taxas e contribuições. 2012, p. 199-200.

201 Id. Ibid., 2012, p. 215-216.

Recursos Fiscais (TARF) e na Procuradoria Geral do Estado (PGE-MA) e no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), sobre processos relativos às operações de importação no âmbito do ICMS pelo Porto do Itaqui.

Procurou-se identificar nos processos administrativos e judiciais referentes ao ICMS-Importação as causas da resistência do contribuinte em cumprir as normas tributárias, bem como os valores neles envolvidos. Ainda, há a preocupação em aferir o controle por parte do Fisco nessas operações.

Ao efetuar trabalho de pesquisa no TARF-MA202 localizaram-se apenas 3 (três) processos que tratam de ICMS-Importação no período de 2000 a 2013 (outubro), a seguir identificados:

1. Processo n.º 4.125/08.

Órgão Julgador: Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais da SEFAZ-MA – 1.ª e 2.ª instância.

Autos de Infração n.º 54863000193-2, 54863000194-0, 54863000195-9.

Assunto: Falta de recolhimento do imposto sobre operações de importação do exterior (2008), mercadoria (arroz), trading do Espírito Santo alega ser a importadora.

Posição: decisão administrativa procedente pela manutenção dos valores exigidos nos respectivos auto de infração.

Valor: aproximadamente R$ 20 milhões.

Obs.: Estes autos de infração estão sendo reclamados no Processo nº 016379/2009 em trâmite no Tribunal de Justiça (ver adiante).

Fonte: SEFAZ-MA e PGE-MA

2. Processo n.º 1097/2011.

Órgão Julgador: Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais da SEFAZ-MA – 1.ª instância

Auto de Infração n.º 54116300035-1.

Assunto: Falta de recolhimento do imposto sobre operações de importação do exterior (2008), mudança de endereço, indícios de sonegação fiscal.

Posição: decisão administrativa de 1.ª instância n.º 100334/2011, de 30 de junho de 2011, procedente, reclamando valores constantes no auto de infração.

Valor: aproximadamente R$ 416 mil.

Fonte: SEFAZ-MA

3. Processo n.º 9291/2003.

Órgão Julgador: Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais da SEFAZ-MA

Auto de Infração n.º 54463000029-1.

Assunto: Falta de recolhimento do imposto sobre operações de importação do exterior (2003), ativo fixo.

202 BRASIL. Secretaria de Estado da Fazenda do Maranhão.

Posição: decisão administrativa de 1ª e 2ª instância procedentes.

Valor: aproximadamente R$3.847.000,00.

Fonte: SEFAZ-MA e PGE-MA

Na PGE-MA203 constatou-se a presença dos processos relatados nos itens 1 e 2 supramencionados.

Na pesquisa efetuada no Tribunal de Justiça do Maranhão204 (TJ-MA), limitada a consultas no sistema informatizado, encontraram-se somente 2 (dois) processos que tratam de ICMS-Importação no período de 2000 a 2013 (outubro), todos oriundos de processos administrativos do TARF citados anteriormente:

1. Processo n.º 016379/2009.

Ação: Anulatória de Débito Fiscal Vara: 4.ª Vara da Fazenda Pública

DJE, Edição n.º 212/2012, Publicado em 12/11/2012.

Assunto: Importações de arroz com destino a estabelecimento de contribuinte localizado no Estado do Maranhão, tendo como intermediária trading do Estado do Espírito Santo.

Posição: STF, em andamento, com antecipação de tutela para manutenção da situação favorável ao contribuinte.

Valor: aproximadamente R$ 20 milhões.

Referente ao processo administrativo n.º 4.125/08

2. Processo n.º 048672006.

Ação: Mandado de Segurança

Vara : TJMA Coordenação Cível São Luís

STF, DJe n.º 24/2012, Publicado em 03/02/2012.

Posição: STF, Suspensão de Segurança n.º 2953; MS 004867/2006, Protocolo STF n.º 140571/2006.

Assunto: Importações de bens para integração no ativo fixo em estabelecimento de contribuinte no Estado do Maranhão, tendo como intermediária trading do Estado do Espírito Santo.

Valor: aproximadamente R$3.847.000,00.

Fonte: Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão.

Fonte: PGE-MA e TJ-MA.

Referente ao Processo Administrativo n.º 9291/2003.

Percebe-se que em termos quantitativos os reduzidos processos administrativos e judiciários sobre o ICMS-Importação podem conduzir à interpretação da ocorrência de um fiscal gap205, isto é, a comprovação de que a

203 BRASIL. Procuradoria Geral do Estado do Maranhão.

204 BRASIL. Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão. Disponível em: <http://www.tjma.jus.br/>.

Acesso em: 15 mai. 2013.

205 Perda de receita fiscal (tradução livre).

arrecadação potencial do ICMS está bem distante do que vem sendo efetivamente recolhido.

Isso ocorre, em parte, pelo fato de não haver controle preciso sobre as operações de importação pelo Porto do Itaqui na chamada zona206 primária207. Recentemente, entretanto, a SEFAZ-MA implementou sistema de processamento de dados e cálculo de tributos208, em que estão sendo disponibilizadas em tempo real (real time) as operações de importação no território maranhense (e em outros estados quando por lá desembaraçado), o que facilitará em muito o acompanhamento e a fiscalização mais rigorosa. Segundo a SEFAZ-MA, espera-se um incremento na arrecadação nesta primeira fase de instalação do software desse sistema.

Ainda no aspecto quantitativo, percebe-se que os valores envolvidos em apenas 2 (dois) dos processos (administrativos e judiciais) respondem pelo quantum de aproximadamente R$ 24 milhões, o que corresponde a uma soma expressiva para esse reduzido número de processos.

No aspecto qualitativo, observa-se que os 2 (dois) casos de valores significativos apurados na pesquisa reportam, segundo os importadores e os contribuintes, a importações realizadas no território do Espírito Santo. Todavia, esses incentivos financeiros (FUNDAP), sem a chancela do Confaz (portanto, inconstitucionais), são ofertados para atraírem importadores a realizarem operações de importação por esse estado.

Torna-se necessário registrar que estes processos (administrativos e judiciais), de valores significativos, originaram-se de, segundo a SEFAZ-MA e a PGE-MA, importações indiretas.209

206 Para a RFB ―Zona Primária – compreende a área terrestre ou aquática, contínua ou descontínua, ocupada pelos portos alfandegados; a área terrestre ocupada pelos aeroportos alfandegados; e a área adjacente aos portos de fronteira alfandegados‖. BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria da Receita Federal do Brasil. Declaração de exportação. Disponível em: <http://www.receita.

fazenda.gov.br/aduana/DeclaracaoExportacao/2003/Introducao.htm>. Acesso em: 20 out. 2013.

207 ―Art. 18. Dentro dos limites da área do porto organizado, compete à administração do porto:(...)II - sob coordenação da autoridade aduaneira: a) delimitar a área de alfandegamento(...).‖ BRASIL.

Presidência da República. Lei n.º 12.815/2013. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br /ccivil_03/_ato2011-2014/2013/Lei/L12815.htm>. Acesso em: 26 jul. 2013.

208 Sistema de processamento de dados e informações de operações relacionadas às importações.

BRASIL. Secretaria da Fazenda do Maranhão. Implantação do: Setor de Grandes Contribuintes /SEFAZ-MA.

209 STJ prescreve: ―A importação indireta caracteriza-se pela existência de um intermediador na importação, de modo que o ICMS deverá ser recolhido no Estado onde se localiza o destinatário final da mercadoria, a despeito de ter sido esta desembaraçada por estabelecimento intermediário sediado em outra Unidade da Federação, nos termos do entendimento firmado pela E. Primeira Seção (...)

Como se torna fácil inferir, somente nestes 2 (dois) casos, o prejuízo ao Estado do Maranhão foi significativo (sem contar outras importações realizadas e não detectadas pela SEFAZ-MA) o que já bem demonstra a ameaça (pervasive tax) do ICMS ao sistema tributário brasileiro quando este tributo atravessa a nebulosa atmosfera dos ―benefícios e incentivos fiscais e financeiros‖.

Trata-se, portanto, de tema que, pela relevância demonstrada afetando sobremaneira a importação pelo Porto do Itaqui e, via de consequência, a arrecadação do ICMS deste e dos demais estados, torna-se, indiscutivelmente, merecedor de seção específica, a fim de, da mesma forma que foi abordada a questão da Federação, no Capítulo 1, a pesquisa dos aspectos jurídicos ligados a este tema possam contribuir para alavancar a receita tributária derivada maranhense.

2.3 Dos incentivos fiscais dos estados na importação e a resolução nº 13 do

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