PRÁTICA
4.6 Elementos Estruturais
Um comunicado de imprensa é composto pelos seguintes elementos:
·Logótipo (do assessorado);
·Título, tamanho 14, negrito (pode incluir um ante-título);
·Lead (sumário de até 3 linhas);
·Informações sobre o assessorado (no caso de ele não ter ainda a notorieda- de que o dispense);
·Contactos;
·Imagens Ilustrativas.
4.6.1 Redação
Embora um comunicado de imprensa não se confunda com uma notícia, ele emprega a mesma técnica de redação de um texto jornalístico.
De seguida, expomos em que consiste a sua técnica de escrita.
O Título (ou headline) deve ser apelativo e incitar o jornalista a ler o comuni- cado. É o facto de ele ser interessante (ou intrigante) que o faz ser lido. Deve possuir, pelo menos, um valor-notícia (ver Capítulo3) potenciando a sua acei- tação e, subsequentemente, a sua cobertura.
Ele deve ser curto e conter um verbo de ação, no presente do indicativo, bem como algum tipo de novidade. A novidade é a essência de qualquer notícia (Beirão et ali.,2010: 51). Deve ser informativo, cativante e uma espécie de motor do comunicado de imprensa. É o que o faz funcionar para o jornalista.
Ele, também, antecipa o comunicado sem, contudo, o esgotar. Representa, pois, um primeiro (e o grande) indicar do valor noticioso do comunicado.
Por outro lado, um título deve evitar:
·Frases sem verbos;
·Formas negativas;
·Verbos no Pretérito Perfeito ou Gerúndio;
·Começarem por artigos definidos e indefinidos (um, a, etc.).
O Lead reforça o primeiro impacto causado pelo título e absorve a atenção do jornalista dizendo-lhe do que se trata e, simultaneamente, convencendo- -o a continuar a leitura.
É importante que o assessor de imprensa insira o comunicado num espa- ço (local) e tempo (dia em que é lançado). Isto evitará que se confunda um comunicado de imprensa sobre um acontecimento antigo como sendo algo acabado de acontecer. A localização e a data enquadram o texto e fornecem uma espécie de prazo de validade do comunicado de imprensa.
Alguns assessores abdicam de colocar informações sobre o assessorado julgando que isso o torna demasiado promocional e próximo de um folhe- to publicitário. Autores como Catenaccio (2008: 27) reforçam mesmo essa ideia. Embora tais receios sejam justificados, essas informações trazem mais benefícios do que consequências negativas. Primeiro, ajudam o jorna- lista a conhecer o percurso histórico, a missão e os feitos do assessorado.
Ele ficará satisfeito por não ter de pesquisar essa informação de apresenta- ção porque o assessor teve o cuidado de o fazer por si.
Segundo, a apresentação tem a vantagem de dar um contexto de pertinência ao comunicado e, ao mesmo tempo, de justificar o seu alegado interes- se público. Ao explicar quem é e o que o assessorado busca atingir, está a conferir uma dimensão potencialmente relevante que legitima a aten- ção do jornalista.
Uma coisa é ele receber um comunicado acerca de “mais uma” empresa desconhecida. Outra coisa é ele desconhecer a empresa, mas perceber a sua dimensão empresarial, social e económica. A informação sobre o asses- sorado deve ser pequena (no máximo, dois parágrafos) mas bastarão essas linhas para ajudar o jornalista a decidir que essa entidade é importante.
O assessor nunca se deve esquecer de colocar as múltiplas possibilidades de ser contactado (por email, por telefone, por morada…). Estar disponível para o jornalista é uma parte crucial da sua profissão. Muitos alunos, quando aprendem a escrever um comunicado de imprensa, negligenciam este aspe- to. Mas são os contactos que dizem ao jornalista que 1) o assessor está ali
Habitualmente, é o nome do assessor de imprensa que surge nos contactos, podendo dar-se o caso de haver dois nomes quando existe um assessor esta- giário (que para ganhar experiência redigiu o texto) e o assessor responsável (que orientou o primeiro).
O contacto deve incluir:
·Nome;
·Função Profissional (Assessor de Imprensa);
·Telemóvel e Email;
·Morada postal Institucional (opcionalmente);
·Site Institucional (opcionalmente).
O contacto nunca inclui:
·Perfil Institucional do assessorado nas redes sociais como Facebook ou Twitter;
·Perfil profissional do assessor de imprensa nas redes sociais como o Linkedin;
·Quaisquer endereços web que não sejam os do assessorado;
·Nunca se utiliza: “Saiba mais em: www.”. Se há alguma coisa que o jornalis- ta deve saber isso está no comunicado de imprensa. O assessor não deixa nada por dizer que seja importante.
As imagens ilustrativas são, hoje, quase imprescindíveis: não apenas são um elemento que convoca o olhar do jornalista atraindo o seu interesse, como mostram o produto/serviço em causa contribuindo para a eficácia do comunicado de imprensa. seja para ilustrar o comunicado de imprensa, seja para atrair a atenção do jornalista.
Os comunicados de imprensa far-se-ão acompanhar de imagens ilustrati- vas, em especial, no caso do lançamento de novos produtos.
A imagem serve o texto e não o contrário.
A imagem é, mesmo, o primeiro foco de atenção do leitor/espetador pelo que é necessário que o assessor de imprensa tenha especial atenção na sua preparação.
Eis as orientações básicas para o assessor:
·Consideram-se “imagens” as fotografias, ilustrações, gravuras ou gráficos que acompanham o texto;
·As imagens podem ilustrar (no texto) o comunicado de imprensa, mas devem ser sempre incluídas em anexos para que o jornalista a possa tra- balhar e usar da forma que considere mais apropriado;
·Devem estar em formato JPEG ou RAW;
·Devem ter iluminação, contraste e saturação adequados ao meio de comu- nicação a que se destinam;
·Devem estar bem enquadradas e focadas;
·A sua resolução deve ser 150dpi (para ser vista no ecrã) ou 300 dpi no caso de ser destinada a ser impressa, como no caso de uma revista;
·Não deve ultrapassar os 10 Mb;
·O assessor deve possuir os seus direitos de reprodução e os direitos de autor devem ser devidamente reconhecidos.