PRÁTICA
4.7 Redação do Corpo do Comunicado de Imprensa
·A informação de cada parágrafo vale por si mesmo não sendo necessá- rio ler outros parágrafos para o compreender. Cada parágrafo é uma unidade de sentido;
·Frases curtas com até 10 palavras;
·Frases simples e diretas com Sujeito + Verbo + Complementos (Directo ou Indireto);
·Frases objetivas. A pormenorização deve cingir-se ao essencial;
·Não se escreve na 1ª pessoa do singular, mas sim na 3ª pessoa do singular.
Ex: “Recorde-se que…” em vez de “Lembro ao sr. Jornalista que…”;
·Evita-se os chamados “lugares comuns” (afinal, podem não ser assim tão comuns), bem como grande chavões (o azeite não se mistura com a água) ou palavras de ordem;
·Atenção aos dícticos: aqui, nós, ontem, etc já que dependem da situação do enunciador para terem sentido;
·O assessor deve ser modesto e evitar escrever: “Este é maior produto al- guma vez inventado que irá revolucionar…”. Mais uma vez, o registo da escrita é a jornalística e por isso o comunicado deve ser objetivo;
·Não use anáforas, isto é, a repetição consecutiva da mesma palavra no início de um conjunto de frases;
·Iniba-se de repetir sucessivamente a mesma palavra na mesma frase;
·Não reiterar as mesmas estruturas frásicas. Ex: “É por isto que a organiza- ção Z é…; É por isto que ela sente….; “É por isto que ela não…”;
·Não se usam artigos definidos antes do nome de pessoas. É “António Costa”
em vez de “O António Costa”;
·Atenção às palavras de origem estrangeira: em português, é avioneta (não avionete), Bidão (não bidon), Cabina (não cabine), défice (não déficit), etc.;
·Evitar assaz e quiçá por ser um aportuguesamento de vocábulos france- ses; ou ingleses (sponzorização em vez de patrocínio);
·Evitem-se redundâncias, pleonasmos desnecessários e oxímoros: escuro como breu; mar de gente; primar pela ausência.
Os comunicados de imprensa regem-se pelas mesmas convenções de es- crita jornalística:
·Os números até dez deverão ser escritos por extenso e só a partir de 11 se usarão algarismos;
·Sempre que se mencione horas de outros países, deve complementar-se com a hora portuguesa correspondente (12h30);
·As datas apresentam-se como: 2 de Janeiro de 2022;
·Escreve-se: anos 1920 e não anos 20 (pode ser 2020):
·Os títulos de jornais, revistas, publicações periódicas, livros, filmes, etc., escrevem-se entre aspas, com a letra inicial em caixa alta;
·Colocam-se em CAIXA ALTA:
·As palavras País, Nação, Pátria, Hino, Governo e Presidente da Republica quando se referem a Portugal;
·Nomes de órgãos de soberania e instituições públicas;
·Nomes de fundações, organizações, associações, empresas e clubes desportivos;
·Nomes de continentes, oceanos, países e regiões;
·Colocam-se em CAIXA BAIXA:
·Palavras que designam graus académicos, postos militares e títulos de função (exceto os referidos anteriormente);
·Nomes de profissões;
·Nomes de géneros musicais, teatrais, cinematográficos, e demais artes;
·As letras K, W e Y não pertenciam ao alfabeto português, mas foram incorporadas pelo Acordo Ortográfico de 1990. São utilizadas nas se- guintes situações:
·Em palavras estrangeiras na sua forma original;
·Ex.: Franklin, show, hobby etc.;
·Em nomes próprios estrangeiros e seus derivados;
·Ex.: Disneylândia, Walmart, Hollywood, Darwin etc.;
·Em abreviaturas e símbolos;
·Ex.: km, kg, w etc.
Figura 7 – Exemplo de Comunicado de Imprensa da Sonae. Consultado em: https://so- naemc.com/media-center/
4.7.1 Distribuição
A disseminação do press release pela Imprensa é, atualmente, maio- ritariamente efetuada por correio eletrónico, e deve ser feita com a antecedência necessária ao seu respetivo agendamento, cobertura e publi- cação (Ribeiro, 2014: 13).
Em média, um comunicado de imprensa deve ser emitido 7 dias antes do acontecimento de modo a dar tempo ao jornalista de trabalhar a informação.
Poderá emitir-se, até 3 dias antes, um comunicado de imprensa do género
“Nota de Imprensa” ou um “Comunicado de Imprensa de Cobertura” mais próximo da data para relembrar o jornalista.
Os assessores mais experientes saberão que meios e órgãos de comunica- ção social necessitam de mais tempo de antecedência e tal é um “instinto”
que se adquire com o tempo.
De qualquer modo, acertar no tempo certo para que o comunicado não surja com tanta antecedência que dele se esqueçam, e tão próximo dos prazos dos jornalistas que eles não o consigam incluir na sua agenda, é uma tarefa delicada que exige perícia.
A destreza reside em acertar no timing ou momento adequado para o efeito. Esse tempo adequado é, basicamente, aquele que respeita o traba- lho do jornalista.
Assim, a distribuição do comunicado de imprensa deve atender à hora de encerramento das redações (que tendem a variar de acordo com o meio de comunicação).
A orientação geral é que se envie o comunicado de imprensa da parte da manhã para que ele seja a primeira coisa com que o jornalista se depare quando ligar o computador. Deve-se evitar enviá-lo à sexta-feira à tarde, ou ao fim de semana (em especial, no caso da imprensa escrita não diária) por haver menos jornalistas a trabalhar.
Evite-se, também, enviar comunicados depois das 15h, uma vez que muitas publicações estão a fechar as suas redações durante a tarde. Mesmo se o comunicado de imprensa for dirigido à televisão, haverá menos tempo para
O assunto do email deverá corresponder ao título do comunicado de im- prensa para potenciar um maior interesse do jornalista. Nunca coloque simplesmente “Comunicado de Imprensa” no assunto uma vez que isso é uma expressão genérica que nada diz ao jornalista o que vai encontrar. A conquista da atenção da Imprensa começa, desde logo, no assunto do email.
Depois de divulgado o comunicado de imprensa, o assessor deve es- perar o contato do jornalista, e mostrar-se totalmente disponível para atender às suas necessidades (mesmo que isso signifique repetir o conteú- do do comunicado).
O assessor deve, também, monitorar os resultados obtidos com este envio, tal como veremos nos próximos capítulos.