crítica implica no desenvolvimento de doenças neurológicas e o retardo metal irreparáveis (GRISOLIA, 2005).
De acordo com Grisolia (2005), estudos realizados com agricultores em diversas partes do planeta apresentam a associação entre diferentes tipos de câncer e o uso de agrotóxicos. Os tipos de cânceres mais associados aos agricultores são: pulmões, estômago, melanomas, próstata, cérebro, testículos, sarcomas, linfoma de Hodgkin, mieloma múltiplo e leucemias. Os resíduos de agrotóxicos podem ser encontrados no sangue, na urina, no leite, no tecido adiposo e em outros tecidos. Essas contaminações são ocasionadas da deriva durante a aplicação, excesso de aplicação, excesso de resíduo em alimentos, mau uso e destino incorreto das embalagens, uso doméstico em ambientes fechados, práticas agrícolas incorretas, como não respeitar o intervalo de carência do produto (prazo determinado entre a última aplicação e a colheita), entre outros. Cerca de 80% dos casos de câncer de mama são atribuídos a carcinógenos que atuam sobre o epitélio mamário e em muitos casos provem da dieta alimentar, pois muitos desses agentes são lipossolúveis e por isso estão mais sujeitos a eles as pessoas que optam por dietas ricas em gorduras e proteínas animais.
COEX – Polietileno co-extrudado multicamada PET – Polietileno tereftalato
Condúites
Fios para escovas e carpetes
Vidro Vidro Vidro
Fibrolata Aparas de madeira Queima
Fonte: ANDEF (2002) apud MACÊDO (2002).
As embalagens flexíveis também podem ser classificadas quanto a matéria prima, como apresenta o Quadro 4:
Quadro 4 - Tipo de embalagem flexível quanto à matéria prima e seu destino.
Tipo Composição Destino
Papelão Celulose Queima
Papel Multifolhado Celulose Incineração
Cartolina Celulose Queima
Plástico PEBD – Polietileno de baixa densidade Incineração
Mista
Papel + plástico metalizado Papel + alumínio plastificado
Papel plastificado
Incineração
Alumínio reciclado / Incineração Incineração
Fonte: ANDEF (2002) apud MACÊDO (2002).
A embalagem hidrossolúvel é feita de um tipo especial de plástico hidrossolúvel e possui dosagem determinada a ser depositada diretamente dentro do recipiente. Ao ter contato com a água, a embalagem dissolve-se completamente em 1 ou 2 minutos, evitando a exposição do operador ao produto. O saco hidrossolúvel ainda apresenta dispositivo externo de proteção que evita problemas durante o transporte ou estocagem dos produtos e representa o principal avanço tecnológico no campo das embalagens para produtos fitossanitários (ALENCAR et al., 1998 apud VERAS, 2004).
As embalagens coletivas são para acondicionar os demais tipos de embalagens, geralmente compostas por papelão e não possuem contato direto com a formulação do produto, sendo consideradas apenas para o transporte.
2.5.2 Classificação das embalagens de agrotóxicos
As embalagens de agrotóxicos podem ser classificadas em embalagens laváveis e embalagens não laváveis, que serão descritas a seguir.
2.5.2.1 Embalagens laváveis
As embalagens de agrotóxicos que podem ser lavadas são as embalagens rígidas (metálicas, plásticas, de vidro, fibrolatas, de fibra aglomerada ou de outro material rígido) vazias não perigosas, que contiveram formulações de agrotóxicos diluídas em água e quando submetidas aos adequados procedimentos de lavagem interna, apresentem na água de lavagem final uma concentração em ingrediente ativo do produto originalmente acondicionado, menor que100 ppm (NBR 13698, 1997).
De acordo com a NBR 13968:1997, a classificação das embalagens vazias lavadas de agrotóxicos como não perigosas tem por objetivos principais agilizar o transporte e a armazenagem destas até o usuário final da embalagem, responsável pela sua destinação correta e segura.
A adequada lavagem da embalagem deve ocorrer através da tríplice lavagem ou lavagem sob pressão, que são descritos na NBR 13968 de 1997. Os procedimentos para a destinação final da embalagem adequadamente lavada é estabelecida na NBR 14719 de 2001.
2.5.2.2 Embalagens não laváveis
A NBR 14935 estabelece os procedimentos para a destinação final das embalagens não laváveis, não lavadas, mal lavadas, contaminadas ou não, rígidas ou flexíveis, que não se enquadram na NBR 14719 de 2001.
As embalagens não laváveis, segundo a NBR 14935 de 2003, são aquelas que acondicionam formulações de agrotóxicos não miscíveis nem dispersíveis em água, ou não a utilizam como veículo de pulverização, e que não podem ser lavadas conforme estabelecido na NBR 13968. É incluído nessa definição as embalagens flexíveis contaminadas e as embalagens secundárias não contaminadas, rígidas ou flexíveis.
As embalagens rígidas que não utilizam água como veículo de pulverização são de produtos para tratamento de sementes, Ultra Baixo Volume (UBV) e formulações oleosas.
As embalagens flexíveis segundo a mesma Norma são sacos ou saquinhos plásticos, de papel, metalizadas, mistas ou de outro material flexível. As embalagens secundárias podem ser rígidas ou flexíveis que acondicionam as embalagens primárias (aquelas que entram em
contato direto com as formulações de agrotóxicos), elas não entram em contato direto com o agrotóxico sendo consideradas não contaminadas e não perigosas, podendo ser enquadradas nos procedimentos de destinação final de embalagens lavadas, estabelecidos na NBR 14719.
2.5.3 Segregação das embalagens
A segregação das embalagens deve ocorrer nas unidades de recebimento do sistema de logística reversa de embalagens vazias de agrotóxicos, sendo inicialmente inspecionadas e separadas em lavadas e não lavadas.
Segundo INPEV (2012), após esta classificação, as embalagens não lavadas são segregadas das demais e as lavadas são separadas quanto ao tipo, podendo ser divididas em quatro materiais diferentes: PET, Pead Mono, PP, Coex e Embalagem Metálica.
A separação das embalagens pelo tipo é norteada por siglas e uma numeração específica que é reconhecida mundialmente.
PET: A embalagem PET, ou Politereftalato de Etileno não é o mais produzido para acondicionamento de agrotóxicos. Sua forma de identificação é através da sigla PET ou PETE estampada na parte externa do recipiente, é uma estrutura monocamada identificada pelo número 1, conforme Figura 1.
Fonte: INPEV, 2012.
Pead Mono: Polietileno de Alta Densidade é a segunda resina mais reciclada no mundo, possui alta resistência a impactos e aos agentes químicos. A sua forma de identificação é através das siglas Hdpe (high density polyethylene), PE (polietileno) ou Pead.
Este tipo de embalagem possui o número 2, conforme Figura 2.
Figura 1 - Embalagem de PET
Fonte: INPEV, 2012.
PP: A embalagem PP ou Polipropileno é identificado pela sigla PP e através do número 5, ambos estampados no fundo das embalagens, como demostrado na Figura 3.
Fonte: INPEV, 2012.
COEX: O Coex, ou coextrusão também é conhecido pela sigla EVPE têm como forma de identificação as siglas COEX, EVPE ou PAPE (poliamida polietileno) e seu número de identificação é o 7, conforme Figura 4.
Fonte: INPEV, 2012.
Embalagem metálica: A embalagem metálica mais utilizada é o balde metálico de folha de aço, este recipiente embora seja o mais comum dentre as embalagens metálicas, representa apenas 10% de todo o volume de embalagens no Brasil.
De acordo com o tipo de substância plástica ou metálica empregada na composição das embalagens será determinado o material que pode ser produzido após a reciclagem (INPEV, 2012).
Figura 2 - Embalagem de Pead Mono.
Figura 3 - Embalagem PP.
Figura 4 - Embalagem Coex.
2.5.4 Alternativas para o destino final das embalagens de agrotóxicos
Antes de existir o dever legal do agricultor em devolver as embalagens de agrotóxicos de pós-consumo, era muito comum enterrar as mesmas após o uso, o que acabava inutilizando terras agricultáveis e causando contaminação do solo e dos corpos d’água. Também havia o costume de descartar essas embalagens nas lavouras ou nos rios, queimar a céu aberto ou ainda reutilizar essas embalagens para acondicionamento de água e alimentos (INPEV, 2012).
Existem Normas da ABNT que estabelecem procedimentos para destinação final de embalagens lavadas (NBR 14719:2001) e de embalagens não lavadas (NBR 14935:2003).
As embalagens de agrotóxicos podem ser recicladas ou incineradas. São passíveis de reciclagem 95% das embalagens vazias de agrotóxicos colocadas no mercado, os outros 5% são de embalagens incineradas, que são as embalagens não laváveis ou que não foram lavadas corretamente pelo agricultor. Para que possam ser encaminhadas para reciclagem, as embalagens precisam ser lavadas corretamente através da tríplice lavagem ou lavagem sob pressão, no momento de uso do produto no campo (INPEV, 2012).
No site do INPEV, é possível encontrar alguns artefatos produzidos em indústrias de reciclagem das embalagens vazias, do reaproveitamento das embalagens, como: barrica de papelão, tubo para esgoto, cruzeta de poste de transmissão de energia, embalagem para óleo lubrificante, caixa de bateria automotiva, conduíte corrugado, barrica plástica para incineração, duto corrugado, tampas para embalagens de agrotóxicos e a própria embalagem para agrotóxicos, entre outros, os produtos produzidos priorizam artefatos para uso industrial.